Concurso FCT 2026: Os Dados das 4.461 Candidaturas Recorde
O concurso FCT 2026 de bolsas de doutoramento encerrou candidaturas a 31 de março de 2026 com um número sem precedentes: 4.461 candidaturas, um aumento de 7% face ao anterior máximo de 4.169 registado em 2025. Este novo recorde histórico reflete o crescimento sustentado da procura por financiamento para investigação doutoral em Portugal — e coloca a taxa de sucesso em torno dos 35,9%, o que significa que aproximadamente 2 em cada 3 candidatos ficam de fora. Se está a pensar candidatar-se ao próximo concurso, estes dados são a sua bússola.
A FCT confirmou o recorde num comunicado publicado em abril de 2026, detalhando a distribuição por linha de candidatura, área científica e entidade de acolhimento. Neste artigo compilamos todos os dados disponíveis, construímos as tabelas de distribuição histórica e comparamos o investimento com o equivalente brasileiro (CNPq Produtividade), para que qualquer investigador possa posicionar a sua candidatura com precisão.
O Recorde: 4.461 Candidaturas em Números
O concurso decorreu entre 2 e 31 de março de 2026, exclusivamente através da plataforma myFCT. A FCT recebeu 4.461 candidaturas, distribuídas por duas linhas:
- Linha Geral: 3.628 candidaturas (+5,6% vs 2025) → 1.000 bolsas disponíveis
- Linha Não Académica: 833 candidaturas (+13,5% vs 2025) → 600 bolsas disponíveis
O investimento total ascende a €145 milhões, um aumento de €12 milhões face à edição anterior: €90,6M na linha geral e €54,4M na linha não académica. Atualmente, a FCT financia diretamente cerca de 6.700 bolsas de doutoramento ativas, das quais aproximadamente 2.000 se realizam em ambiente não académico.
Do ponto de vista demográfico, o perfil dos candidatos revela paridade de género avançada: 54% são mulheres e 46% são homens. A idade média dos candidatos é de 31 anos. Quanto à localização do trabalho de investigação, 84% dos planos de trabalho preveem realização exclusiva em Portugal, 14% em regime misto (Portugal e estrangeiro) e 2% exclusivamente no estrangeiro.
Distribuição por Área Científica
A distribuição das 3.628 candidaturas da linha geral por área científica reflete as prioridades da investigação portuguesa e os desequilíbrios históricos entre áreas com maior e menor capacidade de produção científica:
| Área Científica | % de Candidaturas | Candidaturas Est. | Bolsas Linha Geral | Taxa Sucesso Est. |
|---|---|---|---|---|
| Ciências Sociais | 26% | ~944 | ~260 | ~27,5% |
| Engenharia e Tecnologia | 21% | ~762 | ~210 | ~27,6% |
| Humanidades | 18% | ~653 | ~180 | ~27,6% |
| Ciências Naturais | 11% | ~399 | ~110 | ~27,6% |
| Ciências Médicas e da Saúde | 11% | ~399 | ~110 | ~27,6% |
| Ciências Exatas | 9% | ~327 | ~90 | ~27,5% |
| Ciências Agrárias | 4% | ~145 | ~40 | ~27,6% |
Nota: Estimativas baseadas nos dados percentuais divulgados pela FCT. A distribuição final de bolsas por área depende da avaliação individual de cada candidatura. Fonte: FCT, abril 2026.
As Ciências Sociais lideram com 26% das candidaturas, seguidas de Engenharia e Tecnologia (21%) e Humanidades (18%). Este padrão mantém-se consistente há vários anos e reflete a composição das licenciaturas e mestrados nas universidades portuguesas. Nas Ciências Médicas, a concorrência é intensificada pela presença de candidatos com publicações internacionais desde o mestrado, o que eleva o patamar de mérito avaliado no Critério A (peso: 30%).
Na linha não académica, a distribuição é marcadamente diferente, com predomínio de Engenharia e Tecnologia (43%) — reflexo da procura empresarial por doutorandos em áreas de inovação tecnológica, inteligência artificial e transição energética.
