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Curriculum Vitae do Internato Médico 2026: O Que o Júri Lê na Prova de Discussão Curricular

A prova de discussão curricular é a primeira das três provas da avaliação final do internato médico, e é a única que o médico interno prepara por escrito com anos de antecedência: consiste, literalmente, na apreciação e discussão do curriculum vitae que entregou. O júri não avalia o currículo pela sua extensão — avalia-o contra uma grelha, e uma parte substancial da nota já está fechada antes de a prova começar.

Resposta rápida: a prova de discussão curricular destina-se a avaliar o percurso profissional do candidato ao longo do processo formativo, consistindo na apreciação e discussão do curriculum vitae apresentado. Cada elemento do júri fundamenta a sua classificação com base numa grelha de avaliação definida pela Ordem dos Médicos para cada especialidade. O currículo é entregue em suporte eletrónico, formato PDF, até 10 de fevereiro (época normal) ou 10 de setembro (época especial). A classificação da avaliação contínua entra nesta prova com uma ponderação de 40 %.

O que é a prova de discussão curricular

Júri de três médicos a analisar documentos numa sala de reuniões hospitalar
Todos os membros do júri interrogam o candidato — e cada um classifica separadamente.

O médico interno que concluiu a formação é submetido a uma avaliação final de todo o processo formativo, destinada a atribuir uma classificação numa escala de 0 a 20 valores. Essa avaliação final consta de três provas públicas e eliminatórias: discussão curricular, prática e teórica, e a sequência das provas mantém-se para todos os candidatos da mesma especialidade e época de exames, em todos os júris.

A discussão curricular é a que depende de um documento que o candidato escreveu ao longo de anos. As outras duas testam o que sabe e o que faz; esta testa o que documentou. É por isso a única em que a preparação é literalmente redação — e o contraste com a seguinte é grande: na prova prática, os documentos são escritos no próprio dia, sob cronómetro e selados em envelope.

Não confundir com as provas de agregação. Ambas incluem a apreciação de um currículo perante um júri, e é fácil misturá-las. São instrumentos distintos: a agregação é um título académico posterior ao doutoramento, regulado por diploma próprio e prestado numa universidade; a discussão curricular é uma das três provas da avaliação final do internato médico, regulada pelo Regulamento do Internato Médico e prestada num estabelecimento de saúde. Se procura o percurso académico, o guia das provas de agregação e das suas três peças trata dele em detalhe.

Os 40 % que já estão decididos

Este é o ponto que mais candidatos descobrem tarde demais para agir sobre ele. A classificação obtida na totalidade dos estágios do programa de formação — a média das avaliações contínuas, ponderada pelo tempo de duração de cada estágio — é valorizada na classificação da prova de discussão curricular com uma ponderação de 40 %. O respetivo programa de formação do internato pode fixar um valor superior para esta ponderação, nunca inferior.

Ou seja: quase metade da nota desta prova não é ganha na sala. Foi ganha ao longo de todo o internato, estágio a estágio, e está registada no processo individual antes de o júri abrir o currículo. O funcionamento dessa avaliação estágio a estágio — as duas componentes, os parâmetros e a prova escrita que fecha cada estágio — está descrito no guia da avaliação contínua do internato médico.

Componente Quando se decide Peso na prova de discussão curricular
Avaliação contínua dos estágios Ao longo de todo o internato 40 % (o programa de formação pode fixar mais)
Apreciação e discussão do curriculum vitae Na prova, contra a grelha A parte restante

Vale a pena situar a ordem de grandeza no conjunto. A classificação final da avaliação resulta da média aritmética simples das três provas, arredondada à centésima mais próxima, considerando-se Apto quem obtenha classificação igual ou superior a 10 valores. Se o programa de formação não elevar a ponderação, a avaliação contínua pesa cerca de 13 % da classificação final do internato — valor calculado por nós a partir dos 40 % da discussão curricular e do peso de um terço de cada prova, e não um número publicado enquanto tal.

