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Tamanho do Efeito na Tese: Que Medida Reportar em Cada Teste (2026)

Tamanho do Efeito na Tese: Que Medida Reportar em Cada Teste (2026)

A instrução chega quase sempre em cima da entrega: «tens de reportar os tamanhos de efeito». O problema é que não existe o tamanho de efeito — existe uma família de medidas, cada uma ligada a um tipo de teste, e reportar a errada é tão visível como reportar um teste errado.

Esta é a tabela de referência que devia estar colada ao lado do ecrã enquanto se escreve o capítulo de resultados: que medida corresponde a que teste, onde a encontrar no SPSS, o que significam os limiares convencionais e o que fazer quando o programa não a dá.

Resposta rápida: Teste t → d de Cohen. ANOVA e ANCOVA → eta quadrado parcial (η²ₚ). Qui-quadrado → phi (tabelas 2×2) ou V de Cramér. Correlação → o próprio r (e r² como variância partilhada). Regressão linear → R² global e f² por preditor. Regressão logística → razão de possibilidades. Testes não paramétricos → r = Z/√N. Nada disto substitui a leitura substantiva: um tamanho de efeito só se torna informativo quando comparado com o que é típico na sua área e acompanhado de um intervalo de confiança.

Porque é obrigatório e não decorativo

O valor-p depende da dimensão da amostra. Com 2 000 participantes, uma diferença irrelevante fica significativa; com 30, um efeito importante pode não atingir a significância. O tamanho de efeito é a parte da informação que não depende do n: quantifica a magnitude do fenómeno em vez de responder à pergunta binária «é distinguível de zero?».

Duas consequências práticas que se refletem na avaliação:

  • Permite comparabilidade. Só com tamanhos de efeito é possível confrontar o seu resultado com o de outros estudos, ou incluí-lo numa meta-análise futura. O guia de meta-análise mostra o que acontece a um estudo que não os reporta: fica de fora.
  • Salva resultados não significativos. Um efeito de magnitude moderada num estudo com pouca potência é uma informação valiosa — e é a diferença entre «não encontrámos nada» e «encontrámos um efeito que a nossa amostra não permitiu confirmar». Sobre este ponto, ver as hipóteses não se confirmaram.
Segmento marcado numa régua entre dois limites, representando um intervalo de confiança em torno de uma estimativa
Um tamanho de efeito sem intervalo de confiança é meia informação.

Tabela de referência por teste

Teste Medida Onde a obter Referência de leitura
t para amostras independentes d de Cohen Caixa «Estimar tamanhos de efeito» nas versões recentes do SPSS; jamovi e JASP dão-no com intervalo 0,20 pequeno · 0,50 médio · 0,80 grande
t para amostras emparelhadas d de Cohen para pares Mesma caixa; atenção ao denominador usado Mesmos valores, com cautela
ANOVA / ANCOVA / medidas repetidas η²ₚ (eta quadrado parcial) Opções → Estimativas de tamanho de efeito, no Modelo Linear Geral 0,01 pequeno · 0,06 médio · 0,14 grande
Qui-quadrado 2×2 Phi (φ) Crosstabs → Estatísticas → Phi e V de Cramér 0,10 · 0,30 · 0,50
Qui-quadrado maior que 2×2 V de Cramér Mesma caixa Depende dos graus de liberdade
Correlação de Pearson / Spearman O próprio coeficiente Já está no output 0,10 · 0,30 · 0,50
Regressão linear múltipla R² e f² de Cohen R² no output; f² = R²/(1−R²), calculado à mão f²: 0,02 · 0,15 · 0,35
Regressão logística Razão de possibilidades (OR) Coluna Exp(B), com IC 95% Interpretação substantiva, não convencional
Mann-Whitney / Wilcoxon r = Z/√N Z está no output; N é o total de observações 0,10 · 0,30 · 0,50
Kruskal-Wallis Eta quadrado baseado em H Calculado à mão a partir de H, k e N Como o eta quadrado

Se ainda está a decidir qual dos testes se aplica ao seu desenho, comece pelo guia de decisão sobre que teste estatístico usar; para os procedimentos concretos de cada família, veja testes não paramétricos e análise de correlação.

