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Em Que Tempo Verbal Escrever Cada Capítulo da Tese (2026)

Em Que Tempo Verbal Escrever Cada Capítulo da Tese (2026)

A regra curta: a metodologia e os resultados escrevem-se no pretérito perfeito, porque descrevem trabalho concluído; a discussão e a conclusão escrevem-se maioritariamente no presente, porque interpretam; a revisão de literatura alterna entre os dois consoante esteja a relatar um estudo concreto ou a enunciar conhecimento estabelecido. Tudo o resto são exceções que se justificam.

É uma das perguntas que mais aparece a meio da escrita e uma das que menos aparece nos regulamentos. Nenhuma universidade portuguesa impõe um tempo verbal por capítulo, mas todos os júris esperam o mesmo padrão — porque é o padrão da escrita científica internacional, e a incoerência lê-se de imediato. Uma tese que escreve «serão aplicados dois questionários» no capítulo de metodologia está a dizer ao arguente que aquele capítulo veio, sem revisão, do projeto submetido dois anos antes.

Página de tese impressa com anotações a marcar frases no tempo verbal errado

A regra por capítulo, numa tabela

Secção Tempo dominante Porquê
Resumo Misto (passado para o método e resultados, presente para a conclusão) Reproduz em miniatura a lógica da tese
Introdução Presente O problema existe agora; a lacuna existe agora
Revisão de literatura Alterna presente / pretérito perfeito Depende de estar a citar um estudo ou um facto assente
Metodologia Pretérito perfeito Descreve o que já foi feito
Resultados Pretérito perfeito para os dados, presente para as tabelas A recolha acabou; a tabela continua a mostrar
Discussão Presente, com passado para retomar achados A interpretação é uma afirmação que se sustenta hoje
Conclusão Presente e futuro Responde à pergunta e projeta o que falta fazer

Guarde esta tabela e volte a ela na revisão final. A verificação demora vinte minutos por capítulo e resolve um dos comentários mais frequentes de arguentes.

Introdução: presente para o problema, passado só para o que já se fez

A introdução situa um problema que existe no momento em que o leitor lê. Por isso: «A adesão à terapêutica constitui um dos principais determinantes do prognóstico», e não «constituiu». O mesmo vale para a lacuna: «Nenhum estudo examina este efeito em população portuguesa» — presente, porque a lacuna continua aberta.

Há duas exceções dentro da introdução. A primeira é a contextualização histórica: se está a explicar como o conceito surgiu, o passado é obrigatório. A segunda é o último parágrafo, aquele que anuncia a organização do trabalho: aí escreve-se no presente do indicativo — «o capítulo 3 apresenta a metodologia» —, nunca no futuro. O futuro nessa frase é o resíduo mais visível do texto do projeto.

Se ainda está a montar este capítulo, verifique que o parágrafo de organização não ficou no futuro: é o resíduo mais frequente e o mais fácil de corrigir.

Revisão de literatura: o tempo marca a distância que quer tomar

É aqui que a escolha deixa de ser mecânica e passa a ser retórica. O tempo verbal que usa diz ao leitor quanto peso atribui àquilo que está a citar.

  • Presente — para conhecimento que trata como assente e partilhado: «A teoria da autodeterminação distingue motivação intrínseca de extrínseca.» Está a afirmar que isto é verdade hoje, independentemente de quem o disse.
  • Pretérito perfeito simples — para o que um estudo concreto fez e encontrou: «Silva (2021) aplicou a escala a 340 estudantes e encontrou uma correlação moderada.» Está a relatar um acontecimento, não a subscrevê-lo.
  • Pretérito perfeito composto — para uma linha de investigação que continua: «Vários estudos têm demonstrado este efeito ao longo da última década.» Sinaliza acumulação e continuidade.

A distinção tem consequências. «Ferreira (2019) demonstrou que X» compromete-o menos do que «X é um determinante de Y (Ferreira, 2019)». No primeiro caso está a reportar; no segundo está a assumir. Use o presente quando quiser assumir e o passado quando quiser manter distância crítica — sobretudo se mais à frente pretende contestar aquele resultado. O modo de encadear estas escolhas ao longo do capítulo está desenvolvido no guia completo da revisão de literatura.

Metodologia: pretérito perfeito, sem exceção

Quando o leitor chega à metodologia, o estudo já aconteceu. Tudo o que descreve esse estudo vai para o passado: «Foi aplicado um questionário», «A amostra foi constituída por 212 participantes», «Os dados foram analisados no SPSS, versão 29».

