Ciência Vitae 2026: Como Preencher o Curriculum Português Oficial

Ciência Vitae 2026: Como Preencher o Curriculum Português Oficial

O Ciência Vitae é o currículo científico oficial português — o equivalente lusitano do Lattes brasileiro — e é o documento obrigatório para qualquer candidatura a bolsas FCT, projetos de investigação nacionais e progressões na carreira académica em Portugal. Se está a preparar uma candidatura à bolsa de doutoramento FCT 2027, a preencher o CV para o relatório anual do projeto, ou simplesmente a organizar o percurso académico, este guia passo a passo atualizado para 2026 diz-lhe exatamente o que precisa de fazer.

Um Ciência Vitae incompleto ou mal preenchido é uma das causas mais frequentes de avaliações mais baixas em candidaturas FCT — segundo orientadores experientes, muitos candidatos perdem pontos não pela qualidade do projeto, mas por um CV mal estruturado. Este guia resolve esse problema.

Resposta rápida: Aceda a cienciavitae.pt, registe-se com o email FCT ou ORCID, e use o wizard de importação para importar produções do RCAAP e projetos do SciPROJ. As secções obrigatórias para candidatura FCT são: Dados Pessoais, Formação, Afiliação, Produções Científicas e Projetos.

O que é o Ciência Vitae e para que serve

O Ciência Vitae (oficialmente CIÊNCIAVITAE) é a plataforma de gestão de currículo científico desenvolvida pela FCCN (Unidade de Serviços Digitais da FCT). Substituiu gradualmente os sistemas anteriores FCT-SIG CV, DeGóis e RENATES, que estavam dispersos e sem integração entre si.

O Ciência Vitae centraliza toda a informação relevante sobre um investigador ou estudante: formação, afiliação, produções científicas (artigos, teses, livros, patentes), projetos de investigação, prémios, atividades de ensino, participação em júris, transferência de conhecimento e muito mais.

Para que é obrigatório em Portugal?

  • Candidatura a bolsas FCT (doutoramento, pós-doutoramento) — obrigatório e avaliado
  • Candidatura a projetos FCT (financiamento de investigação) — CV FCT gerado a partir do Ciência Vitae
  • Relatórios anuais de bolseiros FCT
  • Processos de avaliação de desempenho académico em muitas universidades
  • Candidaturas a professores auxiliares/associados que exigem produção científica documentada
  • Candidaturas a prémios científicos nacionais

Como criar a conta e fazer o primeiro registo

Pré-requisitos

  • Email institucional (ou e-mail pessoal para estudantes ainda sem email .pt universitário)
  • NIF português (opcional mas recomendado — associa à conta FCT)
  • ORCID (recomendado — permite sincronização automática)

Passo a passo de criação de conta

  1. Aceda a cienciavitae.pt
  2. Clique em “Criar conta”
  3. Opção 1: Registe-se com ORCID (recomendado — sincronização automática de produções)
  4. Opção 2: Registe-se com email + password
  5. Verifique o email e complete o perfil básico (nome, afiliação principal, área científica)
  6. Se já tem conta FCT-SIG, poderá importar o currículo anterior

Associar o ORCID

Se registou sem ORCID, associe-o logo após o registo em Definições → Integrações → ORCID. Isto permite sincronização bidirecional de produções e projetos entre o Ciência Vitae e o ORCID.

Estrutura completa do CV Ciência Vitae

O Ciência Vitae organiza-se em secções funcionais. Apresentamos cada uma com o que deve incluir e o nível de prioridade para candidaturas FCT.

Secção O que incluir Prioridade FCT
Dados Pessoais Nome, morada, email, telefone, ORCID, ScientistID (Scopus) Obrigatório
Resumo 150-200 palavras em português e inglês descrevendo o perfil de investigação Muito importante
Formação Académica Licenciatura, Mestrado, Doutoramento — grau, área, instituição, ano, classificação Obrigatório
Afiliação / Posição atual Instituição de acolhimento, unidade de investigação (UIDB), categoria Obrigatório
Áreas de Atuação Área científica principal e secundárias (FOS OCDE) Obrigatório
Produções Científicas Artigos, capítulos, livros, teses, patentes, software, dados Muito importante
Projetos Projetos FCT, Horizon Europe, nacionais/internacionais — papel (PI, Co-PI, bolseiro) Importante
Atividades de Ensino Disciplinas lecionadas, orientações de dissertações/teses, cursos Relevante (doutorandos avançados)
Prémios e Distinções Prémios científicos, fellowships, honras Relevante
Participação em Júris Arguições, presidências de júri de tese Opcional (investigadores seniores)
Transferência de Conhecimento Spin-offs, licenciamentos, colaborações empresariais Opcional
Idiomas Língua materna + outras com nível (QECR) Obrigatório

