Instrumentos Validados para Medir Autoeficácia na Amamentação: Banco de Itens para o TCC de Enfermagem Obstétrica (2026)
Autoeficácia na amamentação é um dos construtos mais estudados nos TCCs de Enfermagem Obstétrica no Brasil, e o instrumento de referência para medi-la é a Breastfeeding Self-Efficacy Scale, desenvolvida por Cindy-Lee Dennis a partir da teoria da autoeficácia de Albert Bandura. Este artigo apresenta a versão reduzida do instrumento (BSES-SF), mostra exemplos parafraseados de itens, compara com outros instrumentos usados na área da amamentação, e explica o que você precisa saber sobre autorização de uso antes de aplicá-lo na sua pesquisa.
1. O que é autoeficácia na amamentação?
Autoeficácia, no sentido definido por Bandura, é a crença de uma pessoa na sua própria capacidade de executar com sucesso um comportamento específico. Aplicado à amamentação, o construto mede o quanto a mãe confia na sua capacidade de amamentar com sucesso, independentemente de ela já ter ou não experiência prévia. Na literatura internacional, pontuações mais baixas de autoeficácia aparecem associadas à interrupção precoce da amamentação — o que torna o construto especialmente relevante para intervenções de enfermagem obstétrica no período pós-parto.

2. A estrutura da BSES-SF
A versão original da Breastfeeding Self-Efficacy Scale tinha 33 itens; depois de uma análise de itens redundantes, 19 foram eliminados, e a versão reduzida, a BSES-SF (Short Form), ficou com 14 itens — hoje é a versão mais usada em pesquisa por ser mais rápida de aplicar sem perder a qualidade psicométrica. A escala original foi construída em torno de duas dimensões: itens de técnica, relacionados com aspectos práticos da amamentação (posicionamento, pega, reconhecer sinais do bebê), e itens de pensamentos intrapessoais, relacionados com a percepção subjetiva da mãe sobre a sua própria capacidade e persistência; na forma reduzida, porém, a análise fatorial costuma apontar para uma estrutura unidimensional, e por isso o mais comum é reportar a pontuação total. Cada item é respondido em uma escala Likert de 1 (nada confiante) a 5 (sempre confiante), e a pontuação total é a soma dos 14 itens, variando entre 14 e 70 pontos — quanto maior a pontuação, maior a autoeficácia percebida.
3. Exemplos parafraseados de itens
Os itens que se seguem são paráfrases ilustrativas do tipo de afirmação usada na BSES-SF — não substituem o instrumento original, que deve ser obtido através da fonte publicada e validada para a população brasileira.
Item de técnica (exemplo parafraseado): uma afirmação sobre a confiança em “posicionar o bebê corretamente durante a mamada”.
Item de pensamento intrapessoal (exemplo parafraseado): uma afirmação sobre a confiança em “continuar amamentando mesmo diante de dificuldades”.
Todos os itens da escala original seguem a mesma estrutura frasal (“eu sempre consigo…”), o que facilita a aplicação mas também exige atenção redobrada na tradução e adaptação cultural, para preservar o sentido do item sem alterar a estrutura psicométrica validada.

4. Outros instrumentos usados na área da amamentação
A BSES-SF não é o único instrumento relevante para um TCC sobre amamentação, e é importante não confundir construtos diferentes que a literatura às vezes trata como próximos:
- Escala LATCH: um instrumento de observação clínica, preenchido pelo profissional de saúde (não pela mãe), que avalia a qualidade da mamada em cinco componentes (pega, deglutição audível, tipo de mamilo, conforto da mama e posicionamento). Mede o desempenho observado da mamada, não a confiança percebida da mãe.
- Iowa Infant Feeding Attitude Scale (IIFAS): mede as atitudes maternas em relação à amamentação versus à fórmula infantil — um construto atitudinal, distinto tanto da autoeficácia quanto do desempenho técnico observado.
Comentário: um TCC que combine a BSES-SF com a escala LATCH, por exemplo, pode testar se a confiança percebida da mãe (autoeficácia) está associada à qualidade observada da mamada (desempenho técnico) — um desenho de pesquisa mais rico do que usar apenas um dos dois instrumentos, mas que exige justificar teoricamente por que os dois construtos são complementares e não substituíveis um pelo outro. Para outras escalas clínicas validadas que costumam aparecer em TCCs da área, veja o guia de escalas e instrumentos clínicos validados para o TCC de Enfermagem.
5. Autorização de uso: o que o TCC precisa documentar
A BSES-SF é um instrumento protegido por direitos autorais. Antes de aplicá-la, solicite autorização de uso à autora original (Cindy-Lee Dennis) e/ou aos autores do estudo de validação brasileira que pretende usar, explicando o uso pretendido, e verifique se há condições ou custos associados. É boa prática anexar, no apêndice do TCC, a cópia da autorização recebida. Se não houver resposta a tempo, converse com o orientador antes de prosseguir — a publicação de um artigo de validação não torna o instrumento de uso livre, e a ausência de resposta não equivale a autorização.
Comentário: reproduzir a escala completa no corpo do TCC sem autorização, ou sem citar a fonte da validação brasileira, é um dos descuidos mais comuns nesta área — mesmo quando o instrumento está amplamente disponível na literatura, a citação correta da fonte e da validação usada é uma exigência de rigor acadêmico, não apenas uma formalidade legal.
