RCAAP 2026: O Guia Completo dos +1 Milhão de Documentos

RCAAP 2026: O Guia Completo dos +1 Milhão de Documentos

O RCAAP — Repositórios Científicos de Acesso Aberto de Portugal atingiu em dezembro de 2024 um marco histórico: 1 milhão de documentos agregados ao longo de 16 anos de serviço ininterrupto. Para qualquer estudante de mestrado ou doutoramento em Portugal, saber navegar o RCAAP com eficiência é tão essencial quanto conhecer as normas NP 405 ou saber usar o b-on. Neste guia completo atualizado para 2026, encontra tudo o que precisa: como pesquisar com filtros avançados, quais os 20 repositórios com maior volume, como depositar a sua tese e como integrar o RCAAP com ferramentas como o Ciência Vitae e o OpenAIRE.

Se já tentou pesquisar teses em Portugal e ficou perdido entre repositórios institucionais isolados — o RepositoriUM da UMinho, o Repositório Aberto da UPorto, o Estudo Geral da UC — o RCAAP resolve exatamente esse problema: um ponto único de acesso a toda a produção científica portuguesa em acesso aberto, num único portal de pesquisa.

Resposta rápida: O RCAAP agrega mais de 1 milhão de documentos de 385+ repositórios e revistas portuguesas. Aceda em rcaap.pt, use os filtros por tipo de documento (teses, artigos), data e instituição. O depósito é obrigatório por lei desde 2013 para teses de doutoramento financiadas pela FCT.

O que é o RCAAP e quem o gere

O RCAAP (Repositórios Científicos de Acesso Aberto de Portugal) é o portal nacional de agregação da produção científica portuguesa em acesso aberto. Foi criado em 2008 pela FCT — Fundação para a Ciência e a Tecnologia, desenvolvido e operado pela FCCN (Unidade de Serviços Digitais da FCT) em colaboração com a Universidade do Minho.

O RCAAP não é um repositório institucional — é um agregador. Não substitui o RepositoriUM da UMinho nem o Repositório Aberto da UPorto: recolhe os metadados e textos completos desses repositórios através do protocolo OAI-PMH (Open Archives Initiative Protocol for Metadata Harvesting) e disponibiliza-os numa interface única de pesquisa.

Estrutura organizacional

  • Entidade financiadora: FCT — Fundação para a Ciência e a Tecnologia
  • Entidade operadora: FCCN (unidade de serviços digitais da FCT)
  • Parceiro técnico fundador: Universidade do Minho (Serviços de Documentação)
  • Âmbito: Abertura à participação de todas as instituições do sistema científico e de ensino superior português
  • Início de operação: 2008 (16 anos em 2024)

O portal agrega não apenas repositórios institucionais universitários, mas também revistas científicas, repositórios de dados de investigação e repositórios temáticos. O serviço de alojamento de repositórios institucionais (SARI) está aberto a candidaturas até 29 de maio de 2026, permitindo que instituições alojam os seus repositórios na infraestrutura FCT/FCCN.

O marco de 1 milhão de documentos (2024)

Em dezembro de 2024, o RCAAP ultrapassou o marco de 1 milhão de documentos agregados, conforme comunicado oficial da FCT. Este número representa artigos científicos, atas de conferências, teses e dissertações distribuídos pelos repositórios de instituições do ensino superior e científico português.

Dados-chave do RCAAP em 2026:

  • Mais de 1.000.000 documentos agregados
  • 385+ recursos (repositórios e revistas)
  • 16 anos de operação contínua
  • Integrado com OpenAIRE (infraestrutura europeia de acesso aberto)
  • Instrumento de depósito legal para teses desde 2013

Em 2025, o portal ultrapassou os 400 recursos nacionais, conforme anunciado no Blog RCAAP em julho de 2025, consolidando o papel da Ciência Aberta em Portugal. Este crescimento reflete tanto a adesão de novas instituições como o aumento do volume de produção científica depositada voluntariamente.

Como pesquisar no RCAAP: filtros e sintaxe avançada

O portal de pesquisa RCAAP disponível em rcaap.pt permite pesquisa simples e avançada. Para investigadores e estudantes que precisam de encontrar teses, dissertações ou artigos específicos, o domínio dos filtros avançados é fundamental.

Pesquisa básica

Na caixa de pesquisa principal, introduza palavras-chave. O motor de busca pesquisa em título, resumo, palavras-chave e autor. Utilize aspas para frases exatas: "metodologia qualitativa" devolve resultados onde essa expressão exata ocorre.