Como importar produções via ORCID e RCAAP

O Ciência Vitae tem um wizard de importação que evita a introdução manual de produções e projetos. Para aceder: Produções → Adicionar → Importar.

Importação via ORCID

  1. No wizard de importação, selecione “ORCID”
  2. Autorize a ligação (se não o fez aquando do registo)
  3. Selecione as produções a importar da sua conta ORCID
  4. Reveja os metadados (DOI, co-autores, revista/editora) antes de confirmar
  5. As produções são importadas com metadados automáticos

Nota: O ORCID sincroniza automaticamente com Scopus e Web of Science, pelo que manter o ORCID atualizado simplifica toda a cadeia.

Importação via RCAAP

  1. No wizard de importação, selecione “RCAAP”
  2. O sistema pesquisa no RCAAP por documentos com o seu nome
  3. Reveja a lista e selecione as produções a associar (inclui teses, artigos em repositórios)
  4. Confirme a importação

Esta função é especialmente útil para importar a dissertação de mestrado ou tese de doutoramento depositada no repositório institucional. Saiba mais sobre o RCAAP no nosso guia completo do RCAAP 2026.

Importação via SciPROJ

O SciPROJ é o registo nacional de financiamento de C&T. Use esta opção para importar projetos FCT em que participou como bolseiro ou investigador.

Importação via PRIES (DGRH)

O PRIES é o Registo Biográfico de Docentes do Ensino Superior (gerido pela DGRH). Permite importar dados de afiliação e atividade de ensino para docentes do ensino superior português.

Secções obrigatórias para candidatura FCT

Para uma candidatura FCT (bolsa de doutoramento, pós-doutoramento ou projeto), o painel de avaliação vai analisar especificamente as seguintes secções. Certifique-se de que cada uma está completa e atualizada pelo menos 2 semanas antes do prazo:

1. Resumo (150-200 palavras)

Deve descrever claramente a área de investigação, metodologia principal, contribuições recentes e objetivos para o período de bolsa. Escreva em português e inglês. Evite linguagem genérica — seja específico sobre as suas contribuições originais.

2. Produções científicas (últimos 5 anos)

Para bolsas de doutoramento, o painel olha para:

  • Artigos em revistas com peer-review (com ISSN, DOI obrigatório)
  • Capítulos em livros com ISBN
  • Comunicações em conferências indexadas
  • A dissertação de mestrado (com nota final)

Inclua sempre o DOI quando disponível. Artigos sem DOI são menos valorizados. Para artigos em acesso aberto, inclua o link para o repositório ou RCAAP.

3. Formação académica com classificações

Inclua a classificação final de cada grau (valor numérico e escala — ex: 18/20 ou Muito Bom). Para graus obtidos no estrangeiro, inclua a equivalência portuguesa se disponível.

4. Afiliação e unidade de investigação

Associe-se à unidade de investigação (UIDB) da instituição de acolhimento. A FCT valoriza candidatos afiliados em unidades com classificação Excelente ou Muito Bom na última avaliação.

5. Idiomas

Inclua nível de inglês segundo o QECR (Quadro Europeu Comum de Referência para as Línguas). C1/C2 é esperado para candidaturas sólidas. Certificações (IELTS, TOEFL, Cambridge) são um plus.

Erros comuns e como evitá-los

Top 5 erros que custam pontos em candidaturas FCT:

  1. Produções sem DOI: Artigos sem DOI são difíceis de verificar. Se o artigo tem DOI, inclua-o sempre.
  2. Resumo genérico: “Investigo temas de saúde” não diz nada. Seja específico sobre metodologia e contribuições.
  3. ORCID desatualizado: Se o Ciência Vitae sincroniza via ORCID, mantenha o ORCID atualizado primeiro.
  4. Ausência de nota da dissertação: A nota do mestrado é avaliada. Inclua-a com a escala (18/20 ou Muito Bom).
  5. Afiliação a UIDB errada: Verifique o UIDB correto da sua unidade de investigação — o código UIDB é específico e não é o código da universidade.