Os limiares e o que fazer com eles

Os valores de referência mais citados vêm de Jacob Cohen — a síntese prática está no seu A power primer, de 1992, na Psychological Bulletin (DOI 10.1037/0033-2909.112.1.155). Vale a pena saber duas coisas sobre eles.

Primeira: o próprio Cohen os apresentou como convenções provisórias, a usar apenas na ausência de melhor informação, e advertiu contra a sua aplicação mecânica. Segunda: essa advertência é sistematicamente ignorada — Lance, Butts e Michels documentaram, em Organizational Research Methods (DOI 10.1177/1094428105284919), como vários pontos de corte muito repetidos na literatura metodológica derivam de leituras deformadas das fontes originais.

A leitura melhor, e a que impressiona um júri, é comparativa e substantiva:

  • Comparativa: «d = 0,34 é inferior ao intervalo de 0,45 a 0,60 reportado em estudos com intervenções semelhantes nesta população».
  • Substantiva: «uma diferença de 0,34 desvios-padrão corresponde, nesta escala, a cerca de dois pontos, o que num programa aplicado a mil alunos representa…».

Um efeito «pequeno» pode ser importantíssimo se a intervenção for barata e a população grande; um efeito «grande» pode ser irrelevante se a variável não interessar a ninguém. Daniel Lakens, num artigo prático em Frontiers in Psychology (DOI 10.3389/fpsyg.2013.00863), insiste no ponto que fecha esta secção: reporte sempre o intervalo de confiança do tamanho de efeito. Um d = 0,34 com IC [0,02; 0,66] e um d = 0,34 com IC [0,28; 0,40] dizem coisas muito diferentes sobre o que sabe.

Conjunto de instrumentos de medida diferentes lado a lado, cada um adequado a um tipo de medição
Cada teste tem o seu instrumento de magnitude — usar o do vizinho é um erro visível.

O erro do eta quadrado parcial

Este merece secção própria porque é o mais frequente em teses e um dos poucos que um arguente atento deteta de imediato.

O eta quadrado (η²) exprime a proporção da variância total explicada por um efeito. O eta quadrado parcial (η²ₚ) exprime a proporção da variância explicada depois de removida a variância dos outros efeitos do modelo. Não são a mesma coisa, e o segundo é sempre maior.

O que o SPSS devolve em Opções → Estimativas de tamanho de efeito é o parcial — e muitas teses reportam-no com o rótulo η², como se fosse variância total. Levine e Hullett documentaram esta confusão em Human Communication Research (DOI 10.1111/j.1468-2958.2002.tb00828.x) e mostraram as consequências: valores inflacionados e não comparáveis entre estudos com modelos diferentes.

Três regras que resolvem o problema. (1) Escreva o símbolo correto: se veio do SPSS, é η²ₚ. (2) Não some os η²ₚ dos vários efeitos — a soma pode ultrapassar 1, porque cada um tem um denominador diferente. (3) Ao comparar com a literatura, confirme que o estudo citado reporta a mesma variante; se reportar η² e você η²ₚ, os números não são comparáveis. Para desenhos com vários fatores, Olejnik e Algina propuseram alternativas generalizadas em Psychological Methods (DOI 10.1037/1082-989X.8.4.434) precisamente para restaurar a comparabilidade.

Quando o SPSS não dá a medida

Três situações comuns e a solução em cada uma:

  1. Versões antigas do SPSS não calculam o d de Cohen. Obtém-se a partir do output: d = 2t/√(gl) para amostras independentes de dimensão semelhante, ou pela diferença de médias dividida pelo desvio-padrão combinado, que a tabela de estatística descritiva permite calcular. Alternativa mais simples: abrir o mesmo ficheiro no jamovi ou no JASP, que devolvem o valor com intervalo de confiança sem contas — ver a comparação entre jamovi, JASP e SPSS.
  2. Testes não paramétricos. O SPSS não fornece tamanho de efeito para Mann-Whitney nem Wilcoxon. Use r = Z/√N, com Z tirado do output e N igual ao número total de observações (não ao número de grupos).
  3. Intervalos de confiança para tamanhos de efeito. Raramente aparecem no SPSS. O jamovi e o JASP dão-nos por defeito, e é a razão mais forte para instalar um deles só para esta fase da análise.

