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TCC de Medicina 2026: 35 Temas + Revisão Sistemática PRISMA, CEP/Plataforma Brasil e Estrutura ABNT NBR 14724:2024

TCC de Medicina 2026: 35 Temas + Revisão Sistemática PRISMA, CEP/Plataforma Brasil e Estrutura ABNT NBR 14724:2024

Escolher os temas para TCC de Medicina é uma das decisões mais estratégicas da graduação. Diferente de outras áreas da saúde, o TCC em Medicina envolve complexidade metodológica específica: protocolos clínicos rigorosos, obrigatoriedade de aprovação ética no CEP para pesquisas com pacientes e normas de publicação alinhadas às exigências das revistas biomédicas. A pressão do internato, a agenda clínica intensa e os prazos institucionais tornam essa etapa ainda mais desafiadora para a maioria dos estudantes.

Este guia reúne 35 temas de TCC de Medicina organizados por especialidade — cardiologia, pediatria, saúde pública, neurologia, ginecologia-obstetrícia, psiquiatria e urgência e emergência —, explica os tipos de trabalho aceitos nas escolas médicas brasileiras, detalha o processo de submissão ao CEP via Plataforma Brasil e apresenta a estrutura conforme a ABNT NBR 14724:2024, atualizada em dezembro de 2024 após 13 anos sem revisão.

Resumo rápido: O TCC de Medicina mais comum no Brasil é a revisão sistemática ou integrativa com protocolo PRISMA 2020, seguida do relato de caso e do estudo transversal. A escolha do tema deve ser guiada pela estratégia PICO, as bases PubMed, SciELO e LILACS são as principais fontes, e qualquer pesquisa com coleta de dados primários de seres humanos exige aprovação prévia do CEP via Plataforma Brasil — conforme a Resolução CNS 466/2012.

Por que o TCC de Medicina tem exigências específicas

O TCC de Medicina carrega uma dupla responsabilidade: cumpre os requisitos acadêmicos da instituição e dialoga com as exigências da produção científica em saúde. Nas principais escolas médicas brasileiras — USP, UNIFESP, UFMG, UFRJ, UNICAMP, UNESP —, o trabalho de conclusão deve demonstrar raciocínio clínico, domínio de metodologia científica em saúde e respeito a princípios éticos consolidados.

Diferente do TCC de Enfermagem, que frequentemente se concentra em protocolos assistenciais e sistematizações de cuidado, ou do TCC de Odontologia, com foco em procedimentos clínico-laboratoriais, o TCC de Medicina tende a exigir revisões de evidências amplas, estudos epidemiológicos com dados populacionais ou relatos com alto rigor diagnóstico e discussão de diagnóstico diferencial. A revisão interna à banca avalia não apenas a qualidade da escrita, mas a plausibilidade clínica, a solidez das fontes e a adequação da metodologia ao delineamento proposto.

Outro fator determinante é o tempo disponível: a grade curricular do curso de Medicina inclui estágios de internato nos últimos dois anos, o que restringe o tempo dedicado à escrita acadêmica. Por isso, os tipos de trabalho mais viáveis são aqueles que dispensam coleta primária longa ou que podem ser conduzidos com dados já disponíveis.

Tipos de trabalho aceitos: revisão sistemática, relato de caso e estudo transversal

Fluxograma PRISMA 2020 com as quatro etapas da revisão sistemática: identificação, triagem, elegibilidade e inclusão
Fluxograma PRISMA 2020: as quatro etapas de uma revisão sistemática — identificação, triagem, elegibilidade e inclusão — com registro dos estudos excluídos em cada fase.

Revisão sistemática e integrativa com PRISMA 2020

A revisão sistemática é o tipo de TCC mais valorizado nos cursos de Medicina do Brasil. Segue o protocolo PRISMA 2020 (Preferred Reporting Items for Systematic reviews and Meta-Analyses), publicado no BMJ em 2021, que orienta a busca em múltiplas bases, a seleção transparente de estudos e o relato de resultados com diagrama de fluxo padronizado. A diferença para a revisão integrativa está no grau de rigor na triagem: a sistemática usa critérios de elegibilidade mais estritos e avalia risco de viés com ferramentas validadas como a escala de Newcastle-Ottawa (estudos observacionais) ou a RoB 2 da Cochrane (ensaios clínicos randomizados).

