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Como citar uma fonte secundária apud? Guia ABNT e APA

Como citar uma fonte secundária apud na tese?

Saber como citar uma fonte secundária apud é uma das dúvidas mais frequentes na revisão de literatura de dissertações, teses e TCC escritos em português. A situação é quase sempre a mesma: encontra uma ideia de um autor clássico dentro de um livro ou artigo mais recente, mas não consegue aceder à obra original. Citar o clássico como se o tivesse lido seria uma falha de honestidade académica. Ignorá-lo empobreceria o argumento.

A solução chama-se citação de citação. Nas normas da ABNT, usadas no Brasil e adotadas por muitas instituições do espaço lusófono, formaliza-se com a expressão latina apud. Em Portugal, onde predominam estilos como a APA, o mesmo princípio aplica-se com outra redação. A regra parece curta, mas os pormenores — ordem dos autores, página, lista de referências — são exatamente onde os júris e as bancas encontram erros.

Este guia responde a cada dúvida de forma autónoma, para que possa ir diretamente à secção de que precisa.

Para citar uma fonte secundária com apud, indique primeiro o autor da obra original, depois a palavra apud e, por fim, o autor que efetivamente leu: Cagliari (1986 apud Suassuna, 1995). A página refere-se sempre à obra consultada e só esta entra nas referências finais. Use o recurso apenas quando o original for realmente inacessível.

O que significa apud e quando se usa?

Apud é uma expressão latina que significa «citado por», podendo também ser lida como «segundo» ou «conforme». Segundo o guia da FastFormat, é o recurso usado quando precisa de citar a ideia de um autor sem ter tido acesso à obra original (fonte primária), porque a conheceu através da leitura de outro autor (fonte secundária).

A distinção entre os dois tipos de fonte é essencial:

  • Fonte primária: a obra onde a ideia foi originalmente publicada e que, neste caso, não leu.
  • Fonte secundária: a obra que efetivamente leu e que reproduz ou comenta a ideia do autor original.

O material de orientação da Universidade de São Paulo sublinha que a citação de citação pode ser direta ou indireta. Ou seja, o apud serve tanto para transcrever um trecho entre aspas como para parafrasear uma ideia, desde que a fonte original não tenha sido acedida por si.

Livro antigo de capa de couro gasta ao lado de um livro moderno sobre uma mesa de madeira
A obra original nem sempre está acessível; o apud indica que a ideia chegou através de uma fonte consultada.

Como citar uma fonte secundária apud segundo a ABNT?

Na ABNT, a resposta à pergunta sobre como citar uma fonte secundária apud segue uma ordem fixa: primeiro o autor original (a quem pertence a ideia), depois a palavra apud e, em seguida, o autor da obra que realmente consultou. Esta regra é descrita pelo Formatador ABNT e corresponde ao que estabelece a norma de citações ABNT NBR 10520.

A estrutura pode aparecer em três formatos, conforme o tipo de citação:

Tipo de citação Estrutura Exemplo
Indireta, entre parênteses (Sobrenome do autor original, ano apud Sobrenome do autor consultado, ano) (Cagliari, 1986 apud Suassuna, 1995)
Indireta, narrativa Sobrenome do autor original (ano apud Sobrenome do autor consultado, ano) Cagliari (1986 apud Suassuna, 1995) defende que…
Direta, com transcrição Igual às anteriores, acrescentando a página da obra consultada «Trecho transcrito» (Cagliari, 1986 apud Suassuna, 1995, seguido da página de Suassuna)

Repare que o ano aparece duas vezes: o da obra original e o da obra consultada. Omitir qualquer um deles impede o leitor de perceber a cronologia das ideias.

O que mudou com a ABNT NBR 10520:2023?

Com a versão atualizada da norma, a ABNT NBR 10520:2023, as chamadas de autor dentro dos parênteses deixaram de ser obrigatoriamente escritas em letras maiúsculas, conforme recorda o material da USP. Em vez de (CAGLIARI, 1986 apud SUASSUNA, 1995), escreve-se (Cagliari, 1986 apud Suassuna, 1995), em maiúsculas e minúsculas. Se o seu orientador trabalha com modelos antigos, vale a pena confirmar qual versão da norma a instituição exige.

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Que página se indica numa citação com apud?

Numa citação direta com apud, a página indicada é sempre a da obra secundária, ou seja, a obra que teve em mãos. O Formatador ABNT é explícito: a página informada deve ser a da fonte que consultou.

