Errata e Fé de Erratas na Tese 2026: Como e Quando Fazer
Já entregaste a tese e, ao lê-la mais uma vez, encontraste um erro que passou por toda a revisão. Acontece aos melhores. A questão é: o que fazer agora? A resposta está na errata — um elemento pré-textual simples mas com regras claras que muitos estudantes desconhecem até ao momento em que mais precisam. Saber como fazer errata tese depois de entregar pode poupar-te ansiedade desnecessária antes da defesa.
Este guia explica o que é uma errata, quando é obrigatória, como a formatar segundo as boas práticas académicas portuguesas, e como a entregar antes ou depois da prova pública.
O que é uma errata e para que serve
O termo errata vem do latim — plural de erratum, ou seja, “coisas erradas”. No contexto académico, é um documento curto que regista os erros detetados numa obra após a sua impressão ou submissão definitiva, indicando a localização exata de cada erro e a correção correspondente.
A errata cumpre duas funções principais:
- Integridade científica: informa os leitores de que determinados dados, citações ou afirmações devem ser interpretados de forma diferente da publicada;
- Transparência académica: demonstra que o autor reconhece os seus erros e está comprometido com a qualidade do trabalho — uma postura valorizada pelos júris.
Nas normas de formatação académica portuguesa — e nas diretrizes internacionais de errata em trabalhos académicos — a errata é classificada como elemento pré-textual opcional, posicionada imediatamente após a capa ou folha de rosto. Para contextualizar a errata no conjunto da estrutura da tese, consulte o cronograma de tese de mestrado em Portugal por universidade, que detalha cada etapa do processo de submissão.
Errata vs. fé de erratas: qual a diferença?
Em Portugal, os dois termos são frequentemente usados como sinónimos, mas há uma distinção técnica útil:
| Termo | Uso típico | Posição no documento |
|---|---|---|
| Errata | Incorporada na versão digital antes da defesa ou no repositório | Após a capa, antes do índice |
| Fé de erratas | Folha avulsa entregue ao júri quando a tese já está impressa | Inserida ou anexa à cópia impressa |
Na prática, a maioria das teses em Portugal é entregue em formato digital (via SIGARRA, Fénix ou plataforma equivalente), pelo que a distinção física perde relevância. O termo “errata” abrange ambos os cenários.
Quando é obrigatório fazer uma errata?
Não existe lei nacional que imponha a errata de forma universal. O seu estatuto — obrigatório ou opcional — depende do regulamento interno de cada universidade. Dito isto, há situações em que fazer uma errata é praticamente imperativo:
- Erros factuais nos dados: valores estatísticos, percentagens ou tabelas incorretos que alteram as conclusões;
- Citações erradas: referências bibliográficas com dados trocados (autor, ano, página);
- Erros metodológicos menores: descrição imprecisa de um procedimento que não invalida os resultados mas que pode confundir o leitor;
- Erros ortográficos sistemáticos: um nome próprio errado ao longo de todo o documento;
- Correções solicitadas pelo orientador após a entrega definitiva.
Erros tipográficos pontuais (uma vírgula, um espaço) raramente justificam uma errata formal, embora possas incluí-los se forem em número significativo.
Como formatar a errata: estrutura e exemplo
Não existe uma norma ISO ou NP vinculativa para a errata de teses em Portugal. O formato mais aceite pelas instituições portuguesas inspira-se nas boas práticas internacionais e tem a seguinte estrutura:
Estrutura recomendada
- Título: “ERRATA” centrado, em maiúsculas, fonte 12pt, negrito;
- Referência do trabalho: título da tese, autor, instituição, ano — alinhado à esquerda, espaçamento simples;
- Tabela de correções: com colunas Página | Linha | Onde se lê | Deve ler-se.
Exemplo de tabela de errata
| Página | Linha | Onde se lê | Deve ler-se |
|---|---|---|---|
| 34 | 12 | α = 0,05 (n = 80) | α = 0,05 (n = 85) |
| 67 | 5 | Silva, 2019 | Silva, 2021 |
| 102 | 8 | desvio-padrão de 1,23 | desvio-padrão de 1,32 |

Formatação tipográfica
- Fonte: Times New Roman ou Arial, tamanho 12;
- Espaçamento: simples na referência do trabalho, 1,5 linhas na tabela;
- Margens: 2,5 cm em todos os lados (consistente com o documento principal);
- A errata não tem número de página e não conta para o total de páginas.
O blogue académico DESIGNLAB (pedamado.wordpress.com), da Universidade de Lisboa, apresenta uma visão geral da estrutura de dissertações e teses que inclui os elementos pré-textuais onde a errata se enquadra.
