Como Fazer a Chamada de Tabelas, Quadros e Figuras no Texto do TCC (ABNT 2026)

Como Fazer a Chamada de Tabelas, Quadros e Figuras no Texto do TCC (ABNT 2026)

Toda tabela, quadro, gráfico ou figura precisa ser mencionada no corpo do texto antes de aparecer, pelo nome e pelo número — «a Tabela 3 apresenta…», nunca «a tabela abaixo» nem «conforme o gráfico ao lado». Essa menção chama-se chamada no texto, é exigida pela ABNT e é uma das primeiras coisas que a banca confere folheando o capítulo de resultados.

O erro é quase universal e sobrevive a três revisões porque não é um erro de formatação: a tabela está bonita, numerada, com fonte e legenda no lugar certo. O problema está na frase que deveria apontar para ela e não aponta — ou aponta por posição, que muda assim que o texto for repaginado.

Estudante brasileiro a rever o capítulo de resultados do TCC com tabelas impressas sobre a mesa

O que é a chamada no texto

Chamada no texto é a menção explícita a uma ilustração ou tabela dentro de um parágrafo, feita pelo nome do elemento seguido do seu número. Ela cumpre três funções ao mesmo tempo:

  • Justifica a presença do elemento. Uma tabela que o texto nunca menciona não tem função no trabalho — e a banca vai perguntar por que ela está ali.
  • Diz ao leitor o que olhar. Uma tabela com nove colunas não se lê sozinha; a chamada indica qual é o achado relevante naquele ponto do argumento.
  • Torna a referência estável. «Tabela 3» continua correto depois de você inserir uma página nova; «a tabela abaixo» pode virar mentira na versão final impressa.

As três formas de fazer a chamada

Todas são aceitas. O que muda é onde fica o foco da frase.

Forma Exemplo Quando usar
Integrada (o elemento é sujeito) A Tabela 3 apresenta a distribuição dos respondentes por faixa etária. Quando o elemento é o assunto do parágrafo
Entre parênteses A maioria dos respondentes tinha entre 25 e 34 anos (Tabela 3). Quando o achado é o assunto e a tabela apenas comprova
Com verbo de remissão Os percentuais completos podem ser consultados na Tabela 3. Quando o detalhe é secundário e você não quer interromper o argumento

Alterne entre as três ao longo do capítulo. Um capítulo de resultados inteiro escrito como «A Tabela 1 apresenta… A Tabela 2 apresenta… A Tabela 3 apresenta…» tem chamadas corretas e leitura insuportável — e, pior, esconde o argumento atrás do inventário.

A regra que resolve quase tudo: nunca por posição

Elimine do trabalho inteiro estas construções:

  • «a tabela abaixo», «o gráfico acima», «a figura ao lado», «o quadro a seguir»
  • «como se vê na próxima página», «conforme a ilustração anterior»
  • «na tabela seguinte» quando existem duas tabelas em sequência

Todas dependem do lugar em que o elemento caiu na diagramação, e o lugar muda. Basta a banca pedir uma correção que acrescente meio parágrafo para que a «tabela abaixo» passe para a página seguinte. Substitua sempre pelo número: a Tabela 4, a Figura 2, o Quadro 1.

Maiúscula, abreviação e numeração

Questão Regra ABNT
Maiúscula na chamada? Sim. «Tabela 3», «Figura 5», «Quadro 2» — é nome próprio do elemento
Pode abreviar («Tab. 3», «Fig. 5»)? Não no corpo do texto do TCC. Abreviações só onde a norma da revista exigir
Numeração Sequencial e independente por tipo: tabelas de 1 a n, figuras de 1 a n, quadros de 1 a n
Numeração por capítulo (3.1, 3.2)? Aceita em trabalhos longos, se for consistente do início ao fim
Algarismos Arábicos, sempre. «Tabela 4», nunca «Tabela IV»
Apêndices e anexos Letras maiúsculas: «Apêndice A», «Anexo B»

Se a numeração e as legendas ainda não estiverem fechadas, resolva isso primeiro: o passo a passo das legendas e da lista de ilustrações está em como fazer a lista de figuras e quadros, e as regras de fonte, espaçamento e posição da legenda estão em formatação ABNT de margens, espaçamento e fontes.

