Estatísticas de Emprego de Licenciados em Portugal 2026
Qual a probabilidade real de encontrar emprego depois de tirar uma licenciatura em Portugal? Os dados de 2026 apresentam um panorama mais otimista do que nos últimos anos, mas com disparidades significativas entre áreas de estudo e universidades. Este artigo reúne as estatísticas de emprego de licenciados em Portugal mais recentes, com dados do INE, DGES e PORDATA, para ajudar estudantes e famílias a tomar decisões informadas.
Visão Geral da Empregabilidade de Licenciados em Portugal
Segundo o inquérito anual da DGES (Direção-Geral do Ensino Superior) a licenciados portugueses em 2025:
- 84,2% estão empregados 18 meses após conclusão da licenciatura
- 91,4% dos que procuraram emprego estão empregados ao fim de 2 anos
- 12,3% trabalham no estrangeiro (maioritariamente Reino Unido, Alemanha e Luxemburgo)
- 78% trabalham numa área relacionada com o curso
- 34% prosseguem para pós-graduação (mestrado ou doutoramento) antes de entrar no mercado de trabalho
A diferença entre os 84,2% aos 18 meses e os 91,4% aos 2 anos mostra que a entrada no mercado de trabalho é um processo gradual: uma parte relevante dos diplomados precisa de mais de um ano para estabilizar a sua situação profissional, seja por estar a concluir estágios, seja por procurar uma função alinhada com a formação. Também convém ler com atenção o indicador de 78% de diplomados a trabalhar na sua área. O complemento desse valor representa pessoas empregadas fora da sua formação, o que nem sempre significa subemprego, mas é um sinal a considerar quando se compara cursos com taxas de emprego semelhantes.
O peso dos diplomados que trabalham no estrangeiro é outro elemento que altera a leitura dos números. Um licenciado que emigra pode não aparecer nos registos nacionais de desemprego nem nos inquéritos domésticos, o que significa que as estatísticas oficiais captam sobretudo quem permanece em Portugal.

Como São Recolhidos Estes Dados
Antes de comparar cursos ou instituições, é útil perceber de onde vêm as estatísticas e o que cada fonte mede. As três fontes mais usadas em Portugal têm objetivos e métodos diferentes:
- DGES / Infocursos: o portal Infocursos cruza a informação dos diplomados de cada curso com os registos de desemprego do IEFP. É a fonte mais útil para comparar cursos concretos, mas mede apenas o desemprego registado, ou seja, não capta quem procura emprego sem se inscrever num centro de emprego.
- INE — Inquérito ao Emprego: é um inquérito trimestral por amostragem às famílias, que permite analisar a situação de emprego da população por nível de escolaridade. É a referência para comparar licenciados com outros níveis de ensino, mas não desce ao detalhe de cada curso ou instituição.
- PORDATA: compila e organiza séries estatísticas de várias entidades oficiais, o que facilita análises de evolução ao longo do tempo e comparações com outros países europeus.
Estas diferenças metodológicas explicam porque é que os valores nem sempre coincidem entre fontes. Um curso pode ter desemprego registado muito baixo no Infocursos e, ainda assim, ter diplomados em situações precárias, a tempo parcial ou a trabalhar fora da área. Para uma leitura rigorosa, o ideal é cruzar pelo menos duas fontes e verificar sempre o ano de referência e a definição de “empregado” usada. Quem quiser aprofundar a exploração destas bases encontra um roteiro prático no guia sobre onde encontrar dados para uma tese em sociologia em Portugal (INE, ICS-ULisboa e ESS).
Empregabilidade por Área de Estudo
| Área de Estudo | Empregabilidade 18m | Salário Entrada (€/mês) |
|---|---|---|
| Informática / Tecnologias Digitais | 96,8% | €1.850 |
| Medicina e Ciências da Saúde | 95,2% | €2.100 |
| Engenharia (todas as áreas) | 92,4% | €1.650 |
| Direito | 88,1% | €1.200 |
| Economia / Gestão | 87,5% | €1.350 |
| Psicologia | 79,3% | €1.050 |
| Educação / Ensino | 76,2% | €1.100 |
| Ciências Sociais e Humanas | 71,4% | €980 |
| Artes e Humanidades | 65,8% | €900 |
Fonte: DGES — Relatório de Empregabilidade dos Diplomados 2025; INE — Inquérito ao Emprego Q3 2025
A tabela confirma um padrão que se repete há vários anos: as áreas tecnológicas e da saúde lideram tanto em empregabilidade como em salário de entrada, enquanto as Ciências Sociais, as Humanidades e as Artes ficam no fundo das duas colunas. Entre o topo (Informática, 96,8%) e a base (Artes e Humanidades, 65,8%) há uma diferença de 31 pontos percentuais, o que torna a escolha da área o fator individual com maior peso na probabilidade de emprego.
