Como Referenciar o ChatGPT e a IA Generativa na Tese 2026? (APA 7 e NP 405)
Usou o ChatGPT para estruturar um argumento, resumir literatura ou rascunhar um parágrafo da sua tese? A questão que se segue é imediata: como referenciar essa ferramenta de forma academicamente correta? A resposta existe — e, desde a atualização das diretrizes APA em 2025, está bem definida. Este guia mostra-lhe o formato exato para APA 7 e a adaptação mais aceite para NP 405, com exemplos prontos a copiar e as exigências concretas das universidades portuguesas em 2026.
Quando é obrigatório citar o ChatGPT na tese?
A obrigação de citar surge sempre que incorpora na sua tese texto gerado ou parafraseado a partir de uma ferramenta de IA. Segundo as diretrizes oficiais da American Psychological Association, deve citar o ChatGPT — ou qualquer outra IA generativa — nas seguintes situações:
- Citação direta: reproduz palavra por palavra um excerto gerado pela ferramenta.
- Paráfrase: reescreve com as suas palavras uma ideia produzida pela IA.
- Incorporação de conteúdo: usa texto, listas, esquemas ou outros elementos gerados pela IA como parte do seu trabalho.
Por outro lado, se utilizou o ChatGPT apenas como auxílio à revisão ortográfica, à tradução pontual de uma frase, ou para gerar uma lista de palavras-chave que depois investigou de forma independente, a maioria das instituições não exige referência — mas sim declaração na metodologia (ver secção abaixo). O princípio orientador é simples: se o conteúdo da IA aparece no corpo da tese, cite-o.
Como formatar a referência APA 7 para o ChatGPT?
As diretrizes da APA para citar IA generativa foram atualizadas em 2025 e distinguem dois cenários: a referência ao modelo/ferramenta em geral e a referência a uma conversa específica. Para a referência geral ao ChatGPT, o formato é:
OpenAI. (2025). ChatGPT [Large language model]. https://chatgpt.com/
Citação no texto — parentética:
(OpenAI, 2025)
Citação no texto — narrativa:
OpenAI (2025) indica que…
Os elementos obrigatórios são quatro: autor (a empresa responsável pelo modelo, não a ferramenta em si), data (ano da versão utilizada), título em itálico (nome comercial da ferramenta), e descrição entre parênteses retos que clarifica o tipo de fonte. A atualização de 2025 da APA prefere o nome do modelo (ex.: ChatGPT, Claude, Gemini) ao número de versão, embora este possa ser incluído entre parênteses após o título quando for relevante para a reprodutibilidade.
| Elemento | Valor para ChatGPT | Observação |
|---|---|---|
| Autor | OpenAI | A empresa, não o utilizador |
| Data | 2025 | Ano em que acedeu à ferramenta |
| Título | ChatGPT | Em itálico |
| Descrição | [Large language model] | Entre parênteses retos, em inglês |
| URL | https://chatgpt.com/ | Página de acesso à ferramenta |
Para orientações detalhadas sobre as restantes normas de citação em APA 7, consulte o nosso guia sobre normas APA 7 com exemplos práticos para a tese em Portugal.
E se citar uma conversa específica do ChatGPT?
Quando cita um texto concreto gerado numa sessão de chat, a APA recomenda — sempre que possível — referenciar a conversa específica através do URL de partilha que o ChatGPT gera. Desde 2023 o ChatGPT permite criar uma ligação permanente para cada conversa (opção “Partilhar” no menu da sessão). Nesse caso o formato é:
OpenAI. (2025, junho 10). Síntese da literatura sobre bem-estar docente [Conversa de IA generativa]. ChatGPT. https://chatgpt.com/share/[código-da-conversa]
Citação no texto:
(OpenAI, 2025, junho 10)
Se a conversa não tiver URL de partilha (por exemplo, em contas sem esta funcionalidade), a APA aceita a referência ao modelo geral e recomenda que o texto completo da interação seja incluído em anexo, com o prompt exato e a resposta gerada. Esta prática é importante porque as respostas do ChatGPT não são reprodutíveis — a mesma pergunta gera respostas diferentes em sessões distintas.
Como referenciar outras ferramentas de IA generativa?
O mesmo padrão APA 7 aplica-se às restantes ferramentas de IA generativa. A estrutura é idêntica — muda apenas o autor e o URL:
| Ferramenta | Referência APA 7 (lista de referências) |
|---|---|
| ChatGPT | OpenAI. (2025). ChatGPT [Large language model]. https://chatgpt.com/ |
| Google Gemini | Google. (2025). Gemini [Large language model]. https://gemini.google.com/ |
| Claude (Anthropic) | Anthropic. (2025). Claude [Large language model]. https://claude.ai/ |
| Microsoft Copilot | Microsoft. (2025). Microsoft Copilot [Large language model]. https://copilot.microsoft.com/ |
| Perplexity AI | Perplexity AI. (2025). Perplexity [Large language model]. https://www.perplexity.ai/ |
Note que ferramentas de IA integradas em software comum — como as funções de IA no Word, no Grammarly ou no Canva — não requerem citação na lista de referências, segundo a APA atualizada. A citação aplica-se apenas a ferramentas de IA autónomas utilizadas para gerar conteúdo substantivo.