Como reportar em APA 7

O tamanho de efeito vem a seguir ao valor-p, na mesma frase, nunca numa tabela separada no fim do capítulo:

  • Teste t: «t(78) = 2,41; p = 0,018; d = 0,54, IC 95% [0,09; 0,98]»
  • ANOVA: «F(2, 117) = 5,83; p = 0,004; η²ₚ = 0,09»
  • Qui-quadrado: «χ²(1, N = 210) = 6,42; p = 0,011; φ = 0,17»
  • Mann-Whitney: «U = 612,5; z = −2,18; p = 0,029; r = 0,22»

Convenções de escrita frequentemente falhadas em teses portuguesas: símbolos estatísticos em itálico (t, F, p, d, r, N), mas não as letras gregas; vírgula decimal em texto português; e não usar zero antes da vírgula em valores que não podem exceder 1 — escreve-se p = ,018 na convenção estrita da APA, embora muitos regulamentos portugueses aceitem 0,018. Verifique o regulamento da sua instituição e seja consistente. As regras de tabelas estão em tabelas e figuras em normas APA.

Uma última ligação que fecha o ciclo: o tamanho de efeito que espera encontrar é também o que deve alimentar o cálculo da dimensão da amostra antes da recolha, como descrito em como calcular o tamanho da amostra com o G*Power. Quem planeia com tamanhos de efeito raramente é apanhado a explicar um resultado nulo à pressa.

Uniformizar o reporte em todo o capítulo

Reportar dez testes com a mesma estrutura de frase, os mesmos símbolos e as mesmas casas decimais é onde se perdem horas e pontos. O Tesify ajuda a manter a consistência ao longo de todo o capítulo de resultados — 100% escrito por si. Comece a sua tese no Tesify →

Perguntas frequentes

Tenho mesmo de reportar o tamanho do efeito?

Sim, sempre que reporta um teste de hipóteses. O valor-p depende da dimensão da amostra e não informa sobre a magnitude do fenómeno; o tamanho de efeito é o que permite comparar o seu resultado com a literatura e o que torna o estudo utilizável em meta-análises futuras. É também o que dá conteúdo a um resultado não significativo.

Qual é a diferença entre eta quadrado e eta quadrado parcial?

O eta quadrado exprime a proporção da variância total explicada por um efeito; o eta quadrado parcial exprime a proporção explicada depois de removida a variância atribuída aos restantes efeitos do modelo, sendo por isso sistematicamente maior. O SPSS devolve o parcial, que deve ser identificado com o símbolo correto e nunca somado entre efeitos.

Como calculo o tamanho de efeito de um teste de Mann-Whitney?

Use r igual a Z a dividir pela raiz quadrada de N, retirando o valor de Z do output do SPSS e usando como N o número total de observações das duas amostras somadas. Interprete-o com as mesmas referências de um coeficiente de correlação. O mesmo procedimento aplica-se ao teste de Wilcoxon para pares.

Um d de Cohen pequeno significa que o resultado não interessa?

Não. Os limiares de Cohen foram propostos como convenções provisórias para usar na ausência de melhor referência, e o próprio autor advertiu contra a aplicação mecânica. Um efeito pequeno pode ser relevante quando a intervenção é barata, a população é grande ou o desfecho é crítico. A leitura correta compara com o típico da área e traduz o valor para as unidades originais.

Preciso de intervalos de confiança para os tamanhos de efeito?

São fortemente recomendados, porque comunicam a precisão da estimativa: uma estimativa idêntica pode ter um intervalo estreito ou muito largo, e a conclusão que permite é diferente em cada caso. O SPSS raramente os fornece; o jamovi e o JASP calculam-nos por defeito e abrem ficheiros .sav diretamente.

Onde se coloca o tamanho do efeito no texto?

Imediatamente a seguir ao valor-p, na mesma frase que reporta o teste, e não numa tabela separada no final do capítulo. Os símbolos estatísticos latinos vão em itálico, as letras gregas não, e a convenção decimal deve seguir o regulamento da instituição, aplicada de forma consistente em todo o documento.

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