TCC de Medicina Veterinária 2026: 35 Temas + Ética CEUA, Relato de Caso Clínico e Estrutura ABNT
Chegar ao último semestre de Medicina Veterinária com a proposta de TCC ainda em aberto é mais comum do que parece — e compreensível. A área é extensa: pequenos animais, grandes animais, saúde pública, zoonoses, animais silvestres, biotecnologia, medicina preventiva. Some a isso as exigências da ABNT NBR 14724:2024 e as obrigações legais da Lei Arouca (Lei 11.794/2008), e o prazo começa a apertar de verdade.
Este guia apresenta os três formatos aceitos para o TCC veterinário no Brasil, detalha o processo de aprovação na Comissão de Ética no Uso de Animais (CEUA), explica a estrutura ABNT adaptada ao relato de caso clínico e oferece 35 ideias de tema organizadas por especialidade — todas viáveis para graduandos de cursos em USP, UNESP, UFRGS, UFMG e similares em 2026.
Três formatos de TCC em Medicina Veterinária
A maioria dos regulamentos de TCC nos cursos de Medicina Veterinária do Brasil — incluindo USP (FMVZ), UNESP Botucatu, UFRGS e UFMG — aceita três formatos principais. A escolha determina o cronograma, a exigência de aprovação ética e a infraestrutura necessária para a execução do trabalho.
Revisão bibliográfica ou revisão sistemática
É o formato mais acessível para quem não dispõe de laboratório ou biotério. Consiste em mapear, analisar criticamente e sintetizar a literatura científica sobre um tema. Revisões sistemáticas exigem protocolo de busca documentado, bases de dados definidas (PubMed, SciELO, Portal Capes) e critérios claros de inclusão e exclusão. Revisões narrativas têm estrutura mais flexível, mas igualmente exigem rigor na seleção das fontes. Não requer aprovação na CEUA.
Relato de caso clínico
Descreve um ou mais casos atendidos no Hospital Veterinário Escola (HVE) ou em clínica conveniada, com ênfase no diagnóstico diferencial, conduta terapêutica e desfecho. A estrutura inclui introdução com justificativa clínica, descrição do paciente e histórico, exames complementares, diagnóstico, tratamento, discussão comparada à literatura e conclusão. Exige autorização do tutor do animal (termo de consentimento) e, quando envolve procedimentos invasivos além dos realizados por indicação clínica, pode necessitar de análise pela CEUA.
Pesquisa experimental ou estudo epidemiológico
Envolve coleta de dados em animais vivos, amostras biológicas ou levantamentos populacionais com delineamento experimental. É o formato de maior impacto científico, mas exige infraestrutura laboratorial, orientador com protocolo aprovado e — para pesquisas em animais vivos — aprovação prévia obrigatória da CEUA. Planeje ao menos dois a quatro meses para o processo de aprovação antes de iniciar qualquer coleta de dados.
CEUA e Lei Arouca: ética animal no projeto
A Lei 11.794/2008, conhecida como Lei Arouca, regula o uso científico de animais no Brasil e criou o Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (CONCEA). Todo estabelecimento de ensino superior que utiliza animais em ensino ou pesquisa é obrigado a ter uma CEUA própria, credenciada pelo CONCEA.
A regra prática para o TCC é direta: qualquer procedimento experimental realizado especificamente para o trabalho em animais vivos vertebrados (filo Chordata, subfilo Vertebrata) — incluindo coletas de sangue, biopsias, avaliações comportamentais controladas, protocolos farmacológicos ou cirurgias experimentais — exige aprovação da CEUA antes do início da coleta de dados.
O CONCEA adota os Princípios dos 3Rs como critério central de avaliação de projetos:
- Substituição (Replace): usar métodos alternativos sempre que possível — culturas celulares, modelos computacionais, análise retrospectiva de prontuários existentes.
- Redução (Reduce): utilizar o menor número de animais estatisticamente necessário para responder à pergunta de pesquisa.
