Saber como publicar artigo em revista portuguesa começa muito antes da submissão. Começa no momento em que decide que capítulo da tese, que conjunto de dados ou que revisão de literatura tem força suficiente para existir sozinho, fora do documento que o júri vai ler. Um artigo não é um resumo da dissertação. É um texto autónomo, com uma pergunta, um método e uma conclusão que um revisor anónimo consegue avaliar em poucas páginas.
Em Portugal, o percurso tem particularidades próprias. Se a investigação teve financiamento da FCT, há regras de acesso aberto que condicionam a escolha da revista. Se está afiliado a uma instituição membro da b-on, pode publicar em acesso aberto em várias editoras sem pagar taxas, mas apenas se submeter da forma certa. No fim, a versão publicada tem de chegar ao repositório institucional.
As secções seguintes percorrem cada etapa com exemplos concretos: a escolha da revista, a transformação do capítulo em manuscrito, a resposta aos revisores e as obrigações que muitos estudantes só descobrem depois de o artigo estar aceite.
O que conta como revista científica portuguesa
Nem tudo o que tem o nome de revista serve para o currículo académico. Quando se fala em publicar numa revista científica portuguesa, fala-se normalmente de publicações com revisão por pares, editadas por universidades, faculdades, centros de investigação ou sociedades científicas nacionais. Muitas funcionam em plataformas de gestão editorial online, onde o autor cria conta, submete o manuscrito e acompanha o estado da avaliação.
A distinção mais importante é entre revista científica e revista de divulgação. A primeira submete os textos a avaliação por especialistas antes de publicar. A segunda publica artigos de opinião, entrevistas ou textos de síntese escolhidos pela direção editorial. Ambas têm valor, mas apenas a primeira conta como publicação científica revista por pares, que é o tipo de publicação abrangido pelas regras da FCT.
| Tipo de revista | Perfil habitual | Vantagem | Ponto de atenção |
|---|---|---|---|
| Revista institucional de universidade ou faculdade | Edita trabalhos da área científica da escola e de autores externos | Recetiva a investigadores em início de carreira | Confirmar se a revisão é externa e não apenas interna |
| Revista de sociedade científica | Ligada a uma associação profissional ou disciplinar | Público especializado e muito focado | Âmbito temático estrito |
| Revista de centro de investigação | Publicação associada a uma unidade de I&D | Boa visibilidade dentro da comunidade da área | Periodicidade por vezes irregular |
| Revista portuguesa com indexação internacional | Publica em português e inglês, com presença em bases internacionais | Maior impacto curricular | Processo de avaliação mais exigente |

Como escolher a revista certa para o seu artigo
A escolha da revista é a decisão que mais influencia o sucesso. Um bom artigo enviado para a revista errada é rejeitado pelo editor sem sequer chegar aos revisores, simplesmente porque está fora do âmbito. Antes de pensar em formatação, faça esta verificação:
- Âmbito e missão: leia a secção sobre a revista e os títulos dos números mais recentes. Se não encontrar nenhum artigo próximo do seu tema, procure outra.
- Tipo de revisão por pares: procure indicação de revisão cega ou duplamente cega, feita por avaliadores externos.
- Indexação: verifique em que bases de dados a revista está indexada e confirme essa informação diretamente nas bases, não apenas no site da revista.
- Licença e acesso: confirme se os artigos ficam em acesso aberto imediato e com que licença. Se tem financiamento FCT, este ponto é eliminatório.
- Taxas: veja se há taxa de submissão ou de publicação e se a editora tem acordo com a b-on.
- Língua: muitas revistas portuguesas aceitam português e inglês; algumas exigem resumo nas duas línguas.
- Tempo de resposta: nos artigos já publicados, procure as datas de receção e aceitação. Dão uma ideia realista da duração do processo.