Como e onde entregar a errata
O momento e o método de entrega dependem de quando detetaste o erro:
Cenário 1: erro detetado entre a entrega e a defesa
Este é o cenário mais comum. Tens dois caminhos:
- Atualizar o ficheiro na plataforma de submissão — se ainda estás dentro do prazo de depósito definitivo, alguns sistemas (como o SIGARRA da UP) permitem substituir o ficheiro. Confirma com a secretaria académica.
- Preparar uma fé de erratas em folha avulsa para entregar fisicamente ao júri no dia da defesa, colocada na capa de cada exemplar impresso.
Para saber se ainda podes atualizar o ficheiro, consulta o nosso guia sobre como entregar a tese no SIGARRA, Fénix e Moodle em 2026.
Cenário 2: erro detetado após a defesa (versão pré-repositório)
Após a defesa, na maioria das universidades há um prazo (tipicamente 30 a 90 dias) para depositar a versão final — com as correções solicitadas pelo júri incorporadas. Este é o momento certo para:
- Incorporar as correções diretamente no texto (método preferido);
- Adicionar a errata como folha pré-textual se alguns erros não foram corrigidos no corpo.
Cenário 3: erro detetado após publicação no repositório
Se a tese já está publicada no repositório institucional ou no RCAAP, contacta a secretaria académica e o gestor do repositório para solicitar a substituição do ficheiro. O processo varia por instituição mas geralmente requer:
- Pedido formal por escrito (email ou formulário);
- Aprovação do orientador;
- Submissão da nova versão PDF/A com errata incorporada.
Para uma visão geral dos erros mais comuns na revisão de literatura que acabam por originar erratas, o artigo 7 erros fatais na revisão de literatura da tese identifica os problemas mais frequentes antes da submissão.
O que fazer se o erro for grave
Um erro “grave” é aquele que afeta as conclusões, invalida dados ou representa imprecisão metodológica significativa. Neste caso, a errata por si só pode não ser suficiente:
- Fala com o orientador imediatamente — antes de qualquer contacto com a secretaria. O orientador orientará a estratégia correta;
- Avalia o impacto nas conclusões — se o erro não altera as conclusões principais, uma errata é suficiente; se altera, pode ser necessário rever o capítulo correspondente na versão final pós-defesa;
- Não corrijas silenciosamente — substituir um ficheiro sem documentar a correção pode ser interpretado como má conduta académica;
- Informa o júri proativamente — no dia da defesa, mencionar o erro identificado e a correção prevista demonstra maturidade científica.
O blogue MATLIT Lab — Oficinas de Escrita, do Programa de Doutoramento em Materialidades da Literatura da Universidade de Coimbra, aborda a revisão crítica de teses como parte do processo de escrita académica — uma perspetiva útil para entender a errata no seu contexto mais amplo.
Perguntas Frequentes
Sou obrigado a fazer uma errata na tese?
Não é universalmente obrigatório. A maioria das universidades portuguesas considera a errata opcional, mas fortemente recomendada quando os erros afetam a compreensão do trabalho ou a correção dos dados. Em alguns regulamentos de doutoramento, erros substanciais identificados pelo júri podem tornar a errata obrigatória.
Qual é a diferença entre errata e fé de erratas?
Em sentido estrito, errata é uma lista de erros tipográficos ou de conteúdo com as respetivas correções, inserida logo após a capa ou página de rosto. Fé de erratas é uma folha avulsa entregue separadamente, normalmente quando a tese já foi depositada e encadernada. Na prática académica portuguesa, os dois termos são usados de forma intercambiável.
Posso corrigir o texto principal depois de depositar a tese?
Depende da plataforma e do momento. Se a tese ainda não foi publicada no RCAAP ou repositório institucional, algumas universidades permitem submeter uma versão corrigida. Após publicação no repositório, é geralmente necessário contactar a secretaria académica e o repositório para solicitar a substituição do ficheiro, processo sujeito a aprovação.
Em que momento devo entregar a errata?
Existem dois momentos possíveis: antes da defesa (como folha avulsa anexa à tese entregue ao júri) ou após a defesa (como adenda à versão final depositada no repositório). O mais comum em Portugal é fazer a errata antes da defesa quando os erros são detetados entre a entrega e a prova, ou após a defesa quando o júri aponta correções a incorporar.
A errata afeta a nota final da tese?
Em regra não, desde que os erros sejam tipográficos ou de menor relevância científica. No entanto, se o júri detetar erros metodológicos ou factuais graves sem que o candidato os tenha reconhecido proativamente, isso pode influenciar a avaliação global. Apresentar uma errata bem estruturada demonstra rigor e cuidado académico.
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