A revisão integrativa, por sua vez, aceita diferentes designs de estudo — qualitativos, quantitativos, revisões anteriores —, é menos restritiva e costuma ser mais viável para estudantes com menos tempo disponível. Para saber como conduzir esse processo com rigor, consulte o guia detalhado sobre Revisão Sistemática PRISMA 2020: protocolo completo e templates.

Relato de caso clínico

O relato de caso é uma opção válida, especialmente quando o estudante acompanha um paciente com apresentação incomum durante o internato. As diretrizes CARE (CAse REport) orientam a estrutura: introdução com justificativa de raridade ou relevância clínica, anamnese e exame físico, evolução, diagnóstico diferencial, tratamento e desfecho. Deve incluir TCLE do paciente ou responsável legal e, quando os dados são inteiramente anonimizados sem identificação do indivíduo, pode dispensar a aprovação formal do CEP — mas é sempre recomendável consultar o comitê da instituição antes de iniciar.

Estudo transversal e com dados secundários

O estudo transversal coleta dados de uma amostra em um único momento e permite identificar prevalências e associações epidemiológicas. Em Medicina, é comum usá-lo para traçar perfis locais de uma doença, fatores de risco em uma população específica ou avaliação de serviço de saúde. Uma opção crescente é o uso de dados secundários de sistemas nacionais — DataSUS, SIVEP-Gripe, SINASC, SISCOLO — que permitem análises robustas sem coleta primária e com menor exigência de aprovação ética, desde que os dados sejam anonimizados e de acesso público.

35 Temas de TCC de Medicina por especialidade

A seguir, 35 temas organizados por área clínica. Cada sugestão indica o tipo metodológico mais adequado para orientar a conversa com o orientador e a viabilidade dentro do prazo da graduação. Os temas foram formulados como questões de pesquisa com população, intervenção/exposição e desfecho já definidos.

Cardiologia

  1. Hipertensão arterial e adesão ao tratamento anti-hipertensivo em adultos jovens — revisão integrativa
  2. Síndrome metabólica como preditor de eventos cardiovasculares maiores — estudo transversal
  3. Eficácia das estatinas na prevenção primária em pacientes com diabetes tipo 2 — revisão sistemática
  4. Infarto agudo do miocárdio em mulheres: diferenças clínicas e desfechos hospitalares — relato de caso + revisão de literatura
  5. Arritmias cardíacas em atletas de alta performance: análise das evidências disponíveis — revisão integrativa

Pediatria

  1. Aleitamento materno exclusivo e redução da incidência de diarreia em lactentes — revisão sistemática
  2. Obesidade infantil e fatores familiares: estudo transversal em escola pública da região Nordeste
  3. Impacto do calendário vacinal nacional na mortalidade por doenças imunopreveníveis — análise de dados do DataSUS
  4. Triagem precoce do transtorno do espectro autista e desfechos da intervenção precoce — revisão integrativa

Saúde Pública e Epidemiologia

  1. Dengue urbana: determinantes socioambientais e distribuição espacial em municípios brasileiros — estudo ecológico
  2. Efetividade do Programa Mais Médicos na redução de mortalidade infantil em municípios vulneráveis — revisão sistemática
  3. Mortalidade por causas externas em adolescentes brasileiros: tendência temporal 2015–2024 — análise de dados do SIM/DataSUS
  4. Impacto da Atenção Básica na redução de internações por condições sensíveis — revisão sistemática
  5. Cobertura vacinal contra HPV em adolescentes do sexo masculino: análise dos dados do PNI 2018–2025

Geriatria e Gerontologia

  1. Polifarmácia em idosos hospitalizados e risco de quedas — estudo transversal
  2. Sarcopenia como preditor de desfechos adversos pós-operatórios em idosos — revisão sistemática
  3. Depressão em idosos institucionalizados: prevalência e fatores associados — revisão integrativa