Para mapear as revistas da sua área, comece pelas bases de dados que já usa na revisão de literatura. Os títulos que mais cita são, muitas vezes, os candidatos naturais. Um exemplo prático é o levantamento de bases de dados e revistas para uma tese de psicologia clínica, cuja lógica se aplica a qualquer disciplina.
Do capítulo da tese ao manuscrito
A maioria dos estudantes que procura como publicar artigo em revista portuguesa parte de uma dissertação de mestrado ou de um capítulo de doutoramento. O erro clássico é copiar o capítulo e cortar páginas. O resultado é um texto com uma revisão de literatura desproporcionada, uma metodologia que remete para outros capítulos e conclusões que dependem do resto da tese.
| Elemento | Na tese | No artigo |
|---|---|---|
| Enquadramento teórico | Extenso, demonstra domínio da área | Curto, focado na lacuna que o artigo preenche |
| Pergunta de investigação | Várias perguntas e objetivos | Uma pergunta central bem delimitada |
| Metodologia | Justificação detalhada de cada opção | Descrição replicável e concisa |
| Resultados | Todos os resultados obtidos | Apenas os que respondem à pergunta do artigo |
| Discussão | Ligada a todo o trabalho | Autónoma, com limitações e implicações |
Uma estrutura do tipo introdução, métodos, resultados e discussão funciona na maioria das revistas empíricas. Se precisa de rever a arquitetura do texto original, a lógica de estrutura de uma dissertação capítulo a capítulo ajuda a identificar que partes podem ser extraídas para um artigo. Nos artigos quantitativos, os revisores olham com atenção para a análise estatística; antes de submeter, vale a pena confirmar testes e tamanhos de efeito com recurso a calculadoras online gratuitas para a estatística da tese.
As normas para autores são o documento mais importante desta fase. Definem limite de palavras, estilo de citação, formato das tabelas, estrutura do resumo e número de palavras-chave. Plataformas como o Tesify geram a bibliografia automaticamente em APA, MLA ou Chicago, o que poupa horas quando a revista exige um estilo diferente do usado na tese. Se a escrita académica em si é o obstáculo, consulte os serviços e recursos de apoio à escrita das universidades portuguesas.

Como publicar artigo em revista portuguesa: a submissão passo a passo
Com a revista escolhida e o manuscrito adaptado, a submissão segue normalmente esta sequência:
- Confirme a autoria com o orientador. Defina antes quem são os coautores, a ordem dos nomes e quem será o autor de correspondência.
- Crie conta na plataforma da revista usando o e-mail institucional. A b-on é explícita: “É fulcral submeter o manuscrito utilizando sempre o e-mail institucional correspondente à instituição de afiliação” (b-on). Um endereço pessoal pode fazer perder o acesso aos acordos sem custos.
- Prepare a versão anonimizada, sem nomes, afiliações ou agradecimentos que identifiquem os autores, se a revisão for duplamente cega.
- Escreva uma carta ao editor curta, que explique a contribuição do artigo e porque encaixa naquela revista.
- Carregue os ficheiros pedidos: manuscrito, página de título, figuras, tabelas, material suplementar e declarações de conflito de interesses ou de aprovação ética, quando aplicável.
- Indique o financiamento, incluindo a referência do projeto ou da bolsa FCT, se existir.
- Guarde o comprovativo e o número de submissão para acompanhar o processo.
Afiliação e acreditação A3ES dos cursos: como verificar
A afiliação que indica na submissão deve corresponder à instituição onde realiza a investigação. Se é estudante de mestrado ou doutoramento, vale a pena confirmar que o seu ciclo de estudos está regularmente acreditado. Para quem se pergunta sobre a acreditação A3ES dos cursos e como verificar, o caminho é consultar a informação pública da Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior, onde se pode pesquisar o estado de acreditação de cada ciclo de estudos por instituição. Esta confirmação é útil para o currículo, para candidaturas futuras a bolsas e para garantir coerência entre o que declara no artigo e o seu percurso formal.
