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Como citar entrevista no TCC ABNT: guia prático 2026

Para saber como citar entrevista no TCC ABNT, você precisa responder a uma pergunta antes de tudo: a entrevista foi publicada ou foi você quem a realizou na pesquisa de campo? A resposta define onde a fonte aparece, se ela entra na lista de referências e qual norma você deve consultar primeiro.

A maioria dos TCCs de Enfermagem, Serviço Social, Administração, Pedagogia e Psicologia usa entrevistas semiestruturadas feitas pelo próprio estudante. Já quem pesquisa Comunicação, História ou Ciência Política costuma trabalhar com entrevistas concedidas a jornais, podcasts e canais de vídeo. São dois caminhos diferentes dentro das normas ABNT, e a banca percebe rápido quando o aluno mistura os dois.

A seguir você encontra as regras da NBR 10520 para a citação no texto, da NBR 6023 para a referência e da NBR 14724 para os apêndices, com exemplos prontos para adaptar ao seu trabalho.

Entrevista feita por você na pesquisa de campo não entra na lista de referências: identifique a fonte no próprio texto ou em nota de rodapé, como permite a NBR 10520:2023, e coloque a transcrição nos apêndices. Entrevista publicada em jornal, revista, podcast ou YouTube é citada pelo sobrenome do entrevistado e entra obrigatoriamente nas referências, seguindo a NBR 6023.

Primeiro passo: identifique o tipo de entrevista

A ABNT não trata toda entrevista da mesma forma. O critério é simples: o leitor do seu TCC consegue acessar aquela fonte sozinho? Se a entrevista saiu em um veículo público, sim. Se ela existe apenas no seu gravador e nas suas anotações, não.

  • Entrevista não publicada (material de campo): conversas que você conduziu com participantes da pesquisa, gestores, profissionais de saúde, professores. É o caso clássico do TCC qualitativo.
  • Entrevista publicada: concedida a um jornal, revista, programa de TV ou rádio, podcast ou canal de vídeo. Qualquer pessoa pode encontrá-la.

Essa distinção vem diretamente da lógica da norma de referências. Materiais de campo sem acesso público não entram na lista final, porque o leitor não teria como consultá-los, e por isso são indicados no texto ou em notas de rodapé (NormaAI).

Mesa com duas cadeiras e gravador, cenário de entrevista para pesquisa de campo
Entrevistas feitas na pesquisa de campo são citadas no texto, não nas referências.

Como citar entrevista no TCC ABNT quando ela não foi publicada

Aqui está a maior dúvida de quem faz pesquisa de campo na USP, na UFMG ou em qualquer outra universidade brasileira. A citação de uma entrevista que você mesmo realizou é regida pela NBR 10520, a norma de citações, e não pela NBR 6023. Ou seja: você cita, mas não referencia.

O formato tradicional: “informação verbal” e nota de rodapé

Durante muitos anos, a NBR 10520:2002 orientou o uso da expressão “(informação verbal)” logo após o trecho citado, com os dados da fonte em nota de rodapé. Os manuais das universidades ilustram assim: “O novo medicamento estará disponível até o final deste semestre (informação verbal)¹” (UFV). Na nota de rodapé correspondente, o estudante informava quem falou, em que contexto e quando.

Um exemplo adaptado para TCC de Enfermagem:

A enfermeira responsável pelo setor relatou que “a equipe só consegue fazer a educação em saúde quando a demanda do turno diminui” (informação verbal)¹.

¹ Entrevista concedida à autora por enfermeira da Unidade Básica de Saúde pesquisada, durante a coleta de dados do TCC.

Muitos orientadores e manuais institucionais ainda aceitam e até preferem esse modelo. Se o manual do seu curso o exige, siga o manual.

O que mudou com a NBR 10520:2023

A atualização da norma de citações flexibilizou esse ponto: com a publicação da ABNT NBR 10520:2023, que substituiu a versão de 2002, o termo “informação verbal” deixou de ser obrigatório da mesma forma (UFPA). Agora, a menção à fonte não formalmente publicada pode aparecer diretamente no texto ou em nota.

