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TCC: Quantos Alunos Usam IA no Brasil? Dados 2026

TCC: Quantos Alunos Usam IA no Brasil? Dados 2026

As estatísticas TCC Brasil sobre uso de inteligência artificial chegaram a um ponto de inflexão em 2026: não é mais uma questão de “se” os alunos usam IA nos trabalhos acadêmicos, mas de “como” e “em que medida”. A pesquisa TIC Educação 2024, conduzida pelo CETIC.br (Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação), revelou que 7 em cada 10 alunos do Ensino Médio que usam internet recorrem a ferramentas de IA generativa nas pesquisas escolares — e dados do ensino superior apontam para uma tendência ainda mais acentuada.

Para o ensino superior e os TCCs especificamente, um estudo do Observatório da Fundação Itaú em parceria com a Equidade.Info, publicado em 2024, entrevistou 1.947 estudantes, 240 professores e 156 gestores em 142 escolas e instituições. O resultado: 84% dos alunos já utilizaram ferramentas de IA, e 90% desses estudantes as usam especificamente para pesquisar e encontrar informações. O Brasil atravessa uma transformação silenciosa — mas mensurável — na forma como os TCCs são produzidos.

Resposta rápida: Pesquisas de 2024 indicam que entre 70% (Ensino Médio, TIC Educação/CETIC.br) e 84% (ensino superior, Fundação Itaú) dos estudantes brasileiros já usaram IA em trabalhos acadêmicos. Apenas 32% receberam orientação formal sobre uso responsável. A adoção cresce mais rápido do que as políticas institucionais conseguem acompanhar.
  • 7 em 10 alunos do Ensino Médio usam IA generativa em pesquisas (TIC Educação 2024, CETIC.br)
  • 37% de todos os alunos do Ensino Fundamental e Médio (internet users) usam IA generativa
  • 84% dos estudantes já usaram IA (Fundação Itaú, 2024 — amostra de 1.947 alunos)
  • 90% dos que usam IA, fazem-no para pesquisar e encontrar informações
  • 79% dos professores brasileiros também já usaram ferramentas de IA
  • 83% dos professores concordam que a IA pode ser uma ferramenta pedagógica
  • 32% apenas receberam orientação formal sobre uso crítico e responsável de IA
  • Dados do CETIC.br recolhidos entre agosto de 2024 e março de 2025

Pesquisa TIC Educação 2024: os números

A TIC Educação é a principal pesquisa nacional sobre tecnologia digital nas escolas brasileiras, conduzida pelo CETIC.br com metodologia de entrevistas presenciais nas escolas. A edição de 2024 — com dados recolhidos entre agosto de 2024 e março de 2025 — documenta pela primeira vez com rigor a escala do uso de IA generativa entre estudantes brasileiros.

Uso de IA generativa por estudantes brasileiros — TIC Educação 2024 (CETIC.br)
Segmento % que usa IA generativa % com orientação formal
Ensino Médio (internet users) ~70% 32%
EF — Anos Finais 39% 19%
EF — Anos Iniciais 15%
Total EF + EM (internet users) 37%

Um dado que merece atenção especial: apenas 32% dos alunos do Ensino Médio receberam orientação formal sobre como usar IA de forma crítica e responsável. Isso significa que a esmagadora maioria dos jovens brasileiros — que já chegam ao ensino superior familiarizados com ferramentas de IA — nunca aprendeu na escola como usá-las eticamente em contexto acadêmico.

Fundação Itaú: adoção no ensino superior

O estudo “Percepções sobre a Inteligência Artificial na Educação”, publicado pelo Observatório da Fundação Itaú em parceria com a Equidade.Info, vai além das escolas e inclui estudantes de nível superior. Com uma amostra de 1.947 alunos, 240 professores e 156 gestores em 142 instituições, entrevistados entre novembro e dezembro de 2024, os dados revelam:

  • 84% dos alunos já utilizaram ferramentas de IA (margem de erro de 2% para a amostra de estudantes);
  • 90% desses estudantes usam IA para pesquisar e encontrar informações;
  • 79% dos professores também já usaram IA;
  • 83% dos professores concordam que a IA pode ser um instrumento pedagógico.

CETIC.br — Indicadores TIC Educação 2024
Dados completos sobre uso de tecnologia e IA generativa por estudantes e professores brasileiros, incluindo tabelas interativas por nível de ensino, região e tipo de escola.
Fonte: CETIC.br — Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação

O dado mais revelador do estudo não é a taxa de adoção em si — que já era esperada — mas a assimetria entre uso e orientação. A maioria dos alunos usa IA, mas apenas uma minoria sabe distinguir entre uso de suporte (aceitável) e delegação completa da escrita (eticamente problemático).