Filtros avançados disponíveis

Filtro Descrição Exemplo
Tipo de documento masterThesis, doctoralThesis, article, conferenceObject Filtrar apenas dissertações de mestrado
Repositório Filtrar por instituição de origem UMinho, UPorto, UC, ULisboa…
Data de publicação Intervalo de anos 2020–2026
Idioma Língua do documento pt, en, es
Acesso openAccess, embargoedAccess, restrictedAccess Apenas documentos em acesso aberto imediato
Área científica FOS (Fields of Science) ou áreas OCDE Ciências Sociais, Medicina, Engenharia

Sintaxe de pesquisa avançada (query syntax)

O RCAAP suporta operadores booleanos na pesquisa:

  • inteligência artificial AND educação — ambos os termos devem ocorrer
  • saúde mental OR bem-estar — pelo menos um dos termos
  • "ensino superior" NOT Brasil — exclui resultados com “Brasil”
  • titulo:"metodologia qualitativa" — pesquisa apenas no campo título
  • autor:"Silva, João" — pesquisa por autor específico

Endpoint OAI-PMH para programadores e investigadores

O RCAAP disponibiliza um endpoint OAI-PMH que permite recolha programática de metadados. O endpoint base é https://www.rcaap.pt/oai. Os investigadores que realizam análises bibliométricas ou revisões sistemáticas podem usar este endpoint para extrair grandes volumes de registos de forma automatizada, integrado com ferramentas como o Bibliometrix R (ver o nosso guia sobre bases de dados académicas em Portugal).

Top 20 repositórios por volume de documentos

O mapa mental de investigação no RCAAP começa por conhecer os repositórios de maior volume. A tabela seguinte lista os 20 principais repositórios portugueses aggregados pelo RCAAP, com ligação direta a cada um:

# Repositório Instituição URL Direto Destaque
1 RepositoriUM Universidade do Minho repositorium.uminho.pt 1.º repositório PT, maior volume, parceiro fundador RCAAP
2 Repositório Aberto Universidade do Porto repositorio-aberto.up.pt Integra Plataforma Primo (British Library padrão)
3 Repositório da ULisboa Universidade de Lisboa repositorio.ul.pt Maior universidade PT por n.º estudantes
4 Estudo Geral Universidade de Coimbra estudogeral.uc.pt UC mais antiga de Portugal (1290)
5 Repositório Científico do ISCTE ISCTE — IUL repositorio.iscte-iul.pt Forte em Ciências Sociais e Gestão
6 RIA — Repositório Institucional Universidade de Aveiro ria.ua.pt Destaque em Engenharia e TIC
7 Repositório da NOVA Universidade NOVA de Lisboa run.unl.pt Forte em Saúde (NMS), Direito, Economia
8 Repositório do IST Instituto Superior Técnico / ULisboa fenix.tecnico.ulisboa.pt Teses de Engenharia e Tecnologia
9 Repositório UMa Universidade da Madeira digituma.uma.pt Região autónoma; crescimento recente
10 Repositório UAb Universidade Aberta repositorioaberto.uab.pt E-learning; forte em Educação e Formação
11 Repositório FEUP Faculdade de Engenharia / UPorto via Repositório Aberto UP Engenharia Civil, Mecânica, Informática
12 Repositório IPCB Instituto Politécnico Castelo Branco repositorio.ipcb.pt Politécnico com maior auto-arquivo relativo
13 Repositório IPB Instituto Politécnico de Bragança bibliotecadigital.ipb.pt Forte em Agricultura e Alimentação
14 Repositório IPP Instituto Politécnico do Porto recipp.ipp.pt ISCAP; Tecnologia, Educação, Gestão
15 Repositório UBI Universidade da Beira Interior ubibliorum.ubi.pt Ciências da Saúde, Engenharia Têxtil
16 Repositório UTAD Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro repositorio.utad.pt Agricultura, Veterinária, Ambiente
17 Repositório IPS Instituto Politécnico de Setúbal via Comum RCAAP Usa o repositório comum RCAAP
18 Repositório IPL Instituto Politécnico de Leiria iconline.ipleiria.pt Turismo, Saúde, Media
19 Repositório UAlg Universidade do Algarve sapientia.ualg.pt Turismo, Ciências do Mar, Biotecnologia
20 Repositório UÉvora Universidade de Évora dspace.uevora.pt Ciências Agrárias, Arte, Humanidades

Políticas de auto-arquivo e depósito obrigatório

O depósito de documentos no RCAAP pode ser obrigatório ou voluntário, consoante o tipo de documento e o financiamento envolvido.

Depósito legal obrigatório (desde 2013)

Desde 2013, o RCAAP serve como instrumento de depósito legal de teses de doutoramento e dissertações de mestrado em Portugal. As instituições são obrigadas a depositar estas teses nos seus repositórios institucionais, que por sua vez as agregam no RCAAP. Esta obrigatoriedade aplica-se independentemente de a tese estar sob embargo de confidencialidade — os metadados ficam sempre disponíveis.

