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Quantos Adultos Estudam em Portugal? Os Dados Disponíveis em 2026 (e Porque São de 2022)

Quantos Adultos Estudam em Portugal? Os Dados Disponíveis em 2026 (e Porque São de 2022)

44,2 % da população residente em Portugal dos 25 aos 64 anos participou, nos últimos 12 meses, em pelo menos uma atividade de educação formal e/ou não formal. É o número nacional de referência — e é de 2022, pela razão que este artigo explica logo a seguir.

Resultado-chave: Portugal registou 44,2 % contra uma média da UE-27 de 46,6 %, ficando em 18.º lugar entre os 27 Estados-membros. A meta europeia é de pelo menos 47 % até 2025 e 60 % até 2030. Fonte: Inquérito à Educação e Formação de Adultos (IEFA) 2022, INE, divulgação de 22 de março de 2024.

Porque é que o número mais recente é de 2022

Relatorio estatistico impresso com tabelas comparativas e um lapis sobre a pagina
Não há número mais recente porque o inquérito não é anual — é isso que muita gente desconhece.

O Inquérito à Educação e Formação de Adultos (IEFA) não é anual. As suas edições realizaram-se em 2007, 2011, 2016 e 2022 — um ciclo de aproximadamente cinco anos. Os resultados de 2022 no contexto da União Europeia foram divulgados pelo INE a 22 de março de 2024, em complemento a um destaque anterior de 17 de outubro de 2023.

Isto significa que, em 2026, não existe um valor nacional mais recente para este indicador. Quem publicar «X % dos adultos portugueses estudam, dados de 2026» está ou a citar outro indicador, ou a inventar. Não é uma lacuna dos dados: é a cadência do instrumento.

Implicação para quem escreve uma tese ou um relatório: um número de 2022 não é «desatualizado» se for o valor mais recente do instrumento. O que é defeituoso é apresentá-lo sem a data, ou substituí-lo por uma estimativa de fonte incerta só porque parece mais atual. Escreva sempre «IEFA 2022» a seguir ao valor.

O erro que faz o mesmo indicador valer 44 % ou 14 %

Há duas medidas oficiais da participação de adultos em educação e formação, ambas para a faixa dos 25 aos 64 anos, e ambas legítimas. A diferença está no período de referência:

Instrumento Pergunta que faz Ordem de grandeza
IEFA — Inquérito à Educação e Formação de Adultos Participou em alguma atividade de educação formal ou não formal nos últimos 12 meses? Dezenas de por cento — 44,2 % em 2022
Indicador de aprendizagem ao longo da vida do Inquérito ao Emprego Participou em alguma atividade nas últimas semanas? Poucas dezenas de por cento — valores muito inferiores

São duas fotografias da mesma realidade com tempos de exposição diferentes. Um mede quantas pessoas fizeram alguma coisa ao longo de um ano; o outro mede quantas estavam a fazer alguma coisa naquela semana. Confrontar um contra o outro produz uma contradição que não existe — e é o erro mais comum em textos sobre formação de adultos.

A meta europeia de 47 % até 2025 e 60 % até 2030 refere-se à medida de 12 meses. Comparar essa meta com um valor de período curto é comparar coisas diferentes.

Quem participa — e quem fica de fora

É aqui que os dados do IEFA 2022 se tornam realmente informativos, porque as diferenças internas são muito maiores do que a diferença de Portugal para a média europeia.

Grupo Taxa de participação (Portugal, 2022)
Com ensino superior 68,3 %
Com, no máximo, o 3.º ciclo do ensino básico 27,3 %
População empregada 50,6 %
População desempregada 29,2 %
População inativa 17,8 %
Homens 45,5 %
Mulheres 43,0 %

Duas leituras que valem mais do que a média nacional:

1. A formação vai para quem já tem formação. Quem tem ensino superior participa a uma taxa mais do dobro da de quem tem no máximo o 3.º ciclo — 68,3 % contra 27,3 %. O padrão repete-se em todos os países da UE-27, mas isso não o torna menos relevante: as pessoas que mais precisariam de subir de nível de qualificação são precisamente as que menos frequentam formação. É esse o problema que as vias descritas no comparativo das vias de certificação de adultos existem para atacar.

2. Portugal é uma das seis exceções de género da UE. Ao contrário da maioria dos países, em Portugal a participação dos homens (45,5 %) foi superior à das mulheres (43,0 %). Portugal está entre os seis Estados-membros nessa situação, com Itália, Chipre, Chéquia, Eslováquia e Hungria. A diferença é pequena — 2,5 pontos —, mas a direção contraria o padrão europeu e é um facto pouco citado.

Que tipo de formação é esta, afinal

Trabalhadores a receber formacao junto a equipamento numa unidade industrial
A maior parte da formação de adultos não é escolar — é não formal e paga pelo empregador.

Em todos os 27 países da UE, a maioria das atividades desenvolvidas em 2022 pela população dos 25 aos 64 anos correspondia a educação não formal — formação que não confere grau nem se insere no sistema regular de ensino.

  • Em Portugal, 41,9 % da população dos 25 aos 64 anos realizou atividades de educação não formal nos últimos 12 meses (UE-27: 44,0 %).
  • Dessas, 38,5 % estavam relacionadas com o trabalho (UE-27: 38,1 %) — praticamente igual à média europeia.
  • A maioria da formação não formal relacionada com o trabalho foi financiada pela entidade empregadora, com Portugal em 34,1 %, ligeiramente acima da média da UE-27 (33,7 %).

Comparando 44,2 % com 41,9 %, percebe-se a estrutura: quase toda a participação de adultos em Portugal é não formal. A componente formal — inscrição num curso que confere grau ou certificação escolar — é a fatia menor. Isto contextualiza os números do ensino superior: mesmo com um máximo histórico de inscritos, como mostram os dados do ensino politécnico e superior, a educação formal é apenas uma parte pequena do que os adultos efetivamente fazem.

