Como Criar um Índice Remissivo na Tese no Word: Guia Passo a Passo 2026

Como Criar um Índice Remissivo na Tese no Word: Guia Passo a Passo 2026

O índice remissivo é a lista alfabética de conceitos, autores e termos que aparece no fim da tese, indicando as páginas onde cada entrada ocorre. Distingue-se do sumário (que segue a ordem dos capítulos) e do índice de figuras e tabelas (que lista elementos gráficos). No Word, gera-se automaticamente a partir de entradas marcadas no texto.

Resposta curta: Marque cada termo com Referências → Marcar Entrada (atalho Alt+Shift+X), que insere um campo oculto XE junto à palavra. Depois posicione o cursor no fim do documento e use Referências → Inserir Índice Remissivo. O Word recolhe todas as entradas marcadas, ordena-as alfabeticamente e associa-lhes os números de página corretos. A marcação é o trabalho real; a geração demora segundos.

A sua tese precisa mesmo de um índice remissivo?

Comece por aqui, antes de investir horas em marcação. O índice remissivo é opcional na esmagadora maioria dos regulamentos de tese e dissertação, tanto em Portugal como no Brasil. Nas normas brasileiras, o índice é classificado como elemento pós-textual opcional; em Portugal, os regulamentos institucionais raramente o exigem.

Vale a pena incluí-lo quando se verifica pelo menos uma destas condições:

  • A tese é longa (acima de 200 páginas) e densa em terminologia técnica
  • O trabalho vai ser publicado em livro, onde o índice remissivo é norma editorial
  • A área é de humanidades, história ou direito, onde a consulta por autor, conceito ou diploma legal é frequente
  • O regulamento do curso o exige explicitamente — confirme sempre antes de decidir

Se a tese tem 80 páginas e um vocabulário restrito, o esforço não compensa: um bom sumário e uma lista de siglas e abreviaturas resolvem melhor o problema de navegação.

Ecrã do Word com a caixa de diálogo de marcação de entrada de índice remissivo aberta
A caixa de marcação permanece aberta, permitindo percorrer o documento sem a fechar.

Índice remissivo, sumário e índice de figuras: as diferenças

Elemento Ordem O que lista Onde fica Comando no Word
Sumário / Índice geral Ordem do documento Capítulos e secções Antes do corpo do texto Referências → Índice
Índice de figuras e tabelas Ordem de aparecimento Elementos gráficos legendados Depois do sumário Referências → Inserir Índice de Ilustrações
Índice remissivo Alfabética Conceitos, autores, termos No fim, após as referências Referências → Inserir Índice Remissivo

Os três são independentes e podem coexistir. O guia dedicado a criar o índice de figuras e tabelas cobre o segundo caso, que usa legendas em vez de entradas marcadas.

Passo 1: Marcar entradas no texto

Selecione a palavra ou expressão que quer indexar e prima Alt+Shift+X (ou Referências → Marcar Entrada). Abre-se a caixa "Marcar Entrada de Índice Remissivo" com o texto já preenchido no campo "Entrada principal".

Nesta caixa há duas decisões importantes:

  • Marcar regista apenas aquela ocorrência específica. É o botão certo quando o termo aparece muitas vezes mas só é relevante em alguns pontos — o caso mais comum numa tese.
  • Marcar Tudo percorre o documento e marca todas as ocorrências com correspondência exata. Rápido, mas produz índices inúteis: se marcar "metodologia" com Marcar Tudo, terá uma entrada com quarenta números de página que não ajuda ninguém.

A caixa permanece aberta enquanto trabalha, o que permite percorrer o documento e ir marcando sem a fechar. Normalize a forma das entradas à medida que avança: decida se escreve "Análise de conteúdo" ou "análise de conteúdo" e mantenha a escolha, porque o Word trata maiúsculas e minúsculas como entradas distintas.

Ao marcar, o Word insere um campo oculto imediatamente a seguir ao termo, com este aspeto: { XE "análise de conteúdo" }. O documento passa a mostrar marcas de formatação. Para as esconder sem as apagar, clique no botão Mostrar Tudo (¶) no separador Base.

Passo 2: Subentradas e remissões cruzadas

Um índice plano com cem entradas é pouco útil. A hierarquia torna-o navegável, e cria-se no campo Subentrada da mesma caixa de diálogo. Se preencher "Metodologia" como entrada principal e "qualitativa" como subentrada, o resultado impresso será:

  • Metodologia
    • qualitativa, 45, 78
    • quantitativa, 52

Para criar um terceiro nível, escreve-se na caixa de subentrada o texto do segundo e terceiro níveis separados por dois pontos: qualitativa:entrevistas.

A opção Referência cruzada substitui os números de página por um reenvio para outra entrada — útil para sinónimos e siglas. Marcando "AQ" com referência cruzada para "Análise qualitativa", o índice apresenta "AQ, ver Análise qualitativa". Escreva o destino exatamente como a entrada principal existente, ou o reenvio aponta para algo que não está no índice.

Estudante a organizar fichas com termos e conceitos técnicos para o índice da tese
Decidir a hierarquia de termos antes de marcar evita reconstruir o índice a meio.

Passo 3: Marcar intervalos de páginas

Quando um conceito é discutido ao longo de várias páginas seguidas, o índice deve indicar "34-41" e não "34, 35, 36, 37". Isto exige dois passos:

  1. Selecione todo o bloco de texto correspondente (da primeira à última página do tema) e crie um marcador: Inserir → Marcador, com um nome sem espaços, por exemplo analise_conteudo.
  2. Abra a caixa Marcar Entrada, escreva a entrada, selecione a opção Intervalo de páginas → Marcador e escolha o marcador criado.

