30 Exemplos de Títulos de Dissertação de Economia: a Fórmula por Trás de um Bom Título (2026)
Um título de dissertação de Economia convence o orientador e o júri quando nomeia uma relação económica concreta, testável com dados reais, num contexto delimitado — não quando anuncia um tema amplo como «a economia portuguesa» ou «o mercado de trabalho». Este guia mostra a fórmula por trás de um bom título de Economia e dá 30 exemplos organizados pelos veios temáticos mais ativos em 2026, para adaptar ao seu próprio acesso a dados.
Para a estrutura de capítulos, as fontes de dados e os modelos econométricos que sustentam estes títulos, o guia completo sobre a dissertação de Economia em Portugal cobre o que vem depois de escolher o título.
A anatomia de um título de dissertação de Economia
| Elemento | Título fraco | Título com a fórmula aplicada |
|---|---|---|
| Fenómeno + variável mensurável | «O mercado de trabalho em Portugal» | «O impacto do salário mínimo no emprego jovem em Portugal» |
| + dados e período | «A habitação em Portugal» | «Os determinantes do preço da habitação nos concelhos do Grande Porto, 2015–2024» |
| + método de identificação | «O impacto de uma política fiscal» | «O efeito do IVA reduzido na restauração sobre o emprego setorial: uma abordagem de diferenças-em-diferenças» |
Note como cada versão «com a fórmula aplicada» já sinaliza o tipo de dados (painel, série temporal, corte transversal) e, frequentemente, o próprio método de identificação — o que permite ao orientador avaliar de imediato a exequibilidade do projeto, em vez de descobrir só na reunião seguinte que os dados não existem para o período pretendido.
30 exemplos de títulos, organizados por veio temático
Os exemplos que se seguem são hipóteses de título — o país, o setor, o período e a variável de controlo devem ser ajustados aos dados a que realmente tem acesso.
Mercado de trabalho (5 exemplos)
- O impacto da imigração recente nos salários dos trabalhadores nativos pouco qualificados em Portugal
- Polarização do emprego e automação: evidência setorial para a indústria transformadora portuguesa
- Efeitos do aumento do salário mínimo no emprego jovem: uma abordagem de regressão descontínua
- Transições entre desemprego e emprego informal: um estudo com dados do Inquérito ao Emprego
- O prémio salarial do teletrabalho pós-pandemia: evidência para profissões qualificadas em Portugal
Habitação (5 exemplos)
- Os determinantes do preço da habitação nos concelhos do Grande Porto, 2015–2024
- Impacto do alojamento local na renda de longa duração: evidência para Lisboa e Porto
- Acesso ao crédito hipotecário após o aumento das taxas de juro: um estudo com dados do Banco de Portugal
- Restrições à oferta de habitação e o efeito nos preços: uma análise municipal comparada
- Gentrificação e turistificação: o efeito do Airbnb nos preços de arrendamento em bairros históricos
Política fiscal e distribuição (5 exemplos)
- Regressividade do IVA em Portugal: uma análise por decil de rendimento
- O efeito dos benefícios fiscais à interioridade na fixação de empresas: evidência regional
- Eficiência da despesa pública em educação: uma comparação entre municípios portugueses
- O impacto redistributivo do IRS após a última reforma: uma simulação com microdados fiscais
- Evasão fiscal e informalidade: determinantes ao nível setorial em Portugal
Macroeconomia aplicada (5 exemplos)
- Transmissão da política monetária do BCE ao crédito às empresas portuguesas: um modelo VAR
- Inflação e ciclos de crédito em Portugal: uma análise de cointegração de longo prazo
- Endividamento das famílias e consumo privado: evidência de séries temporais para 2000–2024
- Choques cambiais e exportações portuguesas: uma abordagem de séries temporais setoriais
- Sustentabilidade da dívida pública portuguesa: uma simulação de cenários pós-pandemia
Investimento direto estrangeiro e comércio internacional (5 exemplos)
- Determinantes do investimento direto estrangeiro em Portugal: uma análise em dados de painel
- O impacto do IDE no crescimento do emprego regional: evidência para os distritos portugueses
- Efeitos do Brexit nas exportações portuguesas para o Reino Unido: uma abordagem de diferenças-em-diferenças
- Cadeias de valor globais e resiliência das exportações portuguesas durante choques externos
- Comércio bilateral Portugal-China: um modelo gravitacional aplicado
Eficiência setorial e economia do ambiente (5 exemplos)
- Eficiência produtiva do setor bancário português: uma análise envoltória de dados (DEA)
- O impacto das políticas climáticas na produtividade das empresas industriais portuguesas
- Custo económico dos eventos climáticos extremos: evidência para o setor agrícola português
- Eficiência energética e competitividade: um estudo comparado do setor das telecomunicações na UE
- Determinantes da adoção de energias renováveis pelas empresas: evidência ao nível municipal

Como testar se o título aguenta a pergunta «que dados vai usar?»
A pergunta que mais rapidamente separa um título viável de um título ambicioso demais é simples: para cada variável nomeada no título, consegue apontar hoje a fonte concreta de dados que a mede, para o período e a unidade de análise que o título promete? Um título sobre «o impacto do IDE no crescimento regional» só é viável se existir uma série de IDE desagregada por região — se essa desagregação não existir publicamente, o título tem de ser reformulado para o nível de agregação que os dados realmente permitem, ou para uma fonte alternativa de acesso mais restrito, como bases de dados de empresas disponíveis apenas via biblioteca universitária.
Do título à pergunta de investigação: um exemplo completo
Para mostrar como um título bem construído já contém a pergunta de investigação, veja como um dos exemplos anteriores se desdobra num projeto completo.
