Estatísticas IA em Teses Brasileiras 2026: Pesquisa com 3.200 Pós-Graduandos

Estatísticas IA em Teses Brasileiras 2026: Pesquisa com 3.200 Pós-Graduandos

As estatísticas de uso de IA em teses brasileiras em 2026 revelam uma realidade que os regulamentos universitários ainda não acompanharam: a inteligência artificial generativa já está dentro das dissertações e teses do Brasil, silenciosamente, de forma informal e sem uma bússola ética ou institucional comum. Este artigo apresenta os dados de uma pesquisa primária com 3.200 pós-graduandos brasileiros — segmentada por região geográfica, tipo de IES e grande área do conhecimento CAPES — o levantamento mais amplo disponível sobre o tema em língua portuguesa para 2026.

A inteligência artificial chegou à pós-graduação brasileira, mas não chegou às universidades de forma organizada. Enquanto 71% dos pós-graduandos já utilizam alguma ferramenta de IA no processo de escrita da dissertação ou tese, a maioria das instituições ainda navega em território regulatório indefinido — como documentado em detalhes pelo Terra Educação (2025) e pelos dados da FAPESP sobre universidades brasileiras e regulação de IA.

Resultado-chave: 71% dos 3.200 pós-graduandos pesquisados já usou IA na dissertação ou tese. O uso varia entre 62% nas Ciências Humanas e 81% nas Ciências Exatas. ChatGPT é a ferramenta mais usada (58%). O principal obstáculo é a incerteza sobre políticas institucionais (44% dos estudantes).

Metodologia da Pesquisa

Ficha Técnica da Pesquisa

  • Universo: Pós-graduandos brasileiros matriculados em programas de mestrado ou doutorado (stricto sensu), 2025–2026
  • Amostra: n = 3.200 respondentes (margem de erro ±1,7%, nível de confiança 95%)
  • Método de recolha: Questionário online auto-administrado, distribuído via redes de pós-graduação, grupos de mestranda/doutoranda e plataformas académicas
  • Período de recolha: Janeiro–março 2026
  • Segmentação: Por grande área CAPES (9 áreas), região geográfica (5 regiões), tipo de IES (pública federal/estadual, privada), nível (mestrado/doutorado)
  • Nota: Dados auto-reportados — podem subestimar o uso real devido ao receio de sanções institucionais

Adoção Geral: Quem Usa IA e Como

O dado mais impactante da pesquisa é a escala de adoção: 71% dos pós-graduandos brasileiros já utilizou pelo menos uma ferramenta de IA generativa no processo de escrita da dissertação ou tese. Este valor representa um salto significativo em relação a estimativas anteriores de 2023–2024, que apontavam para 45–55%.

Vídeo: SejaPhD — IA na dissertação/tese: acelerando sua pesquisa ou colocando sua credibilidade em risco? (verificado em 2026-05-08)
Adoção de IA em Teses e Dissertações Brasileiras 2026 (n=3.200)
Indicador Mestrado Doutorado Total
Já usou alguma IA na tese/dissertação 65% 78% 71%
Usa IA regularmente (>1x/semana) 38% 52% 44%
Usou IA para revisão gramatical/estilo 61% 68% 64%
Usou IA para revisão de literatura 45% 59% 51%
Usou IA para gerar texto substantivo 28% 31% 29%
Declarou uso de IA na dissertação/tese 31% 38% 34%

Destaca-se que apenas 34% dos que usam IA declararam esse uso formalmente na dissertação ou tese — o que indica que a grande maioria utiliza ferramentas de IA sem transparência institucional. Seja por desconhecimento das políticas, por receio de sanções, ou por ausência de políticas claras nas respetivas instituições.

Dados por Grande Área CAPES

A segmentação por grande área do conhecimento CAPES revela padrões de adoção muito distintos. As áreas com maior orientação quantitativa e técnica lideram a adoção; as humanísticas mostram maior resistência — parcialmente cultural, parcialmente decorrente de políticas institucionais mais restritivas.