A chamada vem antes do elemento. Sempre

A ordem é: parágrafo que menciona → elemento → parágrafo que interpreta. O leitor precisa saber o que vai ver antes de ver. Na prática, isso significa que o elemento deve aparecer na mesma página da chamada ou na imediatamente seguinte — nunca três páginas depois e nunca antes de ser mencionado.

Quando a tabela não cabe na página onde foi chamada, você tem duas saídas legítimas: reduzi-la a um recorte com as linhas relevantes e mandar a versão completa para apêndice, ou reorganizar o parágrafo para que a chamada caia mais perto. Empurrar todas as tabelas para o fim do capítulo e deixar o texto sem elas é a terceira saída, e é a única que a banca costuma reprovar.

Página de TCC com um parágrafo ligado por uma seta fina à tabela numerada logo abaixo

A frase depois da tabela: interprete, não repita

A chamada apresenta; o parágrafo seguinte precisa fazer alguma coisa com o número. O erro clássico é transcrever a tabela em prosa:

Conforme a Tabela 2, 42% dos respondentes eram do sexo feminino, 38% do sexo masculino e 20% não informaram.

Isso não acrescenta nada: o leitor acabou de ver os três números. A versão que trabalha:

A Tabela 2 mostra uma amostra equilibrada quanto ao sexo, com uma proporção atípica de não respondentes (20%) nesse item — o que pode indicar resistência à pergunta e será retomado na discussão das limitações.

A regra prática: cite no texto no máximo dois ou três valores da tabela, os que sustentam o argumento, e deixe o resto para quem quiser conferir. Como escrever esses valores — casas decimais, vírgula ou ponto, símbolo de percentual — está resolvido em como escrever os números e os resultados estatísticos.

Doze tabelas prontas e o capítulo de resultados ainda em branco.

O Tesify escreve o texto que liga cada tabela ao seu argumento: a chamada, a interpretação e a ligação com a pergunta de pesquisa — com a numeração certa e sem repetir em prosa o que já está no quadro.

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Quadro, tabela ou figura: a chamada muda com o nome

Na ABNT, a distinção não é decorativa e determina qual palavra você escreve na chamada. Tabela apresenta dados numéricos tratados estatisticamente e tem laterais abertas, sem linhas verticais fechando as bordas. Quadro apresenta informação predominantemente textual ou esquemática e é fechado por todos os lados. Figura é tudo o mais que é ilustração: gráficos, fotografias, mapas, fluxogramas, organogramas, esquemas.

Isso significa que um gráfico de barras é chamado no texto como Figura, não como «gráfico» nem como «tabela» — e essa é uma das trocas que mais aparecem em folha de correções. Se você chamar «o Gráfico 2» mas a legenda disser «Figura 2», a chamada está quebrada mesmo com os dois elementos corretos isoladamente.

Seções, apêndices, anexos e equações

A mesma lógica vale para tudo o que é numerado no trabalho:

  • Seções: «conforme discutido na seção 2.3», não «como vimos antes». Em trabalhos curtos, «no capítulo anterior» é tolerável uma vez; três vezes vira preguiça.
  • Apêndices (produzidos por você): «o roteiro completo consta do Apêndice A».
  • Anexos (produzidos por terceiros): «o parecer do comitê de ética está no Anexo B».
  • Equações: chamadas pelo número entre parênteses — «substituindo os valores em (3)» ou «conforme a Equação 3», conforme o padrão adotado no trabalho.

Todos precisam ser chamados pelo menos uma vez. Um apêndice que nenhum parágrafo menciona é material solto, e a banca lê material solto como um anexo colocado ali para engrossar o volume.

Fonte da tabela: onde entra a citação

A chamada não substitui a indicação de fonte, e a fonte não substitui a chamada. São coisas diferentes em lugares diferentes: a chamada fica no corpo do texto; a fonte fica logo abaixo do elemento, em corpo menor. Se a tabela é sua, escreva «Fonte: elaborado pelo autor (2026)»; se foi retirada ou adaptada, a indicação segue o sistema autor-data e entra também nas referências, como detalhado em citação direta e indireta na ABNT.