Os seis elementos que a grelha valoriza

A classificação atribuída a esta prova por cada um dos elementos do júri é fundamentada com base numa grelha de avaliação onde constam os elementos a valorizar. O Regulamento enumera-os expressamente — e a formulação é «entre outros», pelo que a lista não é fechada:

  1. Descrição e análise da evolução da formação ao longo do internato, com incidência sobre os registos de avaliação contínua;
  2. Descrição e análise do contributo do trabalho do candidato para os serviços e para o funcionamento dos mesmos;
  3. Frequência e classificação de cursos cujo programa de formação seja de interesse para a especialidade;
  4. Publicação ou apresentação pública de trabalhos;
  5. Trabalhos escritos e/ou comunicados feitos no âmbito dos serviços e da especialidade;
  6. Participação, dentro da especialidade, na formação de outros profissionais.

Duas leituras não óbvias saem daqui. Primeiro: os dois primeiros elementos pedem descrição e análise, não enumeração. Um currículo que lista estágios e notas responde a metade do que a alínea pede; o que falta é a análise da evolução. Segundo: quatro dos seis elementos são sobre produção — cursos, publicações, trabalhos escritos, formação de outros. Um internato clinicamente irrepreensível sem qualquer rasto escrito deixa quatro linhas da grelha por preencher.

A grelha da sua especialidade existe e é pública. A grelha ou matriz de avaliação de cada especialidade médica é definida pela Ordem dos Médicos e publicada na respetiva página eletrónica. Não escreva o currículo contra a lista genérica do Regulamento se pode escrevê-lo contra a matriz concreta do seu colégio de especialidade — os pesos e os descritores variam. Em cada época de avaliação, a grelha da especialidade é aplicada de forma uniforme por todos os júris dessa especialidade.

Há ainda uma proteção que poucos candidatos conhecem: as alterações efetuadas às grelhas ou matrizes de avaliação só se aplicam às provas finais que decorram após um período correspondente a metade do programa de formação da respetiva especialidade. Uma grelha revista a meio do seu internato não o apanha a poucos meses do exame — há um intervalo de proteção fixado na norma.

O prazo de entrega e a regra que apanha toda a gente

Documento curricular impresso com separadores coloridos e um calendário com data assinalada
A data de entrega do currículo e a data da prova podem estar a meses de distância.

Para a prestação das provas, o médico interno deve endereçar à direção ou coordenação do internato um exemplar do curriculum vitae, em suporte eletrónico, formato PDF, até 10 de fevereiro (época normal) ou 10 de setembro (época especial).

E agora a regra que muda a forma de preparar tudo o resto:

O curriculum vitae entregue é aquele que será considerado, independentemente da data ou da época em que venha a concretizar-se a avaliação final do médico interno.

Entre a entrega e a prova podem passar semanas ou meses. Nada do que fizer nesse intervalo — um artigo aceite, um curso concluído, uma comunicação apresentada — entra no documento que o júri tem à frente. A data de fecho do currículo é a data de entrega, não a data da prova.

Há uma válvula de escape, e é estreita: se, por motivo de falta devidamente justificada apresentada no prazo máximo de cinco dias úteis, o candidato não entregar o currículo dentro do prazo, deve endereçá-lo à direção da coordenação do internato médico no dia imediatamente seguinte à cessação da causa impeditiva. Nesses casos a avaliação deve decorrer na época em curso, mediante autorização do respetivo júri.

E se falhar o prazo sem justificação? A consequência é maior do que parece. A falta de apresentação do curriculum vitae no prazo estabelecido é equiparada à falta de comparência às provas, para todos os efeitos previstos no Regulamento. Não é uma penalização na nota nem um atraso administrativo: em termos processuais, é como não ter aparecido ao exame. É por isso que a data de entrega merece mais atenção do que a data da prova.

Quem está do outro lado da mesa

Saber quem lê o currículo altera a forma de o escrever. Para cada especialidade constituem-se júris de âmbito nacional, com um presidente, dois vogais efetivos e dois vogais suplentes:

Elemento Quem é
Presidente O diretor do serviço onde se realizam as provas, da especialidade do candidato
1.º vogal efetivo De serviço ou unidade diferente do presidente e do candidato; indicado pela Ordem dos Médicos
2.º vogal efetivo O orientador de formação do próprio médico interno

Duas consequências práticas. O orientador de formação senta-se no júri — o currículo será lido por quem acompanhou o percurso e sabe o que lá deveria estar. E o 1.º vogal é externo, indicado pela Ordem: não conhece o serviço, não conhece os acrónimos internos, não sabe o que significa uma escala ou um protocolo local. O documento tem de funcionar para os dois leitores ao mesmo tempo.

