Revistas Científicas Portuguesas Indexadas Scopus: Guia por Área
A Análise Social, a Revista de Enfermagem Referência e a CIDADES, Comunidades e Territórios têm algo em comum: são revistas científicas portuguesas indexadas Scopus, editadas por instituições nacionais e, em muitos casos, publicadas sem qualquer custo para quem submete. Para um estudante de mestrado ou doutoramento que quer transformar um capítulo da dissertação num artigo, conhecer este grupo de revistas poupa semanas de pesquisa e evita submissões a títulos que pouco acrescentam ao currículo.
Este guia reúne as revistas que confirmámos através do RCAAP e do SCImago Journal & Country Rank, organizadas por área científica. Mais importante do que a lista, explica como verificares tu próprio a indexação de qualquer revista, como ler os quartis e o que muda quando a revista funciona em acesso aberto diamante.
As indexações não são permanentes: revistas entram e saem das bases de dados, e as métricas são recalculadas periodicamente. Por isso, trata esta página como ponto de partida e confirma sempre o estado atual da revista antes de submeter.
Porque a indexação Scopus conta na tua carreira académica
A Scopus é uma das grandes bases de dados bibliográficas e de citações usadas internacionalmente para medir a produção científica. Quando um júri de concurso, um painel de avaliação de bolsas ou uma unidade de investigação olha para o teu currículo, os artigos em revistas indexadas são, regra geral, os que mais pesam, porque passaram por revisão por pares e são rastreáveis em métricas comparáveis.
Publicar numa revista nacional indexada tem uma vantagem adicional: muitos destes títulos aceitam temas com forte enquadramento português, como políticas públicas, território, saúde em contexto nacional ou direito português, que dificilmente encontrariam espaço numa revista internacional generalista. Ou seja, podes ganhar visibilidade internacional sem abdicar do teu objeto de estudo local.
Através do SCImago, que trabalha sobre os dados da Scopus, cada revista tem associados indicadores como o índice SJR, o índice H, o total de citações, os documentos indexados e a distribuição por quartis, de Q1 a Q4, em cada categoria científica (SCImago Journal & Country Rank). Estes indicadores servem para comparar revistas dentro da mesma área, não entre áreas diferentes.

Como verificar se uma revista está indexada na Scopus
Não confies apenas no que diz o site de uma revista ou um diretório antigo. O processo seguinte demora poucos minutos e dá-te uma confirmação sólida:
- Abre a pesquisa por país no SCImago. O endereço oficial filtrado para Portugal mostra o catálogo de revistas ativas indexadas na Scopus (SCImago, Portugal).
- Filtra por área e categoria. Podes restringir a Ciências Sociais, Medicina, Engenharia, Artes e Humanidades, entre outras, e depois descer à categoria específica do teu tema.
- Lê o quartil da categoria certa. Uma revista pode estar em várias categorias com quartis diferentes. Interessa o quartil da categoria onde o teu artigo se encaixa.
- Confirma que a cobertura está ativa. Uma revista com cobertura descontinuada continua a aparecer em pesquisas antigas, mas os novos artigos deixam de ser indexados.
- Cruza com a página da revista no RCAAP. No Serviço de Alojamento de Revistas Científicas, os editores indicam explicitamente se a revista possui indexação na Scopus (RCAAP).
- Em caso de dúvida, contacta a equipa editorial. Um email curto a perguntar pelo estado da indexação é perfeitamente aceitável e evita surpresas.
Revistas científicas portuguesas indexadas Scopus por área
A tabela resume os títulos confirmados nas fontes consultadas. Não é uma lista exaustiva: o catálogo completo está no SCImago e deves usá-lo para encontrar outras revistas da tua área.
| Revista | Área | Entidade editora | Outras indexações referidas |
|---|---|---|---|
| Análise Social | Ciências Sociais | Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa | Web of Science (SciELO Citation Index), SciELO Portugal |
| Revista de Enfermagem Referência | Saúde e Enfermagem | UICISA: E, Escola Superior de Enfermagem de Coimbra | CINAHL, SciELO Portugal |
| CIDADES, Comunidades e Territórios | Estudos Urbanos e Território | DINÂMIA’CET-Iscte | Acesso aberto, financiada pela FCT |
| Journal of Science and Technology of the Arts (JSTA) | Artes e Tecnologia | Universidade Católica Portuguesa, CITAR | Fundos nacionais através da FCT |
| Revista Jurídica Portucalense | Direito e Ciência Política | Universidade Portucalense | Publicação contínua em acesso aberto via RCAAP |
Fontes: RCAAP e SCImago Journal & Country Rank.
