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Que Cursos Escolhem Homens e Mulheres em Portugal? Os Números dos Novos Inscritos (2026)

Que Cursos Escolhem Homens e Mulheres em Portugal? Os Números dos Novos Inscritos

No conjunto do ensino superior português, a repartição entre homens e mulheres é quase equilibrada. Quando se olha por área de formação, desaparece: há áreas em que as mulheres são quatro em cada cinco novos inscritos e áreas em que os homens são igualmente quatro em cada cinco. A média nacional esconde exatamente o que interessa.

Resultado-chave: entre os 153 744 estudantes inscritos no 1.º ano pela 1.ª vez em 2024/2025 — 69 527 homens e 84 217 mulheres —, as Tecnologias da informação e comunicação receberam 5 791 homens e 1 338 mulheres, enquanto Saúde e proteção social recebeu 4 024 homens e 14 874 mulheres. São os dois extremos, e estão no mesmo sistema, no mesmo ano.

A tabela completa por área

Estudantes sentados em fila num laboratorio de informatica universitario
Informática é a área mais desequilibrada do sistema — em qualquer das direções.

Inscritos no 1.º ano, pela 1.ª vez, por área de educação e formação, ano letivo 2024/2025 (RAIDES/DGEEC):

Área de educação e formação Homens Mulheres Total
Ciências empresariais, administração e direito 15 137 19 969 35 106
Engenharia, indústrias transformadoras e construção 19 889 8 163 28 052
Saúde e proteção social 4 024 14 874 18 898
Ciências sociais, jornalismo e informação 5 888 13 154 19 042
Artes e humanidades 6 107 10 764 16 871
Serviços 5 808 3 490 9 298
Ciências naturais, matemática e estatística 3 871 4 756 8 627
Educação 1 675 5 908 7 583
Tecnologias da informação e comunicação 5 791 1 338 7 129
Agricultura, silvicultura, pescas e ciências veterinárias 1 299 1 751 3 050
Área desconhecida 38 50 88
Total 69 527 84 217 153 744
Nota de verificação: as duas colunas somam exatamente os totais publicados — 69 527 homens (45,2 %) e 84 217 mulheres (54,8 %) —, o que confirma que a leitura da tabela está correta e completa. Os totais por área são somas dos dois valores publicados, assinalados como cálculo e não como valor divulgado separadamente.

Os quatro extremos

Área Desequilíbrio
Tecnologias da informação e comunicação 81 % homens — a área mais desequilibrada do sistema
Saúde e proteção social 79 % mulheres
Educação 78 % mulheres
Engenharia, indústrias transformadoras e construção 71 % homens

Duas leituras que os números sustentam e que valem mais do que a indignação genérica:

1. As TIC são mais desequilibradas do que a Engenharia. É contra-intuitivo, porque o debate público sobre mulheres em áreas técnicas costuma centrar-se na engenharia. Mas a engenharia recebeu 8 163 mulheres — mais de seis vezes as 1 338 das TIC — apesar de as duas áreas terem dimensões de entrada comparáveis quando se olha só para os homens (19 889 contra 5 791). Se o objetivo é atuar sobre o desequilíbrio, o dado aponta para as TIC.

2. Ciências naturais, matemática e estatística está praticamente equilibrada — 3 871 homens contra 4 756 mulheres. Isto desmonta a leitura simples de que «as mulheres não escolhem ciências»: escolhem, em maioria, numa das áreas mais exigentes em matemática do sistema. O desequilíbrio não é com a ciência; é com áreas específicas.

Porque é que a média nacional engana

Estudantes de enfermagem em aula pratica com equipamento de simulacao
Saúde e proteção social: perto de quatro em cada cinco novos inscritos são mulheres.

A repartição agregada — 45,2 % homens e 54,8 % mulheres entre os novos entrantes — sugere um sistema quase equilibrado, e é o número que costuma ser citado. Mas é uma média de distribuições opostas: uma área com 81 % de homens e outra com 79 % de mulheres somam-se para produzir um agregado tranquilo que não descreve a experiência de ninguém.

É o mesmo tipo de armadilha que aparece noutras séries do ensino superior — o peso agregado de um subsistema que esconde diferenças na entrada, discutido nos números do ensino politécnico, ou a taxa nacional de participação de adultos em formação, que esconde um contraste de mais de quarenta pontos por nível de escolaridade, como se vê nos dados sobre educação e formação de adultos. A regra prática é a mesma: quando um agregado parece equilibrado, procure o corte que o compõe.

Onde está o volume, e porque isso importa

Um ponto que o debate sobre desequilíbrios costuma perder: as áreas mais desequilibradas não são as maiores. As duas maiores portas de entrada do sistema são Ciências empresariais, administração e direito (35 106 novos inscritos) e Engenharia, indústrias transformadoras e construção (28 052) — juntas, mais de 41 % de todas as entradas.