Como citar o ChatGPT segundo a NP 405?
A Norma Portuguesa 405 não tem uma categoria dedicada a ferramentas de inteligência artificial — foi publicada em quatro partes entre 1994 e 2000, quando estas tecnologias não existiam. A solução mais aceite nas universidades portuguesas que utilizam NP 405 consiste em aplicar por analogia a NP 405-4, que rege os documentos eletrónicos (software, bases de dados, recursos em linha).
OPENAI. ChatGPT [programa informático em linha]. [S.l.]: OpenAI, 2025. [Consultado em DD-MM-AAAA]. Disponível em WWW: <https://chatgpt.com/>
Citação no texto (sistema autor-data):
(OPENAI, 2025) ou OPENAI (2025)
Os elementos seguem a estrutura NP 405-4 para software em linha: responsável/autor (OpenAI em maiúsculas, como é norma em NP 405), título em itálico, designação do suporte entre parênteses retos, local ([S.l.] quando desconhecido ou não aplicável), editor, data, data de consulta obrigatória, e endereço eletrónico.
Para uma análise aprofundada das diferenças entre NP 405 e APA 7 no contexto da tese portuguesa, consulte também o nosso artigo dedicado à norma portuguesa NP 405 e quando deve usá-la na tese.
Como declarar o uso de IA na secção metodológica?
Mesmo quando o ChatGPT foi usado apenas como auxiliar — para gerar um esboço, sugerir estrutura, ou rever a fluidez do texto — a maioria das universidades portuguesas exige em 2026 uma declaração explícita de uso na secção metodológica. Esta declaração é distinta da citação: serve para informar o júri de avaliação sobre o papel da IA no processo de investigação, não para referenciar conteúdo diretamente incorporado.
Um modelo de declaração aceite pelas principais instituições portuguesas:
A declaração deve ser específica quanto à finalidade. «Usei o ChatGPT para escrever a tese» é problemático; «utilizei o ChatGPT para gerar uma lista inicial de subcategorias temáticas na análise de conteúdo, posteriormente revisada e reformulada» é transparente e academicamente defensável. A especificidade demonstra que o trabalho intelectual central permanece do autor.
Se tiver dúvidas sobre como o seu orientador interpreta o uso de IA, leia o nosso artigo sobre o que o orientador consegue realmente detetar sobre o uso de IA na tese — e porque a transparência é sempre a melhor estratégia.
O que exigem as universidades portuguesas em 2026?
As universidades portuguesas adoptaram, de forma progressiva desde 2023, políticas formais sobre o uso de IA em trabalhos académicos. Em 2026, o padrão dominante baseia-se em três pilares:
- Declaração obrigatória do uso de IA na metodologia, com identificação da ferramenta e da finalidade.
- Proibição da geração integral de texto académico por IA sem supervisão e validação do autor — o chamado «trabalho gerado em série».
- Responsabilidade do autor por toda a veracidade, rigor e originalidade do trabalho, independentemente das ferramentas usadas.
A nível nacional, a Direção-Geral do Ensino Superior (DGES) publicou em 2024 um diagnóstico nacional para a governação institucional da IA no ensino superior, que recomenda transparência e proíbe a submissão de trabalhos gerados integralmente por IA sem intervenção crítica do estudante. Este documento de referência orientou as políticas de várias universidades.
| Universidade | Política em 2026 | Declaração exigida? |
|---|---|---|
| Universidade de Lisboa (ULisboa) | Uso condicionado com declaração | Sim — obrigatória |
| Universidade do Porto (UPorto) | Uso condicionado com declaração | Sim — obrigatória |
| Universidade Nova de Lisboa (UNL) | Uso condicionado com declaração | Sim — obrigatória |
| ISCTE | Política formalizada com permissão condicionada | Sim — obrigatória |
| Universidade de Coimbra (UC) | Recomendação de transparência (a consolidar) | Recomendada — confirme na faculdade |
Independentemente da política específica da sua instituição, a referenciação correta do ChatGPT na lista de referências é uma camada adicional de transparência que demonstra rigor académico. Mesmo que a sua universidade não a exija explicitamente, documenta a sua cadeia de fontes — o que é sempre bem visto pelo júri.
Erros mais comuns ao referenciar IA na tese
Na prática, os estudantes cometem um conjunto de erros recorrentes ao tentar citar ferramentas de IA. Identificá-los antecipadamente poupa retrabalho e eventuais problemas na avaliação:
- Não citar de todo: o erro mais grave. Se o texto da IA está no corpo da tese sem referência, pode ser interpretado como plágio ou falta de honestidade académica.
- Atribuir autoria ao utilizador: escrever «ChatGPT (resposta a pergunta minha, 2025)» está errado. O autor é sempre a empresa (OpenAI), não o utilizador.