- Refinamento (Refine): minimizar dor e sofrimento, com uso adequado de analgesia e enriquecimento ambiental nos biotérios.
Os documentos habitualmente exigidos pela CEUA em projetos de graduação são: formulário unificado do CONCEA, projeto de pesquisa completo, Currículo Lattes do orientador e do aluno, e termo de responsabilidade técnica. O prazo médio de análise nas principais universidades brasileiras fica entre dois e três meses.
Quando o TCC envolve pesquisa com seres humanos — como questionários aplicados a tutores de animais ou levantamentos com médicos-veterinários de campo — a instância competente é o Comitê de Ética em Pesquisa (CEP), e não a CEUA. Para entender os protocolos de aprovação ética nesse contexto, consulte o guia de aprovação ética para projetos de pesquisa acadêmica.
Estrutura ABNT NBR 14724:2024 para o TCC veterinário

A ABNT NBR 14724:2024 cancela e substitui a versão de 2011 e é a norma vigente para apresentação de trabalhos acadêmicos no Brasil. Para o TCC de Medicina Veterinária, a estrutura mínima obrigatória é:
- Elementos pré-textuais: capa, folha de rosto, folha de aprovação, resumo em português, abstract em inglês, lista de figuras (quando houver), lista de abreviaturas e sumário.
- Elementos textuais: introdução, revisão de literatura, material e métodos (ou descrição do caso, para relatos clínicos), resultados e discussão, e conclusão.
- Elementos pós-textuais: referências (obrigatório), apêndices e anexos (opcionais).
No relato de caso clínico, a seção “Material e Métodos” é substituída por “Descrição do Caso”, com subseções para anamnese, exame físico, exames complementares e conduta adotada. A discussão compara o caso descrito com a literatura científica sobre o mesmo diagnóstico ou condição. Verifique se o seu curso disponibiliza modelo Word adaptado para esse formato — a UFES Alegre e a UFAC, por exemplo, publicam documentos de normas específicos para TCCs em relato de caso de veterinária.
Configurações de formatação essenciais: fonte Times New Roman 12 ou Arial 12, espaçamento entre linhas 1,5 no corpo do texto, margens superior e esquerda de 3 cm, inferior e direita de 2 cm. Para templates já formatados nas normas ABNT e adaptados para a área, consulte o guia de templates ABNT para TCC de Farmácia, Veterinária e Ciências Contábeis 2026.
35 temas de TCC de Medicina Veterinária por especialidade

Os temas abaixo foram selecionados com base em lacunas identificadas nos repositórios de USP, UNESP, UFRGS e UFMG, e na relevância para a saúde animal e pública no Brasil em 2026. A última coluna indica o formato de TCC mais adequado a cada proposta.
| # | Tema sugerido | Área | Formato |
|---|---|---|---|
| 1 | Leishmaniose visceral canina: diagnóstico sorológico e controle em municípios endêmicos do Brasil | Pequenos animais / Saúde pública | Pesquisa / Revisão |
| 2 | Dermatite atópica canina: eficácia comparada de imunoterapia alérgeno-específica | Dermatologia veterinária | Revisão sistemática |
| 3 | Neoplasias mamárias em cadelas: prevalência, graduação histológica e prognóstico | Oncologia veterinária | Retrospectivo |
| 4 | Diabetes mellitus felino: manejo dietético e insulinoterápico — relato de caso | Endocrinologia / Pequenos animais | Relato de caso |
| 5 | Doença renal crônica em gatos: estadiamento IRIS e qualidade de vida | Nefrologia / Pequenos animais | Revisão / Retrospectivo |
| 6 | Hepatozoonose canina: diagnóstico diferencial e epidemiologia no Nordeste do Brasil | Parasitologia / Pequenos animais | Relato de caso / Revisão |
| 7 | Anestesia em gatos obesos: desafios farmacocinéticos e protocolos ajustados | Anestesiologia veterinária | Revisão / Relato de caso |
