Doutoramento em Cotutela PT-Brasil 2026: Acordo e Procedimento Completo
O doutoramento em cotutela entre Portugal e o Brasil é uma das vias mais exigentes — e mais recompensadoras — da pós-graduação no espaço lusófono. Trata-se de um regime de dupla inscrição, dupla orientação e dupla titulação, formalizado através de um acordo escrito entre as duas instituições envolvidas e o próprio doutorando. Em 2026, com os acordos CAPES-FCT renovados, mais de 1.600 bolsas FCT em aberto e o PEC-PG a oferecer vagas anuais, o número de candidatos brasileiros que escolhem Portugal como destino para o doutoramento atingiu máximos históricos — e a cotutela tornou-se a fórmula favorita de quem quer garantir reconhecimento simultâneo em ambos os países.
O processo parece complexo à primeira vista: minutas bilaterais, ratificação dos conselhos científicos, enquadramento no Decreto-Lei 65/2018 e no DL 74/2006, acordos de financiamento com a FCT ou a CAPES. Mas, quando é seguido passo a passo, é perfeitamente executável num prazo de seis a doze meses antes da inscrição formal. Este guia explica tudo o que precisa de saber para iniciar, formalizar e concluir um doutoramento em cotutela PT-Brasil em 2026.
O que é a cotutela e o que diz a lei portuguesa
A cotutela de doutoramento está enquadrada em Portugal pelo Decreto-Lei n.º 74/2006, de 24 de março (com as alterações introduzidas pelo DL 65/2018, de 16 de agosto), que regula os graus e diplomas do ensino superior. Não existe uma lei específica sobre cotutela: o regime decorre da autonomia estatutária de cada instituição e é regulamentado por cada universidade através de regulamento próprio.
No essencial, a cotutela implica:
- Dupla inscrição — o doutorando está formalmente inscrito nas duas instituições durante a totalidade do período do doutoramento;
- Dupla orientação — existe pelo menos um orientador principal em cada instituição, com responsabilidades claramente definidas na minuta;
- Única tese — a tese é uma só (redigida numa das línguas acordadas, normalmente português ou inglês), embora possa incluir um resumo alargado na outra língua;
- Duplo diploma — após a defesa, ambas as instituições emitem os seus diplomas de doutor, com plena equivalência nos dois países;
- Acordo escrito — todos os termos são formalizados numa minuta assinada pelo doutorando, pelos orientadores e pelos representantes legais das duas universidades (reitores ou presidentes de conselho científico).
No lado brasileiro, as cotutelas com universidades portuguesas são reguladas pelos regulamentos de pós-graduação de cada IES, em consonância com as normas da CAPES e, quando há financiamento, com os editais do Programa CAPES-FCT de cooperação bilateral.
Vantagens da cotutela PT-Brasil em 2026
Porque é que um doutorando — português ou brasileiro — deveria optar pela cotutela em vez de um doutoramento simples? As vantagens são consideráveis, especialmente em 2026, com o espaço europeu de investigação cada vez mais integrado.
| Vantagem | O que significa na prática |
|---|---|
| Duplo diploma reconhecido | Grau reconhecido automaticamente em Portugal (UE) e no Brasil sem necessidade de revalidação pela DGES ou MEC |
| Mobilidade académica | Acesso a candidaturas FCT (Portugal/UE) e a cargos em IES brasileiras com dispensa de equivalência |
| Duplo financiamento possível | Bolsa FCT (período PT) + bolsa CAPES ou CNPq (período BR) podem ser cumulativas com algumas restrições |
| Rede de investigação alargada | Acesso a infraestruturas, laboratórios, bases de dados (b-on + CAPES Periódicos) e redes de dois países |
| Currículo diferenciador | Dupla filiação institucional na tese e nas publicações — valorizado em avaliações CEEC, Qualis e Lattes |
Para doutorandos brasileiros que planeiam seguir carreira em Portugal ou na UE, a cotutela elimina a necessidade de revalidação do grau pela DGES, um processo que pode demorar até dois anos. Para investigadores portugueses, a filiação numa IES brasileira de prestígio (USP, UNICAMP, UFRJ) abre acesso direto a financiamento FAPESP, CNPq e publicações em Qualis A1.