Acresce que o júri só pode funcionar com todos os membros efetivos presentes, as deliberações são tomadas por maioria e expressas sempre nominalmente, e em qualquer das provas o candidato deve ser interrogado por todos os elementos do júri. O júri elabora, para cada candidato, atas de cada prova, das quais constam as classificações individualmente atribuídas por cada membro, a respetiva fundamentação e a classificação final obtida. Nada disto é uma formalidade: significa que cada afirmação do currículo pode ser objeto de pergunta por três pessoas diferentes, e que a nota de cada uma tem de ser justificada por escrito.

A argumentação desta prova tem a duração máxima de duas horas, cabendo metade do tempo ao júri e a outra metade ao candidato — e cada membro do júri deve fundamentar a avaliação e a classificação atribuídas em cada um dos elementos da discussão curricular. Na prática, uma hora é sua: é tempo suficiente para desenvolver argumentos, e demasiado para improvisar.

Note-se ainda que o médico interno não pode fazer a avaliação final no seu local de colocação, e que os locais de realização das provas são sorteados de entre unidades e serviços aos quais tenha sido atribuída idoneidade formativa na respetiva especialidade nesse ano.

Como escrever o currículo contra a grelha

A instrução operacional que decorre de tudo o acima é simples de enunciar e trabalhosa de executar: estruture o documento pelos elementos da grelha, não pela cronologia. Um currículo organizado por anos obriga o júri a reconstruir, alínea a alínea, onde está a evidência de cada item. Um currículo organizado pelos elementos a valorizar entrega essa correspondência feita.

  • Evolução da formação — não reproduza a tabela de notas. Escreva o que mudou entre o primeiro e o último estágio, e sustente-o nos registos de avaliação contínua.
  • Contributo para os serviços — protocolos, escalas, reorganizações, integração de novos internos. Descreva o problema, a intervenção e o resultado, e não apenas a função exercida.
  • Cursos — indique frequência e classificação, e explicite o interesse do programa para a especialidade. A alínea pede as duas coisas.
  • Publicações e apresentações públicas — referências completas e verificáveis.
  • Trabalhos escritos e comunicados no âmbito dos serviços — a rubrica que mais material perde por não ter sido guardado. Relatórios de estágio, revisões de casuística e normas internas contam aqui.
  • Formação de outros profissionais — sessões de serviço, tutoria de internos mais novos, formação a enfermagem ou a alunos.

Se está a montar em paralelo o seu perfil académico nacional, o guia sobre como preencher o Ciência Vitae cobre a plataforma onde a produção científica fica registada de forma reutilizável — é um instrumento diferente deste currículo, mas alimenta-o. E quem esteja a preparar em simultâneo a defesa de um trabalho académico encontra em preparação da defesa perante um júri a parte oral que esta prova também tem. Para contexto sobre a entrada na carreira, os dados de vagas de medicina e numerus clausus em Portugal enquadram o funil que antecede o internato.

O que o Tesify não faz
Não escreve o seu currículo do internato por si, e não deve. As alíneas da grelha pedem descrição e análise do seu percurso concreto — evidência que só existe no seu processo individual e na sua memória do serviço. O Tesify também não substitui a grelha da sua especialidade, não valida prazos junto da direção do internato e não tem forma de confirmar o que ficou registado na sua avaliação contínua. O que faz é ajudar a estruturar e a redigir o texto a partir do material que já reuniu, e a organizar referências de publicações e comunicações. O documento é seu, e é sobre ele que vai ser interrogado por três pessoas.

Estruturar o meu currículo com o Tesify

Perguntas frequentes

O que é exatamente a prova de discussão curricular do internato médico?

É a prova da avaliação final que se destina a avaliar o percurso profissional do candidato ao longo do processo formativo, consistindo na apreciação e discussão do curriculum vitae apresentado. É uma de três provas públicas e eliminatórias — discussão curricular, prática e teórica — que compõem a avaliação final do internato médico.

Até quando tenho de entregar o curriculum vitae?