Na prática, você pode escrever de forma mais fluida:

Em entrevista realizada para esta pesquisa, a coordenadora pedagógica da escola afirmou que “o planejamento coletivo acontece, mas quase sempre no improviso”.

Repare que o próprio texto já informa a natureza da fonte. Não há parênteses padronizados, nem entrada nas referências. O importante é que o leitor entenda que se trata de um dado obtido por você, oralmente, durante a coleta.

Participantes anônimos e códigos de identificação

Em pesquisas com seres humanos, o Comitê de Ética em Pesquisa geralmente exige que a identidade dos participantes seja preservada. Por isso, o padrão nos TCCs da área da saúde e das humanas é usar códigos, como E1, E2, E3 ou nomes fictícios explicados na metodologia. Quem ainda está preparando a submissão pode consultar o guia sobre CEP e Plataforma Brasil no TCC para não atrasar a coleta.

Para E4, “o atendimento melhorou quando a unidade passou a agendar por WhatsApp”.

Explique os códigos uma única vez, na seção de procedimentos metodológicos, e mantenha o mesmo padrão até as considerações finais. Se a pesquisa for feita em uma organização, vale ler também sobre confidencialidade e termo de autorização em TCC dentro de empresa, porque às vezes é o nome da instituição que precisa ficar oculto.

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Entrevistas publicadas: citação no texto e referência

Quando a entrevista foi formalmente publicada, ela passa a ser uma fonte como qualquer outra e deve constar obrigatoriamente na lista de referências, conforme a NBR 6023. A autoria é atribuída ao entrevistado, não ao jornalista nem ao veículo.

Citação no texto

No sistema autor-data, use o sobrenome de quem concedeu a entrevista e o ano da publicação:

  • Citação indireta: Para Oliveira (2025), a recomposição da aprendizagem exige continuidade das políticas públicas.
  • Citação direta: “Não existe reforma educacional que sobreviva a cada troca de governo” (Oliveira, 2025, p. 8).

Em vídeos e podcasts não há página. Nesse caso, muitos orientadores aceitam indicar o trecho pelo minuto, mas confirme a orientação do seu curso.

Referência de entrevista em jornal ou revista

A estrutura reúne: entrevistado, título da entrevista, entrevistador, veículo, local, página e data. Exemplo ilustrativo com nomes fictícios:

OLIVEIRA, Carla. A escola pública depois da pandemia. Entrevistadora: Beatriz Lima. Jornal da Cidade, Belo Horizonte, p. 8, 12 mar. 2025.

Referência de entrevista em podcast ou YouTube

Para conteúdo online, mantenha o entrevistado como entrada principal e acrescente, nesta ordem: título do episódio ou vídeo, nome do entrevistador, nome do canal ou programa, data de publicação, descrição do suporte (por exemplo, 1 vídeo ou 1 podcast, com a duração), o endereço eletrônico completo precedido de “Disponível em:” e a data em que você acessou, precedida de “Acesso em:”. Não esqueça o link: sem ele, a banca não consegue verificar a fonte.

Se você usa muitas entrevistas publicadas, gerar essas referências manualmente é onde surgem vírgulas fora do lugar e datas no formato errado. Ferramentas de bibliografia automática reduzem esse retrabalho, como mostramos no box no final deste guia.

Pastas organizadas sobre a mesa, simbolizando os apêndices com transcrições do TCC
Roteiro e transcrições produzidos por você vão para os apêndices.

Transcrições e roteiro nos apêndices

A NBR 14724, que define a estrutura de trabalhos acadêmicos, classifica como apêndice o material elaborado pelo próprio autor. É exatamente o caso do roteiro de entrevista e das transcrições que você produziu. Por isso, eles vão para os elementos pós-textuais como apêndices, e não como anexos, que são reservados a documentos de terceiros.

