Quanto Ganha um Bolseiro de Investigação em Portugal? Dados 2026
O salário de um bolseiro de investigação em Portugal não existe tecnicamente — o que existe é uma bolsa mensal, sem vínculo laboral. Na prática, em 2026, um bolseiro de doutoramento financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) recebe 1.686,00 € por mês através da bolsa BD, ou 1.259,64 € através da bolsa de investigação (BI) — valores atualizados desde 1 de janeiro de 2026, com um aumento uniforme de 50 € face a 2025.
Essa distinção entre “bolsa” e “salário” não é apenas semântica: determina se há descontos para a Segurança Social, se há direito a subsídio de férias e de Natal, e como o IRS é calculado. Com mais de 1.600 novas bolsas de doutoramento atribuídas pela FCT só em 2026 e um investimento total de 145 milhões de euros, milhares de investigadores em formação em Portugal dependem destes valores para planear a vida durante 3 a 4 anos. Este artigo reúne os dados oficiais mais recentes sobre valores, impostos, proteção social e evolução das bolsas de investigação.

Quanto ganha um bolseiro de investigação em Portugal em 2026?
O valor mensal de uma bolsa de investigação em Portugal depende do tipo de bolsa, do nível académico do bolseiro e de se a investigação decorre em território nacional ou no estrangeiro. Os dois instrumentos mais comuns para financiar o doutoramento são a Bolsa de Doutoramento (BD), atribuída por concurso público individual, e a Bolsa de Investigação (BI), atribuída diretamente por unidades de investigação no âmbito de projetos financiados.
| Tipo de bolsa | Sigla | Valor mensal 2026 (Portugal) | Nível |
|---|---|---|---|
| Bolsa de Investigação | BI | 1.259,64 € | Pós-graduado / doutorando |
| Bolsa de Doutoramento individual | BD | 1.686,00 € | Doutorando |
| Bolsa de Pós-Doutoramento | BPD | Valor superior ao da BD (consultar tabela oficial FCT) | Doutorado |
| Suplemento cotutela / estrangeiro | — | +200 € a 400 €/mês | Todos os níveis |
Fonte: FCT, atualização de valores das bolsas para 2026. Para os detalhes completos de elegibilidade e calendário de candidaturas, consulta o nosso guia sobre valores das bolsas de doutoramento da FCT.
Quais os tipos de bolsa e os seus valores mensais?
Para além da BD e da BI, existem outras modalidades relevantes no ecossistema científico português, cada uma com regras próprias:
- BD-PD: bolsa de doutoramento integrada num Programa Doutoral FCT, com o mesmo valor mensal da BD individual mas candidatura feita através do programa.
- BD-CT (cotutela internacional): bolsa de doutoramento com co-orientação formal de uma universidade estrangeira, elegível para o suplemento de deslocação.
- BIM (iniciação à investigação, nível de mestrado): bolsas de valor mais baixo, atribuídas por unidades de investigação a estudantes de mestrado em fase de iniciação científica, antes de avançarem para o doutoramento.
- BPD: destinada a investigadores já doutorados, com o valor mensal mais elevado da tabela FCT, refletindo o nível de qualificação e autonomia científica exigido.
A escolha entre BI e BD tem impacto direto na carreira: a BD é mais competitiva e mais bem remunerada, mas exige uma candidatura individual robusta ao concurso público da FCT. Para perceber os caminhos possíveis, o artigo sobre como obter uma bolsa de investigação detalha as vias FCT, Erasmus+ e outras alternativas de financiamento.
O bolseiro paga IRS e descontos para a Segurança Social?
Esta é provavelmente a maior diferença face a um trabalho normal. As bolsas de investigação estão isentas de IRS até ao valor equivalente a um salário mínimo nacional — 920 € em 2026, segundo o Decreto-Lei n.º 139/2025. O montante da bolsa que ultrapasse esse limite mensal é tributável. Como a bolsa BD (1.686,00 €) excede o salário mínimo, a parte excedente (766 €) está sujeita a tributação em IRS.