Duas frases resistem e ficam no presente, e é útil saber porquê:

  1. A descrição do instrumento enquanto objeto. «A escala é composta por 21 itens distribuídos por três subescalas» — a escala continua a ser assim, independentemente do seu estudo. Mas «os participantes preencheram a escala em cerca de dez minutos» é passado, porque descreve o que aconteceu na sua recolha.
  2. A justificação metodológica. «O teste de Mann-Whitney é adequado quando a variável dependente é ordinal» enuncia uma regra, não um acontecimento.

O erro sistemático nesta secção é o futuro herdado do projeto de dissertação: «serão recolhidos», «será calculado», «pretende-se aplicar». Faça uma pesquisa por «será», «serão» e «pretende-se» no capítulo antes de entregar. Para a arquitetura completa da secção, veja como escrever o capítulo de metodologia da tese.

Resultados: passado para os dados, presente para as tabelas

A convenção divide-se em duas e quase ninguém a explica:

O que os participantes ou os dados fizeram vai para o passado. «O grupo experimental obteve uma média superior», «A diferença foi estatisticamente significativa», «Trinta e um casos foram excluídos por resposta incompleta».

O que a tabela ou a figura faz vai para o presente. «A Tabela 4 apresenta as correlações entre as variáveis do modelo», «A Figura 2 mostra a distribuição por escalão etário». A tabela existe na página que o leitor tem à frente; continua a apresentar agora.

Repare no que isto implica para uma frase composta: «A Tabela 3 resume os resultados do teste t; a diferença entre grupos foi significativa, t(58) = 3,42, p = 0,001.» Presente e passado na mesma frase, cada um pelo motivo certo. Não é incoerência — é a convenção.

Discussão: presente para interpretar, passado para retomar

Na discussão faz afirmações que quer que valham para além do seu estudo, e afirmações desse tipo escrevem-se no presente: «Estes dados sugerem que a justiça procedimental funciona como substituto parcial da contrapartida material.»

Mas cada vez que retoma um achado concreto, volta ao passado: «A relação prevista na H2 confirmou-se; este resultado é consistente com a literatura sobre trocas sociais.» Primeira oração no passado porque é o seu achado; segunda no presente porque é a leitura que faz dele.

As limitações escrevem-se no passado quando descrevem o que aconteceu — «a amostra foi recolhida num único momento» — e no presente quando descrevem a consequência: «o que impede qualquer inferência causal». A sequência de movimentos retóricos que organiza este capítulo está em os sete movimentos da discussão da tese.

Conclusão: presente e futuro, sem passado novo

A conclusão responde à pergunta de partida, e a resposta vale hoje: «A hipótese central encontra sustentação nos dados analisados.» As propostas de investigação futura são o único sítio da tese onde o futuro é legítimo — e mesmo aí o condicional costuma ler-se melhor: «Um desenho longitudinal permitiria testar a direção do efeito.»

O que não deve acontecer na conclusão é aparecer passado a introduzir resultado novo. Se está a escrever «verificou-se ainda que…», esse resultado pertencia ao capítulo anterior.

Resumo e abstract: quatro frases, três tempos

O resumo é a tese em miniatura e reproduz a mesma lógica em quatro movimentos: objetivo no presente ou no pretérito («o presente estudo analisa» ou «analisou» — as duas formas são aceites, desde que constante), método no passado, resultados no passado, conclusão no presente. Nunca use futuro num resumo: é o sinal mais rápido de que o texto foi colado do projeto.

Se a tese exige também versão inglesa, note que a norma anglófona é mais rígida do que a portuguesa neste ponto — o present perfect não tem correspondência exata com o nosso pretérito perfeito composto, e a tradução literal produz frases erradas. As convenções específicas estão em como redigir o abstract estruturado em inglês.

Tem os capítulos escritos e o tempo verbal ao contrário

O Tesify escreve consigo a tese capítulo a capítulo com as convenções de escrita académica já aplicadas — tempo verbal, registo e coerência entre secções — a partir do material que já tem.

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Os cinco erros que o arguente deteta primeiro

  • Futuro na metodologia. «Serão realizadas entrevistas semiestruturadas.» Denuncia um capítulo não revisto desde o projeto e é o erro número um.
  • Presente nos resultados. «Os participantes apresentam níveis elevados de exaustão.» Apresentavam, no momento da recolha. Escrever no presente sugere, involuntariamente, que está a generalizar para além da amostra.
  • Passado na introdução. «O envelhecimento da população constituiu um desafio» transforma um problema atual num facto histórico.
  • Mudar de tempo dentro do mesmo parágrafo sem razão. É o defeito mais comum em teses escritas ao longo de dois anos, em sessões separadas.
  • Misturar «apresenta-se» e «apresentamos» e «o autor apresenta». Isto já não é tempo verbal, é pessoa — mas produz o mesmo efeito de descuido. As convenções de pessoa e registo estão reunidas em as regras gerais da escrita académica.

