A prova prática é a segunda das três provas da avaliação final do internato médico, e é a menos compreendida das três. A designação sugere que se avalia sobretudo o gesto clínico. Na realidade, o candidato observa um doente durante um período limitado e depois passa três horas a escrever — dois documentos distintos, entregues em envelope selado, antes de qualquer discussão começar.
O que a prova avalia — e o que ela não é

A prova prática destina-se a avaliar a capacidade do médico interno para resolver problemas e atuar, assim como a reagir em situações do âmbito da especialidade. Dela consta a observação de um doente, a elaboração de história clínica e a sua discussão — ou a análise de casos com elaboração de relatório e a respetiva discussão — conforme aplicável e de acordo com os programas de formação especializada.
Repare na formulação: o que se avalia é resolver, atuar e reagir. Não é a exaustividade da colheita nem a elegância do texto. É a qualidade do raciocínio clínico, e o veículo desse raciocínio é escrito.
A sequência completa, minuto a minuto
| Fase | Duração máxima | O que acontece |
|---|---|---|
| Sorteio do doente | No próprio dia | De entre um mínimo de três doentes escolhidos pelo júri |
| Observação do doente | 90 min | Na presença de pelo menos um membro do júri alheio à instituição; o candidato pode tomar notas |
| Escrita — documento 1 | 120 min | História clínica + listagem justificada de exames complementares |
| Entrega e selagem | — | Envelope nominal, rubricado e selado pelos intervenientes |
| Entrega de resultados | — | O júri fornece os resultados dos exames pedidos que constem do processo clínico |
| Escrita — documento 2 | 60 min | Breve relatório: diagnóstico mais provável, plano terapêutico, prognóstico e plano de seguimento |
| Discussão | 90 min | Por todos os elementos do júri; metade do tempo cabe ao júri e metade ao candidato |
Somando os tempos máximos previstos, a prova ocupa cerca de seis horas, das quais três são de escrita — valores calculados por nós a partir dos limites do articulado, não um número publicado enquanto tal. É uma proporção que vale a pena interiorizar: a maior parte do tempo desta prova «prática» é passada a redigir.
Documento 1: a história clínica e a lista de exames

Terminado o período destinado à observação, o candidato dispõe de 120 minutos para redigir a história clínica. O regime é explícito quanto ao conteúdo mínimo — a história clínica deve conter:
- A anamnese;
- O resultado da observação;
- As hipóteses diagnósticas mais prováveis;
- E, expressamente, a discussão dessas hipóteses.
O quarto item é o que distingue este documento de um registo clínico de rotina. Não basta listar hipóteses: é preciso discuti-las por escrito — porque cada uma é plausível, o que a sustenta, o que a enfraquece. Uma história clínica impecável que termina numa lista de diagnósticos sem argumentação omite aquilo que a norma nomeia.
No mesmo período, o candidato deve ainda elaborar uma listagem justificada de exames complementares ou especializados que considere necessários a um melhor esclarecimento da situação clínica. «Justificada» é a palavra operativa: um pedido sem fundamentação não cumpre o critério, e a lista não é um anexo — é matéria avaliada.
Documento 2: o relatório dos 60 minutos
Entregues os resultados, o candidato dispõe de 60 minutos para, face aos elementos fornecidos pelo júri, elaborar um breve relatório. O conteúdo obrigatório está fixado e são quatro elementos:
- O diagnóstico mais provável;
- O respetivo plano terapêutico;
- O prognóstico;
- E o plano de seguimento.
A palavra «breve» é do regime, e é uma instrução, não um comentário. Sessenta minutos para quatro elementos significa cerca de quinze minutos por elemento — este não é o momento de repetir a história clínica que já entregou. O documento 2 deve convergir: passar das hipóteses discutidas no documento 1 para uma decisão única, sustentada nos resultados que acabou de receber, com o que se segue depois dela.
Note-se que os dois documentos são escritos em estados de informação diferentes. O primeiro é redigido sem os resultados; o segundo com eles. É legítimo — e provavelmente esperado — que o diagnóstico mais provável do segundo documento não coincida com a primeira hipótese do primeiro. O que o júri vai querer perceber na discussão é porquê.
Os envelopes selados, e porque existem

