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Como Apresentar Resultados na Dissertação: Guia Prático

Saber como apresentar resultados na dissertação é o que separa um capítulo que o júri lê com atenção de um capítulo que o júri folheia à procura de falhas. Depois de meses a recolher dados, a tentação é despejar tudo: cada output do SPSS, cada excerto de entrevista, cada gráfico gerado no Excel. O efeito é quase sempre o mesmo. Fica um capítulo longo e confuso, que não responde às perguntas que o próprio estudante formulou na introdução.

O capítulo de resultados tem uma função muito precisa: mostrar, de forma factual e organizada, o que os dados revelam. Não interpreta, não compara com outros autores, não justifica escolhas metodológicas. Essa disciplina é difícil, sobretudo para quem chega a esta fase cansado e com o prazo de entrega da UP, da ULisboa ou da UMinho a aproximar-se.

As orientações abaixo baseiam-se nas normas que as próprias universidades publicam para os seus estudantes. Seguem-se exemplos de frases bem e mal construídas e uma lista de verificação para rever o capítulo antes de o enviar ao orientador.

Para apresentar resultados na dissertação, organiza o capítulo pela mesma ordem dos objetivos ou hipóteses da introdução, introduz cada tabela e figura no texto antes de ela aparecer e usa a prosa para destacar tendências e valores-chave, sem repetir tudo o que já está na tabela. Guarda a interpretação e a comparação com outros autores para a Discussão e remete os dados em bruto para os anexos.

Resultados não são Discussão: a fronteira que o júri verifica

A regra mais importante, e a mais violada, é a separação entre apresentar e interpretar. As orientações da Universidade do Porto são explícitas: nos resultados “não se deve incluir citações bibliográficas ou comparar os dados obtidos com os de outros autores nesta secção”, porque o confronto com o estado da arte “pertence exclusivamente ao capítulo de Discussão” (Universidade do Porto).

Na prática, isto significa que uma frase como “estes resultados confirmam o que Silva e Costa já tinham observado” está no capítulo errado. O mesmo vale para expressões como “isto deve-se provavelmente a” ou “o que sugere que”. São interpretações, e a interpretação tem lugar próprio.

Aspeto Capítulo de Resultados Capítulo de Discussão
Pergunta que responde O que encontrei? O que significa o que encontrei?
Citações de autores Não Sim, para comparar e enquadrar
Tom Factual, neutro, descritivo Argumentativo, interpretativo
Tempo verbal mais comum Pretérito (observou-se, registou-se) Presente e condicional (indica, poderá explicar)
Limitações Só as que afetam os dados (ex.: não respostas) Discutidas em profundidade

Alguns cursos, sobretudo em ciências da saúde e em certas áreas de ciências sociais, aceitam um capítulo único de “Resultados e Discussão”. Mesmo nesse formato, a lógica mantém-se: primeiro descreves o resultado, depois interpretas, de forma claramente separada dentro de cada subsecção. Confirma sempre o regulamento da tua faculdade antes de escolher.

Organiza o capítulo antes de o escrever. No Tesify podes partir de um template de dissertação com a estrutura de resultados já dividida por objetivos, inserir tabelas e figuras numeradas e exportar para Word, PDF ou LaTeX. O registo é grátis e não pede cartão de crédito.

Folhas com formas gráficas abstratas e marcador sobre uma secretária, representando tabelas e figuras de uma dissertação
Tabelas e figuras devem ser anunciadas no texto antes de aparecerem.

Como apresentar resultados na dissertação seguindo os objetivos

A estrutura do capítulo não se inventa: herda-se da introdução. Segundo as orientações de normalização usadas pela UP e pela Universidade Nova de Lisboa, “os resultados devem ser apresentados numa sequência lógica que responda diretamente aos objetivos e/ou às hipóteses formuladas na introdução da dissertação” (Universidade Nova de Lisboa).

Imagina uma dissertação de mestrado em Gestão na Nova SBE sobre teletrabalho, com três objetivos: caracterizar a satisfação dos trabalhadores, comparar regimes presencial, híbrido e remoto, e testar a relação entre autonomia percebida e intenção de saída. O capítulo deve seguir exatamente essa ordem.

