Para saber como citar entrevista no TCC ABNT, você precisa responder a uma pergunta antes de tudo: a entrevista foi publicada ou foi você quem a realizou na pesquisa de campo? A resposta define onde a fonte aparece, se ela entra na lista de referências e qual norma você deve consultar primeiro.
A maioria dos TCCs de Enfermagem, Serviço Social, Administração, Pedagogia e Psicologia usa entrevistas semiestruturadas feitas pelo próprio estudante. Já quem pesquisa Comunicação, História ou Ciência Política costuma trabalhar com entrevistas concedidas a jornais, podcasts e canais de vídeo. São dois caminhos diferentes dentro das normas ABNT, e a banca percebe rápido quando o aluno mistura os dois.
A seguir você encontra as regras da NBR 10520 para a citação no texto, da NBR 6023 para a referência e da NBR 14724 para os apêndices, com exemplos prontos para adaptar ao seu trabalho.
Primeiro passo: identifique o tipo de entrevista
A ABNT não trata toda entrevista da mesma forma. O critério é simples: o leitor do seu TCC consegue acessar aquela fonte sozinho? Se a entrevista saiu em um veículo público, sim. Se ela existe apenas no seu gravador e nas suas anotações, não.
- Entrevista não publicada (material de campo): conversas que você conduziu com participantes da pesquisa, gestores, profissionais de saúde, professores. É o caso clássico do TCC qualitativo.
- Entrevista publicada: concedida a um jornal, revista, programa de TV ou rádio, podcast ou canal de vídeo. Qualquer pessoa pode encontrá-la.
Essa distinção vem diretamente da lógica da norma de referências. Materiais de campo sem acesso público não entram na lista final, porque o leitor não teria como consultá-los, e por isso são indicados no texto ou em notas de rodapé (NormaAI).

Como citar entrevista no TCC ABNT quando ela não foi publicada
Aqui está a maior dúvida de quem faz pesquisa de campo na USP, na UFMG ou em qualquer outra universidade brasileira. A citação de uma entrevista que você mesmo realizou é regida pela NBR 10520, a norma de citações, e não pela NBR 6023. Ou seja: você cita, mas não referencia.
O formato tradicional: “informação verbal” e nota de rodapé
Durante muitos anos, a NBR 10520:2002 orientou o uso da expressão “(informação verbal)” logo após o trecho citado, com os dados da fonte em nota de rodapé. Os manuais das universidades ilustram assim: “O novo medicamento estará disponível até o final deste semestre (informação verbal)¹” (UFV). Na nota de rodapé correspondente, o estudante informava quem falou, em que contexto e quando.
Um exemplo adaptado para TCC de Enfermagem:
A enfermeira responsável pelo setor relatou que “a equipe só consegue fazer a educação em saúde quando a demanda do turno diminui” (informação verbal)¹.
¹ Entrevista concedida à autora por enfermeira da Unidade Básica de Saúde pesquisada, durante a coleta de dados do TCC.
Muitos orientadores e manuais institucionais ainda aceitam e até preferem esse modelo. Se o manual do seu curso o exige, siga o manual.
O que mudou com a NBR 10520:2023
A atualização da norma de citações flexibilizou esse ponto: com a publicação da ABNT NBR 10520:2023, que substituiu a versão de 2002, o termo “informação verbal” deixou de ser obrigatório da mesma forma (UFPA). Agora, a menção à fonte não formalmente publicada pode aparecer diretamente no texto ou em nota.
Na prática, você pode escrever de forma mais fluida:
Em entrevista realizada para esta pesquisa, a coordenadora pedagógica da escola afirmou que “o planejamento coletivo acontece, mas quase sempre no improviso”.
Repare que o próprio texto já informa a natureza da fonte. Não há parênteses padronizados, nem entrada nas referências. O importante é que o leitor entenda que se trata de um dado obtido por você, oralmente, durante a coleta.
Participantes anônimos e códigos de identificação
Em pesquisas com seres humanos, o Comitê de Ética em Pesquisa geralmente exige que a identidade dos participantes seja preservada. Por isso, o padrão nos TCCs da área da saúde e das humanas é usar códigos, como E1, E2, E3 ou nomes fictícios explicados na metodologia. Quem ainda está preparando a submissão pode consultar o guia sobre CEP e Plataforma Brasil no TCC para não atrasar a coleta.
Para E4, “o atendimento melhorou quando a unidade passou a agendar por WhatsApp”.
Explique os códigos uma única vez, na seção de procedimentos metodológicos, e mantenha o mesmo padrão até as considerações finais. Se a pesquisa for feita em uma organização, vale ler também sobre confidencialidade e termo de autorização em TCC dentro de empresa, porque às vezes é o nome da instituição que precisa ficar oculto.
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Entrevistas publicadas: citação no texto e referência
Quando a entrevista foi formalmente publicada, ela passa a ser uma fonte como qualquer outra e deve constar obrigatoriamente na lista de referências, conforme a NBR 6023. A autoria é atribuída ao entrevistado, não ao jornalista nem ao veículo.
Citação no texto
No sistema autor-data, use o sobrenome de quem concedeu a entrevista e o ano da publicação:
- Citação indireta: Para Oliveira (2025), a recomposição da aprendizagem exige continuidade das políticas públicas.
- Citação direta: “Não existe reforma educacional que sobreviva a cada troca de governo” (Oliveira, 2025, p. 8).
Em vídeos e podcasts não há página. Nesse caso, muitos orientadores aceitam indicar o trecho pelo minuto, mas confirme a orientação do seu curso.