Como verificar isto em vinte minutos por capítulo

Não releia à procura de tempos verbais — não funciona, porque o cérebro lê o que esperava escrever. Faça pesquisas dirigidas no processador de texto:

  1. Procure «será», «serão», «pretende-se» e «irá» em toda a tese. Fora da secção de investigação futura, quase todas as ocorrências são erros.
  2. No capítulo de resultados, procure «apresentam», «mostram» e «revelam». Se o sujeito for participantes ou dados, converta para passado; se for uma tabela ou figura, está correto.
  3. Na metodologia, procure «é» e «são» em início de frase e verifique caso a caso se descreve o instrumento ou o seu procedimento.
  4. Leia em voz alta o primeiro e o último parágrafo de cada capítulo. São os pontos onde a mistura de tempos é mais audível e mais lida.

Perguntas frequentes

Em que tempo verbal se escreve a tese de mestrado?

Não há um tempo único para toda a tese. A metodologia e os resultados escrevem-se no pretérito perfeito, porque descrevem trabalho concluído. A introdução, a discussão e a conclusão escrevem-se predominantemente no presente, porque enunciam problemas e interpretações que valem no momento da leitura. A revisão de literatura alterna entre os dois.

A metodologia escreve-se no passado ou no presente?

No passado, porque o estudo já foi realizado quando o leitor chega a esse capítulo. Ficam no presente apenas duas coisas: a descrição do instrumento enquanto objeto («a escala é composta por 21 itens») e a justificação de uma opção metodológica enquanto regra geral. Tudo o que descreve o que fez com os participantes vai para o passado.

Posso usar o futuro na tese?

Praticamente só na secção de investigação futura, e mesmo aí o condicional costuma soar melhor. Fora daí, o futuro na tese entregue é quase sempre texto herdado do projeto de dissertação que não foi convertido. Pesquise «será», «serão» e «pretende-se» antes de entregar.

Como escrever a revisão de literatura: presente ou passado?

Use o presente para conhecimento que trata como assente («a teoria distingue X de Y») e o pretérito perfeito para relatar o que um estudo concreto fez («Silva aplicou a escala e encontrou»). Use o pretérito perfeito composto («vários estudos têm demonstrado») quando quiser sinalizar uma linha de investigação em curso. A escolha marca o grau de adesão àquilo que cita.

Escreve-se «a Tabela 3 apresenta» ou «a Tabela 3 apresentou»?

Apresenta, no presente. A tabela existe na página que o leitor tem à frente e continua a apresentar os dados enquanto é lida. Já o que os dados fizeram durante o estudo vai para o passado: «a Tabela 3 apresenta as correlações; a associação entre X e Y foi significativa».

O regulamento da minha universidade impõe algum tempo verbal?

Muito raramente. Os regulamentos portugueses fixam estrutura, extensão, capa e prazos, mas quase nunca convenções de redação. Alguns departamentos publicam guias de estilo próprios com recomendações sobre pessoa e tempo verbal — vale a pena procurar no sítio da unidade orgânica antes de assumir a convenção geral.

Num estudo qualitativo aplicam-se as mesmas regras?

Aplicam-se, com um acrescento: as citações dos participantes mantêm-se sempre no tempo em que foram ditas, entre aspas ou em bloco, e o texto do investigador que as enquadra vai para o passado («uma participante descreveu o regresso a casa como uma rutura»). A interpretação dessas falas, tal como na discussão quantitativa, faz-se no presente.

E se o orientador me disser o contrário?

Siga o orientador. Estas são convenções, não normas jurídicas, e há variação legítima entre áreas — as humanidades usam o presente com muito mais amplitude do que as ciências da saúde. O que nunca é defensável é a incoerência: escolha um padrão, escreva-o numa nota para si próprio e aplique-o em toda a tese.

Em resumo

O tempo verbal na tese não é uma questão de gosto: é uma forma de sinalizar ao leitor o estatuto de cada frase. Passado significa «isto aconteceu no meu estudo»; presente significa «isto vale para além dele». Se aplicar esta única distinção capítulo a capítulo, acerta em quase todos os casos — e resolve, numa tarde de revisão, um dos comentários que mais frequentemente aparece nas atas de provas públicas.

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