Quanto Portugal Investe em I&D (% do PIB) e Quantos Investigadores Tem: Dados PORDATA 2026
Portugal destinou 1,75% do Produto Interno Bruto à Investigação e Desenvolvimento (I&D) em 2024 — o valor mais elevado de sempre, num total de €4.982 milhões. Para estudantes de doutoramento, candidatos a bolsas FCT e analistas do sistema científico nacional, este número é o ponto de partida obrigatório: define o financiamento disponível, o número de postos de investigação e a distância que separa Portugal dos parceiros europeus. O investimento I&D Portugal percentagem PIB é, precisamente, um dos indicadores mais citados nos relatórios da DGEEC, do INE e do Eurostat — e raramente explicado com as fontes à vista.
Os dados apresentados neste artigo provêm exclusivamente de fontes verificadas: o Inquérito ao Potencial Científico e Tecnológico Nacional (IPCTN) 2024, divulgado pela Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC) em julho de 2025, o IPCTN 2023 publicado em julho de 2024, e as bases de dados do Eurostat. Cada número inclui a fonte e o ano correspondente; valores sem verificação direta são descritos de forma qualitativa.
Em 2024, Portugal investiu 1,75% do PIB em I&D — €4.982 milhões —, segundo os dados provisórios do IPCTN 2024 (DGEEC, julho de 2025). O número de investigadores em equivalente a tempo integral (ETI) atingiu 64.166. A média da União Europeia situou-se em 2,24% do PIB em 2024 (Eurostat), deixando Portugal 0,49 pontos percentuais abaixo da média comunitária. A meta nacional é chegar aos 3% do PIB até 2030.
O que é o GERD e como se mede
O GERD (Gross Expenditure on Research and Development, ou Despesa Bruta em I&D) é o indicador de referência internacional para medir o esforço total de um país em Investigação e Desenvolvimento. Agrega os quatro grandes setores de execução: empresas, ensino superior, Estado e instituições privadas sem fins lucrativos (IPSFL). Expressar o GERD como percentagem do PIB permite comparações internacionais independentes da dimensão económica de cada país — é a métrica central nos objetivos da European Research Area e no quadro do Horizonte Europa.
Em Portugal, os dados são recolhidos anualmente pelo IPCTN (Inquérito ao Potencial Científico e Tecnológico Nacional), coordenado pela DGEEC segundo a metodologia do Manual de Frascati (2015) do Eurostat e da OCDE. A DGEEC publica resultados provisórios cerca de um ano após o período de referência — os dados de 2024 foram divulgados em julho de 2025. A PORDATA agrega a série histórica completa numa interface de consulta pública gratuita.
Dados de 2024: o máximo histórico
Segundo os resultados provisórios do IPCTN 2024 (DGEEC, julho de 2025), Portugal registou em 2024 os seguintes valores:
- €4.982 milhões de despesa total em I&D — mais €441 milhões do que em 2023
- 1,75% do PIB — valor recorde, o mais elevado alguma vez registado
- 64.166 investigadores em ETI — mais 1.756 face ao ano anterior
| Setor | Despesa (€ milhões) | % do total | Fonte |
|---|---|---|---|
| Empresas | 3.124 | 62,7% | IPCTN 2024, DGEEC |
| Ensino Superior | 1.472 | 29,6% | IPCTN 2024, DGEEC |
| Estado | 253 | 5,1% | IPCTN 2024, DGEEC |
| IPSFL | 133 | 2,7% | IPCTN 2024, DGEEC |
| Total | 4.982 | 100% | IPCTN 2024, DGEEC |
As empresas respondem por quase dois terços da despesa nacional em I&D, consolidando uma tendência de crescimento do setor privado na investigação aplicada e no desenvolvimento tecnológico. O setor empresarial cresceu de €2.844 milhões em 2023 para €3.124 milhões em 2024 — um aumento absoluto de €280 milhões num único ano.
Evolução do investimento em I&D de Portugal (% do PIB): 2021–2024
Os dados disponíveis para os quatro anos mais recentes mostram uma trajetória de crescimento consistente, ainda que gradual:
| Ano | GERD (% do PIB) | Total (€ milhões) | Fonte |
|---|---|---|---|
| 2021 | 1,68% | n/d | Eurostat |
| 2022 | ~1,70% | n/d | Eurostat / Statista |
| 2023 | 1,70% | 4.523 | IPCTN 2023, DGEEC |
| 2024 | 1,75% | 4.982 | IPCTN 2024, DGEEC |
Nota: o símbolo “~” na linha de 2022 indica estimativa baseada em dados Eurostat/Statista; os valores exatos serão publicados pela DGEEC nos relatórios IPCTN definitivos.
Para uma perspetiva de mais longo prazo, a análise do ECO com dados Eurostat (agosto de 2025) indica que Portugal registou o 5.º maior reforço de gastos em I&D na União Europeia entre 2014 e 2024, com um aumento acumulado de 0,43 pontos percentuais. O crescimento existe — o ritmo é que permanece insuficiente para atingir a meta de 3% até 2030.

