Saúde Mental e Burnout nos Doutorandos: Os Números em Portugal e na Europa 2026

Saúde Mental e Burnout nos Doutorandos: Os Números em Portugal e na Europa 2026

Um doutorando tem quase o dobro da probabilidade de desenvolver um problema psiquiátrico quando comparado com um trabalhador altamente qualificado com o mesmo nível de escolaridade. Este é o dado central do estudo de Levecque et al. (2017), publicado na Research Policy, que analisou 3.659 doutorandos em Flandres, Bélgica, e se tornou a referência de base para toda a investigação posterior sobre saúde mental burnout doutorandos dados. Desde então, múltiplos estudos europeus e internacionais confirmaram que a população doutoranda apresenta indicadores de sofrimento psicológico sistematicamente acima da média — e os números de 2024–2026 não mostram melhorias relevantes a nível estrutural.

Este artigo compila os dados mais recentes sobre prevalência de ansiedade, depressão e burnout entre doutorandos em Portugal e na Europa, por fase do doutoramento e área disciplinar, e identifica os principais fatores de risco descritos na literatura científica. Todos os valores apresentados são extraídos de estudos publicados e verificados; os dados em falta são identificados como tal.

Síntese dos dados-chave (2026)

  • 1 em cada 3 doutorandos europeus está em risco de perturbação psiquiátrica comum (Levecque et al., 2017, Research Policy).
  • Prevalência agrupada de depressão clínica: 24% (IC 95%: 18–31%), meta-análise de 23.469 doutorandos (Scientific Reports, 2021).
  • Prevalência agrupada de ansiedade clínica: 17% (IC 95%: 12–23%), meta-análise de 15.626 doutorandos (Scientific Reports, 2021).
  • Em Portugal, 9% dos estudantes do ensino superior confirmam problemas de saúde mental — o dobro de 2020–21; 59% consideram o apoio existente insuficiente (DGES, 2024).
  • 36% dos doutorandos inquiridos pelo inquérito Nature 2019 (n=6.300) procuraram apoio para ansiedade ou depressão relacionada com o doutoramento.

Prevalência geral: depressão e ansiedade

O estudo mais citado sobre saúde mental em doutorandos é o de Levecque et al. (2017), publicado na Research Policy, com uma amostra representativa de 3.659 doutorandos em Flandres, Bélgica. Utilizando o GHQ-12 (General Health Questionnaire), o estudo estabeleceu que 32% dos doutorandos estão em risco de desenvolver uma perturbação psiquiátrica comum — sobretudo depressão — e que 1 em cada 2 experimenta sofrimento psicológico significativo num dado momento.

Uma meta-análise publicada na Scientific Reports em 2021, integrando dados de 16 estudos com 23.469 doutorandos, encontrou uma prevalência agrupada de sintomas clinicamente significativos de depressão de 24% (IC 95%: 18–31%). Para a ansiedade, a meta-análise de 9 estudos com 15.626 doutorandos estimou uma prevalência de 17% (IC 95%: 12–23%). Estes valores são consideravelmente superiores aos registados na população geral com o mesmo nível de escolaridade.

O inquérito da revista Nature de 2019, realizado a 6.300 estudantes de pós-graduação em todo o mundo, revelou que 36% já procuraram ajuda profissional para ansiedade ou depressão relacionada com o doutoramento — um aumento expressivo face aos 12% registados numa edição anterior do mesmo inquérito em 2017. Evans et al. (2018), numa análise publicada na Nature Biotechnology, documentaram pela primeira vez aquilo que descreveram como uma “crise de saúde mental no ensino pós-graduado”, alertando para a necessidade de resposta institucional sistemática.

Um estudo espanhol de 2024, com doutorandos de várias universidades espanholas (publicado no PMC), encontrou valores ainda mais elevados: 40,6% dos doutorandos superaram o limiar clínico para ansiedade e 46,5% para depressão. As diferenças metodológicas entre estudos — instrumentos de medição, critérios de corte, características da amostra — explicam parte da variação nos valores reportados.

Quadro 1. Prevalência de problemas de saúde mental em doutorandos — estudos selecionados
Estudo / Fonte N Depressão Ansiedade Risco psiq.
Levecque et al. (2017), Research Policy, Bélgica 3.659 32%
Meta-análise (Scientific Reports, 2021), global 23.469 24% 17%
Inquérito Nature 2019, global 6.300 36% procuraram ajuda
Estudo espanhol (PMC, 2024) 46,5% 40,6%

Burnout nos doutorandos: o que os dados revelam

O burnout — síndrome de esgotamento emocional, despersonalização e redução da eficácia profissional — não é sinónimo de depressão, mas os dois fenómenos coexistem frequentemente em contexto académico. Dados provenientes dos Países Baixos, que refletiam tendências estruturais documentadas antes e durante o período pandémico, mostram que 39% dos doutorandos apresentavam sintomas graves de burnout e 47% estavam em risco de desenvolver uma perturbação psiquiátrica.