Ciência Vitae vs Lattes: comparação

Para investigadores que transitam entre Portugal e o Brasil, é útil compreender as diferenças:

Aspeto Ciência Vitae (PT) Lattes (BR)
Entidade gestora FCCN / FCT CNPq
Sincronização ORCID Nativa e bidirecional Disponível mas menos automática
Importação repositórios RCAAP, SciPROJ, PRIES Sucupira, bases CAPES
Obrigatório para bolsas FCT (PT) CNPq, CAPES (BR)
Exportação CV Formato CV-FCT (PDF padronizado) XML, PDF, HTML
Integração com candidatura Direta (FCT usa Ciência Vitae ID) Direta (CNPq usa Lattes ID)

Para saber como preparar uma candidatura FCT completa, incluindo o Ciência Vitae e o plano de investigação, consulte o nosso guia sobre bolsas FCT de doutoramento.

Exportar o CV em formato FCT

O Ciência Vitae gera automaticamente o CV-FCT, o formato normalizado exigido nas candidaturas:

  1. No menu principal do Ciência Vitae, clique em “Exportar CV”
  2. Selecione “Formato FCT” (PDF padronizado)
  3. Escolha o período a incluir (recomendado: últimos 10 anos para candidatos seniores; todo o percurso para estudantes)
  4. Faça download do PDF
  5. Verifique o documento antes de submeter — erros de formatação são comuns quando há muitas produções

Pode também exportar em formato ORCID XML para sincronização com bases internacionais.

FAQ — Perguntas frequentes sobre o Ciência Vitae

Preciso de Ciência Vitae se já tenho ORCID?

Sim. O ORCID é um identificador universal, mas o Ciência Vitae é o sistema específico exigido pela FCT para candidaturas em Portugal. O ORCID e o Ciência Vitae são complementares — associate o ORCID ao Ciência Vitae para sincronização automática de produções, mas terá de preencher as secções específicas do Ciência Vitae (afiliação a UIDB, formação com classificações, etc.) que o ORCID não cobre.

Com que frequência devo atualizar o Ciência Vitae?

Recomenda-se uma atualização trimestral para investigadores ativos. Para bolseiros FCT, a atualização é obrigatória nos relatórios anuais. Antes de qualquer candidatura FCT, atualize o Ciência Vitae com pelo menos 2-3 semanas de antecedência para evitar problemas técnicos de sincronização.

Estudantes de mestrado precisam de Ciência Vitae?

Sim, especialmente se planeiam candidatar-se a bolsas FCT de doutoramento. O Ciência Vitae deve ser criado no início do mestrado para que, ao candidatar, o CV já esteja estruturado com a formação, a dissertação e eventuais publicações. Candidatos sem Ciência Vitae ou com CV vazio são prejudicados face a candidatos com CV completo.

O Ciência Vitae é público? Qualquer pessoa pode ver o meu CV?

Por defeito, o perfil é privado. Pode tornar o CV público (visível no portal cienciavitae.pt) ou manter privado. Para candidaturas FCT, o CV é partilhado com o painel de avaliação através do sistema FCT — não precisa de ser público. A maioria dos investigadores torna o CV público para aumentar visibilidade na comunidade científica.

Como associo a minha tese de doutoramento ao Ciência Vitae?

Após a tese ser depositada no repositório institucional da sua universidade e propagada para o RCAAP, use o importador RCAAP do Ciência Vitae (Produções → Adicionar → Importar → RCAAP) para a importar automaticamente. Em alternativa, adicione manualmente: Tipo “Tese de doutoramento”, título, orientadores, ano, nota, instituição e URL do repositório institucional.

Posso ter Ciência Vitae e Lattes simultaneamente?

Sim, e para investigadores luso-brasileiros é frequente e necessário manter ambos. O Ciência Vitae é exigido pela FCT (Portugal), o Lattes pelo CNPq e CAPES (Brasil). A melhor prática é manter o ORCID como repositório central e sincronizar com ambos. Para o Lattes, consulte o nosso guia atualizado de Lattes 2026.

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