6. Como aplicar e pontuar o instrumento
A BSES-SF é frequentemente aplicada no pré-natal ou nas primeiras semanas pós-parto, momento em que a autoeficácia materna é mais instável e mais suscetível a intervenções de enfermagem. A aplicação segue os procedimentos-padrão de qualquer escala de autorrelato: consentimento informado, anonimização dos dados, e aplicação em papel ou formato digital. A pontuação total (soma dos 14 itens) é comparada entre grupos (por exemplo, primíparas vs. multíparas, ou grupo de intervenção vs. grupo de controle em um estudo quase-experimental) ou correlacionada com outras variáveis de interesse, como a duração da amamentação exclusiva aos seis meses.
Comentário: é essencial reportar a consistência interna (alfa de Cronbach) da escala na amostra específica do seu TCC, mesmo sendo um instrumento já validado — o alfa pode variar entre populações, e essa verificação faz parte do rigor metodológico esperado no capítulo de metodologia, junto com a descrição completa do processo de coleta de dados.
7. Exemplo ilustrativo de aplicação no TCC
O exemplo a seguir é ilustrativo. Um TCC de Enfermagem Obstétrica investiga se uma intervenção educativa de apoio à amamentação, realizada ainda na maternidade, aumenta a autoeficácia materna medida pela BSES-SF em comparação com o cuidado padrão. A pesquisa aplica a escala em dois momentos — na alta hospitalar e 30 dias após o parto — em dois grupos de puérperas (intervenção e controle), com os objetivos específicos de: (1) caracterizar os níveis de autoeficácia em ambos os grupos nos dois momentos; (2) comparar a evolução da pontuação entre os grupos; (3) identificar variáveis sociodemográficas associadas a maior ou menor autoeficácia inicial. Para transformar esse tipo de problema de pesquisa numa justificativa e hipóteses bem formuladas, veja o guia sobre problema de pesquisa, hipótese e justificativa do TCC, que traz exemplos práticos por área, incluindo Enfermagem. Para a estrutura geral do trabalho e as normas ABNT, consulte o guia sobre TCC de Enfermagem: temas, estrutura ABNT e COFEN.
8. Erros comuns ao usar a BSES-SF no TCC
Três erros recorrentes: (1) usar uma tradução própria e não validada da escala em vez da versão já validada para o português do Brasil, comprometendo a comparabilidade dos resultados com a literatura; (2) não relatar a solicitação de autorização de uso nem citar corretamente o estudo de validação brasileira utilizado; (3) tratar a pontuação da escala como uma medida de “sucesso” da amamentação em si, quando na verdade mede a confiança percebida da mãe, um construto psicológico distinto do desfecho comportamental (a amamentação efetivamente realizada), ainda que os dois estejam associados na literatura. Um quarto erro é confundir a BSES-SF com a escala LATCH, usando os termos “autoeficácia” e “qualidade da mamada” como sinônimos quando medem construtos diferentes, coletados de formas diferentes (autorrelato da mãe vs. observação do profissional).
Perguntas Frequentes
Existe uma versão da BSES-SF validada para o português do Brasil?
Sim. Há estudos psicométricos da escala no Brasil — por exemplo, a versão longa foi avaliada por Oriá e colaboradores (2009) em Fortaleza, e a BSES-SF por Dodt e colaboradores (2012), com 294 mulheres também em Fortaleza. Antes de aplicar a escala no seu TCC, procure o estudo de validação mais adequado à sua população e cite-o corretamente.
Preciso pedir autorização para usar a BSES-SF no meu TCC?
Sim, a escala é protegida por direitos autorais. Solicite autorização à autora original e/ou aos autores do estudo de validação brasileira, por e-mail, explicando o uso pretendido, e anexe a autorização no apêndice do TCC. A ausência de resposta não equivale a autorização — nesse caso, converse com o orientador antes de prosseguir.
A BSES-SF mede se a mãe está de fato amamentando com sucesso?
Não diretamente. A BSES-SF mede a confiança percebida da mãe na sua capacidade de amamentar, um construto psicológico (autoeficácia), não o comportamento efetivo de amamentação. Os dois estão associados na literatura — pontuações mais baixas aparecem entre mulheres que interrompem a amamentação — mas são medidas distintas e não devem ser tratadas como sinônimos no TCC.
Posso usar a BSES-SF junto com a escala LATCH no mesmo TCC?
Pode, e é um desenho de pesquisa interessante, já que os dois instrumentos medem construtos complementares: a BSES-SF mede a confiança percebida pela mãe (autorrelato) e a LATCH mede o desempenho observado da mamada (avaliação clínica). Combinar os dois exige justificar teoricamente a relação esperada entre eles na revisão de literatura do TCC.
Em resumo
A Breastfeeding Self-Efficacy Scale – Short Form mede a confiança materna na amamentação através de 14 itens em uma escala de 1 a 5 (pontuação de 14 a 70), e é distinta de instrumentos como a escala LATCH (desempenho observado) ou a IIFAS (atitudes). Para o TCC de Enfermagem Obstétrica, é essencial usar a versão validada para o português do Brasil, obter e documentar a autorização de uso, e reportar a consistência interna calculada na amostra própria.
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