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Saúde Mental e Tese 2026: Dados de Ansiedade e Papel da IA no Apoio

Saúde Mental e Tese 2026: Dados de Ansiedade e Papel da IA no Apoio

Resposta Rápida: Quase 23% dos estudantes universitários portugueses têm diagnóstico de doença mental; 1 em cada 4 toma medicação psiquiátrica (Público, dez. 2024). A ansiedade (19,4%) e a depressão (13,3%) são as condições mais prevalentes. O período da tese é identificado como o momento de maior vulnerabilidade. Ferramentas de IA começam a ser usadas como suporte de gestão de tempo e stress, embora não substituam apoio psicológico profissional.

Escrever uma tese de mestrado ou doutoramento é, para muitos estudantes, a tarefa académica mais exigente da sua vida. A combinação de isolamento intelectual, prazo prolongado, incerteza sobre os resultados e pressão do orientador cria um contexto de elevado risco para a saúde mental. Os dados de 2024 e 2025 confirmam que Portugal enfrenta uma crise silenciosa de saúde mental no ensino superior — e que o período da tese é o epicentro dessa crise.

Este artigo sistematiza os dados mais recentes sobre saúde mental entre estudantes de pós-graduação em Portugal, identifica os fatores de risco específicos do processo de elaboração da tese e analisa o papel emergente das ferramentas de IA como suporte — com clareza sobre os seus limites.

Dados de saúde mental dos estudantes portugueses 2024–2026

Os dados publicados em 2024 pintam um quadro preocupante. Segundo um inquérito citado pelo Público (outubro 2024), o número de estudantes do ensino superior que reportaram problemas de saúde mental duplicou entre 2021 e 2024.

Indicadores de saúde mental em estudantes universitários portugueses (2024–2025)
Indicador Valor Fonte
Estudantes com diagnóstico de doença mental ~23% Universidade de Évora / estudo 6 universidades, 2024
Estudantes a tomar medicação psiquiátrica 1 em cada 4 (~25%) Público, dezembro 2024
Estudantes que reportaram problemas de saúde mental (2024) 9% (vs 4,4% em 2020/21) Inquérito DGES/CCISP, 2024
Prevalência de ansiedade 19,4% ISPUP / et-al.pt, 2024
Prevalência de depressão 13,3% ISPUP / et-al.pt, 2024
Estudantes com “resultados significativos” para sintomas de depressão 46% Revista Portuguesa de Investigação Comportamental e Social, 2024
Estudantes com sintomas de ansiedade significativa 39% RPICS, 2024
Estudantes com sintomas de stress significativo 31% RPICS, 2024
Estudantes com sintomas depressivos moderados a severos 38,9% ISPUP, 2024

O relatório “Pobreza, Exclusão Social e Saúde Mental no Ensino Superior” (EAPN Portugal, 2025) acrescenta uma dimensão socioeconómica: a saúde mental dos estudantes está fortemente correlacionada com a condição financeira, o que significa que os estudantes sem bolsa que pagam propinas do próprio bolso estão em maior risco.

A tese como fator de risco: o que dizem os estudos

O processo de elaboração da tese é identificado como um período de risco específico, distinto do stress académico geral. Os investigadores apontam cinco mecanismos principais:

  • Isolamento: A maior parte do trabalho de tese é realizado de forma solitária, sem a estrutura social das aulas
  • Ambiguidade dos critérios: Ao contrário dos exames, não existe uma resposta “correcta” para uma tese
  • Dependência do orientador: Relações de orientação difíceis são o segundo factor de abandono mais citado
  • Syndrome do impostor: Prevalente em 62% dos doutorandos, segundo um estudo europeu de 2023
  • Risco de carreira: A incerteza sobre o futuro profissional após o doutoramento amplifica o stress
Fatores de stress específicos do período de tese (estudos portugueses, 2023–2025)
Fator de stress % estudantes afectados Fonte
Dificuldade em definir o âmbito da tese 58% Estudo ISMT, 2024
Relação com o orientador como fonte de stress 41% RCAAP meta-análise, 2023
Dificuldades financeiras durante o processo 47% EAPN Portugal, 2025
Síndrome do impostor 62% Estudo europeu (incluindo PT), 2023
Procrastinação crónica relacionada com a tese 53% ISMT, 2024

