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Como aceder à Web of Science e Scopus na universidade em Portugal (2026)

Como aceder à Web of Science e Scopus na universidade em Portugal (2026)

Um artigo indexado na Web of Science ou na Scopus custa, tipicamente, entre 2.000 e 4.000 dólares em taxas de assinatura anual por título — um valor que nenhum estudante paga do bolso porque a sua universidade já o faz por ele, através de um contrato nacional gerido pela FCCN. O problema é que a maioria dos estudantes portugueses nunca recebeu instruções claras sobre como aceder à Web of Science e à Scopus na universidade, e acaba a pesquisar apenas no Google Scholar, perdendo acesso a métricas de citação, índices de impacto e ferramentas de exportação bibliográfica que fazem diferença numa tese ou artigo científico.

Este guia explica, passo a passo, como qualquer estudante ou investigador de uma universidade portuguesa pode aceder a estas duas bases de dados em 2026 — dentro e fora do campus — e quando faz sentido recorrer a alternativas gratuitas.

Resposta rápida: Em Portugal, o acesso à Web of Science e à Scopus faz-se sobretudo através da b-on (Biblioteca do Conhecimento Online), financiada pela FCCN/FCT, que negoceia as licenças nacionais com a Clarivate e a Elsevier. Dentro do campus o acesso costuma ser automático pelo IP institucional; fora do campus é preciso usar VPN, proxy configurado ou login federado via eduGAIN, com as credenciais da tua universidade.

O que são a Web of Science e a Scopus e porque precisas de acesso institucional?

A Web of Science (Clarivate) e a Scopus (Elsevier) são as duas maiores bases de dados bibliográficas multidisciplinares do mundo. Ao contrário do RCAAP ou do Google Scholar, que indexam conteúdo de forma aberta e sem curadoria uniforme, estas duas plataformas aplicam critérios editoriais rigorosos para decidir que revistas entram no seu índice — é por isso que os índices que delas derivam, como o Journal Impact Factor (JCR, ligado à Web of Science) e o CiteScore ou SJR (ligados à Scopus), são referências-padrão em avaliação científica, concursos de bolsas FCT e progressão de carreira académica.

O acesso completo — pesquisa avançada, exportação em massa, análise de citações e métricas de autor — é pago e licenciado por instituição. Sem ligação a uma universidade com assinatura ativa, só se consegue ver informação muito limitada em modo público.

Estudante a pesquisar na Web of Science e na Scopus no computador da biblioteca universitária
O acesso à Web of Science e à Scopus em Portugal passa, na maioria dos casos, pela b-on.

Como funciona o acesso via b-on e a FCCN?

A b-on — Biblioteca do Conhecimento Online é o consórcio nacional que negoceia, em nome de dezenas de instituições de ensino superior e investigação portuguesas, o acesso a bases de dados e revistas científicas internacionais, incluindo a Web of Science e a Scopus. A gestão técnica e financeira está a cargo da FCCN (Fundação para a Computação Científica Nacional), integrada na FCT (Fundação para a Ciência e a Tecnologia).

  • Quem tem acesso: estudantes, docentes e investigadores das instituições aderentes à b-on — a lista completa está disponível em www.b-on.pt.
  • Como se ativa: normalmente não é preciso nenhum registo adicional — o acesso é reconhecido automaticamente pelo endereço IP da rede da universidade quando estás fisicamente no campus ou ligado à rede Wi-Fi institucional (eduroam incluído).
  • O que está incluído: o pacote pode variar por instituição — nem todas as universidades portuguesas têm licença simultânea para Web of Science e Scopus, por isso vale sempre a pena confirmar junto dos Serviços de Documentação da tua faculdade.

Se a tua universidade não aparecer na lista de entidades com acesso à b-on, ou se o pacote específico não incluir uma das duas bases, o repositório institucional e o RCAAP continuam a ser as vias abertas mais fiáveis para encontrar produção científica portuguesa.

Como aceder a partir de casa: VPN, proxy e login federado?

Fora da rede da universidade, o reconhecimento automático por IP deixa de funcionar. Existem três métodos comuns para continuar a aceder à Web of Science e à Scopus remotamente:

  1. VPN institucional: a maioria das universidades disponibiliza um cliente VPN (frequentemente baseado em Cisco AnyConnect, FortiClient ou OpenVPN) que, uma vez ligado, faz parecer que o teu computador está fisicamente dentro da rede do campus. É o método mais simples quando disponível.
  2. Servidor proxy (EZproxy): muitas bibliotecas usam o EZproxy, que reencaminha o tráfego das bases de dados através de um link específico com autenticação — costuma bastar entrar com o número de estudante e a palavra-passe institucional numa página intermédia antes de aceder à base de dados.
  3. Login federado via eduGAIN/RCTS: cada vez mais bases de dados, incluindo algumas plataformas da Clarivate e da Elsevier, aceitam autenticação federada através da rede eduGAIN (que em Portugal passa pela RCTS — Rede Ciência, Tecnologia e Sociedade, também gerida pela FCCN). Basta escolher “Institutional Login” ou “Shibboleth/OpenAthens” na página de acesso, selecionar a tua universidade portuguesa numa lista e autenticar-te com as credenciais habituais.

Em caso de dúvida sobre qual método a tua instituição disponibiliza, a página de recursos eletrónicos da biblioteca é sempre o ponto de partida — normalmente lista instruções passo a passo específicas para cada base de dados.

Quais as diferenças entre a Web of Science e a Scopus?

Apesar de servirem propósitos semelhantes, as duas bases têm diferenças relevantes na cobertura, nos critérios de indexação e nas métricas que geram.

