Calendário de Bolsas de Pós-Doutoramento PT/BR 2026/2027

Calendário de Bolsas de Pós-Doutoramento PT/BR 2026/2027

Planear uma candidatura a bolsas de pós-doutoramento exige mais do que ter um bom projeto — exige saber quando abrem os concursos. Entre Portugal e o Brasil, os principais programas — FCT CEEC Individual, FAPESP, CAPES, CNPq e PEC-PG — têm ciclos anuais distintos, e perder um prazo pode significar esperar mais um ano. Este calendário reúne, num único documento, as datas verificadas de abertura e encerramento, os valores das bolsas e os links diretos para candidatura em 2026/2027.

Resposta rápida

Os principais programas de bolsas para pós-doutoramento entre Portugal e o Brasil em 2026 são: FCT CEEC Individual (8.ª edição, encerrada em janeiro 2026 — aguardar 9.ª edição), FAPESP (candidatura contínua, ~R$ 12.570/mês), CAPES — incluindo o Programa Aurora (inscrições em ciclos mensais até junho 2026) e CAPES/Humboldt (prazo 29/05/2026) —, CNPq PDJ (~R$ 5.200/mês, chamadas por edital) e PEC-PG (para estrangeiros em programas de pós-graduação no Brasil). Consulte o edital de cada programa para confirmar prazos da próxima ronda.

Por que usar um calendário integrado de bolsas de pós-doutoramento

Fonte: Tudo Sobre Pós-Graduação — canal dedicado a mestrandos e doutorandos em português (jan. 2026)

Investigadores que transitam entre o espaço académico português e o brasileiro enfrentam um desafio particular: os ciclos de candidatura dos dois países raramente coincidem. A FCT abre o CEEC Individual geralmente no final do ano civil; a FAPESP funciona em regime de candidatura contínua; a CAPES lança editais temáticos ao longo do ano. Sem um registo centralizado, é fácil perder a janela de um programa enquanto se prepara a candidatura a outro.

Além das datas, importa conhecer os valores reais das bolsas pós-doutoramento em Portugal e no Brasil — informação dispersa por tabelas oficiais em formatos PDF que se atualizam anualmente. Este artigo agrega os dados verificados para 2026, com indicação das fontes e da frequência de atualização de cada programa.

Portugal — FCT CEEC Individual (8.ª edição)

O Concurso Estímulo ao Emprego Científico Individual (FCT CEEC Individual) é o principal mecanismo de financiamento de emprego científico para doutorados em Portugal. Na 8.ª edição, as candidaturas decorreram entre 15 de dezembro de 2025 e 29 de janeiro de 2026, com confirmação pelas instituições de acolhimento até 13 de fevereiro de 2026. A FCT financiou 400 contratos, com um investimento global de aproximadamente 63,5 milhões de euros.

Categorias e remuneração

O concurso contempla duas categorias:

  • Investigador júnior — para doutorados há 5 anos ou menos; remunerado ao nível 33 da tabela remuneratória única do Estado português.
  • Investigador auxiliar — para doutorados há mais de 5 anos; remunerado ao 1.º escalão da categoria de investigador auxiliar da carreira de investigação científica, nos termos do Decreto-Lei n.º 55/2025, de 28 de abril.

A FCT atualizou os valores de todos os subsídios mensais de manutenção (SMM) a partir de 1 de janeiro de 2026, com um acréscimo de 50 € face a 2025 decorrente da atualização do salário mínimo nacional. Para o valor exato atualizado, consulte a Tabela SMM 2026 da FCT. A título de referência, a bolsa de pós-doutoramento (BPD) situava-se em 2.938 € mensais na tabela de 2025.


Tabela de Valores SMM 2026 — FCT
PDF oficial — subsídios mensais de manutenção para todas as categorias de bolsas FCT
Fonte: FCT — Fundação para a Ciência e a Tecnologia — valores em vigor desde janeiro de 2026

Duração e próxima edição

Os contratos têm duração máxima de 3 anos, com a possibilidade de o candidato seleccionado distribuir o financiamento por um período de 6 anos. A 9.ª edição do CEEC Individual deverá abrir no final de 2026 — consulte periodicamente o portal da FCT e ative os alertas de newsletter para não perder o aviso de abertura.