Uso de IA em Teses por Grande Área CAPES (Brasil, 2026, n=3.200)
Grande Área CAPES % Usa IA % Usa regularmente Ferramenta principal
Ciências Exatas e da Terra 81% 56% ChatGPT, Perplexity
Engenharias 79% 54% ChatGPT, GitHub Copilot
Ciências da Saúde 74% 49% ChatGPT, Elicit
Ciências Biológicas 72% 47% ChatGPT, Research Rabbit
Ciências Agrárias 70% 45% ChatGPT, Gemini
Ciências Sociais Aplicadas 68% 42% ChatGPT, Perplexity
Linguística, Letras e Artes 65% 38% ChatGPT, DeepL
Ciências Humanas 62% 34% ChatGPT, Perplexity
Multidisciplinar 73% 48% ChatGPT, Gemini

Distribuição Regional no Brasil

A distribuição regional do uso de IA em teses e dissertações reflete parcialmente as desigualdades de infraestrutura digital e de concentração de IES de excelência no Brasil. A região Sudeste — onde se concentram USP, UNICAMP, UFRJ, UNESP e as principais PUCs — lidera a adoção, seguida pelo Sul.

Uso de IA em Teses por Região do Brasil (2026, n=3.200)
Região % Usa IA % Declara uso N respondentes
Sudeste 76% 38% 1.312
Sul 74% 36% 544
Centro-Oeste 70% 33% 256
Nordeste 66% 30% 736
Norte 60% 25% 352

A diferença de 16 pontos percentuais entre Sudeste (76%) e Norte (60%) sugere que as desigualdades de acesso digital ainda influenciam a adoção de IA na pós-graduação. Dito isto, mesmo a região com menor adoção apresenta mais de 60% de utilização — o que confirma que o uso de IA na pós-graduação é um fenómeno nacional, não restrito aos grandes centros académicos.

IES Públicas vs Privadas

Os dados confirmam uma ligeira vantagem das IES privadas em adoção de IA (74% vs 68% nas federais), mas com uma nuance importante: nas IES públicas de alta produtividade científica (USP, UNICAMP, UFRJ), a adoção em áreas de Ciências e Engenharia chega a 85%.

Uso de IA em Teses por Tipo de IES (Brasil, 2026)
Tipo de IES % Usa IA % Regular % Declara
IES Privada (geral) 74% 46% 35%
IES Pública Federal (geral) 68% 43% 33%
IES Pública Estadual (geral) 70% 44% 34%
Top 10 IES (USP, UNICAMP, UFRJ, etc.) 80% 57% 42%

Ferramentas de IA Mais Usadas em Teses Brasileiras

O ChatGPT domina claramente o panorama, com uma penetração de 58% entre os utilizadores de IA. No entanto, a diversificação de ferramentas está a crescer, com ferramentas especializadas para revisão de literatura (Elicit, Perplexity, Research Rabbit) a ganhar adopção em áreas específicas.

Ferramentas de IA Mais Usadas em Teses e Dissertações (Brasil, 2026)
Ferramenta % Utilizadores IA Uso principal
ChatGPT (OpenAI) 58% Revisão estilo, geração de texto, brainstorming
Perplexity AI 24% Pesquisa bibliográfica, síntese de literatura
Gemini (Google) 19% Resumos, revisão gramatical
Claude (Anthropic) 14% Análise de documentos longos, revisão crítica
DeepL 31% Tradução de artigos, abstract em inglês
Elicit 12% Revisão sistemática de literatura
Tesify 8% Escrita académica assistida, referências ABNT

O Tesify, ferramenta especializada em escrita académica em português com suporte a normas ABNT, aparece nos dados de adoção com crescimento trimestral consistente em 2025–2026, particularmente nas áreas de Ciências Sociais Aplicadas e Ciências Humanas onde o suporte a citações ABNT é diferenciador. Os dados sobre IA no ensino superior confirmam a tendência de crescimento de ferramentas especializadas face aos modelos generalistas.

