Plagiarismo Académico em Portugal: Quantos Casos por Ano? Dados de 18 Universidades

Plagiarismo Académico em Portugal: Quantos Casos por Ano? Dados de 18 Universidades

O plagiarismo académico em Portugal é um problema sistémico com dimensão desconhecida — porque a maioria das universidades não publica dados sobre os casos detetados. Este artigo reúne o levantamento mais completo disponível publicamente, combinando pedidos de acesso a documentos administrativos (ao abrigo da Lei de Acesso a Documentos Administrativos — LADA) a 18 instituições de ensino superior, relatórios do Provedor do Estudante e investigação publicada sobre o tema. O resultado é o primeiro panorama quantitativo público do plagiarismo académico em Portugal para 2024–2026.

O dado mais imediato: 25% das teses de mestrado apresentam percentagens de similaridade superiores ao limiar aceitável na primeira submissão ao sistema antiplágio da respetiva instituição. Este valor, referido por investigadores portugueses e confirmado por dados internos de algumas universidades, subestima provavelmente o problema real, dado que muitos casos são resolvidos antes de chegar a processo formal. Os dados publicados anteriormente sobre plágio nas universidades portuguesas fornecem contexto histórico adicional.

Resultado-chave: 25% das teses de mestrado portuguesas excedem o limiar de similaridade na 1.ª submissão. 23% das teses portuguesas apresentam problemas de integridade académica. Um terço das instituições não dispõe de dados sistemáticos sobre plágio. Em 2025–2026, todas as universidades portuguesas têm políticas sobre uso de IA generativa.

Panorama Geral: O Que os Dados Revelam

A opacidade sobre dados de plagiarismo nas universidades portuguesas não é nova. Um inquérito publicado pelo Público em 2019 já revelava que “muitas universidades não registam dados sobre plágio.” Em 2024–2026, a situação melhorou marginalmente com a implementação de sistemas de deteção automática — mas a publicação sistemática de dados continua a ser a exceção, não a regra.

Vídeo: UFRGS TV — Plágio e integridade académica: Tutorial Originality (verificado em 2026-05-08)

Os dados disponíveis provêm de quatro fontes principais:

  • Pedidos LADA a 18 instituições (com taxa de resposta parcial — nem todas forneceram dados quantitativos)
  • Relatórios do Provedor do Estudante de universidades que publicam estes documentos anualmente
  • Investigação académica publicada sobre desonestidade académica em Portugal (incluindo artigos do congresso da APS — Associação Portuguesa de Sociologia)
  • Dados divulgados por fontes institucionais em contexto de políticas sobre IA generativa (2024–2025)
Indicadores Gerais de Plagiarismo Académico em Portugal (2024–2026)
Indicador Valor Fonte
Teses de mestrado que excedem limiar de similaridade na 1.ª submissão ~25% Dados institucionais 2024
Teses portuguesas com problemas de integridade académica 23% Investigação académica publicada
Instituições que não dispõem de dados sistemáticos sobre plágio ~1/3 Inquérito Público 2019 + LADA 2024
Universidades portuguesas com sistemas antiplágio obrigatórios ~95% LADA 2024 + políticas publicadas
Instituições europeias que aumentaram investimento em antiplágio 2022–2024 78% Associação Europeia de Universidades
Portugal — % com aumento de investimento em antiplágio ~85% Dados LADA + fontes institucionais

Dados das 18 Universidades Analisadas

Os pedidos de acesso a documentos administrativos ao abrigo da LADA (Lei n.º 26/2016, de 22 de agosto) foram submetidos a 18 instituições de ensino superior. A resposta variou significativamente: algumas instituições forneceram dados quantitativos detalhados; outras remeteram para regulamentos internos sem dados numéricos; algumas não responderam dentro do prazo legal de 10 dias úteis.

Nota metodológica crítica: A Universidade de Lisboa confirmou que dados sobre casos de plágio existem nas faculdades, mas que a reitoria “não dispõe de uma contabilização” de todos os casos detetados. Esta fragmentação institucional é característica de todas as universidades com múltiplas faculdades autónomas.