Quanto à Segurança Social, a bolsa não gera descontos obrigatórios, porque juridicamente não é uma relação de trabalho subordinado. O bolseiro pode, no entanto, inscrever-se no Seguro Social Voluntário (SSV), um regime facultativo gerido pela Segurança Social que garante proteção em situações de invalidez, velhice, morte, parentalidade, doença e doenças profissionais. Segundo o Estatuto do Bolseiro de Investigação, a entidade financiadora é obrigada a comparticipar o valor correspondente ao primeiro escalão de contribuições do SSV enquanto a bolsa tiver duração igual ou superior a 6 meses — um valor de referência de 150,74 €/mês em 2024, atualizado anualmente com base no Indexante dos Apoios Sociais (IAS, fixado em 537,13 € em 2026).
Bolseiro ou contrato de trabalho: qual compensa mais?
Comparar uma bolsa de investigação com um contrato de trabalho equivalente exige olhar para além do valor mensal bruto. A tabela seguinte resume as principais diferenças práticas:
| Aspeto | Bolseiro de investigação (BD) | Trabalhador com contrato |
|---|---|---|
| Natureza jurídica | Bolsa, sem vínculo laboral | Contrato de trabalho subordinado |
| IRS | Isento até 920 €/mês; tributável acima | Retenção na fonte desde o 1.º euro, por escalão |
| Segurança Social | Facultativa (SSV) | Obrigatória (TSU: 11% trabalhador + 23,75% entidade) |
| Subsídio de férias e de Natal | Não tem direito | Tem direito (2 subsídios/ano) |
| Subsídio de desemprego | Não, salvo regras específicas do SSV | Sim, após período de descontos |
| Foco da atividade | Exclusivo em investigação/tese, sem acumulação | Pode incluir outras funções, conforme contrato |
Na prática, um bolseiro BD pode ter um rendimento líquido mensal próximo — ou até superior — ao de um trabalhador com salário bruto semelhante, precisamente por não sofrer descontos obrigatórios para a Segurança Social. A contrapartida é a ausência de proteção social automática e de direitos como o subsídio de desemprego, o que torna a inscrição no SSV uma decisão relevante para quem quer manter continuidade contributiva para a reforma.
Como evoluiu o valor das bolsas de investigação nos últimos anos?
A FCT atualiza anualmente o valor de todas as bolsas (o chamado Subsídio de Manutenção Mensal, SMM), tendo como referência a evolução do salário mínimo nacional. Em 2026, esse ajuste correspondeu a um aumento uniforme de 50 €/mês em todos os tipos de bolsa, acompanhando a subida do salário mínimo nacional de 870 € (2025) para 920 € (2026) — um crescimento de cerca de 5,75%.
Esta indexação ao salário mínimo tem sido a prática da FCT nos últimos ciclos de atualização, o que significa que o valor da bolsa tende a subir todos os anos, mas de forma vinculada à política salarial nacional e não a critérios específicos do setor científico. Para bolseiros a meio de um contrato de bolsa plurianual, isto traduz-se normalmente num pequeno reajuste automático a partir de janeiro de cada ano civil.
Quantas bolsas de investigação são atribuídas em Portugal e quanto se investe?
O concurso de bolsas de doutoramento da FCT é o maior mecanismo de financiamento individual de investigadores em formação em Portugal. Os números do concurso de 2026 mostram a dimensão do sistema:
- 4.461 candidaturas submetidas até 31 de março de 2026 — um recorde histórico, mais 7% do que o anterior máximo de 4.169 candidaturas em 2025.
- Cerca de 1.600 novas bolsas de doutoramento atribuídas em 2026, face a 1.553 bolsas atribuídas em 2025.
- Taxa de sucesso global de aproximadamente 35,9% — o que significa que cerca de dois em cada três candidatos ficam de fora.
- 145 milhões de euros de investimento total, o valor mais elevado de sempre para este programa de financiamento.
- As taxas de aprovação variam significativamente por área científica: menos de 20% em Ciências Biomédicas e mais de 40% em algumas subáreas de Humanidades.
