Empregabilidade dos Recém-Licenciados em Portugal por Área (Dados 2026)
Menos de três em cada cem recém-licenciados portugueses recorrem ao sistema público de emprego no primeiro ano após terminarem o curso — mas essa média nacional esconde diferenças enormes conforme a área científica. A empregabilidade dos recém-licenciados em Portugal por área varia entre 0% de desemprego em dezenas de cursos de saúde e engenharia e mais de 13% em alguns cursos de ciências sociais, segundo os dados mais recentes do Infocursos e da DGEEC.
Estes números importam para quem escolhe um curso, para quem está a terminar a licenciatura e precisa de decidir entre entrar no mercado de trabalho ou avançar para um mestrado, e para instituições que ajustam a oferta formativa às saídas profissionais reais dos seus diplomados.
Qual é a taxa de desemprego dos recém-diplomados em Portugal?
A taxa de desemprego registado entre diplomados do ensino superior era de 2,4% nas instituições públicas e 2,5% nas privadas, no período analisado pela DGEEC até ao final de 2023 — bem abaixo da taxa de desemprego nacional, de 6,5%. Face ao ano anterior, a taxa nas instituições públicas caiu 0,7 pontos percentuais, confirmando uma tendência de melhoria na inserção profissional dos diplomados, noticiada em pormenor pelo Público em junho de 2025.
Este indicador mede a percentagem de diplomados que, depois de concluírem o curso, se inscreveram como desempregados no Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) — não é, por isso, uma medida direta de “quem está empregado”, mas sim de quem recorreu ao sistema público de emprego. Ainda assim, é o indicador oficial mais próximo de uma taxa de desemprego por curso disponível em Portugal.

Que áreas científicas têm 0% de desemprego?
87 cursos superiores portugueses registaram taxa de desemprego de 0% entre os seus diplomados recentes. Mais de metade concentra-se em apenas duas grandes áreas: Saúde e Engenharia/Ciências Exatas e Tecnologias.
| Área científica | Nº de cursos com 0% desemprego | Exemplos de cursos |
|---|---|---|
| Saúde | 25 | Enfermagem, Terapia da Fala, Farmácia, Ciências Biomédicas, Medicina |
| Engenharia, Ciências Exatas e Tecnologias | 19 | Eng. Civil, Eng. Eletrotécnica, Eng. Informática, Física, Matemática, Química Aplicada, Eng. de Materiais, Eng. do Ambiente |
| Outras áreas (Direito, Educação, entre outras) | 43 (restantes até 87) | Direito, Educação Básica |
A concentração na Saúde não surpreende: Portugal enfrenta défices reconhecidos de profissionais em enfermagem e em algumas especialidades médicas, o que sustenta uma procura estável para estes diplomados. Já na Engenharia, a procura por perfis técnicos — sobretudo informática, eletrotécnica e engenharia civil — continua a superar a oferta de diplomados em vários pontos do país.
Que cursos têm desemprego acima da média?
No extremo oposto, 80 cursos superiores registaram taxas de desemprego superiores à média nacional de 6,5%, envolvendo 8.665 diplomados. Destes, 48 são lecionados em institutos politécnicos.
Os valores mais elevados encontram-se em dois cursos de Serviço Social — um da Universidade Católica Portuguesa e outro do Instituto Superior Miguel Torga — e no curso de Gestão do Turismo Cultural e Patrimonial do Instituto Politécnico de Viseu, todos com 13,1% de desemprego registado.
Este padrão sugere que áreas com forte componente social e cultural, ou cursos de nicho com poucas saídas profissionais diretas, enfrentam maior dificuldade de absorção no mercado de trabalho do que áreas técnicas ou de saúde — mesmo quando a qualidade da formação não está em causa.
Ensino público ou privado: onde está a diferença?
A diferença entre ensino público (2,4% de desemprego) e privado (2,5%) é pequena e, na prática, pouco relevante para a decisão de um candidato — a área científica e o curso específico pesam muito mais do que o tipo de instituição. Isto é visível na lista de cursos com 0% de desemprego, que inclui exemplos de ambos os subsistemas, incluindo o curso de Direito da Universidade Católica.