Esqueleto recomendado

  1. Nota introdutória curta. Dois ou três períodos que lembram ao leitor como o capítulo está organizado. Nada de repetir a metodologia.
  2. Caracterização da amostra ou do corpus. Quem respondeu, quantos casos foram analisados, que documentos foram incluídos. É a base para tudo o que vem depois.
  3. Uma subsecção por objetivo ou hipótese. Cada uma com título que espelha o objetivo, por exemplo “4.3 Relação entre autonomia percebida e intenção de saída”.
  4. Síntese final. Um parágrafo ou uma tabela-resumo que indica, hipótese a hipótese, se foi suportada ou não, sem explicar porquê.

Se a tua dissertação assenta num modelo de investigação com várias hipóteses, vale a pena rever como definiste os construtos e as relações no modelo conceptual da dissertação de Gestão. A numeração das hipóteses nesse modelo deve ser a mesma que usas nos títulos das subsecções de resultados.

Quando os resultados não seguem o plano

Acontece com frequência: uma análise exploratória revela algo que não estava nos objetivos. Não o escondas, mas também não o coloques à frente dos resultados principais. A solução mais limpa é uma subsecção no fim, intitulada “Resultados adicionais” ou “Análises exploratórias”, identificada como tal.

Tabelas e figuras: numeração, legenda e fonte

Tabelas e figuras são o coração do capítulo, mas só funcionam se o leitor souber porque estão ali. As normas da Universidade do Porto determinam que todos os elementos visuais “devem ser devidamente numerados (ex: Tabela 1, Figura 3) e legendados de forma clara, devendo ser referenciados obrigatoriamente no corpo do texto antes de aparecerem” (Universidade do Porto).

Quanto à identificação e à fonte, os manuais de normalização inspirados na ABNT, muito usados no Brasil e em várias instituições lusófonas, indicam que as ilustrações “devem ser identificadas na parte superior com a palavra ‘Figura’ (ou gráfico, mapa, etc.), número de ordem, travessão e título” e que na parte inferior é obrigatório indicar a fonte, “mesmo que seja elaboração própria” (Manual de Normalização de Trabalhos Académicos). Em Portugal, muitas faculdades seguem a APA, que também coloca número e título acima do elemento. O pormenor gráfico varia, por isso confirma o guia de estilo do teu curso, mas o princípio é universal: identificação clara em cima, fonte em baixo.

Tabela ou figura?

  • Usa tabela quando o leitor precisa de valores exatos: médias e desvios-padrão, coeficientes de regressão, frequências por categoria.
  • Usa figura quando o importante é o padrão: uma evolução ao longo do tempo, uma diferença visível entre grupos, uma distribuição assimétrica.
  • Nunca uses as duas para mostrar exatamente os mesmos dados. Escolhe a que comunica melhor e mantém a outra, se for mesmo necessária, em apêndice.

Lista de verificação para cada elemento visual

Verificação O que confirmar
Chamada no texto O elemento é referido no parágrafo anterior à sua posição
Numeração Sequencial e separada para tabelas e figuras
Título Descreve o conteúdo sem precisar do texto para ser entendido
Fonte Indicada em baixo, incluindo “elaboração própria” quando aplicável
Legenda de abreviaturas Siglas, símbolos estatísticos e unidades explicados em nota
Legibilidade Eixos identificados, cores distinguíveis também em impressão a preto e branco

Para quem trabalha com estatística inferencial, há regras adicionais sobre como formatar testes, valores de p e intervalos de confiança. O guia sobre como apresentar os resultados de uma tese quantitativa em Gestão aprofunda essa parte com exemplos de tabelas de regressão e de testes de diferenças entre grupos.

Caixas de arquivo e pastas organizadas numa estante, simbolizando os anexos e apêndices da dissertação
Dados em bruto e questionários completos ficam nos anexos.