Linha Não Académica: +13,5% de Crescimento
A linha de candidatura específica em ambiente não académico cresceu 13,5% em 2026, com 833 candidaturas para 600 bolsas — uma taxa de sucesso potencial de 72%. Este crescimento reflete a estratégia da FCT de aproximar a investigação doutoral do tecido empresarial e da administração pública.
Das entidades de acolhimento não académicas, as empresas representam 44% das candidaturas. Os restantes 56% distribuem-se entre administração pública, centros de inovação e outras entidades. As empresas que mais frequentemente acolhem doutorandos nesta linha pertencem aos setores tecnológico, farmacêutico e de engenharia.
Para candidatos interessados nesta linha, a associação a uma entidade não académica tinha de estar formalizada até 17 de abril de 2026 — um prazo distinto do prazo de candidatura (31 de março). Para o concurso de 2027, este prazo deverá cair em data semelhante (meados de abril).
Taxa de Sucesso Histórica 2019–2026
Para contextualizar o recorde de 2026, é essencial analisar a evolução histórica dos concursos FCT. Os dados seguintes combinam informação pública da FCT com os resultados dos concursos anteriores:
| Ano | Candidaturas | Bolsas Atribuídas | Taxa de Sucesso | Variação Candidaturas |
|---|---|---|---|---|
| 2019 | ~3.200 | ~1.100 | ~34,4% | — |
| 2020 | ~3.350 | ~1.150 | ~34,3% | +4,7% |
| 2021 | ~3.500 | ~1.200 | ~34,3% | +4,5% |
| 2022 | ~3.650 | ~1.300 | ~35,6% | +4,3% |
| 2023 | ~3.800 | 1.488 | ~39,2% | +4,1% |
| 2024 | ~3.950 | 1.553 | ~39,3% | +3,9% |
| 2025 | 4.169 | 1.550 | 37,2% | +5,5% |
| 2026 | 4.461 | 1.600 (prev.) | 35,9% (prev.) | +7,0% |
Fontes: FCT comunicados oficiais; FCT 2024 (1.553 bolsas); dados históricos compilados a partir de relatórios anuais FCT.
A tendência é clara: o número de candidaturas cresce consistentemente (+4 a +7% ao ano), enquanto o número de bolsas cresce mais lentamente. Isto traduz-se numa leve pressão descendente sobre a taxa de sucesso — de ~39% em 2023-2024 para ~36% em 2026. A FCT mantém uma taxa de conclusão do doutoramento acima de 88% entre bolseiros financiados, muito superior aos ~50% observados entre doutorandos sem bolsa.
Quanto Vale a Bolsa FCT em 2026
Em 2026, a FCT atualizou os valores das bolsas em €50/mês para refletir o aumento do Salário Mínimo Nacional (SMN). O pacote total de apoio inclui três componentes principais:
| Componente | Valor Mensal / Anual | Notas |
|---|---|---|
| Subsídio de manutenção | €1.259,64/mês | Isento de IRS; pago 12 meses/ano |
| Subsídio de propinas | Até €3.500/ano | Pago diretamente à IES de inscrição |
| Subsídio de instalação | €1.259,64 (uma vez) | Pago no início da bolsa |
| Segurança Social (voluntária) | Variável | Regime de trabalhador independente |
| Apoio a atividades de formação | Até €1.500/ano | Congressos, publicações, mobilidade |
Fonte: FCT, atualização de valores janeiro 2026.
Para bolsas realizadas no estrangeiro, o subsídio de manutenção é superior — tipicamente 1,5× o valor nacional — e inclui uma componente adicional de mobilidade. A bolsa FCT não é um contrato de trabalho; os bolseiros podem inscrever-se voluntariamente na Segurança Social no regime de trabalhadores independentes, mas não têm direito a subsídio de desemprego no final.
Para quem está a planear a candidatura ao concurso 2027, é importante saber que os critérios de avaliação têm três componentes: Critério A — Mérito do Candidato (30%), Critério B — Mérito do Plano de Trabalho (40%) e Critério C — Mérito das Condições de Acolhimento (30%). O Critério B tem o maior peso, o que significa que um plano de investigação bem estruturado e inovador é o principal diferenciador. Saiba mais no nosso guia Como Candidatar à Bolsa FCT 2027.
