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Como Citar Legislação Portuguesa em APA: Guia Prático

Como citar legislação portuguesa em APA: guia prático com exemplos

O Decreto-Lei n.º 55/2018, de 6 de julho, aparece em centenas de dissertações de Ciências da Educação, e quase todas tropeçam na mesma dúvida: como citar legislação portuguesa em APA quando o manual da American Psychological Association não prevê diplomas publicados no Diário da República. A resposta não está no manual americano, mas sim nas normas de adaptação que as bibliotecas das universidades e politécnicos portugueses foram consolidando.

Este guia reúne essas regras verificadas e transforma-as num procedimento aplicável: o que escrever no corpo do texto, que elementos entram na lista de referências, onde vai o itálico, quando indicar o ministério emissor e porque o endereço do Diário da República Eletrónico (DRE) é obrigatório sempre que consultou o diploma online. No final, encontra uma lista de verificação e respostas às dúvidas mais frequentes de mestrandos e doutorandos.

Resposta rápida: no texto, identifique o diploma pelo tipo, número e ano, por exemplo «O Decreto-Lei n.º 55/2018 (2018) estabelece…» ou «(Decreto-Lei n.º 55/2018)». Na lista de referências, indique o tipo e número do diploma com a data, o ano entre parênteses, o sumário quando aplicável, o Diário da República em itálico com série e número e, por fim, o URL oficial do DRE.

Porque a APA 7.ª edição não tem regra para leis portuguesas

O capítulo de referências jurídicas do manual da APA assenta no sistema norte-americano, concretamente no The Bluebook: A Uniform System of Citation. Os exemplos oficiais tratam de leis federais, decisões de tribunais dos Estados Unidos e códigos estaduais, e não oferecem um modelo para um decreto-lei, uma portaria ou um despacho portugueses. Como sublinha a Universidade de Aveiro, não existe uma regra nativa universal na APA para leis de outros países.

Por esse motivo, os serviços de documentação das instituições portuguesas desenvolveram uma adaptação consensual. Os guias da Universidade de Aveiro, da Universidade de Coimbra e dos politécnicos de Viseu, Viana do Castelo e Lisboa convergem nos elementos essenciais, embora com pequenas variações de pormenor. É precisamente aí que reside a regra de ouro: consulte primeiro o guia de normalização da biblioteca da sua instituição e aplique-o de forma consistente em toda a tese.

Se a sua área é o Direito, onde a legislação é fonte primária e não apenas contexto, vale a pena ler também o nosso guia sobre linguagem jurídica, citação de fontes e estilo numa dissertação de Direito, porque muitas faculdades de Direito preferem sistemas de notas de rodapé em vez da APA.

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Pilha de volumes encadernados de publicações oficiais sobre uma mesa de carvalho
A referência final identifica sempre a publicação oficial onde o diploma saiu.

Citação no texto: narrativa e parentética

No corpo do trabalho, o diploma identifica-se pelo seu nome (tipo e número) e pelo ano de publicação. O Politécnico de Viseu apresenta as duas formas habituais:

  • Citação narrativa: O Decreto-Lei n.º 55/2018 (2018) estabelece que…
  • Citação parentética: … conforme estipulado no Decreto-Lei n.º 55/2018.

Repare que o diploma ocupa o lugar que, numa citação de artigo científico, seria ocupado pelo apelido do autor. Na forma parentética, o ano já está contido no número do diploma, pelo que muitos guias dispensam a repetição. O essencial é que a citação no texto permita localizar, sem ambiguidade, a entrada correspondente na lista de referências.

Exemplo aplicado num parágrafo de tese

Imagine uma dissertação sobre inteligência artificial na educação que precisa de enquadrar o currículo em vigor. Uma redação correta seria: «A autonomia e flexibilidade curricular, tal como enquadrada pelo Decreto-Lei n.º 55/2018 (2018), abre espaço para projetos interdisciplinares mediados por tecnologia.» Mais adiante, para retomar o mesmo diploma, basta a forma parentética: «(Decreto-Lei n.º 55/2018)».

Como citar legislação portuguesa em APA na lista de referências

A referência final segue uma estrutura padronizada. O modelo proposto pelo Politécnico de Viana do Castelo é o seguinte: tipo e número do diploma, seguido de identificação sumária (opcional); ano de publicação entre parênteses; título, se aplicável; Diário da República, com série, número e data; páginas (opcional); e URL.

Elemento O que escrever Notas
Tipo e número do diploma Decreto-Lei n.º 55/2018, de 6 de julho Use a designação oficial do diploma, com «n.º» e a data de emissão
Ano (2018). Entre parênteses, seguido de ponto
Título ou sumário Sumário oficial do diploma Opcional em vários guias; copie do DRE sem reescrever
Publicação oficial Diário da República: 1.ª série, n.º 129 O nome do jornal oficial vai sempre em itálico
Páginas Intervalo de páginas Opcional; indique se o seu guia o exigir
URL Endereço direto do diploma no DRE Obrigatório se consultou a versão eletrónica

Modelo sem entidade emissora

Decreto-Lei n.º 55/2018, de 6 de julho. (2018). Diário da República: 1.ª série, n.º 129.

No fim, acrescente o endereço eletrónico direto da página do diploma no DRE, copiado do seu navegador no momento da consulta.

O itálico no lugar certo

O Politécnico de Lisboa lembra que o nome do jornal oficial deve constar em itálico, tal como a APA exige para títulos de publicações periódicas. O erro mais frequente é colocar em itálico o número do diploma ou o sumário, em vez do Diário da República. Se o seu editor de texto converte automaticamente formatações, reveja este pormenor antes da entrega.