Se o artigo apresenta resultados que ainda vão ser avaliados em provas públicas, confirme também o regulamento da sua escola. Os regulamentos variam entre instituições, como mostram as regras da dissertação de mestrado na NOVA FCT, e convém saber antecipadamente como a publicação prévia é tratada no seu caso.
Revisão por pares: como responder aos revisores
Depois da submissão, o editor faz uma triagem inicial. Se o artigo passar, segue para dois ou mais revisores. A decisão final costuma enquadrar-se numa destas categorias:
- Aceitação: rara à primeira, mas possível.
- Revisões menores: ajustes de clareza, referências ou formatação.
- Revisões maiores: alterações substanciais ao método, à análise ou à discussão.
- Rejeição: com ou sem convite para nova submissão.
Uma decisão de revisões maiores é uma boa notícia: a revista quer o artigo, desde que melhorado. A resposta deve ser organizada numa carta ponto por ponto, com um formato como este:
| Comentário do revisor | Resposta do autor | Alteração no texto |
|---|---|---|
| A amostra não está suficientemente descrita. | Agradecemos a observação. Acrescentámos os critérios de inclusão e a caracterização dos participantes. | Secção de métodos, novo parágrafo sobre a amostra |
| A discussão não refere limitações. | Incluímos uma subsecção dedicada às limitações do estudo. | Final da discussão |
Quando discordar de um revisor, diga-o com argumentos e referências, nunca com irritação. O editor lê as duas versões e decide. Marque no manuscrito revisto todas as alterações, seja com controlo de alterações, seja com texto destacado, conforme as instruções da revista.
Acesso aberto, FCT e RCAAP: as regras obrigatórias
Esta é a parte que mais estudantes ignoram quando pesquisam como publicar artigo em revista portuguesa. Se a investigação foi financiada pela FCT, a escolha da revista não é totalmente livre. Segundo a política de acesso aberto da FCT, “A política de acesso aberto da FCT aplica-se a todas as publicações científicas com revisão por pares resultantes de investigação financiada total ou parcialmente por fundos públicos geridos pela FCT.”
No modelo de publicação direta em acesso aberto, a mesma política estabelece que “O artigo é publicado numa revista ou plataforma de acesso aberto imediato (sem períodos de embargo), devendo estar sob uma licença aberta permissiva, preferencialmente Creative Commons Attribution (CC-BY).” Na prática, antes de submeter, confirme que a revista oferece acesso aberto imediato e uma licença compatível.
Há ainda uma obrigação que se aplica qualquer que seja a via escolhida: “O autor deve promover o depósito da versão final (Version of Record – VoR) num repositório institucional integrado na rede RCAAP (Repositórios Científicos de Acesso Aberto de Portugal).” (FCT).
| Obrigação | O que significa para o autor | Quando tratar |
|---|---|---|
| Acesso aberto | O artigo revisto por pares tem de ficar disponível livremente | Na escolha da revista |
| Sem embargo e licença permissiva | Publicação imediata, de preferência sob CC-BY | Antes de assinar o acordo de publicação |
| Depósito no RCAAP | Versão final depositada no repositório da sua instituição | Logo após a publicação |
| Menção ao financiamento | Referência ao projeto ou bolsa no artigo | Na submissão e na versão final |
Custos de publicação: APC e acordos da b-on
Muitas revistas portuguesas editadas por universidades não cobram taxas aos autores, mas algumas revistas, sobretudo de editoras comerciais, cobram taxas de processamento de artigos. A FCT prevê esse cenário: “Caso a revista escolhida exija taxas de processamento de artigos (Article Processing Charges – APC), estas poderão ser consideradas despesas elegíveis para financiamento nos projetos de I&D da FCT, desde que cumpridos os critérios” (FCT). Fale com o investigador responsável do projeto antes de assumir qualquer pagamento.