O texto que acompanha os dados: destacar sem repetir

O erro mais comum depois de inserir uma tabela é descrevê-la célula a célula. As orientações da Universidade Nova de Lisboa afirmam que “o texto não deve repetir exaustivamente tudo o que já está óbvio na tabela ou no gráfico” e deve antes “destacar as tendências principais, os valores extremos ou os achados mais significativos” (Universidade Nova de Lisboa).

Exemplo de parágrafo fraco

“Na Tabela 2 podemos ver que o grupo presencial tem uma média de satisfação, o grupo híbrido tem outra média e o grupo remoto tem outra média. O desvio-padrão do grupo presencial é este, o do híbrido é aquele…” O leitor já tem a tabela à frente. Este parágrafo não acrescenta nada e torna o capítulo mais pesado.

Exemplo de parágrafo forte

“Como se observa na Tabela 2, a satisfação com o trabalho foi mais elevada no regime híbrido do que nos regimes presencial e remoto, sendo a diferença estatisticamente significativa apenas na comparação entre híbrido e presencial. O grupo remoto apresentou a maior dispersão de respostas.” Em duas frases, o leitor fica a saber o padrão principal, a diferença que conta e o dado que merece atenção.

Fórmula prática para cada parágrafo

  1. Chama o elemento visual (“Como mostra a Figura 4…”).
  2. Indica o padrão principal.
  3. Assinala o valor extremo ou a exceção relevante.
  4. Liga ao objetivo ou hipótese (“Este resultado suporta a H2.”), sem explicar porquê.

Repara também nos verbos. Nos resultados usa formulações neutras como “observou-se”, “registou-se”, “verificou-se”. Verbos que implicam posição, como “demonstra” ou “comprova”, ficam melhor na Discussão, e o artigo sobre verbos para citar autores na tese ajuda a perceber o que cada um compromete. O Tesify Editor IA é útil nesta fase: assinala frases interpretativas dentro do capítulo de resultados e sugere reformulações mais neutras, com feedback em tempo real sobre coerência e linguagem académica.

Resultados quantitativos e qualitativos: o que muda

Os princípios são os mesmos, mas a forma muda bastante consoante o tipo de estudo.

Estudos quantitativos

  • Começa pela estatística descritiva da amostra e só depois passa à inferencial.
  • Para cada teste, reporta o nome do teste, o valor da estatística, os graus de liberdade quando aplicável, o valor de p e, sempre que possível, o tamanho do efeito.
  • Indica claramente se cada hipótese foi ou não suportada.
  • Em ciências experimentais, explicita o número de réplicas e como foram agregadas. A lógica de desenho experimental, amostragem e réplicas em Biologia tem de se refletir na forma como os resultados aparecem.

Estudos qualitativos

  • Organiza por temas ou categorias que emergiram da análise, alinhados com as perguntas de investigação.
  • Usa excertos de entrevistas ou notas de campo como evidência, curtos e anonimizados, identificando o participante por código.
  • Evita transformar o capítulo numa coletânea de citações: cada excerto deve ilustrar uma ideia que tu já enunciaste.
  • Uma tabela com temas, subtemas e descrição ajuda o júri a ver a estrutura de uma só vez.

Em áreas como a Antropologia, a fronteira entre descrição e interpretação é mais fluida, e muitos orientadores aceitam uma escrita mais densa. Mesmo assim, convém que a descrição etnográfica venha primeiro, como se explica no guia sobre metodologia de uma tese de Antropologia. Em estudos mistos, apresenta cada componente na ordem definida na metodologia e reserva uma subsecção para a integração dos dados.

O que vai para anexos e apêndices

Um capítulo de resultados com trinta páginas de outputs não impressiona ninguém. As normas da Universidade do Porto indicam que “dados extensos em bruto (como questionários na íntegra ou matrizes complexas de cálculo) não devem poluir o capítulo de resultados; devem ser remetidos para os Anexos” (Universidade do Porto).

Candidatos habituais a anexo ou apêndice:

  • Questionário completo e guiões de entrevista.
  • Outputs integrais de software estatístico.
  • Matrizes de correlação completas quando só algumas relações são relevantes.
  • Transcrições de entrevistas ou grelhas de codificação.
  • Tabelas de análises de robustez ou testes de pressupostos.

