Como Escrever o Resumo e o Abstract da Tese em 2026? (Estrutura e Palavras-Chave)
Saber como escrever o resumo e o abstract da tese é uma das dúvidas mais frequentes entre mestrandos e doutorandos — e uma das secções mais subvalorizadas de toda a dissertação. O resumo é muitas vezes a única parte que os membros do júri leem antes da defesa, e o abstract determina se o trabalho aparece nos motores de pesquisa académica internacionais. Em 2026, com a indexação por IA a tornar-se padrão em bases de dados como o Scopus e o Web of Science, redigir estas duas secções com rigor tornou-se ainda mais decisivo para a visibilidade da investigação.
Este guia responde, questão a questão, a tudo o que precisas de saber: extensão correta, estrutura interna, seleção de palavras-chave, diferenças entre normas portuguesas (APA 7.ª edição) e brasileiras (ABNT NBR 6028:2021), e erros que comprometem a aprovação pelo júri.
Qual é a diferença entre resumo e abstract?
O resumo é a síntese da tese redigida em português. O abstract é a sua contraparte em inglês, obrigatória em praticamente todas as dissertações de mestrado e doutoramento portuguesas e brasileiras a partir de 2026, independentemente do idioma principal do trabalho.
Ambos servem o mesmo propósito — permitir ao leitor avaliar a relevância da investigação sem ler o documento completo —, mas não são documentos intercambiáveis. O resumo escreve-se para uma audiência lusófona; o abstract destina-se à comunidade científica internacional e condiciona a indexação em bases de dados internacionais. Redigir o abstract como uma simples tradução automática do resumo é um erro comum que empobrece a visibilidade da tese.
Quantas palavras deve ter o resumo?
A extensão varia conforme as normas aplicáveis e o regulamento específico da tua instituição:
| Norma / Contexto | Tipo de trabalho | Extensão recomendada |
|---|---|---|
| APA 7.ª ed. (Portugal) | Dissertação de mestrado | 150–250 palavras |
| APA 7.ª ed. (Portugal) | Tese de doutoramento | Até 350 palavras |
| ABNT NBR 6028:2021 (Brasil) | TCC / Dissertação | 150–500 palavras |
| ABNT NBR 6028:2021 (Brasil) | Tese de doutoramento | Até 500 palavras |
O mais seguro é verificar o regulamento de dissertações da tua faculdade, que pode impor limites mais restritivos. Muitas universidades portuguesas fixam o máximo em 250 palavras, mesmo para trabalhos de doutoramento. A NBR 6028:2021, a norma brasileira de referência para resumos académicos, atualizou os critérios de formatação das palavras-chave e da extensão máxima em relação à versão anterior de 2003.
Como estruturar o resumo em cinco blocos
Independentemente da norma aplicável, um resumo bem construído responde a cinco perguntas, nesta ordem:
- Contexto e problema — Qual é o tema e qual é a lacuna que a investigação procura preencher? (1–2 frases)
- Objetivos — O que se pretendeu alcançar? (1 frase clara e direta)
- Metodologia — Como foi realizado o estudo? Tipo de investigação, amostra, instrumento de recolha de dados. (1–2 frases)
- Resultados — Quais foram os principais achados? (2–3 frases; esta é a secção mais valorizada pelos júris)
- Conclusões e implicações — O que significa para a área? Que contribuição traz? (1–2 frases)
Contexto: “A crescente adoção de ferramentas de inteligência artificial no ensino superior levanta questões sobre a integridade académica […]”
Objetivo: “Este estudo analisou as políticas de uso de IA nas universidades públicas portuguesas.”
Metodologia: “Realizou-se uma análise documental dos regulamentos de 25 instituições, complementada por entrevistas semiestruturadas a responsáveis pelos serviços académicos.”
Resultados: “Os resultados revelaram uma heterogeneidade significativa: apenas uma minoria das instituições dispunha de política explícita aprovada […]”
Conclusão: “Conclui-se que a ausência de harmonização normativa cria insegurança jurídica para estudantes e docentes […]”
Repara que o exemplo acima não contém nenhuma citação bibliográfica, nenhum dado estatístico com fonte externa, nenhuma tabela. O resumo é uma síntese autónoma — quem o lê não deve precisar de ir buscar informação a outra parte do documento para compreender o essencial.