O que o sistema de qualificações publica sobre si próprio

Além do inquérito, o próprio sistema divulga contadores agregados. Na sua página institucional, a agência então responsável pela qualificação e ensino profissional apresentava mais de 1,4 milhões de inscrições no Programa Qualifica, 371 qualificações no Catálogo Nacional de Qualificações, 309 Centros Qualifica e 40 % dos jovens em cursos de dupla certificação.

Use estes valores com uma ressalva explícita. São contadores institucionais sem data de referência publicada, e a agência que os divulgava — a ANQEP, I. P. — foi extinta por fusão pelo Decreto-Lei n.º 104/2025, de 11 de setembro, com efeitos a 1 de julho de 2026, tendo as atribuições transitado para a DGERT, o IEFP, I. P. e o EduQA, I. P. Para trabalho académico, cite-os como contadores institucionais e não como estatística oficial datada — ou, melhor, procure o valor equivalente numa publicação do organismo sucessor.

Como citar estes dados sem errar

  1. Nomeie o instrumento e o ano, sempre: «IEFA 2022 (INE)». Sem isso, o número não é verificável nem comparável.
  2. Não misture períodos de referência. Um valor de 12 meses e um valor de período curto medem coisas diferentes; a diferença entre eles não é uma quebra nem uma discrepância.
  3. Compare Portugal com a UE-27 usando os dois valores da mesma publicação — 44,2 % e 46,6 % —, não um valor nacional de um ano contra uma média europeia de outro.
  4. Distinga metas de dados. Os 47 % para 2025 e os 60 % para 2030 são objetivos de política pública, não medições. Escrevê-los sem essa distinção sugere um valor observado que não existe.
  5. Prefira os cortes internos à média. Os 68,3 % contra 27,3 % por nível de escolaridade dizem muito mais sobre o problema português do que os 2,4 pontos que separam Portugal da média europeia.

Para localizar as publicações originais e perceber que organismo responde hoje por cada matéria, o diretório de fontes oficiais indica onde procurar. E se o que precisa é de enquadrar os níveis referidos nestas estatísticas, a escala está no guia dos oito níveis do QNQ.

Perguntas frequentes

Qual é a taxa de participação de adultos em educação e formação em Portugal?

44,2 % da população residente dos 25 aos 64 anos participou, nos últimos 12 meses, em pelo menos uma atividade de educação formal e/ou não formal, segundo o Inquérito à Educação e Formação de Adultos de 2022, divulgado pelo INE em março de 2024. A média da UE-27 foi de 46,6 %, o que coloca Portugal em 18.º lugar entre os 27 Estados-membros.

Porque não há dados de 2026?

Porque o IEFA não é um inquérito anual. As suas edições realizaram-se em 2007, 2011, 2016 e 2022, num ciclo de cerca de cinco anos. Não existe, portanto, um valor nacional mais recente para este indicador — e qualquer percentagem apresentada como «dados de 2026» para esta métrica corresponde a outro instrumento ou não tem fonte oficial.

Porque é que uns sites dizem 44 % e outros dizem valores muito mais baixos?

Porque são indicadores diferentes, com períodos de referência diferentes. O IEFA pergunta pela participação nos últimos 12 meses; o indicador de aprendizagem ao longo da vida do Inquérito ao Emprego pergunta pela participação num período recente muito curto. Ambos são oficiais e ambos estão certos — mas não são comparáveis entre si, e a meta europeia de 47 % até 2025 refere-se à medida de 12 meses.

Quem participa menos em formação?

A população inativa, com 17,8 %, seguida da desempregada, com 29,2 %, contra 50,6 % da população empregada. Por nível de escolaridade, o contraste é ainda maior: 27,3 % entre quem completou no máximo o 3.º ciclo do ensino básico, contra 68,3 % entre quem tem ensino superior. O padrão de a formação chegar sobretudo a quem já é qualificado verifica-se em todos os países da UE-27.

Quem paga a formação dos adultos?

Na formação não formal relacionada com o trabalho, a maioria das atividades foi financiada pela entidade empregadora — 34,1 % em Portugal, ligeiramente acima da média da UE-27, de 33,7 %. Como 41,9 % dos adultos portugueses realizaram atividades de educação não formal e 38,5 % dessas atividades estavam relacionadas com o trabalho, o empregador é o principal financiador da formação de adultos em Portugal.

Portugal vai atingir a meta europeia?

Não é possível responder com os dados disponíveis, e convém não o fingir. A meta é de pelo menos 47 % até 2025 e 60 % até 2030; a última medição nacional, de 2022, foi de 44,2 %. Como o inquérito é quinquenal, a próxima observação comparável só permitirá avaliar a trajetória quando for publicada. Qualquer afirmação sobre o cumprimento da meta em 2025 baseia-se, hoje, em estimativas e não em medição.

Fontes: Instituto Nacional de Estatística, «Inquérito à Educação e Formação de Adultos — Resultados no contexto da União Europeia, 2022», divulgação de 22 de março de 2024, em complemento ao destaque de 17 de outubro de 2023; metas do Quadro Estratégico do Espaço Europeu para a Educação e do Plano de Ação do Pilar Europeu dos Direitos Sociais; contadores institucionais publicados na página da ANQEP, I. P., sem data de referência associada. ⚠️ Todos os valores de participação referem-se à população dos 25 aos 64 anos e ao período de referência de 12 meses, salvo indicação em contrário. Este artigo não converte percentagens em números absolutos de pessoas, porque a publicação citada não os disponibiliza para todos os cortes apresentados.

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