Como Fazer a Análise de Correlação (Pearson vs Spearman) na Tese 2026

Como Fazer a Análise de Correlação (Pearson vs Spearman) na Tese 2026

A análise de correlação pearson spearman tese mede a força e a direção da associação entre duas variáveis quantitativas, mas a escolha do coeficiente errado invalida a interpretação dos resultados. Pearson exige uma relação linear entre variáveis intervalares ou de razão, distribuídas de forma aproximadamente normal; Spearman baseia-se nas ordens (ranks) dos dados e não exige normalidade, sendo a opção correta para variáveis ordinais, amostras pequenas ou relações monótonas não lineares.

Este guia explica, passo a passo, como decidir entre os dois coeficientes, verificar os pressupostos exigidos, calcular a correlação no SPSS, R e jamovi, interpretar o coeficiente e o valor de p, avaliar o tamanho do efeito e reportar os resultados segundo as normas APA 7ª edição — evitando o erro metodológico mais comum nesta técnica: confundir correlação com causalidade.

Resposta rápida: use o coeficiente de correlação de Pearson (r) quando ambas as variáveis são quantitativas contínuas, a relação entre elas é linear e os dados seguem uma distribuição aproximadamente normal. Use o coeficiente de Spearman (rho, ρ ou rs) quando pelo menos uma variável é ordinal, a amostra é pequena, existem outliers relevantes ou a relação é monótona mas não linear. Em ambos os casos, reporte o coeficiente, o valor de p, o intervalo de confiança e o tamanho da amostra em formato APA, e nunca interprete a correlação como prova de causalidade.

O que é a análise de correlação e para que serve na tese?

A análise de correlação quantifica o grau em que duas variáveis variam em conjunto, produzindo um coeficiente entre -1 e +1. Um valor próximo de +1 indica uma associação positiva forte (quando uma variável aumenta, a outra também aumenta); um valor próximo de -1 indica uma associação negativa forte; e um valor próximo de 0 sugere ausência de associação linear (no caso de Pearson) ou monótona (no caso de Spearman).

Na tese, esta técnica é usada tipicamente em três situações: para explorar a relação entre duas variáveis antes de avançar para modelos mais complexos como a regressão logística, para testar hipóteses de associação formuladas no enquadramento teórico, e para verificar multicolinearidade entre variáveis independentes antes de as incluir num modelo de regressão múltipla.

Pearson vs Spearman: qual devo escolher?

O coeficiente de correlação de Pearson foi formalizado por Karl Pearson em 1896 e mede a covariância entre duas variáveis padronizada pelo produto dos seus desvios-padrão, assumindo uma relação linear. O coeficiente de Spearman, proposto por Charles Spearman em 1904, converte os valores originais em postos (ranks) e aplica a fórmula de Pearson sobre essas ordens, o que o torna uma medida não paramétrica, robusta a outliers e adequada para relações monótonas não necessariamente lineares.

Ilustração de um ponto de decisão com dois caminhos, representando a escolha entre os coeficientes de Pearson e Spearman
A escolha entre Pearson e Spearman depende da forma da relação e do nível de medida das variáveis.
Tabela 1. Critérios de decisão entre Pearson e Spearman
Critério Use Pearson (r) Use Spearman (rs)
Nível de medida Intervalar ou de razão nas duas variáveis Pelo menos uma variável ordinal
Forma da relação Linear Monótona, não necessariamente linear
Distribuição Aproximadamente normal (ambas variáveis) Não exige normalidade
Outliers Sensível — distorce fortemente o valor de r Robusto — usa postos, não valores brutos
Dimensão da amostra Preferível com amostras maiores Adequado também a amostras pequenas
Interpretação Proporção de variância linear partilhada Grau de monotonicidade da relação

Na dúvida, uma estratégia prudente é reportar os dois coeficientes: se os valores forem semelhantes, a relação é provavelmente linear e ambos os testes são válidos; se divergirem substancialmente, é sinal de não linearidade ou de outliers a distorcer o Pearson, e o Spearman deve prevalecer no reporte principal.

Que pressupostos preciso de verificar antes de correlacionar?

Antes de calcular qualquer coeficiente, verifique os seguintes pressupostos — a mesma lógica de verificação usada nos pressupostos dos testes paramétricos aplica-se aqui:

  • Nível de medida adequado. Pearson exige variáveis intervalares/razão; Spearman aceita ordinais.
  • Normalidade univariada (Pearson). Verifique com o teste de Shapiro-Wilk ou um gráfico Q-Q para cada variável.
  • Linearidade (Pearson). Inspecione um diagrama de dispersão; padrões curvilíneos invalidam o Pearson mesmo com dados normais.
  • Homocedasticidade. A dispersão dos pontos em torno da reta deve ser aproximadamente constante ao longo do intervalo de valores.
  • Ausência de outliers extremos ou, se existirem, decisão justificada sobre mantê-los, removê-los ou usar Spearman.
  • Independência das observações. Cada par de valores deve provir de um caso independente dos restantes.

Como calcular a correlação no SPSS, R e jamovi

SPSS

No menu Analyze → Correlate → Bivariate, selecione as duas variáveis, marque a caixa Pearson ou Spearman (podem ser calculadas em simultâneo) e escolha o teste bicaudal ou unicaudal conforme a direção da hipótese. O output devolve o coeficiente, o valor de p (Sig. 2-tailed) e o número de pares válidos (N).

Ilustração de um espaço de trabalho de análise estatística com computador, matriz de correlação e instrumentos de investigação
O cálculo da correlação pode ser feito em SPSS, R ou jamovi, com resultados equivalentes.