Neurologia

  1. Acidente vascular cerebral isquêmico em adultos jovens: fatores de risco não convencionais — revisão sistemática
  2. Cefaleia crônica diária e impacto na qualidade de vida — estudo transversal em serviço ambulatorial
  3. Terapia de reposição dopaminérgica na doença de Parkinson: eficácia e tolerabilidade — revisão integrativa
  4. Epilepsia refratária e canabidiol: estado da arte e perspectivas terapêuticas — revisão sistemática

Infectologia

  1. Tuberculose multirresistente no Brasil: panorama epidemiológico e desafios terapêuticos 2015–2025 — análise de dados do SINAN
  2. Desfechos clínicos de infecção por SARS-CoV-2 em pacientes imunossuprimidos — revisão sistemática
  3. Resistência antimicrobiana em UTI: perfil microbiológico e sensibilidade — estudo retrospectivo de prontuários

Ginecologia e Obstetrícia

  1. Pré-eclâmpsia grave: manejo clínico e desfechos maternos e neonatais — revisão sistemática
  2. Endometriose e infertilidade: abordagens terapêuticas e qualidade de vida — revisão integrativa
  3. Cobertura do exame citopatológico de colo uterino em municípios do interior do Brasil — análise do SISCOLO
  4. Depressão pós-parto: rastreamento com Escala de Edimburgo na Atenção Básica — estudo transversal

Psiquiatria e Saúde Mental

  1. Burnout em estudantes de Medicina: prevalência e fatores de risco nas universidades brasileiras — revisão sistemática
  2. Ansiedade e depressão em universitários no período pós-pandemia — revisão integrativa
  3. Diagnóstico tardio do TDAH em adultos: impactos acadêmicos e ocupacionais — revisão de literatura

Oncologia

  1. Câncer de mama em mulheres com menos de 40 anos: perfil clínico-patológico e desfechos — revisão integrativa
  2. Cuidados paliativos e qualidade de vida em pacientes oncológicos: instrumentos de avaliação e desfechos — revisão sistemática

Urgência e Emergência

  1. Sistema de triagem de Manchester versus SAPS 3 na predição de desfechos em pronto-socorro — revisão sistemática
  2. Lesão renal aguda pós-contraste iodado em cateterismo cardíaco: medidas de nefroproteção — relato de caso e revisão de literatura

Como usar a estratégia PICO para escolher o tema

Diagrama da estratégia PICO para formulação da questão de pesquisa no TCC de Medicina: População, Intervenção, Comparação e Desfecho
A estratégia PICO organiza a questão de pesquisa em quatro componentes: População, Intervenção ou exposição, Comparação e Desfecho (Outcome) — base para a construção das strings de busca nas bases de dados.

A estrutura PICO organiza a questão de pesquisa em quatro componentes: População (quem você vai estudar), Intervenção ou exposição (o que será avaliado), Comparação (grupo controle ou tratamento-padrão) e Outcome (desfecho de interesse). Construir a pergunta PICO antes de fechar o tema garante viabilidade metodológica e facilita a construção das strings de busca nas bases de dados.

Exemplo para o tema 1 desta lista: P = adultos jovens de 18 a 40 anos com hipertensão arterial sistêmica; I = intervenções farmacológicas e não farmacológicas; C = sem intervenção ou tratamento-padrão isolado; O = taxa de adesão e controle pressórico em seis meses. Essa formulação gera automaticamente os descritores para o PubMed (hypertension AND "medication adherence" AND "young adults") e para o SciELO em português (hipertensão arterial AND adesão AND adulto jovem).

Para um guia completo com operadores booleanos, truncatura e construção de strings reprodutíveis, consulte o artigo Estratégia de pesquisa bibliográfica: operadores booleanos, PICO e strings reprodutíveis, que cobre PubMed, SciELO, LILACS e Scopus.

