TCC em Dupla: É Permitido? Regras, Divisão de Autoria e o que a Banca Cobra 2026
“Posso fazer o TCC em dupla?” é uma das perguntas mais buscadas por estudantes no último ano de faculdade — e a resposta curta é: depende do regimento do seu curso, não existe uma regra nacional única que permita ou proíba. Cada instituição de ensino superior brasileira define, no Projeto Pedagógico do Curso (PPC) ou no regimento do componente curricular de TCC, se o trabalho pode ser feito em dupla, em grupo maior, ou apenas individualmente. Este guia explica os padrões mais comuns entre universidades brasileiras, como funciona a divisão de autoria, o que a banca costuma cobrar de cada integrante na defesa e o que fazer quando a parceria não está funcionando.
TCC em dupla é permitido? Depende do regimento
O TCC é regido, na maioria das universidades brasileiras, pelo regulamento específico do componente curricular de Trabalho de Conclusão de Curso, aprovado pelo colegiado do curso e alinhado ao Projeto Pedagógico do Curso (PPC). Não existe uma norma ABNT que trate da autoria compartilhada — a NBR 14724 define a estrutura formal do documento, não quem pode assiná-lo. Também não há uma resolução do MEC que obrigue ou vede o trabalho em dupla de forma genérica para todos os cursos de graduação do país.
Isso significa que a resposta muda de curso para curso, e às vezes de turma para turma, se o regimento for atualizado. Cursos de engenharia e ciências exatas tendem a permitir duplas com mais frequência, principalmente quando o TCC envolve desenvolvimento de protótipos ou sistemas que se beneficiam de divisão técnica do trabalho. Cursos de humanidades e ciências sociais, onde a produção é predominantemente textual e a autoria intelectual é mais difícil de segmentar, tendem a ser mais restritivos ou a exigir justificativa específica para autorizar a dupla.
Padrões mais comuns entre as instituições brasileiras
Embora cada regimento seja soberano, alguns padrões se repetem na prática de universidades como USP, UNICAMP, UFRJ, UFMG, UnB e PUC, entre outras:
- Limite de integrantes: a maioria dos regimentos que permite trabalho compartilhado limita a dupla a dois integrantes; grupos de três ou mais costumam exigir aprovação excepcional do coordenador.
- Aprovação prévia do orientador: o orientador geralmente precisa concordar formalmente com a formação da dupla antes do início da pesquisa, muitas vezes por meio de um formulário específico junto à secretaria do curso.
- Declaração de contribuição individual: um documento (às vezes um anexo do próprio TCC) descrevendo o que cada integrante fez, para orientar a avaliação da banca.
- Defesa conjunta com arguição individual: os dois integrantes apresentam juntos, mas a banca dirige perguntas específicas a cada um para avaliar o domínio individual do conteúdo.
- Nota — igual ou individual, dependendo do curso: alguns regimentos atribuem a mesma nota a ambos os integrantes; outros permitem notas diferentes conforme o desempenho na arguição e a qualidade da contribuição documentada.

Nenhum destes pontos é garantido pela sua instituição só porque é comum em outras — verifique sempre o regimento de TCC do seu curso e, em caso de dúvida, procure diretamente a coordenação ou o colegiado antes de tomar qualquer decisão.
TCC em dupla na modalidade EAD
Cursos a distância acrescentam uma camada extra de complexidade à parceria: os integrantes raramente se encontram presencialmente, o que torna a divisão de tarefas e o acompanhamento mútuo do progresso ainda mais dependentes de ferramentas de comunicação e de gestão documentada. Instituições com forte oferta EAD costumam, na prática, ser mais cautelosas com o TCC em dupla exatamente por essa dificuldade de verificar a contribuição real de cada integrante à distância — algumas exigem videochamadas de acompanhamento periódico com o orientador, justamente para confirmar o envolvimento de ambos ao longo do processo, e não apenas na entrega final.