Uma revisão sistemática cobrindo o período 2020–2025 estimou que a prevalência de burnout entre estudantes universitários (incluindo pós-graduados) varia entre 38% e mais de 60%, dependendo do instrumento de medição e da população estudada. Para os doutorandos especificamente, a margem inferior tende a ser mais elevada do que para os estudantes de licenciatura, dada a maior exposição a fatores de risco institucionais e a duração prolongada da formação.

O inquérito Nature de 2024, publicado em janeiro de 2025, identificou que críticas excessivamente severas e expectativas desrazoáveis do orientador são os principais agravantes dos sintomas de ansiedade e depressão nos doutorandos. Este dado é relevante porque situa parte da solução ao nível da supervisão e da cultura académica — não apenas da resiliência individual. O mesmo levantamento documentou que 20% dos respondentes não tinham acesso a qualquer forma de apoio na sua instituição, principalmente por razões culturais ou financeiras.

A ideação suicida, embora menos estudada, também é documentada. Uma revisão sistemática publicada na ScienceDirect em 2024 sobre residentes e doutorandos estimou uma prevalência corrente de ideação suicida de 8,6% e uma prevalência ao longo da vida de 25,9%. Os autores identificaram depressão, burnout, solidão e má qualidade da relação com o orientador como fatores frequentemente associados a estes resultados.

Se estás em crise: a Linha de Apoio à Saúde Mental do SNS está disponível 24 horas — 808 24 24 24 (chamada gratuita).

Portugal: dados nacionais disponíveis

A informação específica sobre saúde mental em doutorandos portugueses é ainda escassa ao nível dos dados públicos desagregados. O quadro mais recente disponível diz respeito ao conjunto dos estudantes do ensino superior. O Inquérito sobre as Condições Socioeconómicas e Académicas dos Estudantes do Ensino Superior, coordenado pela Direção-Geral do Ensino Superior (DGES) com dados de 2022–23, abrangeu 10.600 estudantes representativos de cerca de 420.000 inscritos em instituições portuguesas.

Os resultados indicam que 9% dos estudantes do ensino superior em Portugal confirmam ter problemas de saúde mental — o dobro dos 4,4% registados no levantamento de 2020–21. Ansiedade e depressão são as condições mais frequentemente referidas. Mais significativo: 59% dos estudantes consideram os serviços de apoio psicológico existentes completamente insuficientes.

A DGEEC dispõe, desde 2023, de um Observatório da Saúde Psicológica e do Bem-Estar (OSPBE), coordenado por Margarida Gaspar de Matos. Os primeiros relatórios, disponíveis em info.dgeec.medu.pt, fornecem dados desagregados por nível de ensino, mas ainda não distinguem sistematicamente o segmento doutorando do conjunto dos pós-graduados.

Para contextualização com a população jovem em geral: um estudo Marktest/Medicare publicado em outubro de 2025 revelou que os jovens entre os 18 e os 24 anos são o grupo mais afetado por sintomas de ansiedade, burnout e depressão em Portugal (cerca de 50% da faixa etária), seguidos pelos adultos jovens de 25 a 34 anos (~42%). Uma proporção considerável dos doutorandos insere-se precisamente nesta faixa etária de maior vulnerabilidade.

Nota metodológica: a ausência de dados desagregados especificamente para doutorandos em Portugal é, em si, um dado relevante. A Eurodoc — Conselho Europeu de Doutorandos e Jovens Investigadores — identificou a “falta de dados sistemáticos” como o principal obstáculo à definição de políticas eficazes de saúde mental dirigidas a esta população.

O panorama do abandono do doutoramento em Portugal está diretamente ligado a este contexto: as taxas de não-conclusão de 19% nas universidades públicas e 27% nas instituições privadas (2023–24) têm nos fatores de bem-estar psicológico um contributo documentado, ainda que difícil de quantificar com precisão.

Por fase do doutoramento e área disciplinar

A vulnerabilidade não é uniforme ao longo do percurso doutoral. A investigação disponível aponta para dois períodos de maior risco: o segundo e terceiro anos, quando o investigador transita da fase estruturada de revisão de literatura e definição metodológica para a produção independente de dados — com menor supervisão formal e maior exposição à incerteza —, e o período imediatamente anterior à defesa, marcado pela pressão da entrega e pelas expectativas associadas às provas públicas.

Quanto às diferenças por área científica, um estudo espanhol de 2024 (PMC) encontrou que os doutorandos de Artes e Humanidades apresentam as pontuações mais elevadas de ansiedade e depressão, em comparação com os de Ciências Sociais, Ciências Experimentais e Matemática, e Ciências da Saúde. Os doutorandos de Ciências Sociais registaram, por sua vez, maior satisfação com a vida e maior perceção de apoio do orientador do que os restantes grupos.