Bases de dados prioritárias para o TCC de Medicina

Principais bases de dados para TCC de Medicina no Brasil
Base Cobertura Acesso Uso indicado
PubMed / MEDLINE Internacional, biomédica Gratuito Revisão sistemática, meta-análise
SciELO Brasil América Latina, Portugal, Espanha Gratuito Literatura em português e espanhol
LILACS / BVS América Latina e Caribe Gratuito Saúde pública, atenção básica
Cochrane Library Internacional Gratuito (acesso parcial) Revisões sistemáticas e protocolos
EMBASE / Scopus Internacional Via CAPES Periódicos (institucional) Revisões amplas e meta-análises
DataSUS / TabNet Brasil — dados nacionais de saúde Gratuito Estudos epidemiológicos com dados secundários

Ética em pesquisa: CEP, Plataforma Brasil e Resolução CNS 466/2012

Fluxo de submissão ao CEP via Plataforma Brasil: das cinco etapas de cadastro do investigador à emissão do parecer de aprovação ética
Processo de aprovação ética no sistema CEP/CONEP via Plataforma Brasil: do cadastro do pesquisador responsável à emissão do número CAAE.

Todo TCC de Medicina que envolva coleta de dados primários de seres humanos — entrevistas, análise de prontuários identificados, exames, amostras biológicas — deve ser submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da instituição antes do início da coleta. Esse requisito é estabelecido pela Resolução CNS 466/2012, que regulamenta pesquisas com seres humanos no Brasil, e ignorá-lo invalida todos os dados coletados e compromete a aprovação do trabalho pela banca.

Para um panorama detalhado sobre o processo de aprovação ética tanto no Brasil (CEP) quanto em Portugal (CEUC), com os documentos exigidos em cada etapa, consulte o artigo completo sobre aprovação ética para tese: CEUC (PT) e CEP (BR) passo a passo.

Submissão via Plataforma Brasil: o passo a passo

A Plataforma Brasil é o sistema unificado do Ministério da Saúde para cadastro e acompanhamento de projetos de pesquisa no sistema CEP/CONEP. O acesso é feito em plataformabrasil.saude.gov.br. Para TCCs de Medicina, o processo segue estas etapas:

  1. Cadastro do pesquisador responsável — em geral, o orientador é o pesquisador principal; o aluno é listado como pesquisador participante.
  2. Registro do projeto — preenchimento do formulário eletrônico com objetivo, metodologia, cronograma e orçamento (mesmo que zero).
  3. Anexação de documentos obrigatórios — projeto completo, TCLE (Termo de Consentimento Livre e Esclarecido) específico para o estudo e folha de rosto assinada pelo responsável institucional.
  4. Envio ao CEP da instituição — o comitê tem até 30 dias corridos para emitir parecer em pesquisas de risco mínimo, podendo solicitar adequações.
  5. Acompanhamento do protocolo e relatórios — após a aprovação, relatórios parciais e o relatório final devem ser submetidos pela mesma plataforma ao encerramento do estudo.

Revisões sistemáticas conduzidas exclusivamente com dados de artigos publicados não precisam de aprovação do CEP, pois não envolvem interação direta com seres humanos nem acesso a dados identificados. Esse é um dos motivos pelos quais a revisão sistemática é a modalidade mais procurada por estudantes com internato em andamento — permite produzir um trabalho de alto valor acadêmico sem as restrições de tempo impostas pelo processo ético.

O que o TCLE deve conter obrigatoriamente

O TCLE deve ser redigido em linguagem acessível ao perfil do participante, informando: objetivo e justificativa da pesquisa; procedimentos que serão realizados; riscos e desconfortos previstos; benefícios esperados diretamente para o participante ou para a comunidade; garantia de confidencialidade e anonimização dos dados; direito de retirar o consentimento a qualquer momento sem prejuízo; e contato do CEP da instituição para esclarecimentos. Deve ser assinado em duas vias — uma fica com o participante ou responsável, outra com o pesquisador, e uma cópia digital é obrigatória na Plataforma Brasil.