Política FCT de Acesso Aberto (desde maio de 2014)

A FCT exige que toda a produção científica resultante de investigação financiada pela FCT seja depositada em repositório de acesso aberto. Esta política abrange artigos em revistas científicas, capítulos de livros e comunicações em conferências. O prazo máximo de embargo permitido é de 12 meses para a maioria das áreas (6 meses para saúde e ciências da vida em alguns contratos).

Auto-arquivo voluntário

Além do depósito obrigatório, investigadores e estudantes podem depositar voluntariamente artigos, relatórios técnicos e outros documentos. A maioria dos repositórios institucionais aceita o auto-arquivo direto pelo autor, após verificação de políticas de copyright das revistas (consulte o SHERPA/RoMEO para verificar as políticas de cada editora).

Opções de embargo

Documentos com embargo (período em que o texto completo não está publicamente acessível) têm os metadados visíveis no RCAAP. O texto completo só fica disponível após o fim do período de embargo, que tipicamente é de 12 ou 24 meses para teses com dados sensíveis ou propriedade intelectual comercial.

RCAAP e o Plano Nacional de Ciência Aberta

O RCAAP é um dos pilares do Plano Nacional de Ciência Aberta (PNCA), aprovado pelo governo português. O PNCA estabelece metas ambiciosas para a disponibilidade em acesso aberto da produção científica nacional, alinhadas com as diretrizes da Comissão Europeia e do OpenAIRE.

As metas do PNCA para 2025-2030 incluem:

  • 100% dos artigos científicos financiados por fundos públicos em acesso aberto imediato
  • Adoção generalizada de licenças Creative Commons CC BY para publicações primárias
  • Gestão de dados de investigação em conformidade com os princípios FAIR
  • Integração de todos os repositórios institucionais portugueses no RCAAP e no OpenAIRE

Saiba mais sobre as bolsas FCT que financiam esta investigação no nosso artigo sobre FCT bolsas de doutoramento.

Integração com OpenAIRE e Ciência Vitae

OpenAIRE

O RCAAP está integrado com o OpenAIRE, a infraestrutura europeia de acesso aberto que agrega publicações científicas de toda a Europa financiadas pelo programa Horizon Europe. Publicações depositadas no RCAAP são automaticamente visíveis no OpenAIRE, aumentando a visibilidade internacional da investigação portuguesa.

Ciência Vitae

O Ciência Vitae — o currículo científico oficial português — integra-se com o RCAAP através de um importador automático. No wizard de importação do Ciência Vitae, a opção “RCAAP” permite aceder e importar produções científicas depositadas nos repositórios institucionais, incluindo teses e dissertações. Esta integração elimina a necessidade de introdução manual de publicações no CV científico.

Para saber como preencher corretamente o Ciência Vitae, incluindo esta integração com o RCAAP, consulte o nosso guia completo sobre Ciência Vitae 2026.

Integração com outros sistemas nacionais

  • RENATES: Registo nacional de teses e dissertações — o RCAAP alimenta o RENATES automaticamente
  • b-on: O RCAAP e o b-on são serviços complementares da FCCN; alguns conteúdos surgem em ambas as plataformas
  • SciELO Portugal: Revistas indexadas no SciELO Portugal são também agregadas no RCAAP
  • SCOPUS / Web of Science: Metadados do RCAAP alimentam parcialmente as grandes bases de dados internacionais

RCAAP vs b-on: quando usar cada plataforma

Uma dúvida frequente entre estudantes: quando devo usar o RCAAP e quando devo usar o b-on? As duas plataformas são complementares, não concorrentes.

Critério RCAAP b-on
Tipo de conteúdo Teses, dissertações, artigos portugueses em acesso aberto Revistas internacionais de editoras como Elsevier, Springer, Wiley
Acesso Gratuito para todos Requer credenciais institucionais (IES com acesso b-on)
Cobertura geográfica Portugal (+ integração OpenAIRE) Internacional
Melhor para Encontrar teses portuguesas, estado da arte nacional, revisão literatura PT Artigos internacionais recentes, revistas Q1/Q2 JCR
Língua predominante Português Inglês (maioritariamente)

A estratégia ótima para revisões de literatura de teses em Portugal combina as duas: use o RCAAP para mapear o que já foi feito em Portugal (estado da arte nacional) e o b-on para encontrar literatura internacional de referência. Saiba mais no nosso guia sobre como aceder ao b-on em 2026.

Como depositar a sua tese no RCAAP

O depósito da tese no RCAAP não é feito diretamente no portal rcaap.pt — é feito no repositório institucional da sua universidade, que depois agrega automaticamente ao RCAAP.