Universidades portuguesas e brasileiras com cotutela ativa em 2026
Não todas as IES têm regulamento de cotutela aprovado e ativo. A lista seguinte reflete as instituições que publicaram regulamentos ou minutas em vigor em 2026:
Portugal
- Universidade do Porto (UPorto) — Regulamento de doutoramento em regime de cotutela internacional, exige mínimo de 9 meses presenciais (podem ser dois semestres intercalados). Minuta disponível em SIGARRA.
- Universidade de Lisboa (ULisboa) / IST — Aceita cotutela mediante acordo específico assinado pelas universidades e pelo doutorando; a tese é desenvolvida com pelo menos um orientador de cada universidade.
- Universidade de Coimbra (UC) — Regulamento formal com minuta-tipo anexada; acordo deve ser celebrado antes da matrícula no programa de doutoramento.
- Universidade NOVA de Lisboa — Aceita cotutela nas suas escolas (FCT NOVA, FCSH, NMS); regulamento publicado em DR.
- Universidade do Minho (UMinho) — Cotutela disponível nas áreas de Ciências, Engenharia e Ciências Sociais; contato direto com a Divisão de Relações Internacionais.
Brasil
- Universidade de São Paulo (USP) — Dupla/Múltipla Titulação regulamentada pela Pró-Reitoria de Pós-Graduação (PRPG); modelo standard disponível no portal PRPG.
- Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) — PROPG publica modelos de convenção de cotutela em português e inglês.
- Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) — Regulamento específico de cotutela, com convênios ativos com várias IES portuguesas.
- Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) — Acordos bilaterais com UPorto e UCoimbra em vigor.
- Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) — Cotutela disponível, especialmente em Engenharia e Ciências Humanas.
Procedimento passo a passo: da intenção à ratificação
O processo de formalização de uma cotutela demora habitualmente entre seis e doze meses. O ideal é iniciar as diligências pelo menos um ano antes da data prevista para a matrícula no programa de doutoramento.
Passo 1 — Identificar orientadores nas duas instituições
Tudo começa com dois orientadores: um na IES portuguesa e outro na brasileira. O doutorando propõe a modalidade de cotutela e, se ambos os docentes aceitarem, são eles que assumem a negociação institucional. Pesquise potenciais orientadores no Ciência Vitae (Portugal) e no Lattes/CNPq (Brasil), filtrando por área científica e historial de supervisão de doutorandos.
Passo 2 — Verificar elegibilidade institucional
Cada universidade tem os seus critérios: o orientador deve ser docente a tempo inteiro (ou investigador integrado com habilitação para orientar), o programa de doutoramento deve estar acreditado pela A3ES (Portugal) e pela CAPES (Brasil), e a área científica deve ser compatível. Consulte o regulamento de doutoramento da faculdade/departamento em causa.
Passo 3 — Elaborar a proposta de acordo de cotutela
Com base nas minutas disponibilizadas pelas duas IES, os orientadores elaboram um projeto de acordo. As cláusulas essenciais estão descritas na secção seguinte. Nesta fase, é comum haver negociação sobre: língua de redação da tese, proporção do tempo a passar em cada país, quem emite o diploma primeiro, e partilha de custos.
Passo 4 — Aprovação pelos Conselhos Científicos
Em Portugal, o acordo é submetido ao Conselho Científico (ou equivalente) da unidade orgânica que acolhe o programa de doutoramento. No Brasil, passa pela Comissão de Pós-Graduação e, em muitos casos, também pela Pró-Reitoria de Pós-Graduação (PROPG/PRPG). Este passo pode demorar de um a três meses, consoante a frequência das reuniões dos órgãos de governação.
Passo 5 — Assinatura pelos representantes legais
Após aprovação, o acordo é assinado pelos reitores (ou por quem por eles delegado). Em Portugal, a assinatura pode ser efetuada por vídeoconferência ao abrigo do Decreto-Lei n.º 126/2021, que introduziu o regime de atos autênticos à distância. No Brasil, os regulamentos de cada IES determinam quem pode assinar.