Análise Social
Publicada pelo ICS-ULisboa, é descrita como uma das revistas decanas das ciências sociais em Portugal e está indexada na Scopus, na Web of Science através do SciELO Citation Index e no SciELO Portugal (RCAAP). É uma escolha natural para trabalhos de sociologia, ciência política, antropologia e história social. Se estás a trabalhar temas como migrações e políticas sociais, vê também o nosso guia sobre a população migrante como foco da tese de Serviço Social, que ajuda a delimitar um problema publicável.
Revista de Enfermagem Referência
Editada pela UICISA: E da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra, conta com financiamento de unidades de I&D da FCT e indexação na Scopus, CINAHL e SciELO Portugal (RCAAP). É uma das referências para quem termina um mestrado em enfermagem e quer publicar resultados de estudos clínicos, revisões ou estudos de caso. Antes de escrever, vale a pena perceber o que já foi publicado: o artigo sobre onde encontrar teses de enfermagem já defendidas em Portugal mostra como mapear os antecedentes.
CIDADES, Comunidades e Territórios
Associada ao DINÂMIA’CET-Iscte, é uma revista trianual em acesso aberto, focada em estudos urbanos, planeamento e território, financiada pela FCT e indexada na Scopus (RCAAP). Serve dissertações de geografia, planeamento urbano, arquitetura, sociologia urbana e políticas de habitação.
Journal of Science and Technology of the Arts (JSTA)
Editada pela Universidade Católica Portuguesa através do CITAR, foca a interseção entre ciência, tecnologia e artes, com apoio de fundos nacionais através da FCT e indexação na Scopus (RCAAP). Encaixa bem em trabalhos de artes digitais, som e música, conservação e restauro ou design de interação.
Revista Jurídica Portucalense
Publicação científica da Universidade Portucalense, indexada na Scopus e com publicação contínua em acesso aberto através de plataformas integradas no RCAAP (RCAAP). A publicação contínua significa que os artigos aceites ficam disponíveis sem esperar pelo fecho de um número, o que pode encurtar o tempo até à primeira citação.

Acesso aberto diamante e o SARC: publicar sem pagar
Grande parte das revistas científicas portuguesas indexadas na Scopus está alojada no SARC do RCAAP e segue o modelo de acesso aberto diamante: não há taxas de submissão nem de processamento de artigos (as chamadas APC) para autores, e os leitores acedem gratuitamente. Estas revistas usam a plataforma Open Journal Systems para gerir submissões e revisão, e o SARC aloja dezenas de revistas académicas portuguesas neste formato (RCAAP).
Para um estudante, isto tem três consequências práticas:
- Não precisas de financiamento para publicar. Ao contrário de muitas revistas internacionais de acesso aberto que cobram APC, aqui o custo é zero.
- O teu artigo é lido por quem não tem assinaturas. Profissionais de saúde, técnicos municipais ou juristas fora da academia conseguem ler o texto, o que aumenta o impacto real do trabalho.
- O processo é familiar. Como quase todas usam OJS, depois de submeteres numa revista sabes navegar nas outras: registo, metadados, carregamento do manuscrito anonimizado e acompanhamento da revisão.
Mestrado integrado: o que é e como publicar a partir da dissertação
Muitos estudantes que chegam a este tema pesquisam primeiro «mestrado integrado o que é», porque o seu curso termina com uma dissertação e querem perceber se ela tem valor de publicação. Um mestrado integrado é um ciclo de estudos que junta, num percurso contínuo, a formação de base e a especialização, conferindo o grau de mestre no final. Existe em áreas como Medicina, Medicina Dentária, Ciências Farmacêuticas, Medicina Veterinária e Arquitetura.
Do ponto de vista da publicação, a dissertação de um mestrado integrado tem exatamente o mesmo potencial que a de um mestrado de segundo ciclo: se tem uma pergunta clara, um método rigoroso e resultados, pode dar origem a um artigo. Em Medicina Dentária, por exemplo, uma metodologia bem descrita é metade do caminho para a revisão por pares; o nosso guia sobre como escrever a metodologia de uma tese de Medicina Dentária segue precisamente essa lógica.
Fala cedo com o orientador sobre a intenção de publicar. Em regra, o orientador figura como coautor, e é ele quem melhor conhece as revistas da área e os tempos de revisão habituais.
Checklist para escolher a revista certa
Escolher entre revistas científicas portuguesas indexadas Scopus não é apenas escolher o quartil mais alto. Usa esta lista antes de decidir:
- Âmbito editorial: lê a secção de foco e âmbito e três ou quatro artigos recentes. Se nenhum se parece com o teu, a probabilidade de rejeição liminar é alta.
- Quartil na categoria certa: confirma no SCImago o quartil da categoria que corresponde ao teu tema, não a melhor categoria da revista.