Brasil — FAPESP Pós-Doutorado

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP pós-doutorado) distingue-se dos restantes programas por não ter uma janela de candidatura anual fixa. O supervisor (pesquisador vinculado a uma instituição de ensino superior ou pesquisa no estado de São Paulo) pode submeter o pedido a qualquer momento, com avaliação contínua pela FAPESP.

Valor e benefícios (2026)

  • Bolsa mensal: R$ 12.570,00 (vigente desde agosto de 2025, confirmado pela FAPESP)
  • Reserva técnica: 10% do valor anual da bolsa para despesas diretamente relacionadas com a pesquisa
  • Auxílio-mudança e reembolso INSS quando aplicável

Requisitos principais

O candidato deve ter obtido o doutoramento há menos de 7 anos (contados à data de submissão) e não ter vínculo empregatício com a instituição supervisora. O pedido é feito pelo supervisor e não pelo bolsista. Consulte as oportunidades correntes em fapesp.br/oportunidades.

Brasil — CAPES (Aurora, Humboldt e outros programas)

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES/DAAD PROBRAL) lança múltiplos editais ao longo do ano, com programas para pós-doutoramento no país e no exterior. Em 2026, destacam-se:

Programa Aurora (Edital n.º 16/2026)

Lançado em 12 de maio de 2026, este programa destina-se a professoras vinculadas a programas de pós-graduação stricto sensu recomendados pela CAPES/MEC que estejam grávidas (a partir do segundo trimestre) ou sejam mães de crianças até dois anos. Oferece 300 bolsas de pós-doutoramento no país com valor de R$ 5.200/mês durante 24 meses, num investimento global de R$ 37,4 milhões. O primeiro ciclo de análise encerra a 5 de junho de 2026, com ciclos mensais subsequentes. Submissão exclusivamente em inscricao.capes.gov.br/individual.

Programa CAPES-Humboldt (bolsas na Alemanha)

Parceria com a Fundação Alexander von Humboldt para investigadores brasileiros que pretendam desenvolver pós-doutoramento na Alemanha. O prazo da chamada corrente encerrou a 29 de maio de 2026. Os valores situam-se entre 3.000 € e 3.600 €/mês consoante os anos de experiência pós-doutoral. Consulte o portal da Freie Universität Berlin no Brasil para as próximas rondas.

Pós-Doutorado no Exterior (PDE) — CAPES

O PDE financia estágios de pós-doutoramento fora do Brasil com duração de 6 a 18 meses. As candidaturas são geralmente feitas por chamada institucional (a instituição de origem submete pela plataforma CAPES). Verifique no portal da sua instituição as chamadas internas para 2026/2027, habitualmente abertas entre setembro e novembro.

Brasil — CNPq PDJ e PDE

O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico financia pós-doutoramentos através de duas modalidades principais:

Pós-Doutorado Júnior (PDJ) — no país

  • Valor: R$ 5.200/mês + taxa de bancada de R$ 480/mês
  • Duração: 6 a 12 meses, prorrogável por mais 12 meses
  • Candidatura via chamada pública específica (ex: Chamada CNPq n.º 49/2024, com R$ 125 milhões globais)
  • Requisito: vínculo como pesquisador visitante na instituição de acolhimento durante todo o período da bolsa

Pós-Doutorado no Exterior (PDE) — CNPq

Destinado a investigadores brasileiros que pretendam desenvolver atividade de pesquisa em instituições estrangeiras. As chamadas abertas e respetivos prazos são publicados em memoria.cnpq.br/chamadas-publicas. A duração habitual é de 6 a 12 meses, e o valor varia conforme o país de destino — consulte o edital. Investigadores que ponderem um pós-doutoramento em Portugal podem combinar o PDE/CNPq com a candidatura a projetos FCT como co-investigadores.