Até 10 de fevereiro para a época normal e até 10 de setembro para a época especial, em suporte eletrónico e em formato PDF, endereçado à direção ou coordenação do internato. Se houver falta devidamente justificada, apresentada no prazo máximo de cinco dias úteis, o currículo deve ser entregue no dia imediatamente seguinte à cessação da causa impeditiva, e a avaliação decorre na época em curso mediante autorização do júri.

O que acontece se não entregar o currículo a tempo?

A falta de apresentação do curriculum vitae no prazo estabelecido é equiparada à falta de comparência às provas, para os efeitos previstos no Regulamento. Não se trata apenas de uma penalização na classificação: em termos processuais, equivale a não ter comparecido ao exame, com as consequências daí decorrentes.

Posso atualizar o currículo depois de o entregar?

Não. O curriculum vitae entregue no prazo é aquele que será considerado, independentemente da data ou da época em que a avaliação final venha a concretizar-se. Trabalhos concluídos entre a entrega e a realização da prova não integram o documento que o júri aprecia, pelo que a data de fecho do currículo é a data de entrega.

Quanto pesa a avaliação contínua nesta prova?

A classificação obtida na totalidade dos estágios do programa de formação é valorizada na classificação da prova de discussão curricular com uma ponderação de 40 %, podendo o programa de formação do internato fixar um valor superior para essa ponderação. Como a classificação final resulta da média aritmética simples das três provas, isso corresponde a cerca de 13 % da classificação final — valor calculado, não publicado enquanto tal.

Quanto tempo dura a prova?

A argumentação da prova de discussão curricular tem a duração máxima de duas horas, cabendo metade do tempo ao júri e a outra metade ao candidato. Cada membro do júri deve fundamentar a avaliação e a classificação atribuídas em cada um dos elementos da discussão curricular.

O meu orientador de formação faz parte do júri?

Sim. O 2.º vogal efetivo do júri é o orientador de formação do médico interno. O presidente é o diretor do serviço onde se realizam as provas e o 1.º vogal efetivo, indicado pela Ordem dos Médicos, pertence a serviço ou unidade diferente daquele a que pertencem o presidente e o candidato.

Que elementos é que o júri valoriza no currículo?

A grelha inclui, entre outros, a descrição e análise da evolução da formação ao longo do internato com incidência nos registos de avaliação contínua; a descrição e análise do contributo do trabalho do candidato para os serviços e o seu funcionamento; a frequência e classificação de cursos de interesse para a especialidade; a publicação ou apresentação pública de trabalhos; os trabalhos escritos e comunicados no âmbito dos serviços e da especialidade; e a participação na formação de outros profissionais.

Onde encontro a grelha da minha especialidade?

A grelha ou matriz de avaliação de cada especialidade médica é definida pela Ordem dos Médicos e publicada na respetiva página eletrónica. Em cada época, é aplicada de forma uniforme por todos os júris dessa especialidade. As alterações às grelhas só se aplicam às provas finais que decorram após um período correspondente a metade do programa de formação da especialidade.

Qual é a classificação mínima para ser considerado Apto?

As provas de avaliação final são classificadas na escala de 0 a 20 valores e resultam da média aritmética simples da classificação atribuída por cada um dos elementos do júri, sendo o valor da média final das três provas arredondado para a centésima mais próxima. É considerado Apto o médico interno que obtenha classificação igual ou superior a 10 valores.

Médica a organizar um dossiê de documentos profissionais numa secretária de hospital
O currículo do internato fecha-se na data de entrega — não na data da prova.

Fontes: Regulamento do Internato Médico, aprovado pela Portaria n.º 79/2018, de 16 de março (Diário da República, 1.ª série, n.º 54), artigos 54.º, 64.º, 66.º, 67.º, 68.º, 70.º e 71.º. A ponderação de cerca de 13 % da avaliação contínua na classificação final é calculada a partir dos 40 % fixados no artigo 54.º, n.º 4, e do peso de um terço de cada prova decorrente do artigo 70.º, n.º 11 — não é um valor publicado enquanto tal. As grelhas ou matrizes de avaliação por especialidade são definidas pela Ordem dos Médicos e publicadas na respetiva página eletrónica; confirme sempre a matriz aplicável ao seu colégio de especialidade e os prazos junto da direção ou coordenação do seu internato.

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