80% dos Alunos da UC Usam IA: O Estudo Completo 2026
Em março de 2026, a Associação Académica de Coimbra (AAC) publicou os resultados de um inquérito inédito: 80% dos estudantes da Universidade de Coimbra (UC) usam inteligência artificial para fins académicos, e 90% consideram que a regulação da IA no ensino superior é urgente. O estudo — conduzido entre fevereiro e março de 2026 com mais de 200 estudantes — tornou-se o dado de referência sobre o uso de IA nas universidades portuguesas em 2026 e desencadeou um debate nacional que ainda não terminou.
Este artigo analisa em profundidade a metodologia do inquérito, contextualiza os dados com estudos comparativos internacionais e examina as posições dos professores, dos estudantes e da própria UC — com base em fontes primárias verificadas incluindo o relatório Renascença de março 2026.
Metodologia do Inquérito AAC
O inquérito foi conduzido pela Associação Académica de Coimbra (AAC) em colaboração com o Núcleo de Estudantes de Informática, entre fevereiro e março de 2026. A amostra incluiu mais de 200 estudantes da UC, abrangendo múltiplas faculdades. O método foi um questionário online de auto-resposta, o que implica as limitações habituais: potencial viés de seleção (estudantes mais envolvidos com tecnologia tendem a responder mais) e ausência de controlo de representatividade por curso ou ano de estudo.
Apesar destas limitações, o estudo é o mais abrangente publicado sobre uso de IA na UC até à data e os seus resultados foram amplamente cobertas pela Renascença, Diário de Coimbra e outros media nacionais. A AAC apresentou o manifesto resultante ao Senado da UC com pedido de ação urgente.
Os Números: 80%, 90% e o Que Significam
As duas métricas centrais do inquérito são:
| Indicador | Resultado | Contexto |
|---|---|---|
| Estudantes que usam IA para fins académicos | 80% | 4 em cada 5 estudantes inquiridos |
| Estudantes que consideram regulação urgente | 90% | Inclui tanto utilizadores como não utilizadores |
| Período do inquérito | Fev–Mar 2026 | Após publicação das políticas UC 2024 |
| Dimensão da amostra | >200 estudantes | Múltiplas faculdades |
| Entidade promotora | AAC + Núcleo Informática | Estudo não patrocinado por empresas tecnológicas |
O facto de 90% pedirem regulação — incluindo presumivelmente os 80% que já usam IA — é interpretável de duas formas: ou os utilizadores querem clareza sobre o que é permitido (para se protegerem), ou reconhecem que a adoção sem regras cria riscos institucionais e académicos. Ambas as leituras são plausíveis e não mutuamente exclusivas.
Para comparação: um estudo de outubro 2025 referenciado em media nacionais indicava que 74% dos estudantes universitários portugueses tinham usado IA pelo menos uma vez no semestre anterior. O dado da UC (80%) está acima desta média nacional, o que pode refletir o perfil mais tecnológico da amostra ou a liderança da UC em adoção. Em Itália, os dados AlmaLaurea sobre o voto médio de licenciatura e desempenho académico nas universidades italianas em 2026 sugerem tendências convergentes de adoção tecnológica entre estudantes do Sul europeu.
Uso por Faculdade
O inquérito identificou diferenças significativas entre faculdades:
| Faculdade | Perfil de Uso | Áreas de Aplicação Dominantes |
|---|---|---|
| DEI — Dep. Engenharia Informática | Integrado no quotidiano académico | Código, debugging, documentação técnica |
| FDUC — Faculdade de Direito | Crescente; preocupações éticas | Pesquisa jurídica, redação de peças |
| FLUC — Faculdade de Letras | Moderado; debate sobre autoria | Tradução, ideação, revisão |
| FMUC — Faculdade de Medicina | Cauteloso; uso em pesquisa bibliográfica | Síntese de literatura, resumos clínicos |
| FCTUC — Fac. Ciências e Tecnologia | Elevado; uso em análise de dados | Python/R assistido, escrita científica |
O presidente do DEI, António Mendes, destacou que no seu departamento a IA “faz parte do quotidiano académico”, reconhecendo simultaneamente tanto o potencial pedagógico como os riscos de plágio. Esta é a posição mais pragmática e provavelmente a mais sustentável a longo prazo.
Que Ferramentas Usam os Estudantes
O inquérito AAC não quantificou a distribuição por ferramenta específica, mas dados de outros estudos nacionais e internacionais permitem construir um quadro aproximado do uso nas universidades portuguesas:
- ChatGPT (OpenAI): Ferramenta mais utilizada globalmente; versão gratuita (GPT-4o) predominante entre estudantes
- Gemini (Google): Crescimento rápido por integração no Google Workspace (Docs, Gmail) disponível com e-mail académico
- Claude (Anthropic): Usado por perfis mais técnicos; melhor desempenho em tarefas de análise longa
- Copilot (Microsoft): Integrado no Microsoft 365 universitário; uso em Word para dissertações
- Tesify: Ferramenta PT-nativa com suporte a NP 405, verificação RCAAP e geração de referências ABNT/APA
A questão do “que usam” é, em rigor, menos importante do que “como usam”. Os estudantes que integram IA para síntese bibliográfica, estruturação de argumentos e revisão linguística — com transparência declarada — obtêm vantagens académicas sem comprometer a integridade. Os que usam IA para gerar texto sem revisão ou compreensão arriscam reprovação e processo disciplinar. Consulte o guia Posso Usar IA na Tese em 2026? Regras Oficiais PT/BR para as regras específicas de cada universidade.