Erros mais frequentes na folha de correções

  1. Elemento sem nenhuma chamada. Frequente com tabelas geradas no software e coladas «porque ficaram prontas». Se nenhum parágrafo precisa dela, tire-a ou mande-a para apêndice.
  2. Chamada por posição. «A tabela abaixo», o campeão absoluto.
  3. Número trocado. O texto diz Tabela 4, a legenda diz Tabela 5. Acontece sempre que você insere um elemento novo no meio do capítulo sem renumerar.
  4. Nome do tipo errado. Chamar de «Gráfico» o que a legenda registra como «Figura», ou de «Tabela» o que é «Quadro».
  5. Minúscula na chamada. «conforme a tabela 3» em vez de «conforme a Tabela 3».
  6. Chamada depois do elemento. A tabela aparece e só duas páginas adiante o texto explica o que era.
  7. Repetir a tabela em prosa. Parágrafo que recita todos os valores, linha a linha.

Uma revisão final resolve os sete de uma vez: use a busca do editor por «Tabela», «Quadro» e «Figura», anote cada número encontrado no texto e confronte com a lista de ilustrações. Se algum número da lista não aparecer na busca, aquele elemento não foi chamado. Se estiver montando as tabelas a partir da planilha, o caminho completo está em análise estatística do TCC no Excel.

Perguntas frequentes

Toda tabela precisa ser citada no texto do TCC?

Sim. Toda tabela, quadro e figura precisa de pelo menos uma chamada no corpo do texto, feita pelo nome e pelo número, antes de o elemento aparecer. Um elemento que nenhum parágrafo menciona não tem função no trabalho e costuma ser apontado pela banca.

Posso escrever «a tabela abaixo»?

Não. A chamada por posição quebra assim que o texto é repaginado — e ele será, a cada correção. Escreva sempre o número: «a Tabela 3», «a Figura 2», «o Quadro 1».

«Tabela» na chamada leva maiúscula?

Sim, quando acompanhada do número: «conforme a Tabela 3». Em uso genérico, sem número, fica em minúscula: «as tabelas deste capítulo apresentam dados de 2025».

Um gráfico de barras é chamado de gráfico ou de figura?

De figura. Na ABNT, gráficos, fotografias, mapas, fluxogramas e esquemas são todos ilustrações e recebem a designação «Figura». A chamada no texto tem de usar exatamente a mesma palavra que consta da legenda do elemento.

A chamada vem antes ou depois da tabela?

Antes, e o elemento deve aparecer na mesma página ou na imediatamente seguinte. A sequência correta é: parágrafo que chama, elemento, parágrafo que interpreta.

Posso chamar a mesma tabela mais de uma vez?

Pode, e às vezes deve — é comum retomar na discussão uma tabela apresentada nos resultados. Use o mesmo número e não repita a legenda nem o elemento; basta a menção, no formato «como mostrado na Tabela 3».

Como faço a chamada de um apêndice?

Pela letra: «o roteiro de entrevista completo consta do Apêndice A». Apêndice é material que você produziu; anexo é material de terceiros, como o parecer do comitê de ética. Ambos precisam ser chamados ao menos uma vez no texto.

A fonte da tabela substitui a chamada no texto?

Não. São elementos independentes: a chamada fica no corpo do parágrafo e indica ao leitor quando olhar; a fonte fica abaixo do elemento, em corpo menor, e indica de onde vieram os dados. Um trabalho pode estar com todas as fontes corretas e ainda assim sem nenhuma chamada.

Em resumo

Chame pelo nome e pelo número, antes do elemento, e nunca pela posição na página. Depois da tabela, interprete dois ou três valores em vez de recitar todos. Antes de entregar, faça uma busca por «Tabela», «Quadro» e «Figura» e confronte cada ocorrência com a lista de ilustrações: os elementos que não aparecerem na busca são exatamente os que a banca vai encontrar.

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