| 8 | Mastocitoma cutâneo canino: estadiamento de Patnaik, conduta cirúrgica e margens histológicas | Oncologia / Dermatologia | Relato de caso / Retrospectivo |
| 9 | Mastite bovina: avaliação de protocolos de tratamento intramamário e impacto na produtividade | Bovinocultura / Grandes animais | Pesquisa / Revisão |
| 10 | Brucelose bovina: sorologia e vacinação no âmbito do Programa Nacional PNCEBT | Saúde pública / Grandes animais | Revisão epidemiológica |
| 11 | Síndrome cólica em equinos: avaliação clínica, conduta cirúrgica e prognóstico | Cirurgia / Grandes animais | Relato de caso / Retrospectivo |
| 12 | Miopatia por armazenamento em equinos de alta performance: relato de caso | Clínica equina | Relato de caso |
| 13 | Trypanosomose (Mal de Cadeiras) em equinos no Pantanal: diagnóstico e epidemiologia | Parasitologia / Grandes animais | Pesquisa / Revisão |
| 14 | Bem-estar de suínos em confinamento intensivo: indicadores comportamentais e legislação brasileira | Bem-estar animal / Suinocultura | Revisão / Observacional |
| 15 | Clostridioses em bovinos: vacinação estratégica e custo-benefício em propriedades do Centro-Oeste | Medicina preventiva / Grandes animais | Pesquisa / Revisão |
| 16 | Raiva animal urbana: análise epidemiológica e eficiência do Programa Nacional de Controle (PNCRH) | Zoonoses / Saúde pública | Revisão epidemiológica |
| 17 | Toxoplasmose em gestantes: transmissão vertical e papel do médico-veterinário na saúde coletiva | Zoonoses / Saúde pública | Revisão sistemática |
| 18 | Febre maculosa brasileira: vetores ixodídeos, hospedeiros e distribuição no Centro-Oeste | Zoonoses / Epidemiologia | Epidemiológico / Revisão |
| 19 | Coinfecção Leishmania/Ehrlichia em cães urbanos: diagnóstico e manejo clínico | Parasitologia / Pequenos animais | Relato de caso / Pesquisa |
| 20 | Resistência antimicrobiana em Staphylococcus aureus de origem animal: perspectiva Um Só Saúde | Microbiologia / Saúde pública | Pesquisa / Revisão |
| 21 | Inspeção sanitária de carcaças bovinas em frigoríficos sob SIF: achados macroscópicos e condenações | Inspeção de alimentos | Retrospectivo / Observacional |
| 22 | Interface humano-animal-ambiental na transmissão de hantavirus no Sul do Brasil | Um Só Saúde / Zoonoses | Revisão epidemiológica |
| 23 | Desmatamento e emergência de zoonoses no Brasil: revisão baseada em dados do INPE | Um Só Saúde / Saúde ambiental | Revisão bibliográfica |
| 24 | Vigilância ambiental de Leptospira spp. em rios urbanos e relação com casos humanos | Um Só Saúde / Saúde ambiental | Pesquisa / Epidemiológico |
| 25 | Morcegos (Chiroptera) como reservatórios virais: implicações para a saúde pública brasileira | Animais silvestres / Zoonoses | Revisão sistemática |
| 26 | Reabilitação de aves silvestres apreendidas pelo IBAMA: protocolo clínico e taxa de soltura | Animais silvestres / CETAS | Observacional / Revisão |
| 27 | Enriquecimento ambiental para onças-pintadas em cativeiro: indicadores de bem-estar animal | Animais silvestres / Bem-estar | Observacional / Revisão |
| 28 | Botulismo em aves aquáticas no Pantanal: diagnóstico laboratorial e medidas de controle | Animais silvestres / Saúde pública | Pesquisa / Revisão |
| 29 | Manejo sanitário de primatas não humanos em centros de triagem (CETAS) do Brasil | Animais silvestres / Medicina preventiva | Observacional / Relato |
| 30 | Tomografia computadorizada em cães: aplicações em neurologia e oncologia na rotina hospitalar | Diagnóstico por imagem | Retrospectivo / Revisão |
| 31 | Ultrassonografia obstétrica em cadelas: parâmetros fetais e predição de distocia | Reprodução / Diagnóstico por imagem | Pesquisa / Retrospectivo |