Se o seu curso é EAD e permite duplas, combine desde o início um ritmo de reuniões virtuais regulares com o orientador e registre atas simples dessas conversas — isso facilita tanto a organização do trabalho quanto uma eventual necessidade de comprovar o envolvimento de cada integrante mais adiante.
Como dividir a autoria e documentar contribuições
Mesmo quando o regimento permite a dupla, a distribuição interna do trabalho precisa ser combinada e, idealmente, registrada por escrito desde o início — um simples documento datado, guardado por ambos, evita disputas de autoria mais adiante. Boas práticas incluem:
- Definir a ordem dos nomes na capa antes de começar, seguindo um critério acordado (ordem alfabética, proporção de contribuição, ou alternância em trabalhos futuros) — e documentar esse critério, ainda que informalmente.
- Dividir por capítulos ou por etapas metodológicas, dependendo do tipo de trabalho: por exemplo, um integrante conduz a revisão de literatura enquanto o outro constrói o instrumento de coleta, com revisão cruzada de tudo ao final.
- Registrar quem fez o quê ao longo do processo, não apenas no fim — anotações semanais evitam reconstruções de memória imprecisas na hora de preencher a declaração de contribuição.
- Revisar o texto final em conjunto, mesmo nas partes escritas principalmente por um dos integrantes, para que ambos possam responder com segurança a qualquer pergunta da banca sobre qualquer seção do documento.
Para entender os critérios formais usados na literatura científica para definir e documentar autoria — inclusive em publicações com múltiplos autores, que seguem uma lógica próxima à do TCC em dupla —, veja o guia sobre critérios de autoria científica: CRediT, ICMJE e ordem dos autores. Os princípios de transparência sobre quem contribuiu com o quê se aplicam igualmente ao TCC.
O que a banca costuma cobrar de cada integrante
A defesa de um TCC em dupla segue, na maioria das instituições, o mesmo formato geral de uma defesa individual — apresentação seguida de arguição —, mas com uma diferença importante: a banca costuma direcionar perguntas específicas a cada integrante para verificar se ambos dominam o conteúdo completo do trabalho, não apenas a parte que cada um escreveu.
| O que a banca costuma avaliar | Por que importa numa dupla |
|---|---|
| Domínio individual do referencial teórico completo | Evita que um integrante “carregue” o outro sem conhecimento real do trabalho |
| Clareza na divisão de tarefas apresentada | Confirma se a declaração de contribuição corresponde à realidade |
| Coerência das respostas entre os dois integrantes | Respostas contraditórias levantam suspeita sobre o real envolvimento de cada um |
| Capacidade de responder sobre a metodologia como um todo | A metodologia geralmente é construída em conjunto e é cobrada dos dois |
Prepare-se para a arguição revisando todo o documento, não só a sua parte — o artigo banca de TCC: 30 perguntas frequentes e como responder reúne o tipo de pergunta que costuma aparecer e serve de roteiro de revisão para ambos os integrantes antes da defesa.
Quando a parceria não funciona: o que fazer
É comum surgirem tensões quando um dos integrantes não entrega sua parte no prazo combinado, ou entrega com qualidade muito abaixo do esperado. Como não existe uma regra nacional para esse cenário, o caminho prático costuma ser este:
- Documente o problema desde cedo — guarde mensagens, prazos combinados e entregas (ou a falta delas). Isso protege ambas as partes caso o assunto precise ser levado à coordenação.
- Fale com o orientador assim que perceber o padrão, não na véspera da entrega. A maioria dos orientadores prefere intervir cedo, quando ainda há tempo de reorganizar o trabalho, do que ser surpreendido no fim.
- Consulte o regimento sobre desligamento de integrante — muitas instituições preveem um procedimento formal para um dos integrantes seguir sozinho, com ajuste de prazo e, eventualmente, redução de escopo negociada com o orientador.