Referência de entrevista em jornal ou revista
A estrutura reúne: entrevistado, título da entrevista, entrevistador, veículo, local, página e data. Exemplo ilustrativo com nomes fictícios:
OLIVEIRA, Carla. A escola pública depois da pandemia. Entrevistadora: Beatriz Lima. Jornal da Cidade, Belo Horizonte, p. 8, 12 mar. 2025.
Referência de entrevista em podcast ou YouTube
Para conteúdo online, mantenha o entrevistado como entrada principal e acrescente, nesta ordem: título do episódio ou vídeo, nome do entrevistador, nome do canal ou programa, data de publicação, descrição do suporte (por exemplo, 1 vídeo ou 1 podcast, com a duração), o endereço eletrônico completo precedido de “Disponível em:” e a data em que você acessou, precedida de “Acesso em:”. Não esqueça o link: sem ele, a banca não consegue verificar a fonte.
Se você usa muitas entrevistas publicadas, gerar essas referências manualmente é onde surgem vírgulas fora do lugar e datas no formato errado. Ferramentas de bibliografia automática reduzem esse retrabalho, como mostramos no box no final deste guia.

Transcrições e roteiro nos apêndices
A NBR 14724, que define a estrutura de trabalhos acadêmicos, classifica como apêndice o material elaborado pelo próprio autor. É exatamente o caso do roteiro de entrevista e das transcrições que você produziu. Por isso, eles vão para os elementos pós-textuais como apêndices, e não como anexos, que são reservados a documentos de terceiros.
Uma organização que costuma funcionar bem:
- Apêndice A: roteiro da entrevista semiestruturada.
- Apêndice B: modelo do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.
- Apêndice C em diante: transcrições, identificadas apenas pelos códigos dos participantes.
No corpo do texto, remeta o leitor ao apêndice: “O roteiro utilizado encontra-se no Apêndice A”. A lógica é a mesma da chamada de tabelas, quadros e figuras no texto do TCC: todo elemento incluído precisa ser mencionado antes de aparecer.
Antes de anexar transcrições completas, revise se nenhum trecho permite identificar o participante, como nome da rua, do setor ou de colegas. Se a sua análise usa software, o material transcrito também pode virar corpus; veja como preparar o arquivo no guia sobre IRaMuTeQ no TCC.
Tabela-resumo: como citar entrevista no TCC ABNT em cada caso
| Situação | Citação no texto | Entra nas referências? | Norma principal |
|---|---|---|---|
| Entrevista feita por você, participante identificado | Menção no texto ou nota de rodapé | Não | NBR 10520 |
| Entrevista feita por você, participante anônimo | Código (E1, E2) ou nome fictício | Não | NBR 10520 e exigências do CEP |
| Entrevista em jornal ou revista | Sobrenome do entrevistado e ano | Sim | NBR 10520 e NBR 6023 |
| Entrevista em podcast, TV ou YouTube | Sobrenome do entrevistado e ano | Sim, com link e data de acesso | NBR 10520 e NBR 6023 |
| Roteiro e transcrições | Remissão ao apêndice | Não | NBR 14724 |
Erros que a banca mais aponta
- Colocar entrevista de campo nas referências: é o erro mais frequente. Se o leitor não pode acessar a fonte, ela não entra na lista.
- Usar o nome do entrevistador como autor: em entrevistas publicadas, a entrada é sempre pelo entrevistado.
- Misturar modelos: usar “(informação verbal)” em um capítulo e menção direta no outro passa impressão de descuido. Escolha um padrão e mantenha.
- Expor participantes: citar cargo e local de trabalho com tanta precisão que qualquer colega reconheceria a pessoa.
- Transcrições como anexo: material produzido por você é apêndice.
- Falas soltas, sem análise: a citação de entrevista é ponto de partida, não conclusão. Depois de cada fala relevante, interprete e dialogue com a literatura.
Na dúvida entre a NBR 10520:2023 e o manual da sua instituição, o manual e a orientação do professor costumam prevalecer na avaliação. Pergunte ao orientador qual modelo ele prefere antes de escrever o capítulo de resultados, e você evita reescrever dezenas de citações às vésperas da entrega.
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Perguntas frequentes
Entrevista que eu fiz para o TCC entra nas referências?
Não. Entrevistas realizadas por você na pesquisa de campo não são publicações acessíveis ao leitor, por isso não entram na lista de referências da NBR 6023. A identificação da fonte é feita no próprio texto ou em nota de rodapé, e a transcrição vai para os apêndices.
Ainda preciso escrever “informação verbal” depois da citação?
Não é mais obrigatório. A NBR 10520:2023 flexibilizou a regra e permite que a fonte não publicada seja indicada diretamente no texto ou em nota. Porém, se o manual da sua universidade ou o seu orientador exigir a expressão, siga a orientação institucional.
Como citar entrevista no TCC ABNT mantendo o anonimato do participante?
Use códigos como E1, E2 e E3 ou nomes fictícios, explicando o critério na metodologia. Evite detalhes que permitam reconhecer a pessoa, como cargo muito específico ou nome do setor, e respeite o que foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa.
Quem é o autor na referência de uma entrevista publicada?
O entrevistado. A entrada da referência começa pelo sobrenome de quem concedeu a entrevista, seguido do título, do nome do entrevistador, do veículo, do local, da página e da data. Para conteúdo online, acrescente o link e a data de acesso.
A transcrição da entrevista vai em apêndice ou anexo?
Em apêndice. Pela NBR 14724, apêndices são materiais elaborados pelo próprio autor, como roteiro e transcrições das entrevistas. Anexos são reservados a documentos produzidos por terceiros.
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