Professores: Manifestos e Divisões
Em janeiro de 2026, um grupo de professores portugueses — incluindo o sociólogo João Teixeira Lopes e o investigador Elísio Estanque — assinou um manifesto público pedindo a proibição da IA generativa em universidades e politécnicos portugueses. O manifesto, coberto pela Renascença em janeiro 2026, usou linguagem forte, descrevendo a IA como potencialmente produtora de “cretinos digitais”.
Esta posição contrasta com a de docentes do DEI e de outros departamentos técnicos, que defendem a integração pedagógica supervisionada. A divisão reflete uma tensão estrutural entre duas concepções de aprendizagem:
- Posição proibicionista: A escrita académica é processo cognitivo insubstituível; a IA corrompe a formação do pensamento crítico e da expressão individual.
- Posição integracionista: A IA é ferramenta; a competência académica inclui saber usá-la criticamente; proibir é ineficaz e cria hipocrisia institucional.
O debate é legítimo em ambos os sentidos. O que os dados da AAC mostram é que a adoção já aconteceu — a questão é se a instituição a reconhece e regula, ou a ignora e perde o controlo.
O Estado da Regulação na UC em 2026
Em 2024, a UC publicou orientações internas sobre uso de IA em trabalhos académicos, alinhadas com as diretrizes europeias. Em março de 2026, estas orientações ainda não tinham sido consolidadas num regulamento único vinculativo. O manifesto da AAC pede:
- Regulação urgente do uso de IA no ensino superior
- Formação para docentes e estudantes
- Regulamentação abrangente por setores
- Padrões de aplicação ética e consciente
- Políticas institucionais adaptadas por departamento
No contexto europeu, o EU AI Act (Regulamento UE 2024/1689) classifica sistemas de IA em contexto educativo como de risco limitado, obrigando a transparência mas não a proibição. As universidades portuguesas têm margem para definir as suas próprias políticas internas, desde que respeitam os princípios de não-discriminação e transparência.
Para saber o que cada universidade permite especificamente — e como redigir a declaração de uso de IA obrigatória — leia o nosso artigo Como Redigir a Declaração de Uso de IA na Tese (2026).
Comparação com Outras Universidades PT
Os dados da UC não estão isolados. A Tesify analisou a posição regulatória das principais universidades portuguesas em 2026:
| Universidade | Política IA Publicada | Declaração Obrigatória | Deteção IA Ativa |
|---|---|---|---|
| ULisboa | Sim (2024) | Sim (obrigatória) | Sim (alguns programas) |
| UPorto | Sim (2024) | Sim (obrigatória) | Parcial |
| UCoimbra | Orientações (2024) | Recomendada | Parcial |
| UMinho | Em elaboração (2025) | Não formal | Limitada |
| NOVA | Sim (2024) | Sim (obrigatória) | Parcial |
| ISCTE | Orientações (2025) | Recomendada | Limitada |
Para dados completos sobre políticas de IA por universidade, consulte o artigo IA Permitida nas Universidades de Portugal 2026 e IA no Ensino Superior: Estatísticas 2026.
Perguntas Frequentes
O inquérito da AAC é representativo de todos os estudantes da UC?
O inquérito tem limitações metodológicas: amostra de conveniência (n>200), questionário online com potencial viés de auto-seleção. Não é representativo de todas as faculdades nem de todos os anos. Ainda assim, é o estudo mais abrangente publicado sobre uso de IA na UC até 2026 e os seus resultados estão em linha com estudos europeus que indicam 70-85% de utilização em contextos académicos.
Posso ser penalizado por usar IA na UC?
Depende da forma como usa. A UC tem orientações de 2024 que permitem uso de IA com declaração explícita de como e onde foi utilizada. O uso não declarado de IA pode ser equiparado a plágio e sujeito a processo disciplinar. Consulte sempre o regulamento específico da sua faculdade e os critérios da unidade curricular em causa.
A UC usa o Turnitin para detetar IA?
A UC usa ferramentas de deteção de plágio, mas a deteção de texto gerado por IA é mais limitada — o Turnitin, por exemplo, não suporta deteção de IA em português (apenas inglês e espanhol). Algumas faculdades usam ferramentas complementares. A deteção eficaz de IA em português requer ferramentas específicas como a Tesify.
O manifesto dos professores vai levar à proibição da IA na UC?
É improvável uma proibição total. A tendência nas universidades europeias é de regulação com obrigação de declaração, não de proibição. O EU AI Act não proíbe IA em contexto educativo; obriga à transparência. A pressão dos estudantes (90% pedem regulação, não proibição) e a realidade da adoção massiva tornam a proibição pouco viável. O mais provável é um regulamento UC que defina claramente o que é permitido com e sem declaração.
Use IA de Forma Transparente e Académica
A Tesify é a única ferramenta PT-nativa que integra citação académica (NP 405, ABNT, APA), verificação de plágio contra RCAAP e declaração de uso de IA no formato exigido pelas universidades portuguesas. Seja parte dos 80% que usam IA — mas do lado certo.