Já as TIC, a área mais desequilibrada, recebem 7 129 novos inscritos: menos de 5 % do total. Em termos absolutos, a diferença de 4 453 pessoas entre homens e mulheres nas TIC é menor do que a diferença de 11 726 na Engenharia — que, em percentagem, é bastante menos desequilibrada.

Consequência para quem escreve sobre isto: percentagem e volume respondem a perguntas diferentes. «Que área é mais desequilibrada?» responde-se em percentagem. «Onde estão mais pessoas de um sexo em falta?» responde-se em números absolutos. Trocar as duas produz conclusões que os dados não sustentam — e é o erro mais frequente em textos sobre este tema.

Como usar estes dados sem os esticar

  1. Diga sempre que são novos inscritos. Estes números referem-se a inscritos no 1.º ano pela 1.ª vez, não ao total de estudantes de cada área. Um curso de quatro anos acumula coortes; a fotografia da entrada não é a do conjunto.
  2. Identifique o ano letivo e o inquérito. «2024/2025, RAIDES/DGEEC». Sem isso, o número não é comparável com nada.
  3. Não converta escolha em preferência. Os dados mostram onde as pessoas se inscreveram, o que resulta também das vagas disponíveis, das médias de entrada e da oferta regional. Explicar o padrão exige mais do que esta tabela — as vias e limitações de acesso estão descritas no guia de acesso ao ensino superior em Portugal.
  4. Não extrapole para a conclusão nem para o emprego. Entrar não é concluir, e concluir não é exercer. Cada um desses passos tem a sua própria série estatística.
  5. Some com cuidado. «STEM» não é uma categoria desta classificação: juntar Engenharia, TIC e Ciências naturais é uma agregação sua, e deve ser declarada como tal — sobretudo porque as três se comportam de maneira muito diferente.

Perguntas frequentes

Qual é a área mais desequilibrada do ensino superior português?

As Tecnologias da informação e comunicação. Entre os inscritos no 1.º ano pela 1.ª vez em 2024/2025, registaram 5 791 homens contra 1 338 mulheres — cerca de 81 % de homens. É um desequilíbrio maior do que o da Engenharia, indústrias transformadoras e construção, que registou 19 889 homens e 8 163 mulheres, cerca de 71 % de homens.

As mulheres são maioria no ensino superior?

Entre os novos entrantes de 2024/2025, sim: 84 217 mulheres contra 69 527 homens, ou seja 54,8 % contra 45,2 %. Mas essa média agrega distribuições opostas — há áreas com quatro em cada cinco mulheres e áreas com quatro em cada cinco homens. Citar apenas o agregado descreve mal o sistema.

As mulheres evitam áreas científicas?

Os dados não sustentam essa leitura. Em Ciências naturais, matemática e estatística, as mulheres foram maioria entre os novos inscritos — 4 756 contra 3 871 homens. O desequilíbrio concentra-se em áreas específicas, sobretudo nas Tecnologias da informação e comunicação e na Engenharia, e não na ciência em geral. Agregar tudo sob «STEM» apaga precisamente essa distinção.

Qual é a maior área do ensino superior?

Entre os novos inscritos de 2024/2025, Ciências empresariais, administração e direito, com 35 106 entradas — 15 137 homens e 19 969 mulheres —, seguida de Engenharia, indústrias transformadoras e construção, com 28 052. Juntas representam mais de 41 % de todas as entradas no sistema. Os totais por área são somas dos valores por sexo publicados.

Estes números incluem todos os estudantes?

Não. Referem-se exclusivamente aos inscritos no 1.º ano pela 1.ª vez no ano letivo 2024/2025, que foram 153 744. O total de inscritos no ensino superior nesse ano letivo foi bastante superior, porque acumula todas as coortes em curso. Confundir os dois é o erro mais comum ao citar estas séries.

Onde encontro os dados originais?

Nos resultados do inquérito RAIDES publicados pela Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência para o ano letivo 2024/2025, e nas tabelas de dados do ensino superior da mesma direção-geral. Para trabalho académico, prefira as tabelas aos gráficos-resumo: dão o valor exato e permitem reconstruir totais, o que os infográficos com percentagens arredondadas não permitem.

Fontes: Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC), «Inscritos no Ensino Superior — Ano letivo 2024/2025», resultados do inquérito RAIDES, quadro de inscritos no 1.º ano pela 1.ª vez por área de educação e formação e sexo. As percentagens de desequilíbrio e os totais por área apresentados nesta página são calculados a partir dos valores publicados por sexo e estão assinalados como cálculo; os valores absolutos por sexo e os totais de 69 527, 84 217 e 153 744 são os publicados. A soma das duas colunas foi verificada contra os totais divulgados. ⚠️ Os dados referem-se a novos entrantes e não ao total de estudantes inscritos.

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