O blogue Ferramentas para Doutorandar documenta, de forma honesta, o que acontece depois de concluída a tese — incluindo a transição para a fase pós-doutoral e as ferramentas que ajudam a manter o foco na investigação.

PEC-PG — Programa de Estudantes-Convênio de Pós-Graduação

O PEC-PG é frequentemente confundido com um programa para brasileiros estudarem no exterior — mas funciona na direção inversa: destina-se a cidadãos de países em desenvolvimento que pretendam cursar mestrado ou doutoramento no Brasil. Não financia brasileiros no estrangeiro.

Dados da edição 2025 (referência para 2026)

  • Inscrições para mestrado e doutoramento pleno: 14 de agosto a 29 de setembro de 2025
  • Inscrições para doutoramento sanduíche: 1 de outubro a 30 de dezembro de 2025
  • Vagas: 650 bolsas (100 doutoramento pleno, 350 doutoramento sanduíche, 200 mestrado)
  • Início das atividades: primeiro semestre de 2026 (plenos) / agosto de 2026 (sanduíche)

Investigadores portugueses e de outros países lusófonos que pretendam fazer pós-graduação no Brasil devem verificar as condições de elegibilidade e os prazos da próxima edição em gov.br/capes. As datas acima referem-se à edição 2025 e servem como orientação para estimar a abertura do ciclo 2026.

Tabela-resumo: programas, datas e valores 2026/2027

A tabela abaixo agrega os dados verificados. Onde as datas da próxima edição ainda não foram anunciadas, indica-se “consultar edital” com base no padrão histórico do programa.

Programa Entidade Abertura típica Prazo típico Valor (2026)
FCT CEEC Individual FCT — Portugal Dez. (anual) Jan.–Fev. seguinte Tabela SMM-2026; ref. ~2.938–2.988 €/mês
FCT Bolsas Doutoramento 2026 FCT — Portugal Mar. 2026 (encerrado) 31 mar. 2026 ~1.686 €/mês (BD)
FAPESP Pós-Doutorado FAPESP — Brasil (SP) Contínua (supervisor) Contínua R$ 12.570/mês + reserva técnica 10%
CAPES Aurora (Edital 16/2026) CAPES — Brasil Mai. 2026 5 jun. 2026 (1.º ciclo) R$ 5.200/mês, 24 meses
CAPES–Humboldt CAPES/AvH — Alemanha Consultar edital 29 mai. 2026 (encerrado) 3.000–3.600 €/mês
CAPES PDE (Exterior) CAPES — Brasil Set.–Nov. (institucional) Consultar instituição Varia por país/edital
CNPq PDJ (no país) CNPq — Brasil Chamadas periódicas Consultar edital R$ 5.200/mês + R$ 480 bancada
CNPq PDE (exterior) CNPq — Brasil Chamadas periódicas Consultar edital Varia por país/edital
PEC-PG (Brasil para estrangeiros) CAPES — Brasil Ago.–Set. (anual) Set.–Dez. Consultar edital (bolsa de subsistência)

Como organizar a candidatura com antecedência

A dispersão de prazos entre Portugal e o Brasil torna indispensável uma estratégia de calendário pessoal. As etapas abaixo ajudam a estruturar o processo com pelo menos seis meses de antecedência:

  1. Defina o país e a instituição de acolhimento primeiro. Sem uma instituição confirmar o acolhimento (FCT CEEC, CNPq PDJ) ou um supervisor disposto a submeter o pedido (FAPESP), a candidatura não avança.
  2. Ative alertas das agências. A FCT envia newsletter; o CNPq e a CAPES publicam editais no Diário Oficial. Configure alertas no Google ou no serviço de newsletters das agências.
  3. Prepare o projeto com 3–4 meses de antecedência. Os painéis avaliadores valorizam planos de investigação bem articulados com o estado da arte — não apressados. O registo de investigadora/investigador no Lattes (Brasil) ou no CIÊNCIA ID (Portugal) deve estar atualizado.
  4. Cruze programas complementares. Um investigador brasileiro em Portugal pode candidatar-se ao FCT CEEC como investigador júnior e, em simultâneo, ter uma bolsa CNPq PDE ativa durante a fase de arranque — mas verifique as regras de acumulação de cada agência antes de submeter.
  5. Considere as implicações para os salários pós-doutoramento. O valor líquido de uma bolsa FCT ou FAPESP varia consoante o regime fiscal, as contribuições sociais e o custo de vida local — compare sempre em termos de poder de compra real e não apenas em valor nominal.