Barreiras ao acesso a apoio psicológico

Os dados do ISPUP (2024) são especialmente relevantes neste domínio: apesar da alta prevalência de sintomas, a maioria dos estudantes não procura ajuda profissional. Os principais obstáculos reportados são:

  • Custos elevados: citado por 62,6% dos estudantes como barreira principal
  • Tempo de espera longo nos serviços de apoio psicológico das IES: citado por 54,7%
  • Estigma: o estudo do ISPUP mostra que o estigma associado à saúde mental impede activamente a procura de ajuda
  • Falta de informação: muitos estudantes desconhecem os serviços disponíveis na sua IES

Apenas cerca de 30% das IES portuguesas tem serviços de apoio psicológico adequados para o volume de estudantes com necessidades (EAPN, 2025).

IA como suporte: dados e limites

Face às barreiras de acesso ao apoio psicológico profissional, alguns estudantes estão a usar ferramentas de IA como suporte parcial — principalmente para gestão de tempo, estruturação do trabalho e redução da procrastinação. É fundamental enquadrar adequadamente este uso.

Uso de IA como suporte no processo de tese (dados 2024–2026)
Aplicação Estudantes que reportam uso Benefício reportado
Gestão de tempo e planeamento com IA ~28% Redução de procrastinação em 34%
Estruturação de capítulos com IA ~41% Redução de bloqueio de escrita (writer’s block)
Chatbots de IA para apoio emocional informal ~12% Alivio temporário de ansiedade (auto-reportado)
Revisão e feedback de texto por IA ~53% Redução de incerteza sobre qualidade do trabalho
Nota importante: As ferramentas de IA não são substitutos de apoio psicológico profissional. Se estiver a experienciar sintomas de ansiedade ou depressão significativos, consulte os serviços de apoio psicológico da sua IES ou o médico de família. A IA pode ajudar na gestão académica, mas não substitui cuidados de saúde mental.

O que a IA faz bem neste contexto é reduzir as fontes de stress académico específicas da tese: o bloqueio de escrita, a incerteza sobre a estrutura e a sobrecarga administrativa da gestão bibliográfica. Plataformas como o Tesify foram desenvolvidas exactamente para reduzir este atrito académico, não para substituir o apoio psicológico.

Para dados sobre o uso de IA académica de forma mais ampla, veja o artigo IA no ensino superior: estatísticas 2026.

Estratégias com evidência: o que funciona

Os estudos disponíveis identificam as seguintes estratégias com evidência de eficácia para proteger a saúde mental durante o processo de tese:

  • Estabelecer um horário de trabalho fixo (e respeitá-lo): previne o overwork e o guilt cycling
  • Reuniões regulares com o orientador: estudantes com reuniões mensais reportam 38% menos stress relacionado com a tese
  • Grupos de escrita: a escrita em grupo, mesmo que silenciosa, reduz o isolamento e aumenta a produtividade
  • Separar identidade profissional do progresso da tese: a síndrome do impostor diminui com enquadramento cognitivo-comportamental
  • Usar serviços de apoio psicológico da IES: embora insuficientes, os estudantes que os usam reportam melhorias significativas

Para perspectiva comparativa espanhola, veja estrés académico e TFG em Espanha: dados 2026.

Saúde mental e TCC no Brasil: dados comparativos

Saúde mental durante trabalho final: Portugal vs Brasil (2024–2026)
Indicador Portugal Brasil
Prevalência de ansiedade em estudantes universitários 19,4% ~32% (ABEP, 2024)
Estudantes que usam IA para gestão de stress académico ~28% ~35% (ABMES, 2024)
Abandono da tese/TCC por razões psicológicas ~8% do total de abandonos ~12% do total de abandonos

Perguntas Frequentes

Qual a prevalência de ansiedade entre estudantes universitários em Portugal?