Uso de IA especificamente no TCC

Pesquisas especificamente voltadas ao TCC de ensino superior ainda são escassas no Brasil, mas os dados disponíveis sugerem uma adoção significativa. A plataforma Monografia e TCC documentou em 2024 que o grande desafio não é o uso em si, mas o uso não referenciado: estudantes que empregam IA para escrever trechos do trabalho sem declarar isso na metodologia ou no texto, o que configura desonestidade acadêmica independentemente das regras de cada instituição.

Os casos de uso mais comuns de IA em TCCs identificados na literatura e em relatos de orientadores são:

Tipos de uso de IA em TCCs — da prática aceita ao problemático
Tipo de uso Aceitação geral Observação
Revisão gramatical e ortográfica Amplamente aceito Equivalente a usar corretor ortográfico
Busca e organização de referências Amplamente aceito Verificar fontes manualmente é obrigatório
Geração de rascunho de secções Aceito com declaração Exige revisão crítica e declaração na metodologia
Análise e síntese de textos Aceito com declaração O argumento final deve ser do aluno
Geração integral do TCC por IA Rejeitado Desonestidade acadêmica em todas as instituições

O que dizem os professores e orientadores

O dado da Fundação Itaú de que 79% dos professores já usaram IA e que 83% a veem como ferramenta pedagógica válida representa uma mudança de paradigma significativa. Em 2022 e 2023, a postura predominante no corpo docente brasileiro era de desconfiança ou proibição. Em 2024-2026, a questão não é mais “deve ser proibida?” mas “como deve ser regulada?”

O bloco mais relevante de dados da Fundação Itaú, entretanto, é o da formação docente. 54% dos professores realizaram, nos 12 meses anteriores à pesquisa, atividades de desenvolvimento profissional voltadas ao uso de tecnologias digitais. Contudo, a proporção daqueles com formação específica sobre IA em contexto educacional é consideravelmente menor — o que explica a inconsistência nas políticas de orientação aos alunos sobre TCC e IA.

Para orientadores de TCC, o blog Pedagogia Conectada e recursos como o ICT in Classroom têm documentado práticas pedagógicas que integram a IA como ferramenta de aprendizagem, não como atalho — uma distinção crítica para o contexto dos TCCs.

Políticas institucionais: onde estamos em 2026

O panorama de políticas institucionais sobre IA em TCCs no Brasil em 2026 ainda é heterogêneo. Algumas universidades já estabeleceram diretrizes claras; muitas ainda operam em zona cinzenta.

A Universidade de São Paulo (USP) foi uma das primeiras instituições a publicar, em dezembro de 2024, um Guia de Boas Práticas para Uso de IA na Pesquisa Acadêmica. O documento estabelece que:

  • O uso de IA é permitido e encorajado como suporte ao trabalho intelectual do estudante;
  • Todo uso de IA deve ser declarado na metodologia do trabalho;
  • A IA não pode substituir a pesquisa original, a análise crítica ou a defesa oral do estudante;
  • Textos gerados integralmente por IA sem revisão e declaração constituem desonestidade acadêmica.

No âmbito das normas técnicas, a ABNT ainda não publicou uma norma específica para citação de ferramentas de IA generativa. A prática recomendada pela comunidade acadêmica é tratar a ferramenta como fonte, indicando nome, versão, data de acesso e prompt utilizado — seguindo o espírito das normas ABNT para fontes eletrônicas. Para saber mais sobre normas ABNT e formatação académica, veja o nosso guia sobre mestrado em Portugal: guia completo 2026.

Riscos do uso irresponsável: plágio e alucinações

Os dois riscos mais documentados do uso de IA em TCCs sem supervisão crítica são o plágio (direto ou por omissão de declaração) e as alucinações — informações fabricadas pela IA que soam plausíveis mas não têm base factual verificável.

Plágio e detecção automatizada

Detectores de conteúdo gerado por IA — como o GPTZero e ferramentas integradas ao Turnitin — estão em rápida evolução. O artigo de Monografia e TCC sobre plágio e IA (2024) documenta que o uso de IA não declarado pode ser identificado tanto por padrões estilísticos quanto por ferramentas dedicadas, mesmo quando o texto foi editado manualmente após geração. Para saber como o Turnitin funciona especificamente em português, consulte o nosso guia sobre Turnitin e detecção de IA em português: FAQ 2026.

