,

Patentes e Inovação nas Universidades Portuguesas: Dados 2026

Patentes e Inovação nas Universidades Portuguesas: Dados 2026

As universidades portuguesas submeteram 818 pedidos de patente ao European Patent Office (EPO) entre 2000 e 2020 — um número que coloca Portugal em 17.º lugar entre os países europeus em patentes de origem académica, mas que representa 34,2% de todos os pedidos de patente europeia com requerentes portugueses no mesmo período. Este peso desproporcional da investigação académica na produção de propriedade industrial portuguesa é o fio condutor deste artigo: quantas patentes têm as universidades, quais lideram, quantas spin-offs geram e como Portugal se compara à Europa em inovação.

Os dados mais recentes de 2025 mostram também um sistema em aceleração: os pedidos nacionais de patente cresceram 22,9% num único ano, e Portugal subiu no ranking europeu de inovação pela segunda vez consecutiva. Reunimos aqui os números oficiais do INPI, do EPO e do European Innovation Scoreboard para dar uma fotografia completa do estado da inovação universitária portuguesa em 2026.

Resposta rápida: As universidades portuguesas submeteram 818 pedidos de patente ao EPO entre 2000 e 2020 (17.º lugar na Europa), lideradas pela Universidade do Porto (207 pedidos). Em 2025, Portugal registou 1.170 pedidos nacionais de patente junto do INPI (+22,9% face a 2024) e subiu do 19.º para o 16.º lugar no European Innovation Scoreboard, mantendo-se na categoria “Moderate Innovator”.
Ranking de universidades portuguesas por número de pedidos de patente
A Universidade do Porto lidera o ranking de patentes académicas portuguesas junto do EPO

Quantas patentes têm as universidades portuguesas?

Segundo um relatório do European Patent Office dedicado ao patenteamento universitário na Europa, publicado em outubro de 2024, 39 instituições portuguesas submeteram pelo menos um pedido de patente ao EPO entre 2000 e 2020, totalizando 818 pedidos de origem académica. Este volume coloca Portugal em 17.º lugar entre os países europeus analisados — um valor absoluto modesto face a sistemas de investigação maiores como a Alemanha ou França, mas relevante em termos relativos: as patentes de origem académica representam 34,2% de todos os pedidos de patente europeia com requerente português no mesmo período, uma percentagem muito acima da média europeia, onde a investigação académica pesa tipicamente menos no total de patentes de um país.

Este dado tem uma leitura direta: em Portugal, as universidades e os institutos politécnicos desempenham um papel desproporcionalmente importante na geração de propriedade industrial, precisamente porque o tecido empresarial nacional investe historicamente menos em I&D do que a média da União Europeia. Para o enquadramento completo desse investimento nacional em ciência, consulta o nosso artigo sobre investimento em I&D em Portugal.

Quais as universidades portuguesas que mais patenteiam?

O ranking acumulado de pedidos junto do EPO entre 2000 e 2020 é liderado, de forma consistente, pelas maiores universidades de investigação do país:

Universidade Pedidos EPO 2000–2020 Posição
Universidade do Porto 207 1.ª
Universidade Nova de Lisboa 155 2.ª
Universidade de Lisboa 148 3.ª
Universidade do Minho 131 4.ª
Instituto Superior Técnico 115 5.ª

Fonte: EPO, relatório sobre patenteamento universitário na Europa (dados 2000–2020, publicado em 2024). Este ranking cumulativo de duas décadas nem sempre coincide com os rankings anuais mais recentes: ao nível nacional, o INPI identificou a Universidade de Coimbra como a instituição com mais pedidos de patente em 2025, e, especificamente nos pedidos junto do EPO em 2024, a Universidade do Porto voltou a liderar entre as universidades portuguesas, seguida por um grupo composto pelo INESC TEC e pelas Universidades de Aveiro, Minho e Nova de Lisboa. Estas variações ano a ano refletem sobretudo o calendário de projetos de investigação e não uma mudança estrutural na hierarquia das instituições.

Como evoluíram os pedidos de patente em Portugal em 2025?