Processo geral de depósito

  1. Submeta o PDF/A da tese através do portal da sua universidade (SIGARRA para a UPorto, Fenix para o IST/ULisboa, Inforestudante para a UC/UMinho)
  2. O sistema universitário cria automaticamente o registo no repositório institucional
  3. O bibliotecário valida os metadados (autor, orientador, palavras-chave, área científica, DOI)
  4. Em 24-48 horas, o registo propaga para o RCAAP via OAI-PMH
  5. O RCAAP adiciona a entrada ao RENATES (registo nacional de teses)

Metadados obrigatórios

Para garantir que a sua tese é corretamente indexada, certifique-se de fornecer:

  • Título completo em português e inglês
  • Resumo em português e inglês (mínimo 150 palavras cada)
  • Palavras-chave em português e inglês (6-10 por língua)
  • Área científica (FOS — Fields of Science, OCDE)
  • Nome completo do orientador e co-orientadores
  • ORCID do autor (quando disponível)
  • DOI (atribuído automaticamente por alguns repositórios)

Embargo: quando e como justificar

Se a sua tese contém dados confidenciais, propriedade intelectual comercial ou resultados ainda não publicados, pode solicitar embargo de 12 ou 24 meses. O processo varia por universidade, mas geralmente requer justificação escrita aprovada pelo orientador e pelo conselho científico.

Para mais detalhe sobre o processo de submissão nos sistemas universitários portugueses (SIGARRA, Fenix, Inforestudante), consulte as bases de dados académicas em Portugal.

FAQ — Perguntas frequentes sobre o RCAAP

O RCAAP é gratuito? Preciso de login para aceder?

Sim, o RCAAP é totalmente gratuito e de acesso livre para qualquer pessoa, sem necessidade de login ou registo. O portal em rcaap.pt permite pesquisar e descarregar a maioria dos documentos em acesso aberto sem qualquer registo. Apenas documentos em acesso restrito ou embargo requerem credenciais institucionais para acesso ao texto completo.

Qual a diferença entre o RCAAP e o Estudo Geral da UC ou o RepositoriUM da UMinho?

O RCAAP é um agregador — não armazena documentos diretamente, mas recolhe e indexa os documentos depositados nos repositórios institucionais como o Estudo Geral (UC) e o RepositoriUM (UMinho). Se pesquisar no RCAAP e encontrar uma tese da UC, ao clicar será redirecionado para o Estudo Geral. A vantagem do RCAAP é poder pesquisar em todos os repositórios portugueses de uma só vez.

Posso usar o RCAAP para a minha revisão de literatura?

Sim. O RCAAP é especialmente útil para identificar teses e dissertações portuguesas sobre o seu tema, o que lhe permite contextualizar o estado da arte nacional. Para uma revisão de literatura completa, combine o RCAAP com bases internacionais como Scopus, Web of Science e as revistas disponíveis no b-on. Use o RCAAP para literatura em português e bases internacionais para literatura em inglês.

Como citar um documento encontrado no RCAAP em NP 405?

Para citar uma tese encontrada no RCAAP em NP 405, use o formato: APELIDO, Nome — Título da tese. [Local]: Instituição, Ano. Tese de [mestrado/doutoramento]. Disponível em: [URL do repositório institucional]. Por exemplo: SILVA, João — Impacto da IA no ensino superior. Lisboa: Universidade de Lisboa, 2025. Tese de doutoramento. Disponível em: https://repositorio.ul.pt/…

O RCAAP indexa teses de politécnicos ou apenas de universidades?

O RCAAP indexa teses e dissertações de todas as instituições de ensino superior portuguesas, incluindo institutos politécnicos como o IPP, IPB, IPS, IPL e muitos outros. Vários politécnicos usam o “Repositório Comum” alojado pelo próprio RCAAP. Em 2026, os politécnicos representam uma parte significativa dos 400+ repositórios agregados pelo RCAAP.

A minha tese aparecerá automaticamente no RCAAP após entrega?

Após entrega da tese e aprovação nas provas públicas, a sua instituição é responsável pelo depósito no repositório institucional, que propaga para o RCAAP. O prazo varia por instituição — tipicamente entre 2 semanas e 3 meses após a aprovação. Se a tese estiver sob embargo, os metadados ficam visíveis no RCAAP, mas o texto completo só é disponibilizado após o fim do período de embargo.

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O Tesify integra pesquisa no RCAAP e no b-on diretamente no seu fluxo de escrita. Pesquise, cite em NP 405 ou APA com um clique, e verifique plágio contra o repositório RCAAP — tudo na mesma plataforma, em português europeu.

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