Passo 6 — Matrícula nas duas instituições
Com o acordo assinado, o doutorando formaliza a matrícula em ambas as IES. Em Portugal, paga as propinas do programa de doutoramento (isenção possível para bolseiros FCT e para brasileiros com Estatuto de Igualdade — veja a secção de financiamento). No Brasil, a matrícula é gratuita nas IES públicas federais.
Passo 7 — Execução e submissão da tese
Durante o período do doutoramento (tipicamente 4 anos), o doutorando cumpre o mínimo de permanência em cada país definido no acordo. A tese é redigida e submetida às duas instituições em simultâneo, com as adaptações formais exigidas por cada uma (normas ABNT NBR 14724:2024 para a versão brasileira, normas da IES portuguesa ou NP 405 para a versão portuguesa).
Passo 8 — Defesa pública
A defesa realiza-se habitualmente numa das duas sedes (a que acolhe o júri principal), sendo a participação da outra instituição assegurada por vídeoconferência. Consulte as normas específicas de cada IES — algumas (como a UAb e algumas faculdades da ULisboa) permitem a defesa totalmente remota; outras exigem a presença física do presidente do júri. Para mais detalhes sobre defesa por vídeoconferência, consulte o nosso artigo Posso Defender a Tese por Videoconferência em PT?
Passo 9 — Emissão dos diplomas e depósito nos repositórios
Após a aprovação, cada instituição emite o seu diploma de doutor. Em Portugal, a tese é depositada no repositório institucional integrado no RCAAP num prazo máximo de 60 dias após a atribuição do grau. No Brasil, o depósito é feito na Plataforma Sucupira e no repositório institucional, nos prazos definidos pela IES e pela CAPES.
O que deve constar na minuta do acordo de cotutela
As minutas variam de IES para IES, mas existem cláusulas essenciais exigidas por todas as instituições com regulamento formal:
- Identificação das partes — nome e sede das duas IES, nome do doutorando, título provisório da tese e área científica;
- Identificação dos orientadores — nome, cargo, grau académico e unidade orgânica de cada orientador;
- Duração do acordo — normalmente coincide com a duração máxima do doutoramento (4 a 6 anos), com possibilidade de prorrogação;
- Modalidade de presença — períodos mínimos de residência em cada país (habitualmente pelo menos 9 meses por país, podendo ser intercalados);
- Língua da tese e do resumo — língua de redação principal e línguas dos resumos (em PT e EN na maioria dos casos);
- Normas formais aplicáveis — qual a norma de formatação a seguir (ABNT NBR 14724:2024 + NP 405, ou norma própria da IES PT);
- Composição do júri — regras para a nomeação dos membros de cada lado, quórum para a deliberação e forma de votação;
- Procedimentos de defesa — local, modalidade (presencial / por vídeoconferência), língua da defesa;
- Diploma e menção na tese — cada IES emite o seu diploma; a tese deve mencionar a cotutela na página de rosto;
- Propriedade intelectual — regras sobre publicação de resultados, patentes e co-autoria de artigos;
- Encargos financeiros — quem paga propinas em cada país, taxas de inscrição, deslocações;
- Rescisão — condições e procedimentos para rescisão do acordo por qualquer das partes.
Financiamento: FCT, CAPES-FCT, PEC-PG e outras bolsas
Uma das principais preocupações dos doutorandos em cotutela é o financiamento. A boa notícia é que, em 2026, existem vários programas compatíveis com este regime.
Bolsas FCT de Doutoramento 2026
O concurso FCT 2026 (candidaturas abertas de 2 a 31 de março de 2026) atribuiu 1.600 bolsas — 1.000 na linha geral e 600 na linha não académica — com um investimento de 145 milhões de euros. As bolsas FCT são abertas a qualquer nacionalidade, incluindo brasileiros. Um doutorando cotutela com instituição portuguesa pode candidatar-se, desde que esteja inscrito num programa de doutoramento acreditado pela A3ES. A bolsa cobre o período de residência em Portugal; durante o período no Brasil, pode ser suspensa ou reduzida (consulte o regulamento de bolsas FCT vigente).
