Citações em Inglês numa Tese em Português: Traduzir, Manter ou os Dois? (2026)
A regra dominante em Portugal: traduza a citação para português no corpo do texto, acrescente «tradução nossa» e coloque o original em nota de rodapé. É a solução que preserva a legibilidade e a verificabilidade ao mesmo tempo. Manter o original no corpo é aceitável em Linguística, Literatura e Direito, onde a forma exata do enunciado é o próprio objeto de análise.
Nenhuma norma de citação resolve isto por si. A APA, a NP 405 e a ABNT dizem-lhe como formatar a referência, não em que língua deve aparecer o excerto. A decisão é da faculdade, do orientador e, na ausência dos dois, sua — e tem de ser tomada uma vez e aplicada em todas as páginas.

As quatro soluções possíveis
| Solução | Quando usar | Custo |
|---|---|---|
| Traduzir no corpo, original em nota | Ciências sociais, saúde, gestão, educação — a opção por defeito | Notas de rodapé numerosas |
| Manter o original no corpo, tradução em nota | Linguística, Literatura, Direito comparado | Interrompe a leitura de quem não domina a língua |
| Manter apenas o original | Só se a faculdade o admitir e a língua for o inglês | Exclui o leitor não anglófono; arriscado |
| Traduzir e não apresentar o original | Citações curtas e não controversas | Impede a verificação; evite em passagens decisivas |
Se o orientador não tiver preferência, escolha a primeira linha. É a mais defensável perante um júri português: o leitor lê em português, e quem quiser confirmar a fidelidade da tradução encontra o original ao pé da página.
Como se escreve «tradução nossa»
A marcação vai imediatamente a seguir à citação, dentro dos parênteses da referência ou logo após eles:
«A confiança organizacional desenvolve-se por acumulação de episódios verificáveis, e não por declaração» (Mayer & Davis, 1999, p. 128, tradução nossa).
Três notas de execução. Primeira: em português europeu escreve-se tradução nossa, no plural de modéstia, mesmo quando a tese tem um só autor; a alternativa «tradução do autor» também se aceita, desde que constante. Segunda: a marcação faz-se em todas as citações traduzidas, não apenas na primeira — a menos que declare uma vez, em nota inicial ou na introdução, que todas as traduções são da sua responsabilidade, o que é uma solução legítima e mais limpa em teses com dezenas de citações. Terceira: se usar uma tradução publicada por outra pessoa, não escreve «tradução nossa»; cita a edição traduzida como fonte, com o seu próprio ano e tradutor.
Onde vai o original
Em nota de rodapé, entre aspas, sem itálico, com a indicação da língua se não for evidente. O texto principal fica limpo e o leitor cético tem tudo o que precisa. Numa citação em bloco — quarenta ou mais palavras, em APA, ou mais de três linhas, em ABNT — a lógica mantém-se: bloco em português, nota de rodapé com o original.
Não faça a solução híbrida que aparece em muitas teses: original e tradução ambos no corpo, um a seguir ao outro. Duplica a extensão do capítulo, quebra o ritmo de leitura e não acrescenta nada que a nota de rodapé não resolva. As regras de formatação das citações longas, incluindo recuo e espaçamento, estão em como fazer citações diretas e indiretas com exemplos.
Termos técnicos sem equivalente em português
É uma decisão diferente da anterior e resolve-se com uma regra simples: na primeira ocorrência, apresente o termo original em itálico com a tradução ou explicação entre parênteses; depois use consistentemente um dos dois.
Por exemplo: «o estudo mede o engagement no trabalho (envolvimento afetivo e cognitivo com a atividade profissional), avaliado pela UWES». Depois disto, escolha: ou engagement em itálico durante toda a tese, ou «envolvimento no trabalho» em redondo. Alternar entre os dois obriga o leitor a verificar de cada vez se se trata do mesmo construto — e num capítulo de resultados, onde o termo aparece em cada tabela, isso é grave.
Alguns termos já entraram no português académico e dispensam itálico e tradução: software, online, stress, design, burnout, feedback. Outros continuam a exigir marcação: mindfulness, coping, gap, framework, survey. A fronteira é movediça; na dúvida, marque na primeira ocorrência — é o erro menos custoso.
Quando é que traduzir é mesmo má ideia
Há três situações em que o original tem de ficar no corpo do texto:
- O enunciado é o objeto. Numa análise do discurso, numa tese de Linguística ou num estudo sobre a formulação de uma norma, traduzir destrói exatamente o que está a analisar.
- Itens de instrumento. Se apresenta os itens de uma escala, apresente a versão que aplicou. Se aplicou a versão portuguesa, é essa que vai na tese; se aplicou a inglesa, é a inglesa. Não traduza itens só para uniformizar o texto — isso descreve um instrumento que não usou. As implicações de aplicar ou adaptar um instrumento de outro autor estão em posso usar na tese uma escala ou questionário de outro autor.
- Terminologia jurídica e institucional. Traduzir o nome de uma figura jurídica estrangeira produz um falso amigo. Mantenha o original e explique o conteúdo, em vez de procurar equivalente nacional.
Meia biblioteca em inglês e a tese para escrever em português
O Tesify escreve consigo cada capítulo em português a partir das fontes que já leu, mantendo a terminologia coerente e as citações identificadas — sem lhe atribuir frases que ninguém escreveu.
Posso traduzir com uma ferramenta automática?
Pode usá-la como primeira versão, nunca como versão final, e por três razões concretas.
