Diplomados do Ensino Superior em Portugal 2026: Quantos e em Que Áreas (Dados DGEEC)

Diplomados do Ensino Superior em Portugal 2026: Quantos e em Que Áreas (Dados DGEEC)

Em 2024, 102.798 pessoas concluíram um curso de ensino superior em Portugal, segundo os dados mais recentes da PORDATA. O número de diplomados do ensino superior em Portugal não é um dado abstrato: define quantos licenciados, mestres e doutorados entram todos os anos no mercado de trabalho, em que áreas há mais concorrência e onde faltam profissionais qualificados. Este artigo reúne os números oficiais mais atualizados — quem se forma, onde, em que área, com que grau e há quanto tempo essa tendência se mantém — com fonte identificada em cada tabela.

A maior parte da cobertura mediática sobre ensino superior português foca-se nas inscrições e no acesso ao ensino superior (concurso nacional, notas de candidatura). Os dados sobre diplomados — quem efetivamente termina o curso — recebem menos atenção, apesar de serem o indicador mais direto da produção de qualificações do país. Os números abaixo vêm da DGEEC (Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência) e da PORDATA, as duas fontes estatísticas oficiais de referência para o setor.

Resposta rápida: Em 2024, Portugal registou 102.798 diplomados no ensino superior (PORDATA), mais 34% do que em 2015. Do total, 82.570 saíram de instituições públicas e 20.228 de privadas. A área com mais diplomados é Ciências Sociais, Comércio e Direito (34.232), seguida de Engenharia, Indústrias Transformadoras e Construção (18.665) e Saúde e Proteção Social (17.401). As mulheres representam 58,1% do total (59.759 face a 43.039 homens).

1. Quantos diplomados há em Portugal (2024)

Segundo a PORDATA, o total de diplomados do ensino superior em Portugal em 2024 foi de 102.798. É o número mais recente disponível na série oficial e resulta do cruzamento de dados recolhidos pela DGEEC junto de todas as instituições de ensino superior, públicas e privadas, no âmbito do inquérito RAIDES (Registo de Alunos Inscritos e Diplomados do Ensino Superior).

Para contextualizar a tendência, a série da DGEEC referente ao ano letivo 2022/2023 registava 95.608 diplomados totais. A diferença entre as duas séries (por subsistema/ano civil vs. por ano letivo) explica pequenas variações nos números, mas ambas confirmam a mesma direção: o número de diplomados portugueses tem crescido de forma sustentada na última década.

2. Evolução do número de diplomados (2015-2024)

A série histórica da PORDATA permite acompanhar essa evolução ano a ano. Nos últimos nove anos, o número total de diplomados aumentou cerca de 34%:

Ano Total de diplomados
2015 76.892
2018 81.846
2020 87.733
2022 91.870
2023 97.182
2024 102.798

Fonte: PORDATA, série “Diplomados no ensino superior: total e por subsistema e tipo de ensino”.

Três fatores ajudam a explicar este crescimento sustentado: o aumento continuado de inscrições no ensino superior português, reportado anualmente pela DGEEC; a expansão da oferta de mestrados desde a adoção plena do processo de Bolonha, que tornou o 2.º ciclo praticamente um passo natural após a licenciatura em muitas áreas; e o crescimento, ainda que mais lento, do ensino superior privado, que hoje absorve cerca de 1 em cada 5 diplomados. Não há sinais, nesta série, de abrandamento da tendência — pelo contrário, o salto entre 2023 e 2024 (mais 5.616 diplomados, cerca de 5,8%) é um dos maiores da série recente.

Gráfico ilustrativo da distribuição de diplomados do ensino superior português por área
Ciências Sociais, Comércio e Direito continua a liderar a produção de diplomados em Portugal

3. Diplomados por área de educação e formação

A distribuição por área de estudo mostra onde Portugal está a formar mais (e menos) profissionais. Os dados de 2024 da PORDATA, organizados pela classificação CNAEF (Classificação Nacional das Áreas de Educação e Formação), são estes:

Área de educação e formação Diplomados (2024) % do total
Ciências Sociais, Comércio e Direito 34.232 33,3%
Engenharia, Indústrias Transformadoras e Construção 18.665 18,2%
Saúde e Proteção Social 17.401 16,9%
Artes e Humanidades 10.102 9,8%
Ciências, Matemática e Informática 9.961 9,7%
Serviços 5.698 5,5%
Educação 4.491 4,4%
Agricultura, Silvicultura, Pescas e Ciências Veterinárias 2.209 2,1%

Fonte: PORDATA, “Diplomados no ensino superior: total e por área de educação e formação”, dados de 2024.