Dois casos merecem leitura cuidada. Em Psicologia e em Direito, o acesso pleno à profissão depende de estágios profissionais obrigatórios regulados pelas respetivas ordens, pelo que os primeiros meses após a licenciatura coincidem muitas vezes com períodos de formação pouco remunerados. Em Educação, a empregabilidade está fortemente ligada aos ciclos de contratação pública de docentes e à necessidade de mestrado profissionalizante para lecionar, o que adia a entrada efetiva no mercado.

Salários Médios de Licenciados em Portugal
O salário mediano de entrada em Portugal para licenciados em 2026 é de €1.250/mês, com progressão para €1.550/mês aos 5 anos de experiência. Dados do INE e Banco de Portugal 2025:
- €1.250/mês: salário mediano de entrada para todos os cursos
- +47% premium salarial para licenciados vs. trabalhadores com ensino secundário
- Mestrado adiciona €280/mês na mediana salarial de entrada
- Doutoramento: +€680/mês vs. licenciatura (mas com 4-6 anos adicionais de estudo)
- O sector de IT paga o dobro da mediana nacional para recém-licenciados
Ao interpretar estes valores, é importante lembrar que se trata de salários brutos e de medianas. A mediana indica o valor que separa a metade dos diplomados que ganha menos da metade que ganha mais, sendo por isso menos influenciada por salários excecionalmente altos do que a média aritmética. O valor líquido efetivamente recebido depende do escalão de IRS, das contribuições para a Segurança Social e de eventuais benefícios fiscais aplicáveis a jovens trabalhadores.
Há ainda diferenças regionais relevantes: os salários tendem a ser mais elevados na Área Metropolitana de Lisboa e no Porto, onde se concentram as sedes das grandes empresas, mas o custo de vida, sobretudo a habitação, também é superior. Uma comparação justa entre ofertas deve, por isso, considerar o rendimento disponível depois das despesas fixas e não apenas o valor bruto anunciado.
Empregabilidade por Universidade Portuguesa
Os dados do ranking QS Graduate Employability 2026 para Portugal:
- Instituto Superior Técnico (IST/ULisboa): 97% de empregabilidade, maior reputação junto de empregadores
- Nova SBE: 96% em economia e gestão, forte rede de alumni internacional
- Universidade do Porto: 91% global, forte em engenharia e ciências
- Universidade de Coimbra: 88% global, forte em direito e medicina
- Universidade de Lisboa: 87% global, forte em ciências sociais e saúde
Os rankings internacionais combinam indicadores de reputação junto de empregadores, parcerias com empresas e percurso profissional dos antigos alunos, pelo que não são diretamente comparáveis com os dados da DGES. Além disso, parte da diferença entre instituições resulta da sua oferta formativa: uma escola centrada em engenharia ou gestão parte com vantagem face a uma universidade generalista com muitos cursos de Humanidades.
Para uma decisão concreta, a recomendação é comparar o mesmo curso em diferentes instituições através do Infocursos, em vez de comparar universidades no seu conjunto. Também vale a pena conhecer as regras de conclusão do segundo ciclo, que influenciam o calendário de entrada no mercado; os guias sobre as regras da dissertação de mestrado na Universidade do Porto e na NOVA FCT detalham prazos, júri e classificação.
Tempo Médio para Encontrar Emprego
Um dado crítico para planeamento financeiro é o tempo médio entre a conclusão da licenciatura e o primeiro emprego:
- 4,3 meses: tempo médio global para recém-licenciados (DGES 2025)
- 2,1 meses: para áreas de IT, Engenharia e Saúde
- 6,8 meses: para Artes, Humanidades e Ciências Sociais
- 28% dos recém-licenciados têm emprego antes de terminar o curso (estágios convertidos)
O facto de mais de um quarto dos diplomados ter emprego antes de concluir o curso evidencia o papel dos estágios curriculares como porta de entrada no mercado de trabalho. Nas engenharias, é comum que o estágio em empresa se transforme no próprio trabalho final de mestrado, o que aproxima o estudante do empregador ainda durante a formação. O guia sobre como transformar um relatório de estágio em engenharia civil numa dissertação mostra como aproveitar esse percurso sem comprometer o rigor académico.
Para quem estuda em áreas com tempos de procura mais longos, as estratégias com maior impacto passam por acumular experiência prática durante o curso (estágios de verão, voluntariado qualificado, projetos com entidades externas), construir um portefólio demonstrável e planear a reserva financeira para cobrir pelo menos o período médio de procura da sua área.