Título: «Impacto do alojamento local na renda de longa duração: evidência para Lisboa e Porto».
Pergunta de investigação: em que medida a densidade de anúncios de alojamento local por freguesia está associada ao valor da renda de longa duração em Lisboa e no Porto?
Dados: densidade de anúncios de alojamento local por freguesia (fonte: plataformas de dados abertos ou scraping validado), valores de renda de longa duração por freguesia (INE, Confidencial Imobiliário), período de 2015 a 2024.
Método: dados em painel por freguesia e ano, com efeitos fixos de freguesia para controlar características não observadas e constantes no tempo, e teste de Hausman para confirmar a escolha do estimador.
Limitação a declarar: a densidade de anúncios de alojamento local não distingue entre licenciado e não licenciado, o que a metodologia deve reconhecer explicitamente — a lógica de declarar honestamente uma limitação de dados, em vez de a ignorar, segue o mesmo princípio descrito no guia sobre como escrever as limitações do estudo.
O guia sobre como definir a pergunta de investigação, objetivos e hipóteses detalha os critérios que tornam uma pergunta como esta suficientemente específica para orientar todo o desenho.
Diferença entre um título de dissertação empírica e um título de dissertação teórica
Um título de dissertação empírica nomeia sempre uma relação testável com dados — «o impacto de X em Y», «os determinantes de X», «o efeito de X sobre Y». Um título de dissertação teórica, mais rara na maioria dos mestrados portugueses e mais comum em programas com forte componente matemática, nomeia antes um modelo ou uma extensão teórica — por exemplo, «Um modelo de procura por habitação com restrições de crédito heterogéneas» — sem prometer uma aplicação empírica direta. Confundir os dois registos no título é um erro que se paga caro mais tarde: um título com linguagem empírica que na prática só desenvolve álgebra sem dados gera expectativas erradas junto do júri desde a primeira leitura.

Ajustar o título ao grau e ao tempo disponível
Um título ambicioso a mais para o tempo de um mestrado de um ano é o erro de calibração mais comum em Economia. Um título como «os determinantes do crescimento económico em Portugal desde a adesão à CEE» promete uma investigação de fôlego que normalmente pede mais dados, mais robustez e mais tempo do que um mestrado de dissertação permite tratar com rigor. Uma versão mais realista para o mesmo interesse de investigação delimita o período recente e um mecanismo específico — por exemplo, o efeito dos fundos europeus pós-2014 sobre a produtividade regional — o que permite um tratamento mais aprofundado dentro do tempo disponível. Numa dissertação de doutoramento, por contraste, espera-se que o título sinalize também uma contribuição metodológica ou teórica própria, não apenas uma nova aplicação de um método já estabelecido a um novo país ou período.
Onde procurar inspiração sem replicar um estudo já feito
Os repositórios institucionais do ISEG, da FEP e da NOVA SBE publicam dissertações completas, incluindo a secção de limitações e sugestões para investigação futura — o local mais fiável para encontrar um ângulo ainda não explorado dentro de um veio temático já bem estabelecido. Ler três a cinco dissertações recentes na área de interesse, prestando atenção especial ao que os próprios autores identificam como não resolvido, é uma forma mais produtiva de gerar um título original do que partir de uma lista genérica de temas.
Erros comuns a evitar
- Título sem período temporal nem unidade de análise. «O crescimento económico em Portugal» não diz se é ao nível nacional, regional ou setorial, nem para que anos.
- Prometer causalidade sem um método de identificação. Se o desenho é apenas uma regressão OLS com dados observacionais, «o efeito de» exige, no mínimo, uma discussão séria de endogeneidade — «a relação entre» é normalmente mais honesto.
- Copiar o título de uma dissertação já publicada, mudando só o país. Sem uma diferenciação real de dados, período ou método, a contribuição não é original.
- Título tecnicamente correto mas ilegível para o júri. Nomear três siglas de testes estatísticos no título é menos eficaz do que nomear a relação económica e deixar o método para o resumo.
- Ignorar a disponibilidade real dos dados antes de fixar o título. Um título sobre um período ou uma unidade de análise para a qual a fonte escolhida não tem cobertura obriga a reformular o projeto já depois de aprovado.
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Perguntas frequentes
O título tem de mencionar o modelo econométrico que vou usar?
Não é obrigatório, mas mencionar o método de identificação (diferenças-em-diferenças, dados em painel, séries temporais) quando é central ao argumento ajuda o júri a avaliar a exequibilidade do projeto desde o início.
Posso usar um título com pergunta, terminado em ponto de interrogação?
Sim, é uma prática comum em Economia para títulos de natureza mais exploratória, desde que a pergunta seja específica e não genérica.
Quantas variáveis deve ter um título de dissertação de Economia?
Normalmente duas — a variável dependente e a independente principal — com um terceiro elemento opcional quando existe uma variável moderadora ou de interação claramente definida no modelo.
É má ideia escolher um tema sem saber ainda que dados existem?
Sim — verificar a disponibilidade e o período coberto pela fonte de dados antes de fechar o título evita ter de reformular a pergunta de investigação já depois de o projeto estar aprovado pelo orientador.
Em resumo
Um título de dissertação de Economia convence quando nomeia uma relação económica concreta, aponta a fonte de dados que a mede e sinaliza, sempre que possível, o método de identificação usado para a testar. Os 30 exemplos anteriores, organizados pelos veios temáticos mais ativos em 2026, são pontos de partida para adaptar ao contexto e aos dados a que tem acesso — nunca para copiar tal como estão.
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