Segundo o Inquérito ao Potencial Científico e Tecnológico Nacional (IPCTN), conduzido pela DGEEC, os bolseiros representam a maior fatia dos recursos humanos em I&D no setor do Ensino Superior em Portugal — cerca de 39% dos investigadores neste setor, à frente de docentes (29%), pessoal integrado em carreiras de investigação científica (19%) e estudantes (8%). Este peso confirma que o sistema científico português depende estruturalmente do modelo de bolsa, e não apenas de contratos de investigação.

Como se compara Portugal ao contexto europeu de financiamento científico?
O valor absoluto das bolsas de investigação portuguesas só faz sentido lido em conjunto com o esforço nacional em investigação e desenvolvimento. Portugal tem vindo a aumentar o investimento em I&D, mas o número de bolseiros e investigadores financiados continua condicionado pela percentagem do PIB canalizada para ciência, que fica historicamente abaixo da média da União Europeia. Para perceber esse enquadramento macro — despesa em I&D, número total de investigadores e comparação internacional — consulta o nosso artigo sobre investimento em I&D em Portugal.
Esse investimento também se reflete do lado da produção científica com aplicação prática: mais bolseiros e mais financiamento tendem a traduzir-se em mais publicações, mas também em mais registos de propriedade industrial junto das universidades. Para dados concretos sobre esse elo entre investigação académica e inovação, vê o artigo sobre inovação nas universidades portuguesas.
Se estás a preparar uma candidatura à FCT e queres perceber prazos, requisitos e o processo de submissão em detalhe, o guia da candidatura à bolsa FCT de doutoramento disponível na rede Tesify complementa os dados apresentados aqui com um passo a passo prático.
Perguntas frequentes
Quanto ganha um bolseiro FCT de doutoramento em 2026?
Em 2026, a bolsa de doutoramento (BD) da FCT tem o valor de 1.686,00 € por mês. A bolsa de investigação (BI), atribuída sobretudo a fases iniciais de doutoramento ou a projetos de investigação, tem o valor de 1.259,64 € por mês. Ambos os valores foram atualizados a partir de 1 de janeiro de 2026.
A bolsa de investigação é isenta de impostos?
A bolsa é isenta de IRS até ao valor equivalente a um salário mínimo nacional (920 € em 2026). O montante da bolsa que exceda esse limite fica sujeito a tributação em IRS, de acordo com as regras aplicáveis a bolsas de investigação.
O bolseiro desconta para a reforma?
Não de forma obrigatória. O bolseiro pode inscrever-se no Seguro Social Voluntário (SSV), um regime facultativo que dá acesso a proteção em invalidez, velhice, morte, parentalidade e doença. A instituição financiadora é obrigada a comparticipar o primeiro escalão de contribuições enquanto durar a bolsa.
Qual a diferença entre a bolsa BI e a bolsa BD?
A bolsa BD (Bolsa de Doutoramento) é atribuída por concurso público individual à FCT, tem duração até 4 anos e valor mensal mais elevado. A bolsa BI (Bolsa de Investigação) é atribuída diretamente por unidades de investigação no âmbito de projetos financiados, tem duração mais curta e renovável, e um valor mensal inferior.
O valor da bolsa de investigação aumenta todos os anos?
Sim. A FCT atualiza anualmente o valor das bolsas (SMM) tendo em conta a evolução do salário mínimo nacional. Em 2026, o aumento foi de 50 € por mês em todos os tipos de bolsa, acompanhando a subida do salário mínimo nacional de 870 € para 920 €.
Quantas bolsas de investigação são atribuídas por ano em Portugal?
Só no concurso de bolsas de doutoramento, a FCT atribuiu cerca de 1.600 novas bolsas em 2026, com um investimento total de 145 milhões de euros e uma taxa de sucesso de aproximadamente 35,9% face a 4.461 candidaturas submetidas.
A candidatar-te a uma bolsa ou já a escrever a tese?
O Tesify ajuda-te a estruturar o plano de trabalho e a tese com mais rigor científico, desde a revisão de literatura até à metodologia — para investires o tempo da bolsa onde ele conta mais.
Escreve a tua tese ou TCC com IA
Editor inteligente, bibliografia automática (APA e ABNT) e verificação antiplágio num só sítio. Mais de 9.000 estudantes já escrevem em metade do tempo.
