Erasmus+ 2026/2027 em Portugal: Bolsas, Valores e Como Candidatar (Guia Completo)
Todos os anos, milhares de estudantes portugueses candidatam-se ao Erasmus+ sem perceberem com clareza quanto vão realmente receber, quando devem submeter a candidatura ou que documentos o Gabinete de Relações Internacionais (GRI) da sua instituição vai exigir. A resposta muda consoante o país de destino, o tipo de mobilidade (estudo ou estágio) e o perfil socioeconómico do candidato — e os prazos, ao contrário do que muitos pensam, não são geridos centralmente pela Comissão Europeia, mas por cada universidade ou politécnico, com datas próprias dentro do calendário nacional do programa.
Este guia reúne o que precisa de saber para 2026/2027: os valores mensais por grupo de país de destino, os apoios complementares para estudantes de ação social e mobilidade verde, o processo de candidatura passo a passo através do GRI, o checklist de documentos e o calendário típico do ciclo de mobilidade.
O Que É o Erasmus+ e Quem Pode Candidatar-se
O Erasmus+ é o programa da União Europeia para mobilidade e cooperação no ensino superior, educação, formação, juventude e desporto, com um orçamento total de 26,2 mil milhões de euros para o período 2021–2027, complementado por cerca de 2,2 mil milhões de euros de instrumentos externos da UE. Em Portugal, o programa é coordenado pela Agência Nacional Erasmus+, e cada instituição de ensino superior gere as suas próprias vagas de mobilidade dentro dos acordos bilaterais que mantém com universidades parceiras noutros países.
Qualquer estudante matriculado numa instituição de ensino superior portuguesa — licenciatura, mestrado ou doutoramento — pode candidatar-se a mobilidade Erasmus+, desde que a sua instituição tenha um acordo bilateral ativo com a universidade de destino pretendida e o estudante cumpra os requisitos académicos mínimos definidos internamente (normalmente, não ter unidades curriculares em atraso e ter aprovação do coordenador de curso).

Valores da Bolsa por Grupo de País (2026/2027)
O valor mensal da bolsa Erasmus+ depende do custo de vida estimado no país de destino, agrupado em três categorias pela Comissão Europeia. Os valores exatos são revistos todos os anos e podem variar ligeiramente consoante a instituição de origem aplique o teto máximo ou um valor intermédio — a tabela seguinte apresenta os intervalos típicos para mobilidade de estudo em 2026/2027:
| Grupo | Exemplos de países | Bolsa mensal (estudo) |
|---|---|---|
| Grupo 1 — custo de vida elevado | Dinamarca, Irlanda, Islândia, Luxemburgo, Noruega, Suécia, Liechtenstein | ≈ €600 a €700/mês |
| Grupo 2 — custo de vida médio | Alemanha, Áustria, Bélgica, Espanha, Finlândia, França, Grécia, Itália, Malta, Países Baixos | ≈ €500 a €600/mês |
| Grupo 3 — custo de vida mais baixo | Bulgária, Croácia, Eslováquia, Eslovénia, Estónia, Hungria, Letónia, Lituânia, Polónia, República Checa, Roménia | ≈ €350 a €500/mês |
Os valores exatos aplicados por cada universidade portuguesa variam dentro destes intervalos e são publicados anualmente pela Agência Nacional Erasmus+ e replicados na tabela oficial de bolsas do GRI de cada instituição. Confirme sempre o valor exato para o seu ano letivo e destino específico antes de planear o orçamento da mobilidade.
Para mobilidade de estágio (Erasmus Traineeship), os valores mensais tendem a ser ligeiramente superiores aos da mobilidade de estudo no mesmo grupo de país — a diferença reflete o facto de estágios não incluírem, em muitos casos, acesso a residências universitárias ou refeitório subsidiado no destino.
Complementos: Ação Social e Mobilidade Verde
Além do valor base por grupo de país, o Erasmus+ prevê dois tipos de apoio complementar:
- Complemento de ação social: estudantes que já sejam bolseiros dos Serviços de Ação Social (SAS) na sua instituição de origem recebem tipicamente um acréscimo mensal adicional de cerca de €250 à bolsa Erasmus base, reconhecendo o esforço financeiro adicional da mobilidade para agregados familiares com menor rendimento. A elegibilidade cruza-se diretamente com a atribuição da bolsa SAS regular — se já é bolseiro, informe o GRI no momento da candidatura Erasmus.