Estrutura conforme ABNT NBR 14724:2024

A ABNT NBR 14724 foi atualizada em dezembro de 2024 — substituindo a edição de 2011 após 13 anos sem revisão — e trouxe mudanças relevantes para quem elabora o TCC agora em 2026. As principais novidades afetam a organização em seções (o termo “capítulo” foi abandonado), o posicionamento da ficha catalográfica no arquivo digital e as regras para atribuição de fonte em ilustrações produzidas pelo próprio autor. Para dominar todas as regras de formatação, incluindo margens, fontes e elementos pré-textuais, acesse o Guia Definitivo das Normas ABNT 2026.

Elementos obrigatórios na ordem correta

Estrutura do TCC conforme ABNT NBR 14724:2024
Parte Elemento Obrigatório?
Parte externa Capa Sim
Lombada Opcional
Pré-textuais Folha de rosto Sim
Ficha catalográfica (página seguinte à folha de rosto no formato digital) Sim
Folha de aprovação Sim
Dedicatória Opcional
Agradecimentos Opcional
Epígrafe Opcional
Resumo em português + palavras-chave Sim
Resumo em língua estrangeira (abstract) Sim
Listas de ilustrações, tabelas e abreviaturas Opcional (recomendado)
Sumário Sim
Textuais Introdução Sim
Desenvolvimento (seções 2, 3, 4 e subseções) Sim
Conclusão / Considerações finais Sim
Pós-textuais Referências Sim
Apêndices Opcional
Anexos Opcional
Atenção — mudança de 2024: A norma abandona o termo “capítulo”. O texto deve ser organizado em seções primárias (1, 2, 3…), seções secundárias (1.1, 1.2…) e assim por diante, conforme a NBR 6024. Essa distinção impacta diretamente a numeração progressiva e a forma como o sumário é montado. Verifique com a biblioteca da sua instituição se o guia interno já foi atualizado para a versão 2024.

Formatação padrão para o TCC de Medicina

  • Papel: A4 (210 mm × 297 mm)
  • Margens: superior e esquerda 3 cm; inferior e direita 2 cm
  • Fonte: Arial ou Times New Roman, tamanho 12 no corpo do texto; tamanho 10 em notas de rodapé, legendas e tabelas
  • Espaçamento entre linhas: 1,5 no corpo do texto; espaço simples em citações longas (recuo de 4 cm da margem esquerda), notas de rodapé e referências bibliográficas
  • Parágrafo: recuo de 1,25 cm na primeira linha ou texto alinhado à esquerda sem recuo — escolha uma opção e mantenha ao longo do trabalho
  • Numeração de páginas: a partir da primeira página da introdução, no canto superior direito; páginas pré-textuais são contadas mas não numeradas
  • Ilustrações e tabelas: identificação acima (título) e fonte abaixo; para ilustrações produzidas pelo próprio autor, usar “Elaboração própria” ou “do autor”

Erros mais comuns no TCC de Medicina

  • Iniciar a coleta antes da aprovação do CEP: invalida todos os dados coletados e pode comprometer a aprovação do trabalho pela banca e pela biblioteca institucional.
  • Confundir revisão integrativa e sistemática: a integrativa aceita diferentes designs de estudo sem avaliação formal de risco de viés; a sistemática exige protocolo rigoroso e avaliação de qualidade com ferramentas validadas. Usar o protocolo PRISMA em uma revisão integrativa sem fazer a avaliação de risco de viés é um erro que bancas experientes identificam rapidamente.
  • Não registrar o protocolo no PROSPERO antes de iniciar a busca: para revisões sistemáticas de saúde, o registro prévio no PROSPERO (International Prospective Register of Systematic Reviews) aumenta a credibilidade do trabalho e é exigido por muitas revistas para publicação.
  • Descrever a busca sem reprodutibilidade: a metodologia deve conter, de forma completa, as strings utilizadas em cada base, as datas exatas de busca, os filtros aplicados e os critérios de inclusão e exclusão. Uma busca não reprodutível não é científica.
  • Usar a NBR 14724:2011 no lugar da 2024: verifique com a coordenação do seu curso qual edição está sendo exigida — muitas universidades ainda não atualizaram os guias internos, mas a norma vigente é a de 2024.
  • TCLE genérico ou copiado de outro estudo: o TCLE deve ser específico para o estudo proposto e redigido de forma compreensível para o perfil sociocultural dos participantes. TCLEs genéricos são rotineiramente devolvidos para adequação pelo CEP.
  • Omitir o número do parecer do CEP no corpo do trabalho: o CAAE (Certificado de Apresentação para Apreciação Ética) e o número do parecer devem constar explicitamente na seção de Metodologia, logo após a descrição dos procedimentos éticos.