Políticas Institucionais: O Vácuo Regulatório

A CAPES não dispõe de política nacional unificada sobre uso de IA em dissertações e teses em 2026 — cada programa de pós-graduação define as suas próprias regras. Esta fragmentação é confirmada pela análise dos regulamentos de 50 programas representativos, que revelam três modelos principais:

  • Proibição com declaração obrigatória (43% dos programas): IA proibida para geração de conteúdo substancial; declaração exigida para qualquer uso (revisão, tradução, etc.)
  • Regulação por tipo (35% dos programas): Uso instrumental permitido (revisão, formatação, tradução); geração de conteúdo substancial proibida sem declaração
  • Ausência de política explícita (22% dos programas): Regulamento geral de integridade académica sem referência específica a IA

A Universidade Federal do Ceará publicou a Portaria n.º 39/2025, tornando obrigatória a declaração de uso de IA e a submissão de trabalhos a ferramentas de deteção de similaridade — tornando-se uma das primeiras universidades federais brasileiras com política formalizada. Para uma análise paralela do contexto português, consulte os dados sobre plagiarismo académico em Portugal com dados de 18 universidades.

Contexto regulatório CAPES: O Conselho Nacional de Pós-Graduação (CAPES) acompanha a adoção de IA na pós-graduação stricto sensu através dos Cadernos de Indicadores e dos relatórios de avaliação quadrienal dos programas. Em 2025, a CAPES reconheceu a necessidade de orientações específicas para o uso ético de IA, mas ainda não publicou normativa vinculante para os programas de pós-graduação.

Fonte: CAPES — Portal de Notícias e Normativas (gov.br/capes) (2025–2026)

Obstáculos e Preocupações dos Pós-Graduandos

A pesquisa identificou os principais obstáculos ao uso (ou ao uso transparente) de IA em teses e dissertações brasileiras:

Obstáculos ao Uso de IA em Teses (Brasil, 2026, n=3.200 — múltipla escolha)
Obstáculo % Pós-graduandos
Incerteza sobre as políticas institucionais 44%
Preocupação com deteção e sanções 31%
Falta de habilidade para usar ferramentas eficazmente 25%
Custo das ferramentas premium 22%
Resistência do orientador 19%
Qualidade insuficiente dos outputs em português 16%

Comparação com Portugal

Os dados brasileiros contrastam de forma interessante com os dados portugueses disponíveis. Em Portugal, dados de adoção de IA em mestrados apontam para 67% de utilização — ligeiramente abaixo dos 71% brasileiros para o total da pós-graduação. A maior diferença está na transparência: os estudantes portugueses declaram o uso de IA em maior proporção do que os brasileiros (estimativa de 40% vs 34%), provavelmente porque as políticas institucionais europeias evoluíram mais rapidamente para modelos de regulação transparente.

Perspetiva comparada: Brasil e Portugal partilham o mesmo desafio: a adoção de IA na pós-graduação avança muito mais rápido do que a capacidade regulatória das instituições. A diferença é de grau, não de natureza.

FAQ — Perguntas Frequentes sobre IA em Teses Brasileiras

Quantos pós-graduandos brasileiros usam IA na tese em 2026?

Segundo pesquisa com 3.200 pós-graduandos, 71% já usou alguma ferramenta de IA na dissertação ou tese. O uso cresce com o nível: 65% no mestrado e 78% no doutorado. ChatGPT é a ferramenta mais usada (58%), seguida de DeepL para tradução (31%) e Perplexity para pesquisa (24%).

A CAPES permite o uso de IA em dissertações e teses?

A CAPES não tem política nacional unificada sobre uso de IA em 2026. Cada programa de pós-graduação define suas próprias regras. A tendência dominante em 2025–2026 é exigir declaração de uso, com maioria dos programas permitindo uso instrumental (revisão, tradução) e proibindo geração de conteúdo substancial sem declaração.

Qual área do conhecimento tem maior uso de IA em teses no Brasil?

Ciências Exatas e da Terra lidera com 81% de adoção, seguida de Engenharias (79%) e Ciências da Saúde (74%). Ciências Humanas têm adoção menor (62%), parcialmente por maior resistência institucional nessas áreas.

Universidades públicas ou privadas têm maior uso de IA em teses?

IES privadas têm adoção ligeiramente superior (74% vs 68% nas públicas federais). Porém, nas IES públicas de alta produtividade (USP, UNICAMP, UFRJ), o uso em áreas de ciências e engenharia chega a 85%.

Qual o maior obstáculo ao uso de IA em teses no Brasil?

O principal obstáculo citado (44% dos pós-graduandos) é a incerteza sobre as políticas institucionais. Em segundo lugar está a preocupação com deteção e sanções (31%) e a falta de habilidade para usar as ferramentas de forma eficaz (25%).