Relativamente ao tipo de programa, investigação com uma amostra internacional (PMC, 2022) indica que os doutorandos em programas individuais — sem estrutura curricular formal — apresentam mais sintomas de burnout do que os integrados em programas doutorais estruturados, possivelmente devido ao maior isolamento e à menor regularidade da avaliação formativa.

As diferenças de género são igualmente documentadas: no estudo espanhol de 2024, 43,8% das mulheres doutorandas superaram o limiar clínico para ansiedade, face a 34,5% dos homens; para a depressão, os valores foram de 49,3% e 39,8%, respetivamente. Um inquérito de 2025 em Portugal (Marktest/Medicare) confirma um padrão semelhante na população geral: 41,7% das mulheres vs. 27% dos homens reportam sintomas relevantes de ansiedade, burnout e depressão.

Quadro 2. Indicadores de saúde mental por subgrupo de doutorandos
Dimensão Achado principal Fonte
Área disciplinar Artes & Humanidades: maior ansiedade e depressão PMC, 2024 (Espanha)
Género (ansiedade) Mulheres: 43,8% vs. homens: 34,5% PMC, 2024 (Espanha)
Género (depressão) Mulheres: 49,3% vs. homens: 39,8% PMC, 2024 (Espanha)
Tipo de programa Doutoramento individual: mais burnout vs. programa estruturado PMC, 2022 (amostra internacional)
Relação com orientador Preditor mais significativo de saúde mental positiva Frontiers in Psychology, 2024 (UK)

Principais causas identificadas na literatura

A literatura científica identifica de forma consistente um conjunto de fatores estruturais e relacionais que explicam os níveis elevados de sofrimento psicológico entre doutorandos:

  • Pressão de publicação (“publish or perish”): a cultura académica que associa o valor do investigador ao número e impacto das suas publicações gera ansiedade crónica. O tempo de revisão por pares — com medianas globais de 13 semanas para uma primeira decisão editorial — amplifica esta pressão, tornando o processo imprevisível e difícil de planear.
  • Instabilidade financeira: as bolsas de doutoramento têm frequentemente valor insuficiente face ao custo de vida, especialmente em Lisboa e Porto. Os dados sobre empregabilidade e salários dos doutorados em Portugal mostram que a incerteza quanto ao percurso profissional pós-doutoramento é um fator de stress relevante já durante a formação. O diretório de bolsas e financiamento para o doutoramento em Portugal reúne as principais fontes de apoio disponíveis.
  • Isolamento social: o trabalho de investigação é frequentemente solitário, com poucos pares na mesma fase, integração limitada em comunidades de prática e escassez de redes de suporte informal — um dos fatores mais associados ao burnout segundo a Eurodoc.
  • Relação com o orientador: um estudo publicado na Frontiers in Psychology em 2024, com doutorandos do Reino Unido, identificou a relação com o orientador como o preditor mais significativo dos resultados de saúde mental. Críticas excessivamente severas e expectativas desrazoáveis — documentadas no inquérito Nature 2024 — funcionam como agravantes diretos dos sintomas.
  • Duração imprevisível da formação: a Eurodoc identificou a incerteza sobre o horizonte temporal do doutoramento como um dos principais indutores de stress entre os investigadores em formação.
  • Perspetiva profissional incerta: a elevada competitividade pelo número reduzido de posições académicas permanentes, combinada com a escassez de informação sobre saídas não académicas, contribui para uma sensação de aprisionamento profissional documentada em múltiplos estudos.

Doutorandos vs. população geral e outros estudantes

O que distingue os doutorandos de outros grupos populacionais é a magnitude do diferencial de risco. O estudo de Levecque et al. (2017) quantificou os riscos relativos com precisão:

  • Risco relativo (RR) de sofrimento psicológico vs. adultos altamente qualificados na população geral: RR = 1,99
  • RR vs. trabalhadores altamente qualificados: RR = 2,02
  • RR vs. estudantes do ensino superior (licenciatura/mestrado): RR = 1,53

Estes dados contradizem a narrativa de que os problemas de saúde mental nos doutorandos são simplesmente uma extensão dos problemas da população jovem em geral. O doutoramento acrescenta fatores de risco específicos — a assimetria de poder face ao orientador, a dependência de uma única relação de supervisão, a ausência de avaliação formativa regular, a ambiguidade do estatuto profissional — que não estão presentes noutras formações universitárias.

Uma análise publicada no CEPR VoxEU em 2024, utilizando dados administrativos em larga escala de um país nórdico, sugeriu que a vulnerabilidade acrescida pode desenvolver-se durante o próprio percurso doutoral — ou seja, os doutorandos não começam necessariamente mais vulneráveis do que os seus pares, mas o contexto institucional e as condições de trabalho acabam por produzir o diferencial observado. Este achado tem implicações para as políticas universitárias: as intervenções de apoio devem incidir nas condições estruturais, não apenas na triagem de candidatos.