Ciências Sociais, Comércio e Direito continua a ser, de longe, a área com mais diplomados — um terço do total nacional. É também uma das áreas onde a concorrência no mercado de trabalho tende a ser mais elevada, um ponto que aprofundamos em detalhe no artigo sobre empregabilidade por área de licenciatura e mestrado em Portugal. No extremo oposto, Agricultura, Silvicultura, Pescas e Ciências Veterinárias mantém-se como a área com menor volume de diplomados, o que ajuda a explicar a escassez recorrente de técnicos qualificados nestes setores fora dos grandes centros urbanos.

Vale a pena notar que a categoria “Ciências, Matemática e Informática” agrega, na classificação CNAEF utilizada pela PORDATA, tanto ciências exatas como Tecnologias da Informação e Comunicação — uma área que continua a formar menos diplomados do que a procura do mercado de trabalho português sugere, sobretudo em perfis de programação e engenharia de software. Esta discrepância entre oferta de diplomados e procura de empregadores é um dos temas mais discutidos por associações empresariais e centros de emprego tecnológico em Portugal nos últimos anos.

4. Diplomados por ciclo de estudos (licenciatura, mestrado, doutoramento)

A distribuição por ciclo de estudos mostra o peso relativo de cada grau académico na produção total de diplomados. Os dados mais detalhados e discriminados por ciclo disponíveis publicamente são os da DGEEC referentes ao ano letivo 2022/2023 (95.608 diplomados nesse ano):

Ciclo de estudos Diplomados (2022/2023) % do total
Licenciatura (1.º ciclo) 56.061 58,6%
Mestrado (2.º ciclo) 25.900 27,1%
Mestrado integrado 6.020 6,3%
Curso Técnico Superior Profissional (CTeSP) 5.229 5,5%
Doutoramento (3.º ciclo) 2.398 2,5%

Fonte: DGEEC, Estatísticas da Educação, ano letivo 2022/2023.

Mais de metade dos diplomados portugueses termina uma licenciatura, o primeiro ciclo do processo de Bolonha. O 2.º ciclo (mestrado e mestrado integrado somados) representa já cerca de um terço do total, refletindo a expectativa crescente de que o mestrado é hoje o grau de referência para entrar no mercado de trabalho qualificado em várias profissões regulamentadas — engenharia, psicologia, arquitetura, entre outras, onde o mestrado integrado é o grau mínimo de acesso. O doutoramento mantém-se como o grau mais raro, com apenas 2,5% dos diplomados anuais — o que é expectável, dado tratar-se do nível mais avançado e mais longo de formação, com um processo de admissão mais seletivo e uma duração típica de três a quatro anos. Quem está nessa fase final do percurso académico pode encontrar dados complementares sobre saídas profissionais no artigo empregabilidade dos doutorados em Portugal, e uma análise mais aprofundada sobre este grau específico no panorama completo dos doutoramentos em Portugal, com dados por área e tempo médio de conclusão.

5. Diplomados por género

Em 2024, as mulheres representaram 58,1% do total de diplomados do ensino superior em Portugal (59.759), face a 41,9% de homens (43.039), segundo a PORDATA. Esta maioria feminina entre os diplomados é uma tendência consolidada ao longo da última década em Portugal e acompanha um padrão observado na generalidade dos países da OCDE.

Gráfico ilustrativo da distribuição de diplomados do ensino superior por género
As mulheres representam a maioria dos diplomados do ensino superior português

O que os dados agregados não mostram é a distribuição por área: a maioria feminina esconde disparidades acentuadas em áreas específicas, sobretudo nas Tecnologias da Informação e Comunicação e em algumas engenharias, onde os homens continuam a representar a maioria dos diplomados, enquanto em Saúde e Proteção Social e em Educação a maioria feminina é ainda mais expressiva do que a média nacional. Esta assimetria por área — e não apenas o total nacional — é o que mais condiciona a composição de género em profissões técnicas e científicas no mercado de trabalho português, e é também o que justifica olhar para os dados por área além do número agregado por género.

