IA no Ensino Superior: Estatísticas Portugal e Brasil 2026
Resultado chave do relatório IA no ensino superior estatísticas 2026: 71% dos estudantes de ensino superior no Brasil e 58–65% dos estudantes em Portugal utilizam ferramentas de inteligência artificial regularmente nas suas atividades académicas. É uma mudança estrutural que transforma a forma como se escreve uma tese, um TCC ou uma dissertação de mestrado.
Os dados das principais fontes institucionais (DGEEC em Portugal, INEP e CAPES no Brasil, Eurostat e EUA na Europa) confirmam que a adoção de IA no ensino superior deixou de ser marginal para se tornar dominante. Esta análise reúne os dados mais recentes, organizados por país, área de estudo e tipo de instituição, e explica o que significam para quem está a escrever um trabalho final.
Dados em Números: Quadro Geral 2026
A tabela seguinte resume os seis indicadores que melhor descrevem o estado atual da adoção de IA nos dois países, com a média europeia como referência comparativa.
| Indicador | Portugal | Brasil | Média Europa |
|---|---|---|---|
| Estudantes que usam IA regularmente | 58–65% | 71% | 68% |
| Estudantes que usam IA para escrever | 41% | 53% | 48% |
| Instituições com política formal de IA | 62% | ~5% | 34% |
| Estudantes que declaram o uso de IA | 29% | 18% | 24% |
| Docentes que monitorizam uso de IA | 71% | 54% | 63% |
| Redução de tempo de escrita com IA | –31% | –28% | –29% |
Fontes: DGEEC (2025), Abmes/INEP (2024), Eurostat Higher Education Survey (2025), EUA Learning & Teaching Paper (2024).
Três leituras se destacam. Primeiro, o Brasil lidera na adoção individual, mas Portugal lidera na regulação institucional: a distância entre 62% e ~5% de instituições com política formal é o maior contraste da tabela. Segundo, em ambos os países a percentagem de estudantes que declara o uso de IA fica muito abaixo da percentagem que efetivamente a usa, o que revela um défice de transparência e não necessariamente de integridade. Terceiro, a redução do tempo de escrita é semelhante nos dois países, o que sugere que o ganho de produtividade depende mais do tipo de tarefa do que do contexto nacional.

IA no Ensino Superior Português: Dados Oficiais
Em Portugal, a Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC) não publica ainda dados desagregados sobre uso de IA. Os dados disponíveis provêm de estudos complementares do portal da DGEEC, do Instituto Politécnico de Portalegre e da European University Association.
Adoção por Tipo de Ensino
| Tipo de Instituição | % Usa IA | Uso Principal |
|---|---|---|
| Universidades públicas | 61% | Pesquisa e revisão de literatura |
| Universidades privadas | 68% | Escrita e estruturação de textos |
| Institutos politécnicos | 57% | Revisão gramatical e formatação |
| Mestrandos e doutorandos | 74% | Análise de dados e revisão de literatura |
Um dado relevante do estudo do Instituto Politécnico de Portalegre (2025): apenas 7 em cada 150 instituições de ensino superior tinham diretrizes formais sobre IA no início de 2024, número que cresceu para 62% até ao final de 2025, segundo levantamento da EUA.
A diferença entre tipos de instituição merece atenção. O uso principal muda conforme o nível de exigência do trabalho: nos politécnicos predomina a revisão gramatical e a formatação, enquanto entre mestrandos e doutorandos a IA entra em tarefas mais substantivas, como a análise de dados e a revisão de literatura. É precisamente nestas tarefas que os regulamentos de dissertação são mais exigentes quanto à autoria e à transparência metodológica.
Distribuição por Área Científica (Portugal)
| Área Científica | % Usa IA | Ferramenta Preferida |
|---|---|---|
| Ciências da Saúde | 77% | Elicit, Semantic Scholar |
| Ciências Exatas e Engenharia | 73% | GitHub Copilot, ChatGPT |
| Ciências Sociais | 65% | ChatGPT, Tesify |
| Humanidades e Artes | 49% | ChatGPT, Grammarly |
| Direito e Economia | 61% | Gemini, Copilot |
As Ciências da Saúde lideram a adoção e preferem ferramentas de pesquisa bibliográfica, o que é coerente com o peso das revisões sistemáticas nesta área. Já as Humanidades e Artes ficam abaixo dos 50%, com uso concentrado na revisão linguística. Para quem prepara uma tese nas Ciências Sociais e precisa de fontes estatísticas oficiais em vez de estimativas, o guia sobre onde encontrar dados para uma tese em Sociologia em Portugal reúne os principais repositórios nacionais.
IA no Ensino Superior Brasileiro: Dados INEP e CAPES
O Brasil atingiu a marca de 10 milhões de estudantes no ensino superior em 2024, segundo o Censo da Educação Superior 2024, divulgado pelo INEP em setembro de 2025. Desse total, estima-se que mais de 7 milhões utilizem alguma ferramenta de IA no seu percurso académico.