A segunda via para evitar custos são os acordos transformativos negociados pela b-on, que “permitem aos investigadores e autores afiliados a instituições membros da b-on publicar artigos em Acesso Aberto (Open Access) sem custos diretos de processamento (as chamadas APC – Article Processing Charges)” (b-on).
Há, porém, uma limitação importante. A b-on avisa que “Muitos destes acordos funcionam com base num limite anual de artigos (quotas) para o conjunto das instituições do consórcio b-on. Isto significa que as vagas gratuitas podem esgotar-se antes do final do ano civil caso a quota nacional seja atingida”. Se planeia submeter perto do fim do ano, confirme com a biblioteca da sua instituição se o acordo com aquela editora ainda tem vagas disponíveis.
Erros comuns que atrasam a publicação
- Submeter a várias revistas ao mesmo tempo. A submissão simultânea é considerada má prática editorial.
- Ignorar as normas para autores. Um manuscrito fora do formato pode ser devolvido antes da avaliação.
- Usar o e-mail pessoal. Pode fazer perder a elegibilidade para os acordos da b-on.
- Esquecer a menção ao financiamento. Dificulta o cumprimento das obrigações perante a FCT.
- Não depositar no repositório. O depósito na rede RCAAP não é opcional para trabalhos financiados.
- Reaproveitar texto da tese sem reescrever. Mesmo sendo trabalho próprio, a sobreposição textual deve ser gerida e, quando a tese já está disponível publicamente, mencionada ao editor.
- Desistir após a primeira rejeição. Use os comentários recebidos para melhorar o texto e escolher uma revista mais adequada.
Quem trabalha em áreas aplicadas pode também aproveitar projetos com componente técnica forte. O percurso descrito em projeto de investigação em engenharia informática, da proposta ao protótipo mostra como um protótipo validado pode dar origem a um artigo com contribuição clara.
Em resumo, perceber como publicar artigo em revista portuguesa passa por três decisões bem tomadas: a revista certa, um manuscrito autónomo e o cumprimento das regras de acesso aberto e depósito. O resto é método e paciência durante a revisão.
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Perguntas frequentes
Posso publicar um artigo antes de defender a tese?
Em muitos casos sim, e é até incentivado por vários orientadores. No entanto, as regras variam entre instituições, por isso confirme o regulamento da sua escola e combine com o orientador a autoria e o momento da submissão antes de enviar o manuscrito.
Quanto custa publicar numa revista portuguesa?
Muitas revistas editadas por universidades portuguesas não cobram taxas aos autores. Quando há taxas de processamento, estas podem ser elegíveis nos projetos de I&D da FCT desde que cumpridos os critérios, e os acordos da b-on permitem publicar em várias editoras sem custos diretos, dentro das quotas anuais.
Tenho de publicar em acesso aberto se a investigação tiver financiamento da FCT?
Sim. A política de acesso aberto da FCT aplica-se a todas as publicações científicas com revisão por pares resultantes de investigação financiada total ou parcialmente por fundos públicos geridos pela FCT. Na via de publicação direta, o artigo deve ficar em acesso aberto imediato, de preferência sob licença CC-BY.
O que é o depósito no RCAAP e quem o faz?
É o arquivo da versão final do artigo num repositório institucional integrado na rede RCAAP. Segundo a FCT, cabe ao autor promover esse depósito, normalmente através do repositório da sua universidade, com o apoio da biblioteca.
Porque devo submeter com o e-mail institucional?
Porque a elegibilidade para os acordos da b-on é validada pela afiliação do autor de correspondência. A b-on considera fulcral submeter sempre com o e-mail institucional da instituição de afiliação; um e-mail pessoal pode impedir a isenção das taxas.
Como sei se uma revista é fiável?
Verifique se tem revisão por pares externa, conselho editorial com nomes verificáveis, indexação confirmada nas próprias bases de dados e informação clara sobre taxas e licenças. Desconfie de convites não solicitados e promessas de aceitação rápida, e peça opinião à biblioteca da sua universidade.
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