Programa CAPES-FCT de Cooperação Bilateral
A FCT e a CAPES mantêm um acordo de cooperação científica que inclui apoio à mobilidade de doutorandos e pós-doutorandos entre os dois países. No âmbito deste acordo, é possível financiar períodos de investigação em Portugal para bolseiros CAPES e vice-versa. Consulte o portal FCT e o portal CAPES para os editais em vigor em 2026.
PEC-PG — Programa de Estudantes-Convênio de Pós-Graduação
O PEC-PG, gerido em parceria pelo MRE (Itamaraty), CAPES e CNPq, oferece anualmente vagas para estudantes de países com acordo bilateral com o Brasil realizarem doutoramento ou mestrado em IES brasileiras — e, em alguns casos, em países parceiros como Portugal. O Edital nº 12/2025 (CAPES) abriu 650 bolsas, distribuídas entre Doutorado Pleno (100 vagas), Doutorado Sanduíche (350 vagas) e Mestrado Pleno (200 vagas), com início previsto para 2026. Para doutorandos brasileiros que procuram financiamento para a componente portuguesa da cotutela, o programa Doutorado Sanduíche CAPES/PDSE é a opção mais direta.
Estatuto de Igualdade — isenção de propinas para brasileiros
Os cidadãos brasileiros residentes em Portugal podem requerer o Estatuto de Igualdade de Direitos e Deveres (ao abrigo do Tratado de Amizade, Cooperação e Consulta Brasil-Portugal, ratificado em 2001), que, na prática educativa, pode traduzir-se em isenção ou equiparação de propinas a estudantes nacionais. A elegibilidade varia por IES — confirme com os serviços académicos.
Outras bolsas
- Fundação Calouste Gulbenkian — bolsas para investigadores de países lusófonos, incluindo projetos em Portugal;
- Camões IP — apoio à mobilidade e investigação em língua portuguesa;
- CNPq — Bolsa de Doutorado Pleno no Exterior — financiamento de doutoramentos integrais em Portugal para bolseiros CNPq;
- FAPESP — para doutorandos vinculados a IES paulistas, com financiamento para estágios internacionais em Portugal;
- Para investigadores que ponderem alargar a cotutela ao espaço europeu com instituições italianas, o sistema italiano de doutoramento tem um processo de concurso público e atribuição de bolsa próprio — o guia sobre o dottorato di ricerca em Itália em 2026: concurso, bolsa e fases documenta as etapas e os prazos aplicáveis nas universidades italianas, útil como referência para quem equaciona uma cotutela triangular PT-BR-IT ou mobilidade Erasmus+ com IES italianas.
A defesa em cotutela: vídeoconferência e depósito duplo
A defesa numa cotutela PT-Brasil apresenta desafios logísticos que exigem planeamento antecipado. O júri deve incluir membros das duas instituições — habitualmente dois ou três de cada lado — e a lei portuguesa exige que o presidente do júri esteja presente no local da defesa (salvo regulamentos específicos de cada IES que permitam a totalidade remota, como é o caso da UAb).
A Universidade Aberta de Portugal permite expressamente a defesa por vídeoconferência quando o candidato reside no estrangeiro, mediante pedido prévio ao Reitor. A ULisboa e a UPorto regulam caso a caso, geralmente exigindo pelo menos a presença física do presidente do júri. O Decreto-Lei 126/2021, que estabelece o regime temporário para atos autênticos por vídeoconferência, serve de base legal para as defesas remotas, embora a sua aplicação à defesa de tese seja feita por via dos regulamentos de cada IES e não diretamente.
Para uma análise detalhada das opções de defesa por vídeoconferência em Portugal, leia o nosso artigo Posso Defender a Tese por Videoconferência em Portugal em 2026?
Quanto ao depósito, em Portugal a tese deve ser depositada no repositório institucional integrado no RCAAP no prazo de 60 dias após a atribuição do grau. No Brasil, o depósito é feito na Plataforma Sucupira (CAPES) e no repositório da IES. No caso de cotutela, é comum que a tese tenha uma capa adaptada para cada depósito, com as normas de cada repositório. Consulte o nosso guia sobre embargo de tese no RCAAP se necessitar de proteger dados antes da publicação.
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Erros comuns e como evitá-los
- Iniciar a cotutela depois da matrícula. O acordo deve ser celebrado antes ou no momento da matrícula. Formalizar a cotutela a meio do doutoramento é muito mais difícil e pode implicar recomeçar o processo burocrático.