A primeira é técnica: a tradução automática é boa em prosa corrente e fraca em terminologia de especialidade, onde escolhe o sentido comum em vez do sentido técnico. Significant torna-se «significativo» num contexto onde queria dizer «estatisticamente significativo»; evidence torna-se «evidência» quando o português académico diria «prova» ou «dados».
A segunda é de responsabilidade: a citação sai com o seu nome, e é sua a responsabilidade pela fidelidade. Se a tradução automática atenuou ou reforçou uma afirmação do autor original, o erro é seu.
A terceira é regulamentar: várias faculdades portuguesas passaram a exigir declaração de utilização de ferramentas de inteligência artificial, incluindo tradução. Se usou, declare — o formato aceite está em como redigir a declaração de uso de IA na tese. Declarar não penaliza; omitir e ser detetado, sim.
Citações noutras línguas que não o inglês
A lógica é a mesma, com um ajuste de expectativa. Uma citação em espanhol pode manter-se no original sem grande custo de legibilidade para um leitor português; uma citação em alemão, russo ou japonês não pode. Quanto mais distante a língua do leitor previsível, mais forte é o argumento para traduzir no corpo.
Para línguas com alfabeto não latino, acrescente transliteração da referência conforme a norma da sua área, e mantenha o original na nota. Se não domina a língua e trabalhou a partir de uma tradução, cite a tradução que leu — nunca o original que não leu. Fingir acesso ao original é uma das formas mais fáceis de perder credibilidade numa arguição.
A lista de verificação antes de entregar
- Escolheu uma solução e aplicou-a a todas as citações? Procure aspas seguidas de palavras em inglês no corpo do texto e confirme.
- Todas as traduções suas estão marcadas — ou existe uma declaração única na introdução que as cobre?
- Os termos técnicos estrangeiros estão em itálico e traduzidos na primeira ocorrência, e depois usados de forma constante?
- As referências das obras estrangeiras seguem a norma da sua faculdade, com o título no original e sem tradução do título?
- Se citou uma edição traduzida, indicou o tradutor e o ano dessa edição, e não escreveu «tradução nossa»?
- Se a tese leva resumo em inglês, verificou que a terminologia usada aí coincide com a que escolheu no corpo? As convenções do resumo em inglês estão em como redigir o abstract estruturado em inglês.
Perguntas frequentes
Tenho de traduzir as citações em inglês na tese?
Nenhuma norma o impõe, mas é a prática dominante nas faculdades portuguesas fora das áreas linguísticas e jurídicas. A solução mais defensável é traduzir no corpo do texto, marcar com «tradução nossa» e colocar o original em nota de rodapé. Confirme a preferência do orientador antes de fixar a opção.
Como se escreve a marcação de tradução própria?
Acrescenta-se «tradução nossa» dentro dos parênteses da referência, a seguir à página: (Autor, ano, p. 128, tradução nossa). Em alternativa, pode declarar uma vez na introdução que todas as traduções são da sua responsabilidade, dispensando a marcação individual. Escolha uma das duas e mantenha-a.
O título das obras estrangeiras traduz-se na bibliografia?
Não. O título vai exatamente como foi publicado, na língua original. Algumas normas admitem acrescentar a tradução entre parênteses retos para línguas de alfabeto não latino, mas o título original nunca é substituído. Traduzir títulos torna a referência impossível de localizar.
Posso deixar termos em inglês sem traduzir?
Pode, se o termo não tiver equivalente estabelecido em português académico. Apresente-o em itálico na primeira ocorrência, com explicação entre parênteses, e depois use sempre a mesma forma. O que não é defensável é alternar entre o termo inglês e uma tradução ao longo da tese.
E se a citação vier de uma tradução publicada?
Cite a edição traduzida como fonte, com o ano dessa edição e o nome do tradutor na referência, e não escreva «tradução nossa». Se quiser assinalar a distância ao original, pode indicar o ano da publicação original entre parênteses, conforme a norma que segue.
Quantas notas de rodapé é razoável ter?
Se a revisão de literatura tiver quarenta citações diretas traduzidas, terá quarenta notas, e isso é normal e legível. Se o volume começar a dominar as páginas, reduza o número de citações diretas e passe a parafrasear mais — uma revisão de literatura maioritariamente parafraseada é, em geral, melhor do que uma feita de excertos.
Posso citar em inglês numa tese em português sem traduzir nada?
Só se o regulamento ou o orientador o admitirem, e é mais frequente em doutoramentos e em áreas onde toda a literatura é anglófona. Mesmo aí, uma passagem decisiva para o argumento ganha em ser traduzida. O critério prático é perguntar se o leitor consegue avaliar o seu argumento sem dominar inglês.
O uso de tradutor automático conta como plágio?
Traduzir uma citação que identifica como citação não é plágio, seja qual for a ferramenta. Traduzir um parágrafo de outro autor e apresentá-lo como seu, sem aspas nem referência, é plágio — a tradução não converte texto alheio em texto próprio. A fronteira é a atribuição, não o idioma.
Em resumo
Decida uma vez: tradução no corpo, «tradução nossa», original em rodapé — salvo se a sua área fizer do enunciado o objeto de estudo. Marque os termos técnicos na primeira ocorrência e não volte a alternar. E se recorreu a tradução automática, trate-a como rascunho e declare a utilização. É meia hora de decisões que evita uma revisão inteira feita à pressa na última semana.
Escreve a tua tese ou TCC com IA
Editor inteligente, bibliografia automática (APA e ABNT) e verificação antiplágio num só sítio. Mais de 9.000 estudantes já escrevem em metade do tempo.