Já entre os institutos politécnicos, a concentração de 48 dos 80 cursos com desemprego acima da média sugere um desafio mais específico deste subsistema — provavelmente ligado à oferta de cursos mais regionais e de nicho, com bacias de emprego locais mais limitadas do que as das grandes universidades.

Como é medida esta empregabilidade?
Os dados divulgados pelo Infocursos, o portal da DGEEC dedicado a cursos superiores, baseiam-se no cruzamento entre os registos de conclusão de curso e os registos de inscrição como desempregado no IEFP. Um diplomado que nunca se inscreveu no IEFP é contabilizado como “não desempregado” — o que inclui quem está empregado, quem está a estudar (por exemplo, num mestrado ou doutoramento), ou quem emigrou.
Por isso, estes números devem ser lidos como um indicador de inserção no mercado de trabalho português a curto prazo, e não como uma fotografia perfeita da situação profissional de cada diplomado. Ainda assim, é o dado oficial mais granular disponível por curso e instituição, atualizado anualmente e acessível a qualquer candidato através do portal Infocursos.
O que fazer com estes dados?
Para quem está a escolher curso ou a decidir entre entrar no mercado de trabalho após a licenciatura ou avançar para um mestrado, estes dados são um ponto de partida — não a única variável a considerar. A empregabilidade de um curso específico numa instituição concreta pode divergir bastante da média da área científica, pelo que vale sempre a pena consultar os dados do Infocursos por curso antes de decidir.
Quem está já a concluir a licenciatura em áreas com desemprego mais elevado pode beneficiar de investir tempo extra em estágios, competências digitais transversais ou numa pós-graduação orientada para saídas profissionais concretas. Ferramentas como o Tesify podem ajudar a reduzir o tempo dedicado à escrita da tese ou dissertação, libertando semanas que muitos estudantes preferem investir em estágios ou candidaturas a emprego antes da conclusão formal do curso.
Para perceber como estes números se comparam com o diploma seguinte na carreira académica, consulte também os dados sobre a empregabilidade dos doutorados em Portugal, que revelam um padrão distinto de inserção profissional. Para uma visão mais alargada do número total de diplomados por área, veja o artigo sobre diplomados do ensino superior em Portugal por área. Quem está a candidatar-se ao ensino superior pode ainda consultar os dados sobre vagas e colocações no concurso nacional de acesso. Se está a equacionar avançar para um mestrado, o próximo passo lógico é perceber quanto custa um mestrado em Portugal em termos de custo total.
Perguntas frequentes
Qual é a taxa média de desemprego dos recém-licenciados em Portugal?
A taxa de desemprego registado entre diplomados era de 2,4% nas instituições públicas e 2,5% nas privadas, face a uma média nacional de 6,5%, segundo dados da DGEEC/Infocursos até final de 2023, publicados em 2025.
Que curso tem garantia de emprego em Portugal?
Não existe garantia formal de emprego, mas 87 cursos superiores registaram 0% de desemprego entre os seus diplomados recentes, concentrados sobretudo em Saúde (Enfermagem, Medicina, Farmácia) e Engenharia.
As áreas de saúde têm sempre 0% de desemprego?
Não em todos os cursos, mas a Saúde é a área mais representada entre os cursos com desemprego zero, com 25 dos 87 cursos, refletindo o défice reconhecido de profissionais de saúde em Portugal.
Os institutos politécnicos têm pior empregabilidade do que as universidades?
Não de forma geral, mas 48 dos 80 cursos com desemprego acima da média nacional são lecionados em institutos politécnicos, o que sugere maior sensibilidade a mercados de trabalho regionais e de nicho.
Onde posso consultar os dados oficiais de empregabilidade por curso?
No portal Infocursos da DGEEC, que disponibiliza dados de desemprego registado por curso e instituição, atualizados anualmente.
A empregabilidade dos licenciados é igual à dos doutorados?
Não. Os doutorados seguem um padrão de inserção profissional diferente, com maior peso de setores de investigação e ensino superior, salários iniciais distintos e taxas de desemprego geralmente muito baixas mas medidas de forma diferente.