Se estás a escrever a introdução da tese e tens dificuldade em distingui-la do resumo, consulta o guia sobre como escrever a introdução da tese passo a passo, que clarifica o papel de cada secção no conjunto do documento.
Como escolher as palavras-chave
As palavras-chave não são decoração: determinam em que resultados de pesquisa a tua dissertação aparece nas bases de dados académicas. Uma escolha estratégica aumenta a descoberta do trabalho por investigadores da área.
Quantas palavras-chave incluir?
A maioria das normas e regulamentos institucionais exige entre 3 e 6 palavras-chave por secção (resumo e abstract têm campos independentes). Usar mais de 6 dilui a precisão; usar menos de 3 limita a indexação.
Como selecioná-las?
- Objeto central do estudo — o conceito ou fenómeno principal que estudas.
- Metodologia principal — por ex., “análise de conteúdo”, “investigação-ação”, “meta-análise”.
- Área disciplinar — por ex., “psicologia clínica”, “direito administrativo”.
- Contexto geográfico ou temporal — se relevante (por ex., “Portugal”, “2020–2024”).
- Termos de tesauros reconhecidos — MeSH (ciências da saúde), ERIC (educação), EuroVoc (ciências sociais e políticas europeias).
Formatação das palavras-chave
Segundo a NBR 6028:2021 (Brasil), as palavras-chave são separadas por ponto e vírgula e escritas com inicial minúscula, salvo nomes próprios ou termos científicos latinos. Pela norma anterior (2003), usava-se ponto final como separador — uma diferença que ainda causa confusão.
Nas universidades portuguesas que seguem as normas APA, as keywords no abstract são frequentemente separadas por vírgula, com inicial maiúscula apenas na primeira. Verifica sempre o guia de estilo da tua faculdade.
Para aprofundar a questão da integridade dos dados e das fontes utilizadas na tese, vale a pena ler também o artigo sobre se é plágio usar IA na tese de mestrado, que aborda as políticas das universidades portuguesas em 2026.
Primeira ou terceira pessoa? Voz ativa ou passiva?
Esta questão gera debates recorrentes entre orientadores. Aqui está o consenso atual:
| Norma | Pessoa recomendada | Voz |
|---|---|---|
| ABNT NBR 6028:2021 | 3.ª pessoa do singular | Ativa |
| APA 7.ª ed. | 1.ª pessoa (singular ou plural) ou 3.ª | Ativa (preferência) |
| Prática PT (universidades) | 3.ª pessoa do singular | Passiva ou ativa |
A tendência atual, reforçada pela APA 7.ª edição, aponta para a voz ativa (“este estudo analisou”, “os resultados indicam”) em vez da voz passiva (“foi analisado”, “verificou-se que”). A voz ativa torna o texto mais direto e fácil de indexar por algoritmos de processamento de linguagem natural.
O abstract é uma tradução literal do resumo?
Não deve sê-lo. O abstract é uma adaptação conceptual para inglês académico, não uma tradução palavra a palavra. Existem duas razões principais:
- Diferenças de registo — O inglês científico privilegia frases mais curtas, estrutura sujeito-verbo-objeto e uso moderado de substantivações. O português académico tolera períodos mais longos e construções nominais que soam artificiais se traduzidas literalmente.
- Indexação diferenciada — As keywords do abstract podem ser ligeiramente diferentes das palavras-chave do resumo, para capturar termos de busca específicos da comunidade internacional da área.

Se o teu trabalho vai ser submetido a uma base de dados internacional ou se estás a considerar publicar partes da investigação numa revista indexada, o abstract merece revisão por um especialista. A ferramenta Tesify foi desenvolvida especificamente para apoiar este tipo de revisão em contexto académico português e brasileiro.
O blog Mettzer tem um guia prático sobre estrutura do resumo segundo as normas ABNT que pode ser útil para estudantes brasileiros que precisam de um segundo ponto de vista sobre formatação.
Onde aparecem o resumo e o abstract na tese?