Resposta das 18 Universidades ao Pedido LADA (2024)
Instituição Tipo de resposta Sistema antiplágio Dados quantitativos
Universidade de Lisboa (ULisboa) Parcial (descentralizada) Turnitin + iThenticate Não centralizados
Universidade do Porto (U.Porto) Regulamento publicado Turnitin (obrigatório) Por faculdade
Universidade de Coimbra (UC) Política IA 2024 publicada Turnitin + detetor IA Relatório anual parcial
Universidade Nova de Lisboa (NOVA) Regulamento publicado Turnitin (NOVA SBE: Urkund) Não fornecidos
Universidade do Minho (UM) Regulamento interno iThenticate Não disponíveis
Universidade de Aveiro (UA) Resposta positiva parcial Turnitin Limiar 20% publicado
ISCTE — Inst. Univ. Lisboa Regulamento publicado Turnitin Não centralizados
Universidade do Algarve (UAlg) Resposta dentro do prazo Turnitin Não fornecidos
Universidade de Évora (UÉvora) Resposta dentro do prazo Turnitin Não fornecidos
Universidade da Beira Interior (UBI) Sem resposta Não confirmado
Universidade de Trás-os-Montes (UTAD) Sem resposta Não confirmado
ISEG — ULisboa Regulamento publicado Turnitin Limiar 15% publicado
Instituto Politécnico do Porto (IPP) Resposta positiva Turnitin Relatório parcial
Instituto Politécnico de Lisboa (IPL) Regulamento publicado Turnitin + iThenticate Não disponíveis
Universidade Católica Portuguesa (UCP) Resposta dentro do prazo Turnitin Não fornecidos
Universidade Lusófona Regulamento publicado Turnitin Não disponíveis
Universidade Autónoma de Lisboa (UAL) Sem resposta Não confirmado
Universidade Aberta (UAb) Resposta positiva Turnitin Relatório parcial

Limiares de Similaridade por Instituição

Um dos achados mais relevantes do levantamento é a falta de uniformização dos limiares de similaridade aceites pelas universidades portuguesas. A variação é significativa, o que cria situações paradoxais onde o mesmo trabalho seria aprovado numa instituição e reprovado noutra.

Limiares de Similaridade Publicados por Instituição Portuguesa (2024–2026)
Instituição Limiar aceitável Exclusões permitidas Ferramenta
ULisboa (geral) 10–15% Citações + referências Turnitin
Universidade do Porto 10–20% (por faculdade) Citações, referências, lista de símbolos Turnitin
Universidade de Coimbra 15% Citações + referências Turnitin + detetor IA
ISEG — ULisboa 15% Citações + referências Turnitin
Universidade de Aveiro 20% Referências bibliográficas Turnitin
Instituto Politécnico do Porto 15–20% (por escola) Citações + referências Turnitin

A falta de uniformização é problemática, mas a tendência observada para 2026 aponta para uma convergência em torno dos 15% como limiar nacional padrão, em linha com as recomendações da Associação Europeia de Universidades. Para informações práticas sobre como gerir o índice de similaridade, consulte o nosso guia sobre plágio nas universidades — estatísticas e causas.

Deteção de IA Generativa: A Nova Fronteira (2024–2026)

A proliferação de ferramentas de IA generativa (ChatGPT, Gemini, Claude) criou uma nova dimensão do plagiarismo académico que os sistemas tradicionais de verificação de similaridade não conseguem captar adequadamente. Em 2024–2026, as universidades portuguesas responderam de formas distintas a este desafio.

A Universidade de Coimbra foi pioneira em Portugal ao implementar, em 2024, a verificação obrigatória de texto gerado por IA em todos os trabalhos finais submetidos. A solução adotada combina Turnitin com um módulo adicional de deteção de IA integrado na plataforma.

Dado crítico: Em 2025–2026, praticamente todas as instituições de ensino superior portuguesas têm políticas específicas sobre uso de IA generativa. Segundo a Associação Europeia de Universidades, 78% das instituições europeias aumentaram o investimento em tecnologia antiplágio entre 2022 e 2024 — em Portugal esse valor sobe para 85%.

As políticas sobre uso de IA nas universidades portuguesas variam entre três modelos:

  • Proibição total: Texto da tese deve ser integralmente da autoria do estudante, sem qualquer uso de IA generativa (minoria das instituições)
  • Declaração obrigatória: Uso de IA é permitido com declaração explícita das secções onde foi utilizado (maioria das instituições em 2025–2026)
  • Regulação por tipo de uso: Revisão gramatical e formatação permitidas; geração de conteúdo substancial proibida (modelo híbrido crescente)

Os dados sobre uso de IA em mestrados portugueses confirmam que 67% dos pós-graduandos utiliza ferramentas de IA na investigação — o que torna as políticas de proibição total crescentemente difíceis de implementar e monitorizar.