- Não verificar a acreditação do programa. Ambos os programas (PT e BR) devem estar acreditados — A3ES em Portugal, CAPES no Brasil (conceito CAPES ≥ 4 é geralmente exigido para cotutela). Verifique antes de escolher a IES.
- Assumir que a bolsa FCT cobre o período todo. As bolsas FCT têm regras sobre suspensão durante permanências no estrangeiro. Leia o Regulamento de Bolsas FCT em vigor antes de planear o calendário.
- Esquecer de formalizar a partilha de PI. Se a tese gera propriedade intelectual (software, patentes, dados com valor comercial), a cláusula de PI na minuta é essencial. Omiti-la pode gerar litígios posteriores.
- Escolher orientadores com agendas incompatíveis. A cotutela exige coordenação frequente entre os dois orientadores. Verifique o historial de co-orientação e a disponibilidade real de cada um antes de avançar.
- Não verificar os requisitos de visto. Estudantes brasileiros em Portugal necessitam de visto de estudante (D6) para residir mais de 90 dias. Inicie o processo junto do Consulado com pelo menos seis meses de antecedência.
Perguntas frequentes
É obrigatório ter um acordo prévio entre as duas universidades para fazer cotutela?
Não. Muitos acordos de cotutela são celebrados de raiz, por iniciativa dos orientadores, sem qualquer protocolo institucional prévio. O que é obrigatório é a elaboração de uma minuta e a aprovação pelos órgãos de governação das duas IES (Conselho Científico em Portugal; Comissão de PG e PROPG/PRPG no Brasil). Existir um acordo-quadro entre as instituições facilita e agiliza o processo, mas não é condição sine qua non.
Quanto tempo demora a formalização de uma cotutela PT-Brasil?
Em média, entre seis e doze meses, dependendo da agilidade dos órgãos de governação das duas IES. Os maiores atrasos ocorrem na fase de aprovação pelos Conselhos Científicos (reuniões trimestrais ou semestrais são comuns em algumas faculdades) e na assinatura pelos reitores. Recomenda-se iniciar o processo pelo menos um ano antes da data prevista para a matrícula.
Posso ter bolsa FCT e bolsa CAPES em simultâneo numa cotutela?
Depende dos regulamentos específicos de cada bolsa em vigor no momento da candidatura. Em geral, as bolsas FCT permitem a suspensão durante períodos de estadia no Brasil (financiados por outra bolsa), e as bolsas CAPES de Doutorado Sanduíche são compatíveis com bolsas FCT. O acumulo de bolsas no mesmo período tende a não ser permitido. Consulte os regulamentos atualizados e, em caso de dúvida, contacte diretamente a FCT e a CAPES antes de candidatar.
A tese em cotutela tem de ser escrita em duas línguas?
Não necessariamente. Na maioria das cotutelas PT-Brasil, a tese é redigida numa única língua — habitualmente português (com mínimas diferenças entre PT-PT e PT-BR que o Acordo Ortográfico de 1990 procura aproximar) ou inglês. O que é geralmente exigido são resumos (abstracts) em ambas as línguas. Em algumas áreas de Humanidades, pode ser exigida uma versão bilíngue ou um resumo alargado de vinte a trinta páginas na língua alternativa.
O grau de doutor obtido em cotutela é reconhecido em Portugal sem revalidação?
Sim. O diploma português emitido pela IES portuguesa tem pleno valor em Portugal e na UE, sem necessidade de qualquer processo de reconhecimento adicional. O diploma brasileiro, por sua vez, tem pleno valor no Brasil. Em terceiros países, o processo de reconhecimento segue as regras do país de destino, mas a dupla titulação tende a simplificar o processo comparativamente a um grau de apenas um país.
E se a cotutela não funcionar? Posso desistir do acordo?
Sim. A minuta de cotutela inclui sempre uma cláusula de rescisão. Em caso de rescisão, o doutorando mantém a inscrição na IES que continuar a acolhê-lo e pode concluir o doutoramento como um doutoramento simples, sem duplo diploma. A rescisão por si só não implica a perda do trabalho de investigação já realizado.
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