Posso defender a tese em inglês numa universidade portuguesa? Política por instituição 2026

Posso defender a tese em inglês numa universidade portuguesa? Política por instituição 2026

A questão de defender a tese em inglês em Portugal surge com frequência entre mestrandos e doutorandos com orientadores internacionais, participantes em programas de co-tutela ou candidatos à menção de Doutoramento Europeu. A resposta curta: sim, é possível na grande maioria das universidades portuguesas, mas o processo exige autorização prévia e varia significativamente de instituição para instituição. Esta auditoria documenta a política de língua de 14 universidades portuguesas com base nos seus regulamentos de 2024/2025.

Resposta direta: A esmagadora maioria das universidades portuguesas permite escrever e defender a tese em inglês mediante autorização prévia do Conselho Científico ou da direção do ciclo de estudos. É quase sempre obrigatório incluir um resumo (abstract) alargado em português. Para o Doutoramento Europeu, parte da defesa pública tem de decorrer em língua oficial da UE diferente do português.

A lei portuguesa não impõe o português como língua obrigatória da dissertação de mestrado ou da tese de doutoramento. O Decreto-Lei n.º 65/2018, de 16 de agosto, que regula o regime jurídico dos graus académicos, não contém qualquer disposição relativa à língua de redação da tese. Esta matéria é, portanto, da competência regulamentar de cada instituição.

Na prática, os regulamentos internos das universidades preveem, quase sempre, a possibilidade de redação e defesa em inglês (ou noutra língua estrangeira) mediante autorização expressa. O critério mais frequente para a concessão da autorização é a existência de justificação académica — orientador ou júri internacional, co-tutela, ou tema com publicação internacional prevista.

Para programas de doutoramento que conferem a menção de Doutoramento Europeu, o Decreto-Lei 65/2018 estipula que parte da prova pública deve decorrer em língua oficial da União Europeia distinta do português. Este requisito está consagrado na maioria dos regulamentos de doutoramento.

Vídeo: Angela Santos — Dicas para Escrever a Tese de Mestrado (verificado 2026-05-11)

Política por universidade: tabela das 14 instituições

Política de língua da tese em 14 universidades portuguesas (regulamentos 2024/2025)
Universidade Tese em inglês? Defesa em inglês? Abstract PT obrigatório? Observações
Universidade do Porto (UP) ✅ Com autorização ✅ Com acordo do júri ✅ Sim Requerimento ao CC com parecer do orientador
Universidade de Lisboa (UL) ✅ Com autorização ✅ Permitida ✅ Sim Despacho n.º 8673/2021 prevê língua estrangeira
Universidade de Coimbra (UC) ✅ Com autorização ✅ Com acordo do júri ✅ Sim Regulamento n.º 945/2025; autorização da direção
NOVA de Lisboa ✅ Frequente ✅ Frequente ✅ Sim Regulamento IHMT-NOVA 2025 permite inglês com nível B2
Universidade do Minho (UMinho) ✅ Com autorização ✅ Permitida ✅ Sim Autorização CTC; habitual em engenharia e ciências
Universidade de Aveiro (UA) ✅ Com autorização ✅ Com acordo do júri ✅ Sim Frequente em cursos de tecnologia e ciências
Universidade do Algarve (UAlg) ✅ Com autorização ⚠️ Caso a caso ✅ Sim Autorização da direção do curso; menos comum
Universidade de Évora (UÉvora) ✅ Com autorização ⚠️ Caso a caso ✅ Sim Procedimento descrito nos serviços académicos
ISCTE — IUL ✅ Permitida ✅ Permitida ✅ Sim Habitual em cursos internacionais; fácil autorização
UCP (Católica Porto) ✅ Permitida ✅ Permitida ✅ Sim Regulamento prevê inglês ou outra língua estrangeira
UTAD ✅ Com autorização ⚠️ Caso a caso ✅ Sim Despacho VRE 16/2023; mais restritivo
ISEG (ULisboa) ✅ Frequente ✅ Frequente ✅ Sim Muitos cursos lecionados em inglês; norma habitual
Universidade da Madeira (UMa) ✅ Com autorização ⚠️ Caso a caso ✅ Sim Consultar serviços académicos; prática menos frequente
Universidade dos Açores (UAc) ✅ Com autorização ⚠️ Caso a caso ✅ Sim Menos comum; autorização do Conselho Científico
Crescimento do ensino superior em Portugal — cinco vezes mais alunos matriculados desde 1978, incluindo mestrados e doutoramentos, dados PORDATA 2024
Fonte: PORDATA — Ensino Superior em Portugal (2024)
Nota metodológica: Esta tabela foi elaborada com base nos regulamentos de mestrado e doutoramento disponíveis publicamente a março de 2026. As políticas podem ser atualizadas a qualquer momento. Consulte sempre os serviços académicos da sua instituição antes de iniciar o processo de pedido.