- Línguas aceites: verifica nas normas se aceitam português, inglês ou ambos, e se pedem resumo bilingue.
- Tipo de artigo: artigo original, revisão, estudo de caso ou nota de investigação; nem todas aceitam todos os formatos.
- Estilo de citação: APA, Chicago ou normas próprias. Ajustar referências à última hora é das tarefas mais morosas.
- Modelo de acesso e custos: confirma que é acesso aberto diamante, ou, se não for, quais os custos.
- Requisitos éticos e de dados: em saúde e ciências sociais, prepara as aprovações de comissões de ética e o consentimento informado.
Se o teu artigo é quantitativo, revê a análise antes de submeter; as calculadoras online gratuitas para a estatística da tese ajudam a confirmar tamanhos de efeito e intervalos de confiança. Em psicologia, complementa a pesquisa com as bases de dados e revistas para uma tese de Psicologia Clínica, que incluem títulos internacionais.
Do capítulo da tese ao artigo submetido
Uma dissertação não é um artigo longo. O artigo exige foco num único resultado ou argumento, um enquadramento teórico condensado e uma discussão que dialogue diretamente com a literatura publicada na própria revista. O processo que recomendamos:
- Escolhe um único contributo. Uma pergunta, um conjunto de resultados, uma conclusão principal.
- Reduz a revisão de literatura. Mantém apenas o que justifica a pergunta e cita trabalhos publicados na revista alvo, quando pertinentes.
- Reescreve a metodologia em formato replicável. Amostra, instrumentos, procedimentos e análise, sem a narrativa do percurso.
- Adapta as referências às normas da revista. Ferramentas como o Tesify geram bibliografia automática em APA, MLA ou Chicago e evitam horas de formatação manual.
- Anonimiza o manuscrito. Retira nomes, instituição e agradecimentos da versão para revisão cega.
- Escreve uma carta ao editor curta. Explica o contributo em poucas linhas e porque encaixa naquela revista.
Se precisares de apoio com a linguagem académica ou a estrutura, as universidades portuguesas têm serviços próprios; reunimos os principais no guia sobre onde pedir ajuda com a escrita da tese em Portugal. E, antes de submeter, uma verificação antiplágio é indispensável, sobretudo quando o artigo reaproveita texto da dissertação já depositada em repositório; o Tesify inclui essa verificação no mesmo editor onde escreves.
Por fim, recebe a revisão com calma. Pedidos de revisão maior são habituais e não significam rejeição: responde ponto a ponto, numa tabela, indicando o que alteraste e onde.
Transforma o capítulo da tese num artigo pronto a submeter
O Tesify Editor IA reescreve parágrafos, expande conceitos, corrige a linguagem académica e dá feedback em tempo real sobre coerência, plágio e qualidade do texto, diretamente no browser. Ideal para condensar um capítulo e adaptá-lo às normas da revista escolhida.
Perguntas frequentes
Como sei se uma revista portuguesa está indexada na Scopus?
Consulta a pesquisa por país no SCImago Journal & Country Rank filtrada para Portugal, que se baseia nos dados da Scopus, e confirma que a cobertura está ativa. Depois cruza essa informação com a página da revista no RCAAP, onde os editores indicam a indexação, e, em caso de dúvida, contacta a equipa editorial.
Publicar numa revista portuguesa indexada na Scopus tem custos?
Na maioria dos casos não. Grande parte destas revistas está alojada no SARC do RCAAP e segue o modelo de acesso aberto diamante, sem taxas de submissão nem de processamento de artigos para autores e com leitura gratuita. Confirma sempre nas normas de cada revista.
Posso publicar um artigo a partir da minha dissertação de mestrado?
Sim, desde que o trabalho tenha uma pergunta clara, um método rigoroso e resultados. Tens de condensar a dissertação num único contributo, adaptar as referências às normas da revista e, em regra, incluir o orientador como coautor. Isto aplica-se tanto a mestrados de segundo ciclo como a mestrados integrados.
Estar indexada na Scopus é o mesmo que estar no SciELO Portugal?
Não. São bases de dados diferentes com critérios próprios. Algumas revistas, como a Análise Social e a Revista de Enfermagem Referência, estão em ambas, mas uma revista pode estar no SciELO Portugal sem estar na Scopus, ou o inverso.
O que significam os quartis Q1 a Q4 no SCImago?
Os quartis dividem as revistas de cada categoria científica em quatro grupos segundo o seu indicador de impacto, sendo Q1 o grupo mais elevado e Q4 o mais baixo. O quartil só é comparável dentro da mesma categoria, por isso deves olhar para a categoria que corresponde ao teu tema.
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