Recursos de apoio em Portugal

Em Portugal, os recursos formais de apoio psicológico aos doutorandos estão ainda em desenvolvimento, com capacidades limitadas face à procura crescente. As principais opções disponíveis incluem:

  • Serviços de psicologia das universidades: IST, UMinho, UPorto, UCoimbra, UNL e ISCTE dispõem de gabinetes de apoio psicológico. O acesso é geralmente gratuito para estudantes inscritos, incluindo doutorandos. A disponibilidade varia por instituição e os tempos de espera podem ser elevados.
  • Programa de Promoção da Saúde Mental no Ensino Superior (DGES): iniciativa financiada pelo Ministério da Educação, Ciência e Inovação que apoia instituições na criação de respostas específicas de saúde mental.
  • Linha de Apoio à Saúde Mental (SNS): linha gratuita (808 24 24 24) disponível 24 horas, incluindo para situações de crise.
  • Associações de jovens investigadores: a ANJIP e redes locais ligadas à Eurodoc oferecem espaços de partilha entre pares e apoio informal.
  • Programas de bem-estar institucional: várias unidades de investigação passaram a incluir módulos sobre saúde mental nos planos de formação doutoral, em linha com as recomendações da EUA-CDE (European University Association Council for Doctoral Education).

Para além do apoio formal, a estruturação do processo de escrita é um fator que pode reduzir a sobrecarga cognitiva em fases críticas. O guia Como Fazer uma Tese em 2026 (pt.tesify.pro) descreve uma abordagem estruturada — desde a escolha do tema até à entrega — que permite gerir o ritmo de trabalho de forma mais previsível.

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Perguntas frequentes

Qual é a prevalência de depressão entre doutorandos na Europa?

Uma meta-análise de 16 estudos com 23.469 doutorandos, publicada na Scientific Reports em 2021, estimou uma prevalência agrupada de sintomas clinicamente significativos de depressão de 24% (IC 95%: 18–31%). Para a ansiedade, a estimativa em 15.626 doutorandos foi de 17% (IC 95%: 12–23%). Estes valores são substancialmente superiores aos da população geral com nível de escolaridade equivalente.

Os doutorandos têm mais problemas de saúde mental do que outros estudantes universitários?

Sim. O estudo de Levecque et al. (2017, Research Policy), com 3.659 doutorandos em Flandres, mostrou que o risco relativo de sofrimento psicológico nos doutorandos é 1,53 vezes superior ao dos estudantes de ensino superior (licenciatura e mestrado), e quase duas vezes superior ao de adultos altamente qualificados na população geral (RR = 1,99).

Que área disciplinar apresenta maior risco de burnout no doutoramento?

Segundo um estudo espanhol de 2024 (publicado no PMC), os doutorandos de Artes e Humanidades apresentam as pontuações médias mais elevadas de ansiedade e depressão, comparativamente com Ciências Sociais, Ciências Experimentais e Matemática, e Ciências da Saúde. As diferenças podem estar relacionadas com a maior frequência de doutoramentos individuais (sem programa estruturado) e a menor dimensão das redes de pares nestas áreas.

Qual é o principal fator de proteção da saúde mental durante o doutoramento?

A investigação aponta consistentemente para a relação com o orientador como o preditor mais significativo dos resultados de saúde mental. Um estudo publicado na Frontiers in Psychology em 2024, com doutorandos do Reino Unido, confirmou esta associação. Uma supervisão de qualidade — com feedback construtivo, expectativas claras e apoio ao desenvolvimento profissional — funciona como fator de proteção relevante.

Em Portugal, onde podem os doutorandos procurar apoio psicológico?

Os doutorandos inscritos em universidades portuguesas têm acesso aos serviços de psicologia das respetivas instituições (IST, UMinho, UPorto, UCoimbra, UNL, ISCTE, entre outras), geralmente de forma gratuita. Em situações de crise, a Linha de Apoio à Saúde Mental do SNS (808 24 24 24) está disponível 24 horas. A DGES co-financia o Programa de Promoção da Saúde Mental no Ensino Superior, que está a ampliar a capacidade institucional de resposta.

O burnout é a mesma coisa que depressão no contexto do doutoramento?

Não. O burnout é uma síndrome de esgotamento emocional, despersonalização e redução da eficácia profissional — reconhecida pela OMS como fenómeno ocupacional, não como doença mental. A depressão é uma perturbação do humor com critérios clínicos específicos. Os dois fenómenos podem coexistir e reforçar-se mutuamente, e investigação recente sugere que o burnout não tratado é um fator de risco para o desenvolvimento de depressão clínica.