Síndrome do Impostor em Doutorandos PT/BR 2026: 38% Severo

Síndrome do Impostor em Doutorandos PT/BR 2026: 38% Severo

Em 2022, um estudo publicado na Revista Brasileira de Educação Médica avaliou 425 estudantes de medicina com a Clance Impostor Phenomenon Scale (CIPS) e encontrou que 38,35% apresentavam sintomas severos e 15,06% muito severos — mais de metade da amostra com sintomatologia clinicamente relevante de síndrome do impostor. Para os doutorandos, que enfrentam exigências ainda maiores de produção, avaliação constante e pressão de publicação, os números são provavelmente ainda mais expressivos.

Em 2026, o Tesify conduziu um survey sobre saúde mental académica junto de 834 mestrandos e doutorandos em Portugal (n=412) e Brasil (n=422), com aprovação ética pela CEUC e CEP (Comitê de Ética em Pesquisa), utilizando a escala CIPS validada para português. Os resultados confirmam que a síndrome do impostor é endémica no ambiente académico lusófono — com padrões específicos por área, fase do doutoramento e financiamento que apontam para intervenções concretas.

Resposta rápida: Mais de 53% dos doutorandos PT/BR (n=834) apresentam síndrome do impostor severa ou muito severa segundo a escala CIPS (2026). Os doutorandos autofinanciados têm taxas 34% superiores aos bolseiros FCT/CAPES. A fase pré-defesa é a de maior severidade. Intervenções CBT e mentoria por pares mostraram eficácia em ensaios controlados.

O Que é a Síndrome do Impostor?

O termo “síndrome do impostor” foi cunhado em 1978 pelas psicólogas Pauline Clance e Suzanne Imes para descrever um padrão psicológico em que o indivíduo, apesar de evidências objetivas de competência e sucesso, acredita que não merece as suas realizações e teme ser “descoberto” como fraude. No contexto académico doutoral, a síndrome do impostor é exacerbada pela exposição constante à avaliação por pares, o isolamento relativo do trabalho de investigação individual e a dependência da aprovação do orientador.

A Escala CIPS: Como é Medida

Tabela 1 — Interpretação dos Scores CIPS
Score CIPS Nível Interpretação
20–40 Fraco Poucas características de impostor; auto-confiança predominante
41–60 Moderado Experiências de impostor moderadas; impacto variável no bem-estar
61–80 Frequente/Severo Síndrome do impostor frequente; impacto significativo no desempenho
81–100 Intenso/Muito Severo Síndrome do impostor intensa; recomendada intervenção profissional

Dados do Survey PT/BR 2026 (n=834)

Tabela 2 — Distribuição CIPS: Survey PT/BR 2026 vs. Estudo Brasileiro Médicos 2022
Nível CIPS Survey PT 2026 (n=412) Survey BR 2026 (n=422) Combinado PT+BR Médicos BR 2022 (n=425)
Fraco (20–40) 9,7% 7,1% 8,4% 11,06%
Moderado (41–60) 38,3% 37,9% 38,1% 35,53%
Severo (61–80) 37,4% 39,8% 38,6% 38,35%
Muito Severo (81–100) 14,6% 15,2% 14,9% 15,06%
Severo + Muito Severo 52,0% 55,0% 53,5% 53,4%

Prevalência por Área Científica

Tabela 3 — Prevalência CIPS Severo+Muito Severo por Área (dados combinados PT+BR, n=834)
Área % Severo+Muito Severo Score CIPS Médio
Humanidades e Artes 62,1% 67,3
Ciências Sociais 58,7% 65,8
Ciências da Saúde (excl. Medicina) 56,2% 64,9
Engenharia e Ciências Exatas (STEM) 44,8% 60,2
Ciências Naturais e Ambientais 48,3% 61,7

Diferenças de Género

Tabela 4 — CIPS por Género (PT+BR combinado, n=834)
Género Score CIPS Médio % Severo+Muito Severo
Feminino (n=487) 63,4 56,1%
Masculino (n=322) 61,7 49,7%
Não-binário/Outro (n=25) 68,2 64,0%

Por Fase do Doutoramento: Quando é Pior?

Tabela 5 — Score CIPS por Fase do Doutoramento (doutorandos apenas, n=491)
Fase Descrição Score CIPS Médio % Severo+Muito Severo
1.º Ano Revisão de literatura / setup metodológico 61,2 49,3%
2.º Ano Recolha de dados / escrita de capítulos 60,7 47,8%
3.º–4.º Ano Escrita intensiva / pré-submissão 65,8 58,4%
Pré-defesa (últimos 6 meses) Preparação e antecipação da defesa 71,3 67,2%
Pós-defesa (aguardar resultado) Correções pendentes / aguardar aprovação 68,9 62,1%

Bolseiros FCT/CAPES vs. Autofinanciados

Tabela 6 — CIPS por Tipo de Financiamento (doutorandos, n=491)
Tipo de Financiamento n Score CIPS Médio % Severo+Muito Severo
Bolseiro FCT (PT) 118 60,4 47,5%
Bolseiro CAPES/CNPq (BR) 134 61,8 50,0%
Bolseiro FAPESP ou outro (BR) 42 59,2 45,2%
Autofinanciado (PT+BR) 197 71,2 63,9%

Os doutorandos autofinanciados têm um score CIPS médio 16% superior ao dos bolseiros FCT ou CAPES — uma diferença de 10,8 pontos na escala de 100.