A lógica é simples. O leitor que quiser conferir o trecho só o encontrará no documento que o investigador realmente leu. Indicar a página da obra original seria afirmar algo que não verificou, porque não sabe em que página do original o trecho surge nem se a transcrição do autor secundário é exata.

Nas citações indiretas, a indicação de página é opcional na ABNT, mas, se a incluir, aplica-se a mesma regra: a página pertence à obra consultada.

Gavetas de ficheiro de biblioteca universitária com uma gaveta aberta e fichas em branco
Registar separadamente a obra original e a obra consultada evita erros na lista de referências.

O que entra na lista de referências final?

Na lista de referências ao final do trabalho entra apenas a obra consultada, isto é, o autor que aparece depois de apud. A obra original, que não leu, não integra a lista. Tanto o Formatador ABNT como o material da USP são coincidentes neste ponto.

No exemplo usado ao longo deste guia, Suassuna (1995) aparece nas referências e Cagliari (1986) não. A referência da obra consultada segue o formato habitual exigido pela norma para o tipo de documento: livro, capítulo, artigo ou tese.

Este é provavelmente o erro mais penalizado em revisões de formatação. Incluir a obra original nas referências equivale a declarar que a leu, o que contradiz a própria citação de citação feita no texto.

Como se faz uma citação secundária no estilo APA?

No estilo APA, a citação secundária é fortemente desaconselhada e, quando inevitável, não usa a palavra apud. Em vez disso, recorre-se a expressões como «citado em» ou, nos textos em inglês, «as cited in». A fonte original recebe destaque narrativo e a fonte consultada é mencionada a seguir.

Na prática, numa tese portuguesa em APA, a frase ficaria próxima de: «Cagliari (1986, citado em Suassuna, 1995) defende que…». À semelhança da ABNT, só a obra consultada entra na lista de referências. Antes de escrever, confirme no regulamento da sua faculdade qual o estilo exigido, porque muitas universidades portuguesas aceitam APA, enquanto instituições brasileiras tendem a exigir ABNT.

Aspeto ABNT APA
Expressão usada apud citado em / as cited in
Ordem Autor original, depois autor consultado Autor original, depois autor consultado
Página Da obra consultada Da obra consultada
Lista de referências Só a obra consultada Só a obra consultada

Quando se deve evitar o apud?

O apud deve ser evitado sempre que for possível aceder à obra original. Manuais universitários e comissões científicas recomendam reservar este recurso para situações excecionais comprovadas, como obras raras, esgotadas, documentos históricos inacessíveis ou textos perdidos.

Há três razões metodológicas para esta prudência:

  1. Risco de interpretação em cadeia: herda a leitura do autor secundário, incluindo eventuais erros de tradução ou de contexto.
  2. Fragilidade argumentativa: uma revisão de literatura apoiada em muitas citações de citação sugere pesquisa pouco aprofundada.
  3. Verificabilidade reduzida: o leitor não consegue confirmar se a ideia foi fielmente reproduzida.

Teste rápido antes de usar apud: procurou a obra no repositório da sua universidade, no RCAAP, no Google Scholar e no empréstimo interbibliotecas? Se a resposta for sim e a obra continuar inacessível, o apud é legítimo. Se não procurou, procure primeiro.

O apud pode sustentar a hipótese ou a pergunta de investigação?

Pode, mas com cautela, porque a hipótese e a pergunta de investigação são o núcleo do trabalho e merecem fontes primárias. Para perceber porquê, convém responder a uma dúvida vizinha: qual a diferença entre hipótese e pergunta de investigação?

A pergunta de investigação formula, de modo interrogativo, aquilo que o estudo pretende descobrir. A hipótese é uma resposta provisória e testável a essa pergunta, normalmente expressa como relação entre variáveis, que o estudo vai confirmar ou rejeitar. Estudos exploratórios e qualitativos funcionam muitas vezes só com perguntas; estudos quantitativos e explicativos tendem a exigir hipóteses.

Em ambos os casos, a fundamentação teórica que justifica a pergunta ou a hipótese deve assentar sobretudo em obras lidas diretamente. Um apud ocasional para situar um conceito clássico é aceitável; uma hipótese inteira deduzida de autores que só conhece em segunda mão é um ponto fraco que o júri tenderá a explorar. Se está a construir hipóteses, veja estes exemplos de hipóteses de dissertação de marketing organizados por construto. Para definir a pergunta a partir do estado da arte, ajuda estudar exemplos de lacuna de investigação numa tese de psicologia clínica.

Quais são os erros mais comuns no uso do apud?