O relatório e a lista de exames complementares ou especializados são entregues ao júri, que os encerra em envelope nominal, rubricado e selado pelos intervenientes na prova. Os relatórios elaborados pelos candidatos são posteriormente abertos na presença do candidato, no início da discussão.
Isto tem uma leitura prática. O que escreveu é o registo fixo do que pensou naquele momento, e não pode ser corrigido, completado ou reinterpretado depois. A discussão parte do documento tal como o entregou. Escrever com a consciência de que aquele texto será lido em voz alta à sua frente é diferente de escrever notas para si próprio.
A discussão do relatório é feita por todos os elementos do júri e tem a duração máxima de 90 minutos, cabendo metade desse tempo ao júri e a outra metade ao candidato. A simetria é do regime: 45 minutos são seus. Quem não os prepara devolve tempo ao júri.
Quando o doente é substituído por casos clínicos
A observação do doente pode ser substituída ou complementada, nos casos previstos no programa de formação especializada, pela discussão de um ou mais casos clínicos previamente sorteados. Duas garantias acompanham essa possibilidade:
- A substituição aplica-se nessa época, por todos os júris e para todos os candidatos dessa especialidade, de igual modo. Não é uma decisão júri a júri.
- Todas as provas que envolvam a avaliação de doentes — ou de examinados no âmbito de perícias médico-legais — devem cumprir os princípios éticos necessários, nomeadamente o consentimento informado e a autorização a título pessoal. Para esse efeito, a ACSS elabora, sob proposta do CNIM, um modelo de declaração.
Confirme no programa da sua especialidade qual das modalidades se aplica — é o programa, e não o júri, que a fixa.
Para o enquadramento do percurso que antecede as provas, o guia sobre formação externa e estágios CPLP no internato médico cobre o outro conjunto de documentos que produz durante a formação. E, para contexto sobre o funil de acesso à medicina, os dados de vagas e numerus clausus em Portugal mostram quantos chegam a este ponto. Quem procura estrutura para escrita clínica em contexto académico encontra-a no guia de trabalhos finais em medicina.
Nada do que o Tesify faz entra nesta sala. A prova prática é escrita à mão, sob vigilância, com o relógio a contar e sem acesso a ferramentas — e o que entrega é selado num envelope. Não há aqui um documento para preparar em casa. O Tesify também não substitui o raciocínio clínico, que é exatamente aquilo que a prova avalia. O que pode fazer, antes, é ajudá-lo a treinar a forma escrita: estruturar discussões de hipóteses, praticar a passagem de hipóteses a decisão fundamentada, e organizar material de estudo. A prova é sua, sozinho, com uma caneta.
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Perguntas frequentes
Quanto tempo dura a prova prática do internato médico?
Somando os limites máximos previstos, cerca de seis horas: até 90 minutos de observação do doente, 120 minutos para redigir a história clínica e a lista de exames, 60 minutos para o segundo relatório e até 90 minutos de discussão. O total é um cálculo a partir dos limites do articulado, não um valor publicado enquanto tal.
Como é escolhido o doente?
O doente é sorteado no próprio dia em que se realiza a prova, de entre um número mínimo de três doentes escolhidos pelo júri. A observação é efetuada na presença de, pelo menos, um dos membros do júri alheio à instituição, e o candidato pode tomar as notas que entenda necessárias durante a observação.
O que tem de constar da história clínica?
A anamnese, o resultado da observação, as hipóteses diagnósticas mais prováveis e a discussão dessas hipóteses. Além disso, o candidato deve elaborar uma listagem justificada de exames complementares ou especializados que considere necessários a um melhor esclarecimento da situação clínica.
Recebo os resultados dos exames que peço?
Sim, dentro de um limite: o júri fornece ao candidato os resultados dos estudos requisitados sempre que estes constem do processo clínico do doente. O que pedir determina, portanto, a informação disponível para o relatório seguinte.
O que é o segundo relatório?
Depois de receber os resultados, o candidato dispõe de 60 minutos para elaborar um breve relatório do qual devem constar o diagnóstico mais provável, o respetivo plano terapêutico, o prognóstico e o plano de seguimento.
Posso corrigir o que escrevi antes da discussão?
Não. O relatório e a lista de exames são entregues ao júri, que os encerra em envelope nominal, rubricado e selado pelos intervenientes na prova. Os relatórios são posteriormente abertos na presença do candidato, no início da discussão, e é sobre esses textos que a discussão incide.
Quanto tempo tenho para falar na discussão?
A discussão do relatório é feita por todos os elementos do júri e tem a duração máxima de 90 minutos, cabendo metade desse tempo ao júri e a outra metade ao candidato.
A prova prática tem sempre um doente real?
Nem sempre. A observação do doente pode ser substituída ou complementada, nos casos previstos no programa de formação especializada, pela discussão de um ou mais casos clínicos previamente sorteados. Quando há substituição, ela aplica-se nessa época a todos os júris e a todos os candidatos dessa especialidade, de igual modo.
Fontes: Regulamento do Internato Médico, aprovado pela Portaria n.º 79/2018, de 16 de março (Diário da República, 1.ª série, n.º 54), artigo 64.º (as três provas da avaliação final), artigo 72.º e respetivos números 1 a 8 (prova prática) e artigo 73.º (prova teórica). A duração total aproximada de seis horas, e a repartição de três horas de escrita, são somas calculadas por nós a partir dos limites máximos fixados no articulado — o Regulamento não publica um total. Os programas de formação de cada especialidade podem fixar modalidades diferentes: confirme o programa aplicável à sua especialidade.
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