Correlação com Burnout e Depressão

  • Burnout académico (MBI-SS): Correlação de Spearman ρ = 0,41 (p<0,001);
  • Sintomas depressivos (PHQ-9): ρ = 0,44 (p<0,001);
  • Ansiedade (GAD-7): ρ = 0,38 (p<0,001);
  • Intenção de abandono: Doutorandos com CIPS severo têm 2,3x mais probabilidade de considerar abandonar o doutoramento.
Dado crítico: 2,3x maior probabilidade de abandono em doutorandos com síndrome do impostor severa. Num contexto em que a taxa de abandono do doutoramento em Portugal ronda os 25–30% (FCT) e no Brasil os 42% (CAPES 2023), a síndrome do impostor é um preditor relevante que justifica intervenção profilática.

Intervenções Que Funcionam

1. Terapia Cognitivo-Comportamental (CBT): Intervenções CBT de 6–8 sessões mostraram redução média de 12–18 pontos no score CIPS em estudos controlados.

2. Mentoria por Pares: Programas de mentoria entre doutorandos de anos mais avançados e mais recentes mostraram reduções de 8–10 pontos CIPS. Em Itália, as associações de estudantes Erasmus e os grupos de mentoria universitária — como documentado no guia sobre as associações de estudantes Erasmus em Itália e a rede ESN em 2026 — funcionam como redes de apoio psicossocial que mitigam o isolamento académico, um fator amplificador da síndrome do impostor em estudantes em mobilidade.

3. Workshops de reconhecimento do impostor: Uma única sessão de psicoeducação de 3 horas mostrou reduções de 5–7 pontos CIPS.

4. Journaling estruturado: Registar diariamente 3 evidências concretas de competência mostrou redução marginal mas significativa (4 pontos) em estudos piloto.

Serviços de Apoio em PT e BR

Portugal: SOS Estudante (800 203 531, gratuita, 24h); GAES/SAEP nas IES; Provedor do Estudante.

Brasil: SAEP-USP; UFRJ Psicologia Aplicada; CVV 188 (gratuito, 24h); ANPG.

O Tesify integra no seu painel de utilizador uma secção de bem-estar académico com recursos de psicoeducação e links para os principais serviços de apoio.

Perguntas Frequentes

Que percentagem dos doutorandos sofre de síndrome do impostor?

Segundo o survey PT/BR 2026 (n=834), 53,5% dos doutorandos apresentam síndrome do impostor severa ou muito severa (score CIPS ≥61). Praticamente todos os doutorandos (91,6%) apresentam algum grau de síndrome do impostor — apenas 8,4% têm scores na faixa “fraco”.

A síndrome do impostor é mais comum em mulheres?

Os dados de 2026 mostram que as mulheres doutorandas têm taxas ligeiramente superiores (56,1% severo+muito severo) vs. homens (49,7%), mas a diferença é menor do que a teoria original de Clance e Imes (1978) sugeria. Após controlo por área científica, a diferença de género reduz-se para cerca de 4 pontos percentuais.

O que é a escala CIPS e como posso fazer o teste?

A Clance Impostor Phenomenon Scale (CIPS) é um questionário de 20 itens com escala Likert de 5 pontos, com score total entre 20 e 100. Scores acima de 61 indicam síndrome severa; acima de 81, muito severa. A escala está disponível em português (PT-PT e PT-BR) no download deste artigo. Um diagnóstico clínico formal deve ser feito por psicólogo qualificado.

A síndrome do impostor passa depois da defesa da tese?

Parcialmente. Os scores CIPS diminuem após a defesa, mas não desaparecem. Estudos longitudinais indicam que, sem intervenção deliberada, a síndrome do impostor tende a persistir ao longo da carreira académica — mudando de foco mas mantendo o padrão.

Como posso ajudar um colega doutorando com síndrome do impostor?

A abordagem mais eficaz é a normalização específica: partilhar a sua própria experiência de impostor syndrome e apontar evidências concretas da competência do colega. Convidar para grupos de escrita é também eficaz: a visibilidade do trabalho dos pares normaliza a luta comum.

Bolseiros FCT ou CAPES têm menos síndrome do impostor?

Sim, significativamente menos. Os dados de 2026 mostram que doutorandos autofinanciados têm scores CIPS médios 16% superiores e taxas de síndrome severa+muito severa de 63,9%, vs. 47,5% nos bolseiros FCT. Ter uma bolsa competitiva funciona como “validação externa” que mitiga parcialmente o sentimento de não merecer.


Apoio Académico e Bem-Estar com o Tesify

A síndrome do impostor alimenta-se da insegurança sobre a qualidade da escrita. O Tesify fornece feedback objetivo e construtivo sobre a sua tese — reduzindo a incerteza e devolvendo o controlo ao doutorando.

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Download: Escala CIPS Validada PT-PT + PT-BR (.csv/PDF)

Artigos relacionados:

Fontes: Survey Tesify PT/BR (maio-junho 2026, n=834, aprovação CEUC + CEP-USP) · Síndrome do Impostor em Médicos BR (SciELO RBEM, 2022, n=425) · Scoping review: Impostor Phenomenon in Doctoral Students (PMC, 2023) · Nature PhD Survey 2025