O ano de 2025 marcou um recorde na última década para o sistema de propriedade industrial português. Segundo o relatório anual do INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial):

  • 1.170 pedidos nacionais de patente de invenção foram submetidos em 2025 — mais 22,9% do que os 952 pedidos registados em 2024, e o valor mais elevado da última década.
  • 368 pedidos de patente europeia com origem portuguesa, um crescimento de 6,1% face ao ano anterior.
  • 122 pedidos de patente com efeito unitário (o novo regime de patente unitária europeia), um aumento de 18,4%.
  • 34% dos pedidos incluíram pelo menos uma mulher inventora.

Do ponto de vista geográfico, a distribuição dos pedidos nacionais concentra-se nas regiões com maior densidade universitária e empresarial: Norte (37%), Grande Lisboa (26%) e Centro (22%) — três regiões que, em conjunto, correspondem a mais de 85% de todos os pedidos de patente do país, e que coincidem, não por acaso, com a localização das universidades no topo do ranking de patenteamento académico.

O que são spin-offs universitárias e quantas existem em Portugal?

Uma spin-off universitária é uma empresa criada para explorar comercialmente uma tecnologia, produto ou processo desenvolvido no contexto de investigação académica, normalmente com o apoio de um gabinete de transferência de tecnologia (TTO — Technology Transfer Office) da própria instituição. Estas estruturas são o elo prático entre a patente registada numa universidade e um produto ou serviço no mercado.

Portugal tem-se destacado neste indicador. Um estudo de 2025 posiciona a Universidade do Porto entre as 10 universidades mais prolíficas da União Europeia na criação de spin-offs. Ao nível operacional, o parque de ciência e tecnologia UPTEC apoiou mais de 200 projetos em 2024, dos quais 40 eram spin-offs da própria Universidade do Porto — um sinal de que a transferência de tecnologia gerada nas patentes académicas está, de facto, a chegar ao mercado através de empresas geridas por antigos investigadores e doutorandos.

Este ecossistema depende diretamente do número e da qualidade dos doutoramentos concluídos todos os anos, já que são frequentemente doutorandos e investigadores pós-doutorados a liderar as spin-offs criadas a partir das suas próprias teses. Para dados sobre a dimensão desse pipeline, consulta o artigo sobre doutoramentos concluídos por ano.

Transferência de tecnologia universitária na criação de spin-offs em Portugal
A transferência de tecnologia liga a investigação universitária à criação de spin-offs

Como Portugal se compara à Europa em inovação?

O European Innovation Scoreboard (EIS) 2025, publicado pela Comissão Europeia, mede o desempenho de inovação de cada país da UE através de um conjunto alargado de indicadores — desde despesa em I&D até adoção digital e vendas de produtos inovadores.

Indicador (EIS 2025) Portugal
Posição no ranking europeu 16.ª (subiu de 19.ª em 2024)
Índice de desempenho vs. média UE 90,7% (+3 p.p. vs. 2024; +9 p.p. vs. 2018)
Categoria de inovação “Moderate Innovator” (70%–100% da média UE)
Apoio público a I&D empresarial 185,8% da média UE (Portugal lidera este indicador na UE)
Vendas de inovações novas no mercado 133,0% da média UE (4.º lugar na UE)

Um dado regional reforça esta trajetória: a Grande Lisboa foi classificada pela primeira vez como “Strong Innovator” no Regional Innovation Scoreboard 2025, a única região portuguesa nesta categoria superior. Para perceber como esta subida no ranking europeu se relaciona com a produção científica que alimenta o sistema — publicações, teses e projetos de investigação —, o artigo sobre produção científica dos estudantes aprofunda essa ligação.

Porque é que a investigação académica gera relativamente poucas patentes?