- Apoio à mobilidade sustentável (mobilidade verde): estudantes que optem por viajar de comboio, autocarro ou outro meio de transporte de baixa emissão em vez de avião podem receber um apoio adicional de viagem e, nalguns casos, dias extra de mobilidade para compensar o tempo de viagem mais longo. As condições exatas e o valor variam por Agência Nacional e devem ser confirmadas no momento da candidatura.
Erasmus Mundus Joint Masters
Distinto da mobilidade Erasmus+ regular (um ou dois semestres integrados no seu curso atual), o Erasmus Mundus Joint Masters é um mestrado completo, lecionado em consórcio por pelo menos três universidades europeias, com financiamento direto da Comissão Europeia. É a modalidade mais generosa do programa para quem está disposto a estudar dois anos inteiros fora de Portugal:
- Bolsa mensal: €1.400/mês, durante os 24 meses do programa.
- Propinas: totalmente cobertas pelo programa, independentemente da universidade de acolhimento.
- Extras: seguro de saúde durante toda a duração do curso, subsídio de viagem e de instalação na chegada.
- Candidaturas: decorrem habitualmente entre outubro e fevereiro, diretamente no consórcio de universidades responsável pelo mestrado — não através do GRI da sua instituição atual.
Consulte o catálogo completo de programas no portal oficial Erasmus+ e filtre por área científica e universidades participantes antes de decidir a candidatura.
Como Candidatar-se: Passo a Passo
- Confirme os acordos bilaterais da sua instituição. Contacte o GRI ou consulte a lista de acordos Erasmus+ publicada no site da sua faculdade para saber que universidades parceiras estão disponíveis na sua área de estudo.
- Verifique os requisitos académicos internos. Cada instituição define os seus próprios critérios mínimos (média de curso, ano curricular, unidades curriculares em atraso). Confirme-os antes de investir tempo na candidatura.
- Submeta a candidatura no prazo definido pelo GRI, tipicamente entre fevereiro e abril para mobilidade no ano letivo seguinte. Cada instituição gere o seu próprio calendário — não existe um prazo nacional único.
- Escolha as universidades de destino por ordem de preferência. A maioria dos processos permite indicar três a cinco opções, seriadas pela sua ordem de preferência.
- Aguarde a seriação e a atribuição de vaga. A seriação cruza normalmente média académica, motivação e, nalguns casos, nível de língua do país de destino.
- Confirme a aceitação e trate do learning agreement. Depois de atribuída a vaga, é preciso preencher o Learning Agreement (ou Traineeship Agreement) com as unidades curriculares ou tarefas de estágio a realizar no destino, aprovado tanto pela instituição de origem como pela de acolhimento.
- Trate do seguro de saúde e do visto (se aplicável). Dentro do Espaço Económico Europeu, o Cartão Europeu de Seguro de Doença costuma bastar; para destinos fora da UE em programas de mobilidade internacional, verifique requisitos de visto com antecedência.

Checklist de Documentos Necessários
- Comprovativo de matrícula e inscrição atualizado na instituição de origem
- Certificado de registo académico (histórico de notas)
- Carta de motivação dirigida à comissão de seriação do GRI
- Comprovativo de nível de língua do país de destino (certificado ou declaração, quando exigido)
- Learning Agreement provisório, preenchido com as unidades curriculares a frequentar no destino
- Comprovativo de bolseiro de ação social (SAS), se aplicável, para o complemento adicional
- Cartão Europeu de Seguro de Doença (ou seguro de viagem equivalente para destinos fora da UE)
- Documento de identificação válido durante todo o período de mobilidade
Calendário Típico de Candidatura
| Período | Etapa |
|---|---|
| Fevereiro–abril | Período mais comum de candidatura ao GRI para mobilidade no ano letivo seguinte |
| Maio–junho | Divulgação das seriações e atribuição de vagas por universidade de destino |
| Junho–agosto | Preenchimento do Learning Agreement, tratamento de seguro e alojamento no destino |
| Setembro (ou fevereiro, para o 2.º semestre) | Início da mobilidade |
Este calendário é indicativo — cada instituição fixa os seus próprios prazos exatos dentro deste intervalo geral. Confirme sempre as datas específicas no site do GRI da sua universidade.
Fazer a Tese ou o Estágio em Erasmus
Sim, é possível — e cada vez mais comum — realizar parte da investigação da tese ou um estágio de investigação numa universidade parceira através da mobilidade Erasmus+. Isto é especialmente relevante para estudantes de mestrado e doutoramento que queiram aceder a laboratórios, arquivos ou orientadores especializados não disponíveis em Portugal. Neste caso, o Learning Agreement é substituído por um plano de investigação aprovado por ambos os orientadores (o de origem e o de acolhimento), e a mobilidade pode ser combinada com outras fontes de financiamento, como bolsas FCT, sem perder a bolsa Erasmus.