O Word passa a apresentar o intervalo completo, e ajusta-o automaticamente se o texto se deslocar por acréscimo de conteúdo anterior.

Passo 4: Gerar e formatar o índice

Coloque o cursor onde o índice deve começar — tipicamente numa página nova, no fim do documento, depois das referências bibliográficas. Vá a Referências → Inserir Índice Remissivo. Na caixa que abre pode definir:

  • Tipo: "Com avanço" coloca as subentradas em linhas indentadas (mais legível numa tese); "Contínuo" agrupa-as na mesma linha, poupando espaço.
  • Colunas: duas colunas é o padrão editorial e reduz muito o número de páginas ocupadas.
  • Alinhar números de página à direita e o carácter de preenchimento (pontilhado), que melhoram a leitura.
  • Formatos: modelos predefinidos, ou "Do modelo" para controlar a tipografia através dos estilos Índice Remissivo 1, 2 e 3, que pode alterar como qualquer outro estilo.

Como o índice é um campo dinâmico, não deve ser editado à mão: qualquer correção seria destruída na atualização seguinte. Se um termo está errado, corrija o campo XE no texto e depois atualize o índice clicando dentro dele e premindo F9.

Atualize sempre o índice remissivo depois de fechar toda a paginação e de gerar o sumário, porque qualquer alteração ao corpo do texto desloca os números de página. A ordem correta de fecho do documento é: texto final → numeração de páginas → sumário → índices de figuras e tabelas → índice remissivo.

Marcação automática com ficheiro de concordância

Para teses com muitos termos técnicos recorrentes existe um atalho pouco conhecido: o ficheiro de concordância. É um documento Word separado, com uma tabela de duas colunas — na primeira, o texto a procurar; na segunda, a entrada como deve aparecer no índice (usando dois pontos para subentradas).

Com esse ficheiro pronto, vá a Referências → Inserir Índice Remissivo → Marcação Automática e selecione-o. O Word percorre a tese e marca todas as ocorrências correspondentes de uma só vez.

A vantagem é a velocidade; a desvantagem é a mesma do botão "Marcar Tudo" — marca ocorrências irrelevantes, incluindo menções de passagem. A abordagem mais equilibrada é usar concordância para nomes próprios e termos técnicos raros (onde qualquer ocorrência interessa) e marcação manual para conceitos centrais (onde só interessam as passagens em que são efetivamente discutidos).

Erros frequentes e como os resolver

  • Os campos XE aparecem no texto impresso. São campos ocultos; estão visíveis apenas porque a opção "Mostrar Tudo" está ativa. Desligue-a no separador Base. Se aparecerem mesmo na impressão ou no PDF, desative "Imprimir texto oculto" nas opções de impressão do Word.
  • A mesma entrada aparece duplicada. Quase sempre por diferença de maiúsculas, acentuação ou um espaço extra. Corrija os campos XE para que fiquem idênticos, carácter a carácter.
  • Os números de página estão errados. O índice não se atualiza sozinho ao guardar. Clique dentro dele e prima F9, ou selecione todo o documento (Ctrl+A) e prima F9 para atualizar todos os campos.
  • A paginação alterou-se depois de gerar o índice. É o comportamento esperado: o índice ocupa páginas e desloca o que vem a seguir. Gere-o, e só depois atualize novamente para estabilizar.
  • O índice desapareceu depois de converter para PDF. Confirme que atualizou os campos antes da conversão. Este é um dos motivos para congelar campos na versão de entrega, como descrito no guia de gestão de referências no Word.

FAQ

O índice remissivo é obrigatório numa tese de mestrado?

Regra geral, não. É considerado um elemento pós-textual opcional na normalização brasileira e raramente é exigido pelos regulamentos das instituições portuguesas. Consulte o regulamento do seu curso antes de decidir: se for omisso, a inclusão fica ao critério do autor e do orientador.

Quantas entradas deve ter um índice remissivo?

Não há regra fixa, mas uma referência editorial habitual situa-se entre duas e cinco entradas por cada dez páginas de texto. Numa tese de 200 páginas, isso corresponde a algo entre 40 e 100 entradas. Muito acima disso, o índice deixa de discriminar o que é importante; muito abaixo, não cobre o material com utilidade.

Qual é a diferença entre índice remissivo e sumário nas normas brasileiras?

Na terminologia brasileira, sumário é a lista das divisões do trabalho pela ordem em que aparecem, colocada antes do texto, e índice é a lista alfabética de termos com indicação da sua localização, colocada no fim. É o oposto do uso corrente em Portugal, onde se chama frequentemente "índice" ao que no Brasil é o sumário — uma confusão comum em trabalhos com bibliografia dos dois países.

Posso criar o índice remissivo no Google Docs ou no LaTeX?

Os Documentos Google não têm função nativa de índice remissivo, o que obriga a construí-lo manualmente ou a recorrer a extensões. No LaTeX, o pacote makeidx com o comando index e a ferramenta makeindex fazem exatamente o mesmo que o Word, com melhor controlo tipográfico. Se a tese for escrita em LaTeX, esta é claramente a via mais robusta.

Devo indexar nomes de autores citados?

Só os autores efetivamente discutidos, não todos os que são citados. Em áreas como história, filosofia ou direito é comum separar em dois índices: um remissivo de assuntos e outro onomástico, apenas de nomes. Indexar cada citação bibliográfica duplicaria a lista de referências sem acrescentar valor de consulta.

Depois de dominar os campos automáticos do Word, o esforço volta para onde interessa: o conteúdo. O Tesify apoia essa parte — estruturar capítulos, manter a terminologia coerente ao longo do texto e organizar os conceitos que virão, no fim, a formar o próprio índice remissivo.

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