6. Público vs. privado, universitário vs. politécnico

A distribuição por tipo de instituição confirma o peso dominante do ensino público em Portugal. Segundo a PORDATA, em 2024:

Subsistema / tipo de ensino Diplomados (2024)
Total Ensino Público 82.570
— Universitário 53.757
— Politécnico 28.813
Total Ensino Privado 20.228
— Universitário 13.613
— Politécnico 6.615

Fonte: PORDATA, dados de 2024.

O ensino público responde por cerca de 80% de todos os diplomados portugueses, e dentro dele, o subsistema universitário forma quase o dobro de diplomados do subsistema politécnico. No ensino privado, essa proporção é ainda mais desequilibrada a favor do subsistema universitário. Para quem está a escolher onde estudar ou a comparar instituições antes de decidir onde fazer a tese, o mapa interativo das universidades portuguesas cruza esta informação com cursos, propinas e empregabilidade por instituição.

7. O que estes números significam na prática

Para quem está a concluir uma licenciatura, mestrado ou doutoramento este ano, estes dados servem sobretudo como referência de contexto: saber que se está entre mais de 100 mil pessoas a receber um diploma no mesmo ano ajuda a calibrar expectativas sobre concorrência no mercado de trabalho e sobre a rapidez com que a área de estudo escolhida absorve novos profissionais. As áreas com mais diplomados — Ciências Sociais, Comércio e Direito à cabeça — tendem também a ser as mais competitivas na fase de procura de emprego, enquanto áreas com menos diplomados, como Agricultura ou TIC, apresentam frequentemente maior procura relativa por parte dos empregadores, ainda que com volumes absolutos de vagas mais reduzidos.

A tendência de crescimento constante ao longo da última década (2015-2024) também é relevante para quem planeia entrar agora no ensino superior: mais diplomados por ano significa, em regra, mais concorrência para os mesmos lugares de estágio e primeiro emprego, especialmente nas áreas já saturadas. Compensar isso passa por escolher especializações dentro da área de estudo que estejam alinhadas com procura real do mercado, ou por complementar a formação de base com um segundo ciclo mais orientado para competências técnicas específicas — uma decisão que vale a pena ponderar já durante a licenciatura, como discutimos no guia de licenciaturas em Portugal por área de estudo.

Estes números também são úteis como fonte primária para trabalhos académicos: um enquadramento estatístico com dados oficiais da DGEEC ou PORDATA reforça a introdução ou o capítulo de contextualização de uma tese ou dissertação sobre ensino superior, mercado de trabalho ou políticas educativas em Portugal. Ferramentas como o Tesify podem ajudar a organizar e citar corretamente este tipo de dados estatísticos ao longo da escrita da tese, sem substituir a leitura direta das fontes oficiais.

Perguntas frequentes

Quantos diplomados há por ano em Portugal?

Em 2024, Portugal registou 102.798 diplomados no ensino superior, segundo a PORDATA. O número tem vindo a crescer de forma consistente desde 2015 (76.892 diplomados), representando um aumento de cerca de 34% em nove anos.

Qual é a área com mais diplomados em Portugal?

Ciências Sociais, Comércio e Direito é a área com mais diplomados, com 34.232 em 2024 (33,3% do total), segundo a PORDATA. Segue-se Engenharia, Indústrias Transformadoras e Construção (18.665) e Saúde e Proteção Social (17.401).

Há mais mulheres ou homens a concluir o ensino superior em Portugal?

Há mais mulheres. Em 2024, as mulheres representaram 58,1% do total de diplomados (59.759), face a 41,9% de homens (43.039), segundo dados da PORDATA.

Quantos diplomados saem do ensino público vs. privado?

Em 2024, o ensino público formou 82.570 diplomados (cerca de 80% do total nacional), enquanto o ensino privado formou 20.228, segundo a PORDATA.

Que percentagem dos diplomados conclui um doutoramento?

Segundo a DGEEC, no ano letivo 2022/2023 o doutoramento representou apenas 2,5% do total de diplomados (2.398 em 95.608), tornando-o o grau académico mais raro entre os concluintes do ensino superior português.

Onde consultar os dados oficiais sobre diplomados em Portugal?

As duas fontes oficiais de referência são a DGEEC (Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência), através do inquérito RAIDES, e a PORDATA, que disponibiliza séries históricas e permite cruzar diplomados por área, ciclo, género e subsistema de ensino.

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