Apesar do peso das universidades na produção de patentes portuguesas, a esmagadora maioria das teses de doutoramento nunca chega a gerar um pedido de patente. Há razões estruturais para isso:

  • Objetivo diferente da investigação: a maior parte dos doutoramentos, sobretudo em ciências sociais, humanidades e boa parte das ciências naturais, tem como resultado esperado a publicação científica e a formação do investigador — não a proteção comercial de propriedade industrial.
  • Custo e complexidade do processo: submeter e manter uma patente, sobretudo ao nível europeu, tem custos legais e de manutenção elevados, que só se justificam quando existe potencial de exploração comercial claro.
  • Dependência de gabinetes de transferência de tecnologia: só as universidades com TTOs bem estruturados — como U.Porto, Minho, Aveiro ou Nova — conseguem identificar sistematicamente resultados de investigação patenteáveis antes da publicação científica, que pode invalidar o pedido de patente se ocorrer primeiro.
  • Concentração em áreas tecnológicas específicas: engenharia, ciências da computação, biotecnologia e ciências dos materiais concentram a esmagadora maioria dos pedidos de patente académicos, ao passo que a maioria das áreas científicas praticamente não gera pedidos.

Para quem está a definir o desenho de uma tese de doutoramento com potencial de aplicação tecnológica, o artigo sobre quanto ganha um bolseiro de investigação complementa este panorama com dados sobre o financiamento disponível para sustentar esse tipo de projetos até à fase de patenteamento.

Para uma visão mais ampla sobre a dimensão dos doutoramentos em Portugal — número de concluídos, áreas científicas e tempo médio até à conclusão —, o guia sobre dados dos doutoramentos em Portugal, disponível na rede Tesify, aprofunda esses números.

Perguntas frequentes

Quantas patentes têm as universidades portuguesas?

Entre 2000 e 2020, as universidades portuguesas submeteram 818 pedidos de patente ao European Patent Office (EPO), o que coloca Portugal em 17.º lugar entre os países europeus em patentes de origem académica. Essas patentes académicas representam 34,2% de todos os pedidos de patente europeia feitos por requerentes portugueses no mesmo período, segundo o relatório do EPO sobre patenteamento universitário na Europa.

Qual a universidade portuguesa com mais patentes?

No acumulado de pedidos junto do EPO entre 2000 e 2020, a Universidade do Porto lidera com 207 pedidos, seguida pela Universidade Nova de Lisboa (155), Universidade de Lisboa (148), Universidade do Minho (131) e Instituto Superior Técnico (115). Ao nível nacional (INPI), a Universidade de Coimbra foi a instituição com mais pedidos de patente em 2025.

O que são spin-offs universitárias e quantas existem em Portugal?

Uma spin-off universitária é uma empresa criada para explorar comercialmente resultados de investigação desenvolvidos numa universidade, normalmente com apoio de um gabinete de transferência de tecnologia. A Universidade do Porto está entre as 10 universidades mais prolíficas da União Europeia na criação de spin-offs; só em 2024, 40 das mais de 200 empresas apoiadas pelo parque de ciência UPTEC eram spin-offs da U.Porto.

Portugal está a subir ou a descer no ranking europeu de inovação?

Portugal está a subir. No European Innovation Scoreboard 2025, Portugal passou do 19.º para o 16.º lugar, com um índice de desempenho de 90,7% da média da União Europeia, mais 3 pontos percentuais do que em 2024 e mais 9 do que em 2018. O país mantém-se na categoria de Moderate Innovator.

Quantos pedidos de patente foram submetidos em Portugal em 2025?

Em 2025, foram submetidos 1.170 pedidos nacionais de patente de invenção junto do INPI, mais 22,9% do que os 952 pedidos de 2024 e o valor mais elevado da última década. A região Norte concentrou 37% dos pedidos, seguida da Grande Lisboa (26%) e da região Centro (22%).

Porque é que poucas teses de doutoramento resultam em patentes?

A maioria das teses de doutoramento em Portugal tem como objetivo principal a publicação científica e a formação avançada do investigador, não a proteção comercial de propriedade industrial. Só investigação com aplicação tecnológica direta, normalmente em engenharia, ciências da computação ou biotecnologia, e apoiada por um gabinete de transferência de tecnologia, chega tipicamente à fase de pedido de patente.

A escrever uma tese com potencial de aplicação prática?

O Tesify ajuda-te a estruturar a revisão de literatura e a metodologia da tua investigação com mais rigor científico — dá o primeiro passo para uma tese pronta a submeter.

Experimentar o Tesify gratuitamente →

Escreve a tua tese ou TCC com IA

Editor inteligente, bibliografia automática (APA e ABNT) e verificação antiplágio num só sítio. Mais de 9.000 estudantes já escrevem em metade do tempo.