R

A função base cor.test(x, y, method = "pearson") ou cor.test(x, y, method = "spearman") devolve o coeficiente, o intervalo de confiança (apenas Pearson) e o valor de p. Para matrizes de correlação com várias variáveis, o pacote Hmisc (função rcorr()) ou o pacote corrplot para visualização são as opções mais usadas em teses de metodologia quantitativa.

jamovi

No módulo Regression → Correlation Matrix, arraste as variáveis para a caixa de análise e selecione as caixas Pearson e/ou Spearman. O jamovi tem a vantagem de gerar automaticamente o diagrama de dispersão com a linha de tendência, facilitando a verificação visual da linearidade sem sair da mesma janela.

Como interpretar o coeficiente e o valor de p

O coeficiente indica a direção (sinal positivo ou negativo) e a força (magnitude entre 0 e 1) da associação. O valor de p indica se essa associação é estatisticamente significativa, ou seja, se é improvável ter ocorrido apenas por acaso na amostra — para uma explicação completa da lógica do teste de hipóteses, consulte o guia sobre como interpretar o valor-p e os testes de hipóteses na tese.

É essencial não confundir os dois conceitos: uma correlação fraca (por exemplo, r = 0,15) pode ser estatisticamente significativa numa amostra muito grande, e uma correlação forte (r = 0,60) pode não atingir significância numa amostra pequena. O valor de p depende do tamanho da amostra; o coeficiente em si é a medida de interesse substantivo.

Que tamanho de efeito é considerado relevante?

O próprio coeficiente de correlação funciona como medida de tamanho do efeito, dispensando cálculos adicionais. As referências de Jacob Cohen (1988) para interpretar a magnitude, amplamente citadas na literatura metodológica em ciências sociais, são as seguintes:

Tabela 2. Referências de Cohen (1988) para magnitude da correlação
Valor absoluto de r / rs Interpretação
0,10 – 0,29 Efeito pequeno
0,30 – 0,49 Efeito moderado
0,50 ou superior Efeito grande

Nota metodológica: estes limiares são orientadores e não substituem o julgamento disciplinar — em algumas áreas das ciências sociais e da saúde, correlações de 0,20 já são consideradas relevantes na prática, enquanto noutras áreas exige-se um limiar mais elevado. Justifique sempre a interpretação face à literatura da sua área.

Como reportar a correlação em formato APA 7

O formato de reporte recomendado pela 7ª edição das normas APA para o coeficiente de Pearson é: r(gl) = valor, p = valor, onde os graus de liberdade correspondem a N − 2. Para Spearman, reporta-se rs(N) = valor, p = valor. Exemplo ilustrativo de reporte:

“Existe uma correlação positiva moderada e estatisticamente significativa entre a variável X e a variável Y, r(58) = .42, p = .001.”

Inclua sempre o tamanho da amostra, o coeficiente com duas casas decimais, o valor de p exato (ou “p < .001” quando aplicável) e, idealmente, o intervalo de confiança a 95% quando disponível no software utilizado. Acompanhe o texto com uma tabela de correlações ou uma matriz quando o estudo envolve mais de duas variáveis, seguindo o formato de tabela estatística das normas APA.

Erros comuns: correlação não é causalidade

  • Inferir causalidade a partir da correlação. Um coeficiente elevado não indica que uma variável causa a outra — pode existir uma terceira variável (confundidora) a explicar ambas.
  • Usar Pearson sem verificar linearidade. Relações em forma de U ou curvilíneas podem produzir um r próximo de zero mesmo havendo uma associação forte, mas não linear.
  • Ignorar outliers. Um único ponto extremo pode inflacionar ou anular artificialmente o coeficiente de Pearson.
  • Multiplicar testes sem correção. Ao correlacionar muitas variáveis em pares, o risco de falsos positivos aumenta; considere uma correção como Bonferroni quando o número de comparações for elevado.
  • Confundir significância estatística com relevância prática. Reporte sempre o coeficiente e a interpretação da magnitude, não apenas se p < .05.

Perguntas frequentes

Posso usar Pearson com dados ordinais tipo Likert?

Tecnicamente não é o mais indicado, uma vez que escalas de Likert individuais são ordinais. A prática metodológica mais rigorosa recomenda Spearman para itens Likert isolados, reservando Pearson para índices somados ou médios de várias escalas que se aproximem de uma variável contínua.

Qual a diferença entre correlação e regressão?

A correlação mede a força e a direção de uma associação simétrica entre duas variáveis, sem distinguir variável dependente e independente. A regressão modela a relação de forma assimétrica, prevendo uma variável dependente a partir de uma ou mais variáveis independentes, e permite quantificar o efeito em unidades da variável original.

O que fazer se Pearson e Spearman derem resultados muito diferentes?

Uma divergência substancial entre os dois coeficientes é normalmente sinal de não linearidade, outliers influentes ou violação de normalidade. Nesse caso, inspecione o diagrama de dispersão, identifique a causa e reporte o Spearman como resultado principal, documentando a decisão no capítulo de metodologia.

Que dimensão de amostra é necessária para uma correlação fiável?

Não existe um número fixo universal: depende da magnitude do efeito esperado e do poder estatístico desejado. Um cálculo de poder a priori (por exemplo, no G*Power) para um efeito moderado (r ≈ .30) com poder de 80% e alfa de .05 tende a exigir uma amostra na ordem das várias dezenas de casos; consulte um cálculo específico para o seu desenho antes de recolher dados.

Existe uma versão de correlação parcial que controle uma terceira variável?

Sim, a correlação parcial mede a associação entre duas variáveis controlando estatisticamente o efeito de uma ou mais variáveis adicionais. É útil quando se suspeita que uma terceira variável possa estar a confundir a relação observada, e está disponível no SPSS (Analyze → Correlate → Partial), no R (pacote ppcor) e no jamovi.

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