A distinção habitual é que os apêndices contêm material produzido por ti e os anexos material de terceiros, mas algumas faculdades usam só um dos termos. No corpo do capítulo, basta uma remissão: “Os resultados completos dos testes de normalidade encontram-se no Apêndice C.”

Erros frequentes e lista de verificação final

Antes de enviares o capítulo ao orientador, passa por esta lista. Os erros abaixo são os que mais aparecem nas arguições, seja numa dissertação de mestrado na UCoimbra ou num relatório de estágio na UMinho.

  1. Interpretar cedo demais. Procura palavras como “porque”, “devido a”, “o que indica”. Se aparecem, provavelmente estás a discutir.
  2. Citar autores. Uma referência bibliográfica no capítulo de resultados é, quase sempre, um sinal de alerta.
  3. Ordem diferente dos objetivos. O júri vai comparar a introdução com este capítulo. Se a H3 aparece antes da H1 sem razão, perde-se o fio.
  4. Elementos visuais sem chamada no texto. Cada tabela e figura tem de ser anunciada antes de surgir.
  5. Fonte em falta. Mesmo os teus próprios gráficos precisam de “Fonte: elaboração própria”.
  6. Texto que duplica a tabela. Se o parágrafo pode ser apagado sem perda de informação, reescreve-o.
  7. Esconder resultados não significativos. Uma hipótese não suportada é um resultado. Omiti-la compromete a integridade do trabalho.
  8. Inconsistência de números. O valor de amostra na metodologia tem de bater certo com o da caracterização da amostra e das tabelas.

Se precisares de ver um capítulo de resultados inserido numa estrutura completa, o modelo de tese de Medicina anotado mostra a passagem dos resultados para a discussão com comentários secção a secção.

Próximo passo: da versão em bruto à versão final

Dominar como apresentar resultados na dissertação é, no fundo, uma questão de disciplina: seguir a ordem dos objetivos, deixar que tabelas e figuras façam o trabalho pesado, usar o texto para guiar o olhar e guardar a interpretação para o capítulo seguinte. Uma boa estratégia é escrever primeiro uma versão em bruto, com todas as tabelas e figuras, e depois fazer uma segunda passagem apenas para cortar redundâncias e frases interpretativas.

O Tesify foi pensado para essa segunda passagem: o editor com IA reescreve parágrafos descritivos, corrige a linguagem académica, verifica plágio e mantém a bibliografia formatada em APA, MLA ou Chicago. Mais de 9.000 estudantes já o usam para terminar teses de mestrado e doutoramento em metade do tempo.

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Perguntas frequentes

Posso citar autores no capítulo de resultados?

Em regra, não. As normas da Universidade do Porto reservam a comparação com outros autores e com o estado da arte para o capítulo de Discussão. Nos resultados apresentas apenas o que os teus dados mostram, de forma factual e neutra.

Por que ordem devo apresentar os resultados?

Pela mesma ordem dos objetivos ou hipóteses definidos na introdução. Começa pela caracterização da amostra ou do corpus, dedica depois uma subsecção a cada objetivo ou hipótese e termina com uma síntese que indica quais foram suportados.

O texto deve descrever todos os valores da tabela?

Não. O texto deve destacar as tendências principais, os valores extremos e os achados mais significativos. Repetir cada célula da tabela torna o capítulo redundante e cansativo para o júri.

Os gráficos feitos por mim precisam de fonte?

Sim. Os manuais de normalização indicam que a fonte deve constar na parte inferior de cada figura, mesmo quando é elaboração própria. Isso permite ao leitor distinguir dados próprios de dados reproduzidos de terceiros.

Onde coloco o questionário e os outputs completos do SPSS?

Em anexo ou apêndice. Dados extensos em bruto, como questionários na íntegra ou matrizes complexas de cálculo, não devem sobrecarregar o capítulo de resultados. No texto principal basta remeter o leitor para o anexo correspondente.

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