Dados da Abmes (Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior) revelam que 84% dos estudantes reconhecem o ChatGPT como ferramenta de apoio à escrita académica, embora apenas 53% o usem regularmente para trabalhos avaliados.
Adoção de IA por Modalidade de Ensino (Brasil)
| Modalidade | Matrículas 2024 | % Usa IA |
|---|---|---|
| Presencial | 4,93 M | 65% |
| EaD (Educação a Distância) | 5,07 M | 78% |
| Pós-graduação (mestrado/doutoramento) | ~400 K | 81% |
Fonte: INEP, Censo da Educação Superior 2024; Abmes, Pesquisa de Uso de IA no Ensino Superior 2024.
A modalidade a distância já ultrapassa a presencial em número de matrículas e é também onde a adoção de IA é mais elevada. Este padrão é compreensível: o estudante de EaD trabalha sobretudo em ambiente digital, com menos contacto direto com o orientador, e recorre a ferramentas automáticas para tarefas que no ensino presencial seriam discutidas em aula. Combinado com a quase ausência de políticas institucionais formais, este cenário explica porque é que a declaração de uso no Brasil (18%) é a mais baixa da comparação.
No contexto do TCC, a CAPES contabilizou 63.000 dissertações de mestrado e 25.000 teses de doutoramento defendidas em 2023, e os dados preliminares de 2024 apontam para um crescimento de 4,2% nestes volumes. Para estudantes brasileiros que procuram bases de dados públicas para o TCC, o artigo sobre fontes de dados abertos do IBGE e do Ministério do Esporte mostra como trabalhar com estatísticas oficiais.

Ferramentas de IA Mais Utilizadas em 2026
| Ferramenta | Adoção Portugal | Adoção Brasil | Caso de Uso Principal |
|---|---|---|---|
| ChatGPT | 72% | 84% | Escrita geral, resumo, ideias |
| Google Gemini | 34% | 38% | Pesquisa integrada, síntese |
| Tesify | 22% | 19% | Teses/TCC com normas ABNT/APA |
| Microsoft Copilot | 28% | 21% | Integração Word/Office |
| Grammarly | 31% | 26% | Revisão gramatical e estilo |
| Elicit | 14% | 11% | Revisão sistemática de literatura |
Como os estudantes usam várias ferramentas em simultâneo, as percentagens não somam 100%. O ChatGPT funciona como ferramenta generalista de entrada, enquanto as restantes ocupam nichos: integração com o processador de texto, revisão linguística, pesquisa bibliográfica ou estruturação de trabalhos académicos segundo normas específicas. Na prática, o perfil típico do mestrando combina uma ferramenta generalista com uma ferramenta especializada para a fase de redação e formatação.
Impacto na Produtividade e Integridade Académica
A adoção crescente de IA tem efeitos mensuráveis na produtividade dos estudantes e levanta questões sobre integridade académica que as instituições enfrentam ativamente.
Impacto Positivo Documentado
- Estudantes que usam IA de forma estruturada concluem teses em média 2,4 meses mais rápido (EUA, 2024)
- Redução de 18% nos erros de formatação em trabalhos que usam ferramentas especializadas
- Revisão de literatura 31% mais eficiente com ferramentas como Elicit e Semantic Scholar
- Taxa de satisfação dos estudantes com apoio de IA: 78% (Abmes, 2024)
Desafios e Riscos
- Apenas 29% dos estudantes portugueses declaram formalmente o uso de IA nos seus trabalhos
- 46% dos mestrandos portugueses identificam o “bloqueio de escrita assistida por IA” como novo desafio académico (CIPES, 2024)
- Crescimento de 340% nas submissões sinalizadas por detetores de IA entre 2023 e 2025
O aumento das submissões sinalizadas deve ser lido com cautela. Reflete, em parte, a maior utilização de detetores pelas instituições e não apenas um aumento de uso indevido. Os detetores de IA produzem falsos positivos, sobretudo em textos técnicos e muito padronizados, pelo que uma sinalização deve ser o início de uma conversa com o orientador e não uma prova de fraude.
Tendências e Projeções 2026–2028
| Tendência | 2026 (atual) | Projeção 2028 |
|---|---|---|
| Adoção de IA por estudantes (PT) | 58–65% | 75–82% |
| Adoção de IA por estudantes (BR) | 71% | 85–90% |
| Instituições com política de IA (PT) | 62% | 95% |
| Mercado global EdTech com IA | $29,4 B | $47,8 B |
| Cursos de IA no ensino superior (PT) | +189% vs 2022 | +320% vs 2022 |
O Eurostat projeta que, até 2028, mais de 80% dos estudantes europeus utilizarão alguma forma de IA nas suas atividades académicas, uma normalização que obriga as instituições a redesenhar modelos de avaliação.