Uma organização que costuma funcionar bem:

  1. Apêndice A: roteiro da entrevista semiestruturada.
  2. Apêndice B: modelo do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.
  3. Apêndice C em diante: transcrições, identificadas apenas pelos códigos dos participantes.

No corpo do texto, remeta o leitor ao apêndice: “O roteiro utilizado encontra-se no Apêndice A”. A lógica é a mesma da chamada de tabelas, quadros e figuras no texto do TCC: todo elemento incluído precisa ser mencionado antes de aparecer.

Antes de anexar transcrições completas, revise se nenhum trecho permite identificar o participante, como nome da rua, do setor ou de colegas. Se a sua análise usa software, o material transcrito também pode virar corpus; veja como preparar o arquivo no guia sobre IRaMuTeQ no TCC.

Tabela-resumo: como citar entrevista no TCC ABNT em cada caso

Situação Citação no texto Entra nas referências? Norma principal
Entrevista feita por você, participante identificado Menção no texto ou nota de rodapé Não NBR 10520
Entrevista feita por você, participante anônimo Código (E1, E2) ou nome fictício Não NBR 10520 e exigências do CEP
Entrevista em jornal ou revista Sobrenome do entrevistado e ano Sim NBR 10520 e NBR 6023
Entrevista em podcast, TV ou YouTube Sobrenome do entrevistado e ano Sim, com link e data de acesso NBR 10520 e NBR 6023
Roteiro e transcrições Remissão ao apêndice Não NBR 14724

Erros que a banca mais aponta

  • Colocar entrevista de campo nas referências: é o erro mais frequente. Se o leitor não pode acessar a fonte, ela não entra na lista.
  • Usar o nome do entrevistador como autor: em entrevistas publicadas, a entrada é sempre pelo entrevistado.
  • Misturar modelos: usar “(informação verbal)” em um capítulo e menção direta no outro passa impressão de descuido. Escolha um padrão e mantenha.
  • Expor participantes: citar cargo e local de trabalho com tanta precisão que qualquer colega reconheceria a pessoa.
  • Transcrições como anexo: material produzido por você é apêndice.
  • Falas soltas, sem análise: a citação de entrevista é ponto de partida, não conclusão. Depois de cada fala relevante, interprete e dialogue com a literatura.

Na dúvida entre a NBR 10520:2023 e o manual da sua instituição, o manual e a orientação do professor costumam prevalecer na avaliação. Pergunte ao orientador qual modelo ele prefere antes de escrever o capítulo de resultados, e você evita reescrever dezenas de citações às vésperas da entrega.

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Perguntas frequentes

Entrevista que eu fiz para o TCC entra nas referências?

Não. Entrevistas realizadas por você na pesquisa de campo não são publicações acessíveis ao leitor, por isso não entram na lista de referências da NBR 6023. A identificação da fonte é feita no próprio texto ou em nota de rodapé, e a transcrição vai para os apêndices.

Ainda preciso escrever “informação verbal” depois da citação?

Não é mais obrigatório. A NBR 10520:2023 flexibilizou a regra e permite que a fonte não publicada seja indicada diretamente no texto ou em nota. Porém, se o manual da sua universidade ou o seu orientador exigir a expressão, siga a orientação institucional.

Como citar entrevista no TCC ABNT mantendo o anonimato do participante?

Use códigos como E1, E2 e E3 ou nomes fictícios, explicando o critério na metodologia. Evite detalhes que permitam reconhecer a pessoa, como cargo muito específico ou nome do setor, e respeite o que foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa.

Quem é o autor na referência de uma entrevista publicada?

O entrevistado. A entrada da referência começa pelo sobrenome de quem concedeu a entrevista, seguido do título, do nome do entrevistador, do veículo, do local, da página e da data. Para conteúdo online, acrescente o link e a data de acesso.

A transcrição da entrevista vai em apêndice ou anexo?

Em apêndice. Pela NBR 14724, apêndices são materiais elaborados pelo próprio autor, como roteiro e transcrições das entrevistas. Anexos são reservados a documentos produzidos por terceiros.

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