Segundo dados do ISPUP (2024) e publicados no et-al.pt, 19,4% dos estudantes universitários portugueses apresentam ansiedade como problema de saúde mental diagnosticado. Quando se considera sintomas de ansiedade significativa (sem diagnóstico formal), o valor sobe para 39% (RPICS, 2024).

O período da tese é mais stressante do que outras fases do ensino superior?

Sim, de forma consistente. Os estudos portugueses identificam o período de elaboração da tese como o de maior vulnerabilidade psicológica, devido ao isolamento, à ambiguidade dos critérios de avaliação, à duração prolongada e à dependência da relação com o orientador. 58% dos estudantes de pós-graduação reporta dificuldades em delimitar o âmbito da tese como fonte de stress significativo (ISMT, 2024).

Quantos estudantes universitários em Portugal tomam medicação psiquiátrica?

Segundo um estudo publicado pelo Público em dezembro de 2024, 1 em cada 4 estudantes universitários portugueses recorre a algum tipo de medicação psiquiátrica. Este dado representa um aumento significativo em relação a 2019 e está correlacionado com o agravamento geral da saúde mental pós-pandemia.

A IA pode ajudar com o bloqueio de escrita na tese?

Sim, dentro de limites bem definidos. Ferramentas de IA como o Tesify podem ajudar a superar o bloqueio de escrita ao propor estruturas de capítulos, formular primeiros rascunhos para revisão, ou ajudar a organizar as ideias em esquema. 53% dos estudantes que usam IA para revisão de texto reportam redução da incerteza sobre a qualidade do trabalho — uma fonte importante de ansiedade.

Onde pode um estudante português obter apoio psicológico gratuito?

As principais opções são: (1) Serviços de apoio psicológico da própria IES (existentes em todas as universidades públicas, embora com lista de espera); (2) Centros de Saúde do SNS (consultas de psicologia com referenciação do médico de família); (3) SOS Voz Amiga: 213 544 545 (apoio emocional 24h); (4) Plataformas como o Psicólogo Online (comparticipação possível pela ADSE e outros seguros).

A síndrome do impostor é comum entre os doutorandos?

Muito. Um estudo europeu de 2023 indica que 62% dos doutorandos experiencia a síndrome do impostor de forma significativa — a sensação de não merecer o lugar ou de que serão “descobertos” como incompetentes. É mais prevalente em estudantes de primeira geração universitária e em áreas competitivas como Ciências Exactas e Ciências Sociais.

Como a relação com o orientador afecta a saúde mental?

Significativamente. 41% dos estudantes de pós-graduação identificam a relação com o orientador como uma fonte de stress (RCAAP meta-análise, 2023). Por outro lado, orientadores que fornecem feedback regular e reuniões frequentes estão associados a 38% menos stress reportado e a taxas de conclusão 2,1× superiores.

Qual o impacto financeiro na saúde mental dos estudantes de pós-graduação?

Muito elevado. O relatório EAPN Portugal (2025) indica que 47% dos estudantes de pós-graduação enfrentam dificuldades financeiras significativas durante o processo de tese. Os custos são a principal barreira ao acesso a apoio psicológico (citada por 62,6% dos estudantes). Estudantes bolseiros FCT têm taxas de problemas de saúde mental sistematicamente inferiores às dos estudantes sem financiamento.

Reduza o stress académico com apoio inteligente

O Tesify não substitui apoio psicológico — mas pode reduzir significativamente o atrito académico: bloqueio de escrita, gestão de referências, verificação de plágio. Menos horas perdidas em tarefas administrativas significa mais tempo para o que importa — e menos ansiedade. Experimente gratuitamente.