Critério Web of Science Scopus
Editora Clarivate Elsevier
Critério de indexação Mais seletivo e rigoroso, foco em revistas de “core collection” Cobertura mais ampla, incluindo mais revistas regionais
Métrica associada Journal Impact Factor (JCR) CiteScore e SJR (Scimago)
Pontos fortes Ciências exatas, medicina, engenharia Ciências sociais, humanidades e produção regional
Interface de exportação Exportação direta para EndNote, RIS, BibTeX Exportação direta para Mendeley, RIS, BibTeX, CSV

Na prática, muitos investigadores usam as duas em paralelo, porque nenhuma cobre 100% das revistas relevantes da sua área — e cruzar resultados ajuda a evitar lacunas na revisão de literatura. Para perceber melhor como estas métricas se relacionam com índice-h, JCR e SJR na avaliação de revistas e autores, consulta o nosso diretório de indicadores bibliométricos 2026.

Que alternativas gratuitas existem se não tiveres acesso institucional?

Se a tua universidade não tiver licença para uma ou ambas as bases, ou se já tiveres terminado o curso e perdido o acesso institucional, existem alternativas sem custo que cobrem grande parte das mesmas necessidades:

  • Google Scholar: a alternativa mais conhecida, com cobertura muito ampla, embora sem controlo editorial equivalente e com métricas de citação menos precisas.
  • Lens.org: combina dados de patentes e publicações científicas, com uma interface de pesquisa bibliométrica gratuita e robusta.
  • OpenAlex: um índice académico aberto que substituiu o extinto Microsoft Academic Graph, com API gratuita e cobertura crescente.
  • Dimensions (versão gratuita): oferece pesquisa e algumas métricas de citação sem custo, com opções pagas para análises mais avançadas.
  • RCAAP: para produção científica portuguesa especificamente, o repositório agrega teses, dissertações e artigos de acesso aberto de dezenas de instituições nacionais.

Nenhuma destas alternativas substitui totalmente a Web of Science ou a Scopus em rigor editorial, mas são um ponto de partida sólido quando o acesso institucional não está disponível.

Comparação visual entre bases de dados académicas pagas e alternativas gratuitas de pesquisa científica
Quando o acesso institucional não está disponível, o Google Scholar, o Lens.org e o OpenAlex são as alternativas gratuitas mais fiáveis.

Como pesquisar e exportar referências corretamente?

Depois de teres acesso, tirar o máximo proveito destas bases depende de uma pesquisa bem construída:

  1. Usa operadores booleanos: AND, OR e NOT combinados com aspas para frases exatas ajudam a filtrar rapidamente milhares de resultados irrelevantes.
  2. Aplica filtros de data e área: ambas as plataformas permitem restringir por ano de publicação, tipo de documento e área temática — essencial numa revisão de literatura sistemática.
  3. Exporta em lote: seleciona vários artigos e exporta diretamente para formatos como RIS ou BibTeX, compatíveis com gestores de referências como Zotero, Mendeley ou EndNote.
  4. Guarda alertas de pesquisa: configura alertas por e-mail para novas publicações que correspondam aos teus critérios — útil ao longo de um doutoramento de vários anos.

Como usar estas bases na tua tese ou artigo?

Depois de reunires as referências relevantes na Web of Science e na Scopus, o trabalho seguinte é integrá-las de forma coerente no enquadramento teórico e na lista bibliográfica da tese. É aqui que ferramentas de apoio à escrita, como o Tesify, podem ajudar a organizar a revisão de literatura e a manter a formatação de citações consistente ao longo do documento, sem substituir o trabalho de pesquisa que já fizeste nestas bases de dados.

Perguntas frequentes

Preciso de pagar para aceder à Web of Science ou à Scopus?

Não, se a tua universidade tiver uma licença ativa através da b-on ou de um contrato direto com a Clarivate ou a Elsevier. O acesso é gratuito para ti enquanto estudante ou investigador afiliado; quem paga é a instituição, através de fundos geridos pela FCCN.

Como sei se a minha universidade tem acesso à Web of Science e à Scopus?

Consulta a página de recursos eletrónicos dos Serviços de Biblioteca e Documentação da tua universidade, ou verifica diretamente no portal b-on em www.b-on.pt se a tua instituição consta da lista de entidades aderentes com acesso a essas bases.

Posso aceder à Web of Science de casa, sem estar na rede da universidade?

Sim, através de VPN institucional, proxy configurado no browser ou, cada vez mais comum, através de login federado via eduGAIN, que usa as tuas credenciais universitárias para autenticação remota sem necessidade de ligação VPN.

Qual a diferença principal entre a Web of Science e a Scopus?

A Web of Science, da Clarivate, tende a ter critérios de indexação mais rigorosos e cobre melhor as ciências exatas e áreas mais tradicionais; a Scopus, da Elsevier, tem uma cobertura mais ampla, incluindo mais revistas de ciências sociais e regionais, e indexa um maior número de publicações no total.

Existem alternativas gratuitas à Web of Science e à Scopus?

Sim. O Google Scholar é a alternativa gratuita mais usada, embora sem controlo editorial equivalente. Ferramentas como Lens.org, Dimensions (versão gratuita) e OpenAlex também oferecem pesquisa e métricas bibliométricas sem custo, úteis quando não tens acesso institucional.

Posso usar a Web of Science ou a Scopus depois de terminar o curso?

Geralmente não, porque o acesso está associado às tuas credenciais institucionais enquanto estudante ou colaborador ativo. Após a conclusão do curso, a conta é normalmente desativada; nesse caso, as alternativas gratuitas como o Google Scholar ou o OpenAlex tornam-se a via principal de pesquisa.

Recursos relacionados

Depois de reunires as fontes certas na Web of Science e na Scopus, organizar a revisão de literatura fica mais simples com apoio adequado. Conhece o Tesify para estruturar a tua tese com a bibliografia bem integrada.

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