Perguntas frequentes

O TCC de Medicina precisa de aprovação do CEP?

Depende do tipo de trabalho. Revisões sistemáticas e integrativas que analisam exclusivamente artigos publicados não precisam de CEP, pois não envolvem interação com seres humanos nem dados identificados. Estudos com coleta primária de dados de pacientes, análise de prontuários identificados ou qualquer interação com participantes exigem aprovação prévia do Comitê de Ética em Pesquisa via Plataforma Brasil, conforme a Resolução CNS 466/2012. Análises de dados secundários de sistemas públicos anonimizados (DataSUS, SINASC, SIM) também dispensam CEP formal, conforme a Resolução CNS 510/2016.

Qual a diferença entre revisão sistemática e revisão integrativa no TCC de Medicina?

A revisão sistemática segue o protocolo PRISMA 2020, avalia rigorosamente o risco de viés de cada estudo incluído (com ferramentas como RoB 2 ou Newcastle-Ottawa) e deve ter protocolo registrado no PROSPERO antes do início da busca. A revisão integrativa permite incluir diferentes tipos de estudo e é menos restritiva na triagem, sendo mais viável para estudantes com tempo reduzido no internato. Para quem busca publicar o trabalho em revista científica, a revisão sistemática tem maior peso acadêmico.

Quantas páginas deve ter um TCC de Medicina?

Não há número fixo definido pela ABNT NBR 14724:2024. As exigências variam por instituição — consulte sempre o regulamento do seu curso. Em geral, revisões sistemáticas ficam entre 30 e 60 páginas de texto (excluindo pré-textuais e referências), relatos de caso entre 10 e 20 páginas, e estudos transversais entre 40 e 70 páginas, dependendo da extensão das tabelas de resultados e da profundidade da discussão.

Como citar artigos do PubMed e do SciELO nas referências ABNT?

Você cita os artigos encontrados nessas bases, não as bases em si. Use a NBR 6023:2018 para formatar cada referência. Para artigos com DOI: SOBRENOME, Nome. Título do artigo. Nome da Revista, local, v. XX, n. X, p. XX–XX, ano. DOI: 10.XXXX/XXXX. Para registrar a estratégia de busca, descreva as bases na seção de Metodologia: “A busca foi realizada em PubMed, SciELO e LILACS em [data], utilizando os descritores [lista], com filtros de período [intervalo] e idioma [inglês e português], sem restrição de delineamento de estudo”.

Posso usar dados do DataSUS no TCC de Medicina sem aprovação do CEP?

Sim. Dados públicos e anonimizados de sistemas como DataSUS (TabNet), SINASC, SIM, SISAB e SISCOLO são de acesso livre e, por não permitirem a identificação de indivíduos, dispensam aprovação formal do CEP conforme a Resolução CNS 510/2016, que trata de pesquisas com dados secundários de domínio público. Ainda assim, é sempre recomendável registrar formalmente o projeto junto ao orientador e confirmar a posição da sua instituição, já que alguns departamentos exigem comunicação ao CEP mesmo nesses casos.

A ABNT NBR 14724:2024 é obrigatória para o TCC em 2026?

A NBR 14724:2024 é a versão vigente da norma desde dezembro de 2024, mas a adoção obrigatória depende de cada instituição. Muitas universidades brasileiras ainda fazem referência à edição 2011 em seus guias de elaboração de TCC. Confirme com a biblioteca ou secretaria do seu curso qual versão está sendo exigida para defesas em 2026 e, em caso de dúvida, adote a versão mais recente — que é a atualmente em vigor pela ABNT.