Procedimento de autorização: passo a passo

Embora o processo específico varie por instituição, o procedimento padrão nas universidades portuguesas segue esta sequência:

  1. Conversar com o orientador — confirmar que o orientador apoia a opção pelo inglês e obter o seu parecer por escrito.
  2. Verificar o regulamento do ciclo de estudos — identificar o órgão competente para autorizar (Conselho Científico, Conselho de Curso, Direção de Faculdade) e o prazo mínimo para submissão do pedido.
  3. Elaborar o requerimento formal — incluir: identificação do candidato, programa e ciclo de estudos, língua pretendida, justificação académica (internacionalização, co-tutela, publicação prevista, júri internacional), e parecer do orientador.
  4. Submeter nos serviços académicos — habitualmente por via eletrónica (SIGARRA, Fénix, CLIP ou equivalente). Guardar comprovativo.
  5. Aguardar decisão — o prazo de resposta é tipicamente de 2 a 6 semanas. Em caso de indeferimento, consulte o Provedor do Estudante.
  6. Comunicar ao júri — após autorização, informar os membros do júri da língua da defesa com antecedência suficiente (mínimo 30 dias).
Prazo recomendado: Inicie o processo de autorização pelo menos 4 a 6 meses antes da data prevista de entrega da tese. Alguns Conselhos Científicos reúnem apenas uma vez por mês, e o processo burocrático pode demorar mais do que o esperado.

Obrigação de abstract bilingue

Quando a tese é redigida em inglês, todas as 14 universidades da auditoria exigem a inclusão de um abstract em português. Em muitos casos, exige-se igualmente o abstract em inglês — portanto o documento final deve conter os dois.

As normas típicas para o abstract bilingue são:

  • Extensão: 150 a 300 palavras por versão
  • Estrutura: Contexto, Objetivo, Metodologia, Resultados, Conclusão (estrutura IMRAD simplificada)
  • Palavras-chave: 4 a 6 termos, nas duas línguas
  • Posição no documento: antes do índice, após a folha de rosto

Para escrever um abstract bem estruturado, consulte o artigo exemplo de abstract de tese: estrutura IMRAD com 5 casos reais. Para tradução assistida do abstract, o artigo como traduzir a tese para inglês com IA apresenta as melhores ferramentas disponíveis em 2026.

Doutoramento Europeu e língua da defesa

A menção de Doutoramento Europeu (European Doctorate) é uma distinção atribuída pelas universidades portuguesas quando o candidato cumpre requisitos adicionais de internacionalização. Um desses requisitos é a realização de parte da prova pública de defesa em língua oficial da UE diferente do português.

Na prática, o inglês é quase sempre a língua escolhida. O júri deve incluir pelo menos um membro de instituição estrangeira, e a estadia de investigação no estrangeiro (mínimo 3 meses) é igualmente obrigatória. A ata da prova pública deve mencionar explicitamente o cumprimento deste requisito.

Importante: a menção de Doutoramento Europeu não implica que toda a defesa seja em inglês — apenas uma parte, tipicamente a apresentação ou o período de perguntas.

Co-tutela internacional e língua da tese

Em regime de co-tutela (cotutelle de thèse), a tese é desenvolvida e avaliada por duas instituições de países diferentes. Neste contexto, o inglês — ou a língua do país da instituição parceira — é frequentemente adotado como língua de redação e defesa.

Os acordos de co-tutela são regulados por protocolo específico entre as duas instituições e pela FCT no caso de co-tutelados com bolsa. A língua da tese e da defesa é definida nesse protocolo, sobrepondo-se ao regulamento interno de cada universidade.

Para saber mais sobre direitos e prazos após a defesa, consulte o artigo quanto tempo tenho para apresentar resultados após a defesa da tese e, para preparar a apresentação, defesa de tese em Portugal: o que esperar do júri em 2026.

Perguntas frequentes

Posso escrever e defender a minha tese de mestrado em inglês em Portugal?

Sim. A grande maioria das universidades portuguesas permite escrever e defender a tese em inglês, mediante autorização prévia do Conselho Científico ou da direção da faculdade. A autorização é geralmente concedida quando o orientador ou júri inclui membros internacionais ou quando o tema tem relevância internacional.

É obrigatório ter um abstract em português se a tese for em inglês?

Sim, em todas as 14 universidades da auditoria. Quando a tese é redigida em inglês, é obrigatório incluir um abstract (resumo) em português, com 150 a 300 palavras e as palavras-chave em ambas as línguas.

A defesa pode ser inteiramente em inglês?

Depende da instituição. UP, UL, NOVA e ISCTE permitem defesa totalmente em inglês se o júri assim acordar. UTAD, UAlg, UÉvora e UAc analisam caso a caso. O acordo explícito de todos os membros do júri é sempre necessário.

Como peço autorização para defender a tese em inglês?

O procedimento padrão: 1) obter parecer favorável do orientador; 2) apresentar requerimento formal à direção do ciclo de estudos com justificação académica; 3) submeter ao Conselho Científico para aprovação formal. Inicie o processo 4 a 6 meses antes da entrega prevista.

O doutoramento europeu obriga a defesa em inglês?

Não exatamente. A menção de Doutoramento Europeu exige que parte da defesa pública seja realizada numa língua oficial da União Europeia diferente do português. O inglês é a escolha mais comum, mas pode ser francês, espanhol, alemão ou outra língua oficial da UE.

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