Comparação com CNPq Brasil
Para investigadores luso-brasileiros, a comparação entre o sistema FCT (Portugal) e o CNPq (Brasil) é relevante para entender o peso relativo de cada sistema de financiamento:
| Dimensão | FCT Portugal (2026) | CNPq Brasil — Chamada 23/2025 |
|---|---|---|
| Total de bolsas | 1.600 (doutoramento) | 5.762 (produtividade PQ/DT) |
| Investimento total | €145 milhões | R$ 587,4 milhões (~€105M) |
| Valor mensal (nível máximo) | €1.259,64 | R$ 1.500 + R$ 1.560 bancada (PQ-A) |
| Perfil do beneficiário | Estudantes de doutoramento | Investigadores com doutoramento |
| Duração | 4 anos (renováveis) | 3–5 anos (por nível) |
| Resultados preliminares | Agosto 2026 | 15 maio 2026 (já publicados) |
Fontes: FCT 2026; CNPq Chamada 23/2025.
Note que as bolsas FCT destinam-se a estudantes de doutoramento (fase de formação), enquanto as bolsas CNPq de Produtividade se destinam a investigadores já doutorados. São sistemas complementares, não comparáveis diretamente em termos de mérito. Para dados detalhados sobre o CNPq, leia o nosso artigo CNPq Produtividade 2026: 5.762 Bolsas, R$ 587M.
Dataset CSV Disponível para Download
Compilámos os dados históricos do concurso FCT (2019–2026) e a distribuição por área científica num conjunto de dados estruturado, disponível para investigadores, jornalistas e estudantes que queiram aprofundar a análise. O nosso conjunto de dados está disponível em tesify.pt/dados/fct-doutoramento-2019-2026.csv (formato CSV, licença CC BY 4.0).
O ficheiro inclui: ano, total de candidaturas, linha geral, linha não académica, bolsas atribuídas, taxa de sucesso global, distribuição percentual por área científica e valor mensal da bolsa. Fontes primárias: comunicados FCT, Relatório de Atividades FCT, Diário da República.
Para contextualizar estes dados na sua candidatura, consulte também:
- Estatísticas FCT 2026 por Universidade e Área
- FCT Bolsas Doutoramento: Guia + IA para a Candidatura 2026
- Abandono do Doutoramento em Portugal: Dados 2026
- Taxa de Conclusão de Teses em Portugal: Dados 2026
Perguntas Frequentes
Quando saem os resultados do concurso FCT 2026?
Os resultados provisórios do concurso FCT 2026 estão previstos para o início de agosto de 2026. Os resultados definitivos (após recursos) serão publicados no início de novembro de 2026. Os candidatos serão notificados através da plataforma myFCT e por correio eletrónico.
Qual é a nota mínima para passar na avaliação FCT?
A candidatura tem de obter uma classificação mínima de 3,0 (em 5,0) na avaliação global para ser elegível para financiamento. Este limiar aplica-se à média ponderada dos três critérios: Mérito do Candidato (30%), Mérito do Plano de Trabalho (40%) e Mérito das Condições de Acolhimento (30%).
Posso candidatar-me à FCT sem ter um orientador confirmado?
Não. A candidatura à FCT exige a identificação do orientador e a associação a uma instituição de acolhimento. Para a linha geral, a instituição deve ser uma unidade de I&D financiada pela FCT. A qualidade do orientador (fator Ciência Vitae, publicações Q1, experiência em orientação) contribui para a avaliação do Critério C.
Qual a diferença entre a linha geral e a linha não académica?
Na linha geral, o trabalho de investigação realiza-se maioritariamente numa unidade de I&D académica (universidade ou laboratório associado). Na linha não académica, o trabalho é conduzido em ambiente empresarial, administração pública ou outro organismo não académico. A linha não académica tem taxa de sucesso histórica mais elevada (~72% em 2026) e pode oferecer vantagens de empregabilidade pós-doutoramento.
A bolsa FCT é compatível com emprego?
Em geral, a bolsa FCT exige dedicação exclusiva à investigação e não é compatível com atividade profissional remunerada. Existem exceções para atividades de ensino limitadas (máximo 6 horas semanais) com autorização expressa da FCT. A linha não académica tem condições específicas que variam conforme a entidade de acolhimento.
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