Depois de regressar de uma mobilidade internacional, muitos estudantes precisam de redigir parte da tese ou dos capítulos de metodologia em inglês para partilhar com o orientador de acolhimento — um processo que pode ser acelerado com um workflow estruturado de tradução assistida por IA, detalhado no nosso guia sobre como traduzir a tese para inglês passo a passo.
O Que o Erasmus Cobre e o Que Não Cobre
Um mal-entendido frequente: a bolsa Erasmus+ de mobilidade de estudo não substitui o pagamento de propinas — o estudante continua a pagar propinas na sua instituição de origem em Portugal, mas fica isento de propinas na universidade de acolhimento durante o período de mobilidade, ao abrigo do acordo bilateral entre as duas instituições. A bolsa mensal destina-se a cobrir uma parte dos custos de vida no destino (alojamento, alimentação, transporte local) — raramente cobre a totalidade desses custos, sobretudo em países do Grupo 1. Muitos estudantes complementam a mobilidade com vaga em residência universitária ou alojamento estudantil no destino, quando o acordo bilateral o permite.
Para um planeamento financeiro mais amplo do percurso académico em Portugal — incluindo outras fontes de financiamento que podem ser combinadas com o Erasmus+ — consulte o nosso diretório de bolsas e financiamento para doutoramento e mestrado em Portugal, que reúne FCT, Gulbenkian, La Caixa e outras fontes complementares. Se o seu plano for prosseguir para o doutoramento depois do mestrado com mobilidade internacional já feita, a rede tesify.pro tem um guia de candidatura à bolsa FCT de doutoramento com prazos e valores atualizados para 2026. Vale também a pena perceber o contexto mais amplo de mobilidade internacional em Portugal, incluindo dados sobre estudantes internacionais no ensino superior português.
Quer esteja a preparar a candidatura, a meio do semestre em mobilidade ou já de regresso a Portugal, o Tesify Editor IA ajuda a manter o ritmo de escrita da tese, com organização de capítulos, citações automáticas e revisão de coerência — mesmo à distância, num idioma diferente do português.
Perguntas Frequentes
Quanto é a bolsa Erasmus por mês em 2026?
Para mobilidade de estudo em 2026/2027, a bolsa varia entre aproximadamente €350 e €700 por mês, consoante o grupo de custo de vida do país de destino: cerca de €600 a €700 no Grupo 1 (países com custo de vida elevado, como Dinamarca ou Suécia), €500 a €600 no Grupo 2 (por exemplo, Alemanha ou França) e €350 a €500 no Grupo 3 (por exemplo, Polónia ou Roménia). Os valores exatos são fixados anualmente e podem variar ligeiramente por instituição — confirme sempre a tabela oficial do seu GRI.
Posso acumular Erasmus com a bolsa de ação social?
Sim. Estudantes que já sejam bolseiros dos Serviços de Ação Social (SAS) na sua instituição de origem recebem tipicamente um complemento adicional de cerca de €250 por mês à bolsa Erasmus base, precisamente para compensar o esforço financeiro adicional da mobilidade. Informe o GRI do seu estatuto de bolseiro SAS no momento da candidatura para que este complemento seja aplicado.
Quando abrem as candidaturas Erasmus 2026/2027?
Não existe uma data nacional única — cada instituição de ensino superior gere o seu próprio calendário. O período mais comum de candidatura é entre fevereiro e abril, para mobilidade no ano letivo seguinte. Consulte o site do Gabinete de Relações Internacionais (GRI) da sua universidade ou politécnico para confirmar os prazos exatos do seu caso.
O Erasmus cobre a propina da universidade de destino?
Sim, no sentido em que o estudante fica isento de propinas na universidade de acolhimento durante o período de mobilidade, ao abrigo do acordo bilateral entre as duas instituições. No entanto, continua a pagar as propinas normais na sua instituição de origem em Portugal — o Erasmus+ regular não elimina esse pagamento, apenas evita uma propina adicional no destino.
Posso fazer a tese ou estágio em Erasmus?
Sim. É possível realizar parte da investigação da tese, um estágio de investigação ou um Erasmus Traineeship numa universidade ou instituição parceira, com o Learning Agreement substituído por um plano de investigação aprovado pelos orientadores de origem e de acolhimento. Esta modalidade é cada vez mais comum em mestrados e doutoramentos que procuram acesso a laboratórios, arquivos ou especialistas não disponíveis em Portugal.
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