- Usar a data da criação do ChatGPT em vez da data de acesso: a data correta é o ano em que acedeu e utilizou a ferramenta, não 2022 (data de lançamento do ChatGPT).
- Omitir a descrição entre parênteses retos: o elemento [Large language model] ou [programa informático em linha] é obrigatório — identifica o tipo de fonte para o leitor.
- Não guardar a conversa: sem o prompt e a resposta documentados, não consegue incluí-los em anexo se o orientador os solicitar.
- Usar a mesma referência para versões diferentes: se usou o ChatGPT-4o em março e o ChatGPT-4o mini em junho, são ferramentas distintas — documente cada uma.
Para uma perspetiva mais alargada sobre os riscos de deteção quando se usa IA sem declaração adequada, leia o nosso artigo sobre os falsos positivos dos detetores de IA em trabalhos académicos — que explica por que razão a transparência é a melhor forma de se proteger, mesmo quando não usou IA de forma substancial.
Perguntas Frequentes
Tenho de citar o ChatGPT se o usei só para rever o texto?
Depende da política da sua universidade. Se usou o ChatGPT apenas para corrigir a gramática ou melhorar a fluidez de um texto que escreveu integralmente, muitas instituições não exigem citação na lista de referências — mas pedem uma declaração breve na metodologia. Se reescreveu parágrafos com base na sugestão da IA, a citação torna-se necessária. Consulte sempre as normas da sua faculdade.
Qual é a diferença entre citar a IA e declarar o seu uso?
A citação (na lista de referências e no texto) aplica-se quando conteúdo gerado pela IA aparece diretamente na tese — citado ou parafraseado. A declaração de uso (na metodologia) aplica-se sempre que a IA teve algum papel no processo de investigação ou escrita, mesmo que o conteúdo final seja todo do autor. São complementares, não alternativas.
A citação do ChatGPT conta para o índice de plágio no Turnitin?
O Turnitin tem, desde 2023, a funcionalidade de deteção de IA separada do índice de plágio tradicional. O texto gerado pela IA pode gerar um AI writing score, mas não necessariamente um índice de similaridade elevado — porque o ChatGPT raramente reproduz textos existentes palavra a palavra. Citar corretamente a IA não aumenta o índice de plágio; pelo contrário, demonstra que tem consciência e controlo sobre o que incorporou no trabalho.
E se a minha universidade usa NP 405 mas não tem orientações para IA?
Nesse caso, aplique a NP 405-4 (documentos eletrónicos) por analogia, com o formato apresentado acima. Indique numa nota de rodapé ou na própria entrada bibliográfica que se trata de uma adaptação para ferramenta de IA, por ausência de categoria específica na norma. Esta é a abordagem recomendada pela maioria das bibliotecas universitárias portuguesas enquanto a norma não for atualizada.
O ChatGPT pode ser considerado uma fonte académica?
Não, o ChatGPT não é uma fonte académica primária ou secundária. É uma ferramenta que processa e recombina texto a partir de um conjunto de treino — sem verificação de factos em tempo real e sem autoria científica rastreável. Deve ser referenciado como ferramenta utilizada, não como fonte de conhecimento. As afirmações factuais da tese devem sempre ser sustentadas por literatura científica peer-reviewed, não por output de IA.
Como cito o ChatGPT se não tenho o URL da conversa?
Se não tem o URL de partilha da conversa específica, cite o modelo em geral (OpenAI. (2025). ChatGPT [Large language model]. https://chatgpt.com/) e inclua o texto do prompt e a resposta gerada num anexo numerado, referenciado no corpo da tese. Esta prática garante transparência e rastreabilidade mesmo sem o link direto.
O uso do ChatGPT declarado na tese vai influenciar a nota?
A declaração em si não penaliza — a maioria dos júris avalia o rigor intelectual do trabalho, não o facto de se terem usado ferramentas de apoio. O que pode influenciar negativamente a nota é o uso excessivo de IA em detrimento do pensamento crítico próprio, ou a falta de declaração quando o uso é detetado. Um uso declarado, específico e bem integrado é visto como literacia digital — uma competência valorizada no contexto académico atual.
Existe alguma ferramenta que me ajude a gerir as citações de IA junto com as outras referências da tese?
Os gestores de referências como o Zotero ou o Mendeley ainda não têm um tipo de item dedicado a ferramentas de IA, mas permitem criar uma entrada manual do tipo «Software» ou «Página Web» com todos os campos necessários. O Zotero, em particular, aceita a adição manual de campos livres para a descrição entre parênteses retos exigida pela APA 7. Integrar as referências de IA no mesmo gestor que as restantes fontes facilita a consistência do estilo bibliográfico ao longo de toda a tese.
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O Tesify é o assistente de IA para teses e dissertações desenvolvido com foco na integridade académica. Ajuda-o a estruturar, a rascunhar e a verificar a originalidade do trabalho — com suporte a citações APA 7 e NP 405, deteção de paráfrases problemáticas e declarações de uso prontas a personalizar.