Comparação com a União Europeia
Em 2024, a média dos países da União Europeia situou-se em 2,24% do PIB em despesa de I&D — ligeiramente abaixo dos 2,26% de 2023 (Eurostat, 2025). Portugal, com 1,75%, ficou 0,49 pontos percentuais abaixo da média comunitária.
| Referência | GERD (% do PIB, 2024) | Fonte |
|---|---|---|
| Meta UE / Portugal (horizonte 2030) | 3,00% | Estratégia de Lisboa / Horizonte Europa |
| Média UE-27 | 2,24% | Eurostat, 2025 |
| Portugal | 1,75% | IPCTN 2024, DGEEC |
A diferença face à média europeia é expressiva, mas a métrica que revela com mais nitidez a limitação do esforço público é a das dotações orçamentais públicas para I&D por habitante. Em 2024, Portugal registou apenas €78,7 por habitante nesta rubrica — face a uma média europeia de €284,7 (Eurostat, 2025). Portugal situava-se entre os cinco países da UE com valores mais baixos nesta métrica, à frente apenas da Roménia (€19,1), Bulgária (€38,3), Hungria (€58,7) e Malta (€73,9).
No European Innovation Scoreboard 2025, Portugal está classificado como “Moderate Innovator“, com o objetivo declarado de transitar para o patamar de “Strong Innovator”. A distância para os líderes europeus — tipicamente países nórdicos, Bélgica e Áustria — mantém-se considerável.

Investigadores em Portugal: quantos e onde
O pessoal em I&D é contabilizado em ETI (Equivalente a Tempo Integral), uma unidade padronizada que converte as horas efetivamente dedicadas à investigação, independentemente do regime de trabalho. Um investigador a 50% conta como 0,5 ETI. Esta metodologia, definida no Manual de Frascati, é a base das comparações internacionais.
Segundo o IPCTN 2023 (DGEEC, dados definitivos publicados em 2024), em 2023 Portugal contava com:
- 62.476 investigadores em ETI — um aumento de 6% face ao ano anterior
- 79.257 ETI de pessoal total em I&D — inclui técnicos, gestores de ciência e pessoal de apoio
- Rácio de 11,7 investigadores por mil ativos empregados
Em 2024, o número de investigadores em ETI subiu para 64.166, segundo o IPCTN 2024 (DGEEC) — um acréscimo de 1.756 relativamente a 2023. Esta progressão reflete tanto o crescimento do setor empresarial de I&D como a manutenção de contratações no ensino superior, embora o mercado de trabalho académico permaneça estruturalmente estreito para o número de doutores que o país forma a cada ano.
Para o contexto das carreiras científicas após a pós-graduação, os dados sobre empregabilidade dos doutorados em Portugal mostram onde absorvem estes 64 mil investigadores e que percursos profissionais seguem. O tempo médio para concluir o doutoramento em Portugal é outro indicador com ligação direta ao ritmo de entrada no mercado de investigação.
Distribuição por setor: despesa e pessoal
A repartição dos investigadores por setor em 2023 (IPCTN 2023, DGEEC) revela uma divisão relativamente equilibrada entre o ensino superior e as empresas — o que contrasta com a distribuição da despesa, dominada pelas empresas:
| Setor | Investigadores (ETI) | % do total | Fonte |
|---|---|---|---|
| Ensino Superior | 31.125 | ~50% | IPCTN 2023, DGEEC |
| Empresas | 28.363 | ~45% | IPCTN 2023, DGEEC |
| Estado + IPSFL | ~2.988 | ~5% | IPCTN 2023, DGEEC |
| Total | 62.476 | 100% | IPCTN 2023, DGEEC |
A assimetria entre despesa e pessoal explica-se pela diferença de custo médio por investigador entre setores: a investigação empresarial tende a ser mais intensiva em equipamento, ensaios clínicos e prototipagem, ao passo que a investigação universitária é mais intensiva em trabalho académico. Um investigador no ensino superior custa menos em infraestrutura do que o equivalente num laboratório de uma empresa tecnológica ou farmacêutica.
As universidades portuguesas com mais publicações académicas — Universidade do Porto, Universidade de Lisboa e Universidade de Coimbra — concentram também o maior número de investigadores ETI no setor do ensino superior. Para quem investiga neste contexto, perceber onde estão os recursos financeiros e humanos ajuda a orientar candidaturas a projetos e colaborações interinstitucionais.
A meta de 3% do PIB para 2030
Portugal comprometeu-se a atingir 3% do PIB em I&D até 2030, distribuídos entre 1% de origem pública e 2% de origem privada — em linha com a meta histórica europeia. A partir do nível de 1,75% registado em 2024, o país teria de quase duplicar o investimento total em menos de seis anos.
O Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) incluiu dotações específicas para I&D e inovação que contribuem para aproximar Portugal deste objetivo. Contudo, a análise publicada em agosto de 2025 pelo ECO sublinha que o ritmo de crescimento recente, embora positivo, é insuficiente para fechar o fosso até 2030 sem uma aceleração significativa do investimento privado — que teria de crescer de €3.124 milhões para valores próximos dos €6.000 milhões apenas no setor empresarial.