Alucinações em referências bibliográficas

Um problema particular com ferramentas de IA generalistas no contexto de TCCs é a geração de referências bibliográficas plausíveis mas fictícias. Artigos com autores reais, títulos inventados, em revistas que existem — mas sem o artigo em questão. Para estudantes que não verificam cada referência no repositório original, isso resulta em TCCs com citações falsas que são identificadas durante a defesa.

Plataformas especializadas para escrita acadêmica, como a Tesify, são projetadas para minimizar este risco ao focar a assistência na estruturação e escrita de conteúdo, sem geração automática de referências bibliográficas não verificadas.

Como usar IA no TCC de forma ética e eficaz

A questão não é se usar IA no TCC, mas como fazê-lo de forma que fortaleça — não substitua — o trabalho intelectual do estudante. Com base nas políticas institucionais existentes e nos dados sobre uso e risco, estas são as práticas recomendadas:

1. Declare o uso na metodologia

Sempre que uma ferramenta de IA tiver contribuído para o processo de escrita ou pesquisa, inclua uma secção na metodologia descrevendo qual ferramenta, para que finalidade e com quais limitações identificadas.

2. Use IA para estruturar, não para substituir

Utilize IA para gerar esboços de secções, organizar argumentos e identificar lacunas no raciocínio — não para gerar o texto final. A análise crítica, as conclusões e a interpretação dos dados devem ser sempre do aluno.

3. Verifique cada referência bibliográfica

Nunca use uma referência gerada por IA sem verificar a sua existência no repositório original — Google Scholar, SciELO, BDTD ou a base de dados específica da área. Esta verificação é obrigatória e inegociável.

4. Conheça a política da sua instituição

Antes de usar qualquer ferramenta de IA no TCC, consulte a política da sua universidade. Se não existir política formal, pergunte ao orientador. A ausência de política não significa permissão irrestrita.

Para aprender as melhores ferramentas de IA disponíveis para trabalhos acadêmicos em 2026, consulte o nosso guia sobre melhor IA para fazer TCC. Para saber o que fazem os mestrandos portugueses que não concluem a tempo, consulte o artigo sobre mestrandos que não defendem a tempo: dados Portugal 2026.

Perguntas frequentes

Quantos alunos brasileiros usam IA no TCC?

De acordo com o estudo da Fundação Itaú (2024), 84% dos estudantes já utilizaram alguma ferramenta de IA. A pesquisa TIC Educação 2024 do CETIC.br indicou que 7 em cada 10 alunos do Ensino Médio usam IA generativa em pesquisas escolares. Dados específicos sobre uso exclusivo em TCCs de ensino superior ainda são escassos, mas a tendência de adoção geral é inequívoca.

É permitido usar IA no TCC no Brasil?

Depende da política de cada instituição. A USP lançou em 2024 um guia de boas práticas que permite o uso de IA desde que devidamente documentado e utilizado como suporte, não como substituto do trabalho intelectual. A ABNT ainda não publicou norma específica para citação de IA, mas a prática recomendada é tratar a ferramenta como fonte e indicar versão, data de acesso e prompt utilizado.

Os professores orientam os alunos sobre uso de IA no TCC?

Não na maioria dos casos. A pesquisa TIC Educação 2024 revelou que apenas 32% dos alunos receberam orientação formal sobre como usar ferramentas de IA de forma crítica e responsável. No ensino superior, a situação é semelhante: muitas instituições ainda não têm políticas formais publicadas.

Qual é a diferença entre usar IA para pesquisa e usar para escrever o TCC?

Usar IA para buscar referências, organizar ideias, revisar gramática ou criar um esboço inicial é uma prática cada vez mais aceita, desde que o pensamento crítico e a análise sejam do aluno. Gerar o texto do TCC integralmente com IA, sem revisão crítica, sem pesquisa original e sem declaração de uso, é considerado desonestidade acadêmica na maioria das instituições brasileiras.

Que ferramentas de IA os alunos brasileiros mais usam nos trabalhos acadêmicos?

As ferramentas mais citadas são o ChatGPT (OpenAI), Gemini (Google) e Copilot (Microsoft). Para TCCs e dissertações, plataformas especializadas como a Tesify oferecem assistência estruturada para escrita acadêmica respeitando as normas ABNT, com menor risco de geração de informações fabricadas.