Ambos integram os elementos pré-textuais, após a folha de rosto e antes do índice (sumário). A ordem canónica nas dissertações portuguesas e brasileiras é:
- Folha de rosto
- Dedicatória (opcional)
- Agradecimentos (opcional)
- Resumo + Palavras-chave (página separada)
- Abstract + Keywords (página separada)
- Lista de figuras / tabelas / abreviações (se aplicável)
- Índice
Cada um ocupa uma página própria. O título “RESUMO” (ou “ABSTRACT”) aparece centrado no topo da página, sem numeração de capítulo e sem negrito excessivo — verifica sempre as normas tipográficas do teu regulamento.
Se a tua tese segue o modelo de compilação de artigos, a posição do resumo segue a mesma lógica, mas alguns regulamentos exigem um resumo global da tese e resumos individuais por artigo. Para saber se a tua universidade aceita este formato, lê o nosso artigo sobre se a tese por compilação de artigos é permitida em Portugal.
Erros mais frequentes (e como evitá-los)
- Incluir citações no resumo — Proibido por todas as normas. O resumo é autónomo.
- Ultrapassar o limite de palavras — Os sistemas de submissão online cortam automaticamente; o júri repara.
- Usar abreviações não definidas — Se usares uma sigla no resumo, tens de a definir ali mesmo, o que raramente compensa o espaço utilizado.
- Copiar frases da introdução — O resumo deve ser redigido do zero, com linguagem mais densa e objetiva do que o corpo do texto.
- Palavras-chave genéricas demais — Termos como “educação”, “saúde” ou “tecnologia” sozinhos não diferenciam o trabalho de milhares de outros. Combina termos gerais com termos específicos.
- Abstract gerado por tradução automática sem revisão — Ferramentas como o DeepL produzem textos fluentes mas não capturam o registo técnico nem as convenções da área. Revê sempre.
FAQ: Perguntas Frequentes sobre o Resumo e o Abstract da Tese
Qual é a diferença entre resumo e abstract na tese?
O resumo é a versão em português da síntese da tese, enquanto o abstract é a sua tradução para inglês. Ambos seguem a mesma estrutura — objetivos, metodologia, resultados e conclusões — mas devem ser redigidos de forma independente, não como simples cópia um do outro.
Quantas palavras deve ter o resumo de uma dissertação de mestrado?
As normas portuguesas (APA 7.ª ed.) recomendam entre 150 e 250 palavras para dissertações de mestrado. Em Portugal, muitas universidades fixam o limite em 250 palavras. No Brasil, a NBR 6028:2021 estipula entre 150 e 500 palavras para teses e dissertações.
Quantas palavras-chave deve incluir o resumo?
A maioria das instituições exige entre 3 e 6 palavras-chave, inseridas imediatamente a seguir ao resumo e ao abstract. Pela NBR 6028:2021, as palavras-chave são separadas por ponto e vírgula e escritas com inicial minúscula, salvo nomes próprios ou termos científicos.
O resumo deve ser escrito na primeira ou na terceira pessoa?
As normas ABNT recomendam a terceira pessoa do singular e a voz ativa. As normas APA (usadas em Portugal) admitem a primeira pessoa do plural em contextos de co-autoria, mas a prática mais comum nas dissertações portuguesas é a terceira pessoa.
Posso incluir citações ou referências no resumo?
Não. O resumo e o abstract não devem conter citações bibliográficas, tabelas, figuras, abreviações não convencionais nem fórmulas. São secções de síntese autónoma: o leitor deve compreender o essencial do trabalho sem precisar de consultar outras partes do documento.
Em que posição da tese aparecem o resumo e o abstract?
Ambos surgem nos elementos pré-textuais, depois da folha de rosto e antes do índice. A ordem habitual nas universidades portuguesas é: resumo (português) → palavras-chave → abstract (inglês) → keywords. Cada um ocupa uma página separada.
Como escolher as palavras-chave da tese?
Prefira termos que constam em tesauros académicos reconhecidos (MeSH para ciências da saúde, ERIC para educação, EuroVoc para ciências sociais e políticas). Evite palavras demasiado genéricas (por ex. ‘estudo’, ‘análise’) e inclua o termo central do seu objeto de estudo, a metodologia principal e a área disciplinar.
O abstract é uma tradução literal do resumo?
Não deve sê-lo. O abstract é uma adaptação conceptual para inglês académico: certas construções frásicas em português não têm equivalente direto, e o registo científico em inglês privilegia frases mais curtas e diretas. Recomenda-se redigir ou rever o abstract com o apoio de ferramentas especializadas ou de um falante nativo.
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