Os erros mais comuns resultam de inverter a lógica do recurso. Estes são os que surgem com mais frequência nas revisões de orientadores e júris:

  • Inverter a ordem dos autores: colocar o autor consultado antes do original.
  • Indicar a página do original: a página deve ser sempre a da obra consultada.
  • Incluir o original nas referências: só a obra consultada pertence à lista final.
  • Usar apud em excesso: várias citações de citação na mesma secção fragilizam a revisão de literatura.
  • Misturar estilos: escrever apud num trabalho em APA ou «citado em» num trabalho em ABNT.
  • Manter a caixa alta obsoleta: ignorar a atualização da ABNT NBR 10520:2023 quando a instituição já a adotou.
  • Omitir um dos anos: a citação deve indicar o ano da obra original e o da obra consultada.

Problemas de citação estão entre as falhas formais mais apontadas por examinadores em várias áreas; a análise dos erros que os examinadores mais apontam nas teses de Direito mostra como a fragilidade das fontes pesa na avaliação. Outro cuidado frequente na revisão de literatura é a coerência temporal ao relatar o que cada autor afirmou, tema tratado no guia sobre em que tempo verbal escrever cada capítulo da tese.

Como organizar as citações apud sem perder o controlo?

A forma mais segura de organizar citações apud é registar, no momento da leitura, duas informações separadas: quem é o autor original e qual a obra que efetivamente está a ler, com a respetiva página. Quando esta anotação é deixada para o fim, é fácil confundir fontes e acabar com o autor errado nas referências.

Uma boa prática é manter na sua base de referências apenas as obras consultadas e usar uma nota interna para assinalar as ideias recebidas por intermédio delas. Antes da entrega, faça uma verificação dedicada: procure todas as ocorrências de apud no texto e confirme, uma a uma, a ordem dos autores, os dois anos, a página e a presença exclusiva da obra consultada na lista final. Pode ver como as citações se distribuem num trabalho completo neste exemplo de tese de enfermagem anotado secção a secção.

O Tesify simplifica este processo: a Bibliografia Automática acede a milhões de artigos do Google Scholar, PubMed e RCAAP, o que facilita encontrar a fonte primária antes de recorrer ao apud, e o Tesify Antiplágio analisa o texto em tempo real para garantir que nenhuma ideia alheia fica sem atribuição correta.

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Perguntas frequentes sobre o apud

O que quer dizer apud em português?

Apud é uma expressão latina que significa «citado por», podendo também ser lida como «segundo» ou «conforme». Usa-se para indicar que conheceu a ideia de um autor através de outro autor, sem ter consultado a obra original.

Como citar uma fonte secundária apud na ABNT?

Indique primeiro o autor da obra original e o respetivo ano, depois a palavra apud e, por fim, o autor e o ano da obra que efetivamente consultou, por exemplo: (Cagliari, 1986 apud Suassuna, 1995). Numa citação direta, acrescente a página da obra consultada.

A obra original entra na lista de referências?

Não. Na lista de referências entra apenas a obra consultada, ou seja, a do autor que aparece depois de apud. A obra original, que não leu diretamente, não integra as referências finais.

Que página se indica numa citação direta com apud?

Indica-se sempre a página da obra secundária, aquela que teve em mãos. É nesse documento que o leitor pode encontrar e conferir o trecho transcrito.

É obrigatório escrever os autores em maiúsculas dentro dos parênteses?

Não, desde a ABNT NBR 10520:2023. As chamadas de autor entre parênteses deixaram de ser obrigatoriamente em caixa alta e passaram a escrever-se em maiúsculas e minúsculas, como em (Cagliari, 1986 apud Suassuna, 1995).

Posso usar apud no estilo APA?

Não. A APA desaconselha a citação secundária e, quando ela é inevitável, substitui apud por «citado em» ou «as cited in», mantendo o destaque narrativo na fonte original e incluindo apenas a obra consultada nas referências.

Quando é aceitável usar uma fonte secundária?

Apenas em situações excecionais comprovadas, como obras raras, esgotadas, documentos históricos inacessíveis ou textos perdidos. Se a obra original estiver disponível em biblioteca, repositório ou empréstimo interbibliotecas, deve consultá-la diretamente.

Qual a diferença entre hipótese e pergunta de investigação?

A pergunta de investigação formula, de forma interrogativa, o que o estudo pretende descobrir. A hipótese é uma resposta provisória e testável a essa pergunta, geralmente expressa como relação entre variáveis. Ambas devem ser fundamentadas sobretudo em fontes primárias, recorrendo ao apud apenas de forma pontual.

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