O blogue Mestrado ISIE, do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, documenta regularmente iniciativas de investigação pós-graduada em Portugal — uma boa referência para quem procura contexto sobre a cultura académica lusófona. Da mesma forma, o portal MatLit partilha anúncios de provas de doutoramento na Universidade de Coimbra, sendo um termómetro útil do ritmo da investigação académica portuguesa.

Perguntas frequentes

Qual é o valor da bolsa FCT CEEC Individual em 2026?

A FCT atualizou os valores de todas as bolsas em janeiro de 2026, com um acréscimo de 50 € face à tabela de 2025. Na tabela SMM 2025, a Bolsa de Pós-Doutoramento (BPD) situava-se em 2.938 €/mês. Para o valor exato em vigor em 2026, consulte a Tabela SMM-2026 disponível em fct.pt. Os contratos CEEC Individual são remunerados de acordo com a tabela remuneratória única do Estado português, em categorias distintas para investigador júnior e auxiliar.

A FAPESP aceita candidaturas de investigadores não residentes em São Paulo?

Não diretamente. A bolsa FAPESP de pós-doutorado exige que o supervisor seja um pesquisador vinculado a uma instituição de ensino superior ou pesquisa no estado de São Paulo. O bolsista, no entanto, pode ser de qualquer nacionalidade. Investigadores de outros estados brasileiros ou de Portugal devem identificar um supervisor elegível em São Paulo e submeter o pedido através desse supervisor.

Um brasileiro pode candidatar-se ao FCT CEEC Individual?

Sim. O concurso FCT CEEC Individual está aberto a doutorados de qualquer nacionalidade que pretendam desenvolver atividade de investigação científica ou desenvolvimento tecnológico em Portugal. O candidato necessita de uma instituição de acolhimento portuguesa e de um historial de publicações relevante na área de candidatura.

O PEC-PG financia brasileiros que queiram estudar em Portugal?

Não. O PEC-PG (Programa de Estudantes-Convênio de Pós-Graduação) foi concebido para cidadãos de países em desenvolvimento cursarem mestrado ou doutoramento no Brasil, não para brasileiros irem ao exterior. Brasileiros que pretendam fazer pós-doutoramento em Portugal devem explorar o FCT CEEC Individual, bolsas das universidades portuguesas, ou programas de co-tutela CAPES-FCT.

É possível acumular uma bolsa CNPq PDE com uma posição FCT CEEC?

Em princípio não, uma vez que ambas as bolsas são de dedicação exclusiva. No entanto, um investigador pode usar o CNPq PDE para financiar uma estadia inicial em Portugal e, após a conclusão, candidatar-se ao FCT CEEC Individual numa ronda seguinte. Consulte os regulamentos de cada agência e informe-se junto da sua instituição de origem antes de qualquer submissão.

Com que antecedência devo preparar a candidatura à FCT CEEC?

Recomenda-se iniciar a preparação pelo menos quatro a seis meses antes da abertura do concurso, que habitualmente ocorre em dezembro. Isso inclui: contactar a instituição de acolhimento e obter a carta de interesse, atualizar o CIÊNCIA ID e o currículo completo, redigir o plano de investigação e obter cartas de referência. Os prazos curtos (45 dias de candidatura, como na 8.ª edição) não deixam margem para improviso.

Próximos passos

Identificou o programa certo para o seu perfil? Antes de submeter, verifique se o seu currículo e projeto de investigação estão otimizados para os critérios de avaliação do programa escolhido. A Tesify apoia investigadores na revisão e estruturação de planos de investigação, memorandos de candidatura e documentação de suporte para bolsas de pós-doutoramento — em português europeu e português do Brasil.