Porque o link do DRE é obrigatório

Sempre que consulta o diploma online, deve indicar o endereço oficial direto do Diário da República Eletrónico, no formato de página de detalhe do diploma. Evite links de motores de busca, de PDF alojados em sites de terceiros ou de compilações não oficiais: só o DRE garante a persistência do acesso e a autenticidade do texto. Esta regra tem uma vantagem prática para o júri, que pode verificar a fonte num clique durante a leitura.

Fichas de arquivo em branco organizadas por cores numa secretária
Consistência acima de tudo: escolha uma variante e aplique-a a toda a tese.

Entidade emissora como autor institucional

Vários manuais académicos portugueses admitem uma variante em que a entidade emissora, como um ministério ou outro órgão, figura como autor institucional no início da referência. O exemplo apresentado pela Universidade de Aveiro é este:

Ministério da Educação. (2018). Decreto-Lei n.º 55/2018, de 6 de julho. Diário da República: 1.ª série, n.º 129.

Seguido, uma vez mais, do URL direto no DRE. Esta forma tem implicações na citação no texto: se o ministério é o autor, a citação parentética passa a ser «(Ministério da Educação, 2018)» e a entrada é ordenada alfabeticamente pela letra M na lista de referências. Alguns guias preferem manter o diploma como elemento inicial e indicar a entidade entre parênteses retos junto ao diploma. Escolha uma das variantes e não as misture.

Dica de consistência: se a sua tese cita muitos diplomas de diferentes ministérios, a variante com autor institucional espalha a legislação pela lista alfabética. Se preferir que a legislação apareça agrupada, confirme se o guia da sua biblioteca permite uma secção autónoma de legislação, prática aceite em várias instituições.

Casos particulares: artigos, alterações e vários diplomas

Citar um artigo específico

Quando a sua argumentação depende de um artigo concreto, indique-o na citação no texto, a seguir à identificação do diploma, à semelhança do que faria com a página numa citação direta. A entrada na lista de referências continua a ser a do diploma completo; não crie uma referência por cada artigo.

Diplomas alterados ou republicados

Se um diploma foi alterado, cite a versão que efetivamente consultou. Quando trabalha com a versão consolidada disponível no DRE, torne isso claro no texto, por exemplo indicando «na redação atual». Num estudo histórico ou comparativo, pode ser necessário citar a versão original e o diploma que a alterou como entradas separadas, cada uma com o seu ano.

Legislação como objeto teórico

Em teses de Direito ou de Ciência Política, a legislação não é só contexto: é material de análise. Nesses casos, o rigor formal acompanha um rigor conceptual, como mostramos no guia sobre a Teoria Pura do Direito de Kelsen como marco teórico. E se cruzar legislação portuguesa com doutrina estrangeira, consulte as orientações sobre citações em inglês numa tese em português.

Erros comuns e lista de verificação

Antes de submeter o capítulo, percorra esta lista. Ela resume o essencial de como citar legislação portuguesa em APA segundo os guias institucionais:

  1. O diploma é identificado no texto pelo tipo, número e ano, e não por um nome informal.
  2. Cada diploma citado no texto tem uma entrada correspondente na lista de referências, e vice-versa.
  3. O Diário da República está em itálico; o número do diploma e o sumário não estão.
  4. Série e número do Diário da República estão corretos e conferidos no DRE.
  5. O URL aponta diretamente para a página do diploma no DRE, não para uma pesquisa nem para um site de terceiros.
  6. Usou apenas uma variante (com ou sem entidade emissora) ao longo de toda a tese.
  7. Confirmou as regras específicas no guia dos Serviços de Documentação da sua instituição.

Os erros que mais pesam numa defesa não são de vírgulas, mas de inconsistência: três formatos diferentes para a mesma tipologia de fonte sinalizam ao júri uma revisão apressada. Uniformizar é mais importante do que escolher a variante «perfeita».

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Perguntas frequentes

A APA 7.ª edição tem regras oficiais para citar legislação portuguesa?

Não. O capítulo jurídico do manual da APA baseia-se no sistema norte-americano do Bluebook. As regras usadas em Portugal são adaptações consensuais criadas pelas bibliotecas universitárias, por isso deve seguir o guia da sua instituição.

Como cito um decreto-lei no corpo do texto?

Indique o tipo, o número e o ano do diploma. Na forma narrativa: «O Decreto-Lei n.º 55/2018 (2018) estabelece…». Na forma parentética: «(… conforme estipulado no Decreto-Lei n.º 55/2018)».

O que deve ficar em itálico na referência de legislação?

O nome do jornal oficial, o Diário da República, deve ficar em itálico, tal como a APA exige para títulos de publicações periódicas. O número do diploma e o sumário mantêm-se em texto normal.

Devo indicar o ministério como autor da referência?

É uma opção aceite por vários guias académicos, por exemplo «Ministério da Educação. (2018). Decreto-Lei n.º 55/2018, de 6 de julho.». Se o fizer, a citação no texto passa a usar o ministério como autor. O importante é aplicar a mesma variante em toda a tese.

É obrigatório incluir o link do Diário da República Eletrónico?

Sim, sempre que consultou o diploma online. Deve indicar o endereço oficial direto do diploma no DRE, que garante a persistência do acesso e a autenticidade da fonte, em vez de links de terceiros.

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