O contexto europeu é relevante: em 2024, a própria UE está ainda 0,76 pontos percentuais abaixo da meta comunitária de 3%, o que mostra que o desafio é transversal, embora mais pronunciado em Portugal.
Entre 2014 e 2024, Portugal registou o 5.º maior aumento de intensidade em I&D na União Europeia (+0,43 pontos percentuais), segundo a análise do Jornal de Negócios com dados Eurostat (agosto de 2025). O crescimento é real e coerente — o que falta é dimensão.
O que estes dados significam para investigadores
Para quem já investiga ou pondera uma carreira científica em Portugal, estes números têm implicações concretas em três domínios:
Financiamento público: FCT e orçamento de Estado
O Estado representa apenas 5,1% da despesa total em I&D (€253 milhões em 2024), mas é o principal financiador das bolsas individuais de doutoramento e de pós-doutoramento através da FCT. As estatísticas das bolsas FCT 2026 — número de bolsas atribuídas, valores e áreas científicas — refletem de forma direta este envelope orçamental. Para os candidatos que pretendem percorrer o processo de candidatura em detalhe, o guia Bolsa FCT de Doutoramento 2026: Como Candidatar-se, Prazos e Valores cobre os critérios de elegibilidade, os prazos de submissão e os valores mensais atualizados. A crescente fatia das empresas no GERD (62,7%) significa também que há financiamento privado disponível para perfis de investigação aplicada, especialmente em engenharias e ciências da vida.
Carreiras científicas e condições de trabalho
Com 64.166 investigadores em ETI para um país de cerca de dez milhões de habitantes, Portugal tem uma base de investigação que cresceu, mas que permanece sujeita a pressão nos postos efetivos. Os dados sobre saúde mental e burnout nos doutorandos em Portugal e na Europa estão diretamente ligados às condições estruturais de um mercado académico estreito: muitos doutores formados, poucos lugares permanentes disponíveis. Perceber a dimensão real do sistema — 64 mil investigadores, concentrados em universidades e empresas — ajuda a calibrar expectativas de carreira.
Publicações, impacto e unidades de I&D
O ensino superior, que concentra metade dos investigadores em ETI, é também o principal produtor de publicações científicas e o setor onde se estabelecem as unidades de investigação avaliadas e financiadas pela FCT. Para estudantes em fase de escolha de tema, orientador ou laboratório, conhecer a distribuição dos recursos de I&D é tão importante quanto os rankings de publicações das instituições. Os melhores laboratórios de investigação em Portugal são, em larga medida, aqueles que concentram mais investigadores ETI e acedem a mais financiamento competitivo.
Perguntas frequentes
Qual é a percentagem do PIB que Portugal investe em I&D em 2024?
Em 2024, Portugal investiu 1,75% do PIB em Investigação e Desenvolvimento — €4.982 milhões no total. É o valor mais elevado alguma vez registado, segundo os dados provisórios do IPCTN 2024 publicados pela DGEEC em julho de 2025.
Quantos investigadores tem Portugal em equivalente a tempo integral (ETI)?
Em 2024, Portugal contava com 64.166 investigadores em ETI (IPCTN 2024, DGEEC). Em 2023, eram 62.476 investigadores ETI, num total de 79.257 ETI de pessoal em I&D — incluindo técnicos e pessoal de apoio — com um rácio de 11,7 investigadores por mil ativos empregados (IPCTN 2023, DGEEC).
Em que setor se concentra mais a despesa em I&D em Portugal?
As empresas dominam com 62,7% da despesa total (€3.124 milhões em 2024), seguidas pelo ensino superior com 29,6% (€1.472 milhões). Em termos de investigadores, o ensino superior representa cerca de 50% dos ETI e as empresas cerca de 45% — fonte: IPCTN 2024 e IPCTN 2023, DGEEC.
Como se compara Portugal com a média europeia no investimento em I&D?
Em 2024, a média da UE-27 foi de 2,24% do PIB e Portugal ficou em 1,75% — um fosso de 0,49 pontos percentuais (Eurostat, 2025). Nas dotações orçamentais públicas para I&D por habitante, Portugal registou €78,7, face à média europeia de €284,7, situando-se entre os cinco países com valores mais baixos na União Europeia.
Qual é a meta de Portugal para o investimento em I&D até 2030?
Portugal fixou como meta atingir 3% do PIB em I&D até 2030 — 1% de origem pública e 2% de origem privada —, em linha com a meta europeia. Para cumprir este objetivo a partir do atual 1,75% (2024), o país teria de quase duplicar o investimento total em menos de seis anos.
Onde posso consultar os dados históricos de despesa em I&D em Portugal?
A série histórica completa está disponível na PORDATA, desagregada por setor e em percentagem do PIB. Os relatórios primários são os IPCTN anuais da DGEEC (divulgados pela FCT). Para comparações europeias, o Eurostat disponibiliza dados na secção R&D Expenditure Statistics Explained.
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