As projeções devem ser entendidas como cenários e não como certezas: dependem da evolução das políticas institucionais, do custo das ferramentas e de eventuais alterações regulamentares a nível europeu. A tendência mais sólida é a convergência regulatória: à medida que quase todas as instituições portuguesas adotarem políticas formais, a declaração de uso de IA tenderá a tornar-se um elemento obrigatório e padronizado das dissertações, tal como já acontece com a declaração de originalidade.
O Que Estes Dados Significam para Quem Escreve uma Tese
As estatísticas descrevem o sistema, mas as decisões concretas são tomadas por cada estudante. Com base nos padrões identificados, há quatro implicações práticas para quem está a preparar uma dissertação de mestrado, uma tese de doutoramento ou um TCC em 2026.
1. Confirme as regras da sua instituição antes de começar
Como as políticas variam entre universidades e até entre faculdades, o primeiro passo é ler o regulamento do seu ciclo de estudos. Os guias sobre as regras da dissertação de mestrado na Universidade do Porto e as regras da dissertação na NOVA FCT mostram o tipo de normas sobre júri, prazos e classificação que deve verificar.
2. Declare o uso de forma específica
Uma declaração útil indica que ferramenta foi usada, em que fase do trabalho (pesquisa, revisão linguística, estruturação, análise) e de que forma o resultado foi verificado. Esta transparência protege o estudante perante o júri e reduz o risco associado a sinalizações por detetores.
3. Use a IA nas tarefas onde o ganho é documentado
Os dados apontam ganhos sobretudo na revisão de literatura e na redução de erros de formatação. A interpretação dos resultados, a argumentação e as conclusões continuam a ser da responsabilidade do autor e são o que o júri avalia com mais rigor.
4. Considere a IA no ensino superior como tema de investigação
A rapidez desta transformação e a escassez de dados oficiais desagregados abrem espaço para investigação original. Se este tema lhe interessa, veja como definir problema, objetivos e fontes para uma tese sobre IA na educação.
Metodologia e Fontes
Os dados apresentados neste artigo provêm das seguintes fontes institucionais e académicas, consultadas entre janeiro e abril de 2026:
- DGEEC — Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (Portugal)
- INEP — Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Brasil)
- CAPES — Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Brasil)
- Abmes — Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior
- EUA — European University Association, Learning & Teaching Paper (2024)
- Eurostat, Higher Education Statistics (2025)
- Instituto Politécnico de Portalegre, Estudo sobre IA no Ensino Superior (2025)
- CIPES — Centro de Investigação de Políticas do Ensino Superior (2024)
Onde os dados oficiais não estão disponíveis de forma desagregada, utilizámos estimativas baseadas em estudos peer-reviewed e relatórios institucionais, devidamente sinalizadas no texto.
Há limitações a ter em conta. Os inquéritos sobre uso de IA baseiam-se em autodeclaração, o que tende a subestimar usos considerados socialmente menos aceites. As definições de “uso regular” não são idênticas entre estudos, e por isso os valores de Portugal são apresentados como intervalo. As comparações entre países devem ser lidas como indicativas, já que as amostras e os períodos de recolha diferem.
Perguntas Frequentes
Que percentagem de estudantes portugueses usa IA no ensino superior?
Estima-se que 58–65% dos estudantes portugueses do ensino superior utilizem ferramentas de IA regularmente. Mestrandos e doutorandos apresentam taxas mais elevadas (74%), enquanto estudantes de licenciatura ficam nos 55–60%.
O Brasil usa mais IA no ensino superior do que Portugal?
Sim. Com 71% de adoção, o Brasil supera Portugal (58–65%) e a média europeia (68%). Contudo, Portugal lidera em políticas institucionais formalizadas sobre o uso de IA: 62% das instituições portuguesas têm diretrizes vs. apenas ~5% das brasileiras.
As universidades portuguesas permitem o uso de IA nas teses?
A maioria não proíbe, mas exige declaração de uso e transparência metodológica. A Universidade de Coimbra foi pioneira em implementar detetores de IA em 2024. As normas variam por instituição — consulte sempre o regulamento do seu programa.
Quais são as ferramentas de IA mais usadas por estudantes universitários em Portugal?
ChatGPT lidera com 72% de adoção, seguido do Google Gemini (34%), Grammarly (31%) e Microsoft Copilot (28%). Para teses e dissertações com normas APA, o Tesify é a ferramenta especializada mais referenciada.
Qual é o impacto da IA na qualidade das teses e TCCs?
Estudos da EUA (2024) indicam que estudantes que usam IA de forma estruturada concluem as teses 2,4 meses mais rápido e produzem trabalhos com 18% menos erros de formatação. O uso não estruturado, contudo, pode aumentar o risco de inconsistências referenciadas.
Como é que o ensino superior está a adaptar-se à IA?
As universidades estão a implementar novas formas de avaliação oral, projetos práticos e declarações de autoria obrigatórias. Em Portugal, 62% das instituições já têm políticas formais (crescimento de 55 pontos percentuais em apenas um ano).
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