Licenciatura, Mestrado ou Doutoramento: Impacto na Carreira
Com cerca de um terço dos licenciados a prosseguir para pós-graduação antes de entrar no mercado, a decisão de fazer mestrado é uma das mais relevantes do percurso académico. Os dados apontam para um acréscimo médio de €280/mês na mediana salarial de entrada com mestrado e de €680/mês com doutoramento face à licenciatura, mas o retorno varia muito consoante a área e os anos adicionais de estudo.
Em várias profissões o mestrado não é opcional: é requisito para o exercício profissional (como na docência ou na arquitetura) ou é o padrão esperado pelos empregadores (como em muitas engenharias, após a organização dos cursos segundo o modelo de Bolonha). Nestes casos, a dissertação ou o relatório de estágio funciona também como uma amostra do trabalho do candidato, que pode ser discutida em entrevistas de emprego.
A qualidade do trabalho final pesa, portanto, além da classificação. Um tema alinhado com necessidades reais do mercado, uma metodologia sólida e resultados bem comunicados aumentam o valor do mestrado junto de empregadores. Quem pretende, por exemplo, estudar a própria empregabilidade como tema de investigação pode modelar a probabilidade de estar empregado em função da área, da instituição ou do estágio através de uma regressão logística aplicada a uma tese de gestão. E, para quem estuda no Alentejo, as regras da dissertação na Universidade de Évora ajudam a planear projeto, entrega e defesa dentro do calendário.
Tendências de Emprego para 2026-2030
Os cursos com melhor perspetiva de emprego para os próximos 5 anos em Portugal:
- Ciência de Dados e IA: crescimento de 45% nas vagas previstas
- Cibersegurança: +38% (défice de 15.000 profissionais em Portugal)
- Engenharia de Software: +32% (mercado ainda a absorver mais do que produz)
- Enfermagem e Fisioterapia: +28% (envelhecimento da população)
- Gestão de Energia Renovável: +35% (transição energética)
Estas tendências refletem três forças estruturais: a digitalização da economia, o envelhecimento demográfico e a transição energética. Importa sublinhar que as previsões de vagas são estimativas e podem ser afetadas por ciclos económicos, mudanças tecnológicas e decisões de investimento público. Competências transversais, como análise de dados, domínio de línguas estrangeiras e capacidade de comunicar resultados, tendem a valorizar diplomados de qualquer área, incluindo as Ciências Sociais e as Humanidades, que podem combinar a sua formação de base com estas competências para reduzir a distância face às áreas mais empregáveis.
FAQ
Qual é a taxa de empregabilidade dos licenciados em Portugal em 2026?
Segundo a DGES, 84,2% dos licenciados portugueses estão empregados 18 meses após a conclusão do curso (dados 2025). Esta percentagem sobe para 91,4% ao fim de 2 anos. A variação é significativa por área: IT (96,8%) vs. Artes/Humanidades (65,8%).
Qual o salário médio de entrada para licenciados em Portugal?
O salário mediano de entrada para licenciados em Portugal é de €1.250/mês brutos (2026). Este valor varia significativamente por área: €1.850 para IT, €2.100 para Medicina, €1.650 para Engenharia, e €900-980 para Artes e Ciências Sociais.
Vale a pena fazer mestrado em Portugal para ganhar mais?
Os dados mostram que um mestrado adiciona em média €280/mês na mediana salarial de entrada (vs. licenciatura). Em certas áreas como gestão e engenharia, o diferencial pode chegar a €400-600/mês. O retorno do investimento em mestrado depende da área e da universidade escolhidas.
Quanto tempo demora um licenciado a encontrar emprego em Portugal?
O tempo médio entre a conclusão da licenciatura e o primeiro emprego é de 4,3 meses (DGES 2025). Nas áreas de IT, Engenharia e Saúde desce para 2,1 meses, enquanto em Artes, Humanidades e Ciências Sociais sobe para 6,8 meses. Cerca de 28% dos diplomados já têm emprego antes de terminar o curso.
Quantos licenciados portugueses trabalham no estrangeiro?
De acordo com os dados da DGES de 2025, 12,3% dos licenciados trabalham no estrangeiro, sobretudo no Reino Unido, na Alemanha e no Luxemburgo. Como estes diplomados nem sempre aparecem nos registos nacionais, as estatísticas oficiais refletem principalmente quem permanece em Portugal.
Onde posso consultar a empregabilidade de um curso específico?
O portal Infocursos, da DGES, apresenta indicadores por curso e instituição, incluindo o desemprego registado dos diplomados no IEFP. Para comparações por nível de escolaridade, a referência é o Inquérito ao Emprego do INE, e a PORDATA reúne séries históricas úteis para analisar a evolução ao longo dos anos.
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