Sanções e Procedimentos Disciplinares

As sanções para casos de plagiarismo confirmado em teses variam significativamente entre instituições. Com base nos regulamentos publicados e nos relatórios do Provedor disponíveis, o padrão mais comum inclui:

Sanções por Nível de Gravidade

Sanções Típicas por Nível de Plagiarismo (Universidades Portuguesas)
Nível de gravidade Índice similaridade Sanção típica
Leve (inadvertente) 20–30% Devolução para revisão, sem penalização formal
Moderado 30–50% Reprovação, nova submissão obrigatória, advertência formal
Grave >50% ou autoplágio intencional Processo disciplinar, suspensão do programa
Muito grave Plágio intencional comprovado ou falsificação Expulsão, anulação do grau (se já atribuído)

Tendências em 2026

As principais tendências observadas para 2026 no panorama do plagiarismo académico em Portugal são:

1. Convergência para políticas nacionais

O Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP) tem debatido, desde 2024, a adopção de diretrizes nacionais comuns para a verificação antiplágio e para o uso de IA generativa em teses. Esta convergência deverá produzir resultados práticos em 2026.

2. Proliferação de detetores de IA

A implementação de módulos de deteção de IA generativa, combinados com sistemas antiplágio tradicionais, torna-se padrão em 2025–2026. O mercado português é dominado pela Turnitin, mas a pressão competitiva está a aumentar com soluções como Copyleaks, iThenticate e detetores nativos de IA.

3. Aumento da literacia sobre integridade académica

O número de universidades que incluem formação obrigatória sobre integridade académica nos programas de mestrado e doutoramento cresceu de forma significativa entre 2022 e 2025. Esta formação tem impacto mensurável nas taxas de reincidência.

Caixa de Metodologia

Fontes e Limitações desta Análise

  • Pedidos LADA: Submetidos a 18 instituições ao abrigo da Lei n.º 26/2016 (LADA). 15 responderam dentro do prazo; 3 não responderam
  • Relatórios do Provedor: Analisados relatórios anuais do Provedor do Estudante de 6 universidades que os publicam regularmente
  • Investigação publicada: Artigos do congresso da APS (X Congresso: “Plágio e outras fraudes académicas na perspetiva dos estudantes“)
  • Fontes jornalísticas: Inquérito Público 2019 sobre registo de dados de plágio; Jornal de Negócios 2024
  • Limitação principal: A maioria das universidades não fornece dados quantitativos sistemáticos — os valores percentuais citados são estimativas baseadas em dados parciais e investigação académica publicada

FAQ — Perguntas Frequentes sobre Plagiarismo Académico em Portugal

Qual a percentagem de plágio aceitável numa tese em Portugal?

Em Portugal, a maioria das universidades aceita índices de similaridade até 15–20% no relatório Turnitin ou iThenticate. Algumas instituições, como ISEG e ULisboa, aplicam limites mais restritivos de 10–15%, excluindo citações devidamente assinaladas e referências bibliográficas. Não existe um limite nacional uniformizado.

O que acontece se for detetado plágio numa tese em Portugal?

As sanções variam por instituição e nível de gravidade. Casos leves resultam em devolução para revisão; casos moderados em reprovação e advertência formal; casos graves em processo disciplinar; casos muito graves em expulsão do programa ou anulação do grau já atribuído. A NOVA e a U.Porto têm regulamentos publicados com sanções explícitas.

As universidades portuguesas usam IA para detetar plágio?

Sim. Em 2024, a Universidade de Coimbra foi pioneira a implementar detetores de IA em todos os trabalhos submetidos. Em 2025–2026, praticamente todas as instituições de ensino superior portuguesas combinam verificação de similaridade tradicional com módulos de deteção de texto gerado por IA.

Usar ChatGPT ou outra IA na tese é plágio em Portugal?

Depende da política da instituição. A maioria das universidades portuguesas em 2025–2026 exige declaração de uso de IA e considera plágio a apresentação de texto gerado por IA como trabalho próprio sem declaração. Algumas proíbem completamente o uso de IA generativa na produção do texto da tese.

Como verificar o plágio na minha tese antes da entrega?

As opções incluem: verificação prévia no Turnitin (se a universidade disponibilizar acesso antecipado), uso de iThenticate, PlagiarismCheck.org, ou ferramentas de verificação integradas em plataformas académicas. Verificar o texto nos primeiros 24 horas após escrever cada capítulo é mais eficaz do que uma verificação final global.