- Peça avaliação diferenciada, se o regimento permitir — quando existe declaração de contribuição individual, é possível solicitar à coordenação que a disparidade de esforço seja considerada na nota final, mas isso depende inteiramente das regras do seu curso.
Nenhuma dessas medidas é automática — dependem do regimento específico do seu curso e da boa vontade do orientador e da coordenação em mediar a situação. Procure esses canais formais em vez de tentar resolver o impasse apenas entre os dois integrantes, especialmente perto do prazo final.
Vantagens e riscos reais do TCC em dupla
Fazer o TCC em dupla tem vantagens genuínas quando a parceria funciona bem: divisão de carga de trabalho, troca de perspetivas na revisão de literatura, e apoio mútuo num período de alta pressão acadêmica. Uma ferramenta como o Tesify Editor IA pode ajudar a manter a coesão de estilo entre os trechos escritos por cada integrante, o que é útil justamente porque um TCC em dupla corre o risco de “costuras” visíveis entre secções com vozes de escrita muito diferentes.
Por outro lado, o risco mais citado por coordenadores de curso é a assimetria de contribuição — quando um integrante acaba assumindo a maior parte do trabalho sem que isso fique refletido na avaliação final. Combinar critérios claros de divisão desde o início, e documentá-los, é a melhor proteção contra esse cenário em ambas as direções. Vale lembrar também que, se o seu curso exige declaração sobre uso de ferramentas de IA na redação, essa declaração deve cobrir o trabalho de ambos os integrantes — o artigo sobre como declarar o uso de IA no TCC traz modelos de declaração que podem ser adaptados para autoria compartilhada. Para uma visão mais ampla da estrutura formal do TCC segundo a ABNT, que se aplica igualmente a trabalhos em dupla, consulte também estrutura de TCC 2026: elementos pré-textuais, textuais e pós-textuais.
Perguntas frequentes
Existe uma norma ABNT que regule o TCC em dupla?
Não. A NBR 14724 trata da estrutura formal do trabalho acadêmico — capa, folha de rosto, elementos textuais e pós-textuais — mas não define regras sobre autoria compartilhada. A permissão para TCC em dupla é definida pelo regimento de cada curso e instituição, não por uma norma técnica nacional.
Os dois integrantes recebem a mesma nota no TCC em dupla?
Varia por instituição. Alguns regimentos atribuem uma única nota ao trabalho, aplicada igualmente aos dois integrantes; outros permitem que a banca atribua notas individuais, considerando o desempenho na arguição e a contribuição documentada de cada um. Verifique o regulamento específico do seu curso antes de assumir qualquer um dos dois cenários.
Como provar minha contribuição individual se o parceiro não colaborar?
Mantenha um registro contínuo — datas de entrega, trocas de mensagens, versões do documento com controle de alterações — que mostre objetivamente quem produziu cada parte. Esse registro é a base para preencher a declaração de contribuição individual (quando exigida) e para levar o caso à coordenação, se necessário, com evidências concretas em vez de relatos verbais.
Posso trocar de dupla para trabalho individual no meio do processo?
Em muitos casos sim, mas o procedimento formal varia por instituição e normalmente exige aprovação do orientador e da coordenação, além de possível ajuste de prazo ou de escopo do trabalho. Procure o regimento de TCC do seu curso e converse com o orientador assim que perceber que a parceria não é mais viável — quanto antes, mais fácil a transição.
TCC em dupla no EAD tem regras diferentes do presencial?
O regimento de TCC costuma ser o mesmo para EAD e presencial dentro da mesma instituição, mas na prática, cursos a distância tendem a ser mais rigorosos na verificação da contribuição individual, exatamente porque o acompanhamento presencial é menor. Reuniões periódicas registradas com o orientador ajudam a comprovar o envolvimento contínuo de cada integrante ao longo do semestre.
Escreve a tua tese ou TCC com IA
Editor inteligente, bibliografia automática (APA e ABNT) e verificação antiplágio num só sítio. Mais de 9.000 estudantes já escrevem em metade do tempo.