| 32 | Controle de ectoparasitos em canis municipais: protocolos comparados e resistência carrapaticida | Parasitologia / Saúde pública | Pesquisa / Observacional |
| 33 | Nutrição de cães atletas em provas de agility: condição corporal e desempenho | Nutrição animal | Pesquisa / Revisão |
| 34 | Leptospirose em felinos domésticos: revisão epidemiológica e papel como reservatório urbano | Zoonoses / Pequenos animais | Revisão sistemática |
| 35 | Transplante renal em gatos: revisão sistemática de sobrevida, complicações e perspectivas no Brasil | Cirurgia / Pequenos animais | Revisão sistemática |
Como definir seu tema: 4 perguntas práticas
Antes de fechar a proposta com o orientador, responda estas quatro perguntas para validar se o tema é realmente viável no contexto do seu curso:
- O tema tem relevância clínica ou social no Brasil? Prefira questões que impactem a saúde animal ou a saúde coletiva, como zoonoses endêmicas, doenças com lacunas terapêuticas ou cenários específicos da realidade brasileira — Pantanal, Nordeste semiárido, grandes centros urbanos com superpopulação de animais de rua.
- O hospital escola ou laboratório do curso tem estrutura adequada? Temas experimentais em animais vivos dependem de biotério credenciado pelo CONCEA. Confirme a disponibilidade antes de propor pesquisa in vivo e já conte com o prazo da CEUA no planejamento do cronograma.
- Existe literatura científica suficiente nos últimos cinco anos? Use o Portal Capes, PubMed e SciELO para mapear publicações recentes. Para acessar dissertações e teses de veterinária como referência, o repositório de teses e dissertações da USP é um dos pontos de partida mais completos para a área no Brasil.
- O cronograma é realista? Pesquisas experimentais com aprovação CEUA levam em média seis meses ou mais de execução entre aprovação e análise de dados. Revisões bibliográficas e relatos de caso retrospectivos podem ser concluídos em três a quatro meses com dedicação integral.
Perguntas frequentes
Todo TCC de Medicina Veterinária exige aprovação na CEUA?
Não. Revisões bibliográficas, relatos de caso retrospectivos baseados em prontuários existentes e estudos que usam amostras coletadas na rotina clínica sem procedimentos adicionais geralmente não precisam de aprovação. A aprovação pela CEUA é obrigatória para qualquer procedimento experimental realizado especificamente para o TCC em animais vivos vertebrados, conforme a Lei 11.794/2008. Em caso de dúvida, consulte o responsável pela CEUA da sua instituição antes de iniciar o projeto.
Qual a diferença entre relato de caso e pesquisa experimental no TCC de veterinária?
O relato de caso descreve um ou poucos pacientes atendidos na rotina clínica, sem delineamento experimental prévio. A pesquisa experimental envolve grupos comparativos, hipóteses testáveis e coleta sistemática de dados com protocolo definido a priori. O relato é mais rápido de executar e geralmente não exige aprovação ética específica além do consentimento do tutor. A pesquisa experimental tem maior potencial de contribuição científica, mas demanda infraestrutura e aprovação na CEUA antes do início da coleta.
A ABNT NBR 14724:2024 mudou algo na formatação do TCC?
Sim. A versão de 2024 cancela e substitui a de 2011, com atualizações nos elementos pré-textuais e na apresentação da folha de aprovação. Para o TCC de veterinária, o mais importante é verificar se o modelo Word do seu curso já foi atualizado para a norma vigente. Caso o modelo disponibilizado seja ainda da versão 2011, converse com seu orientador sobre quais ajustes são necessários antes da entrega final.
Posso fazer TCC sobre animais silvestres sem autorização do IBAMA?
Depende do tipo de atividade. Revisões bibliográficas e análises de dados secundários — como registros de centros de triagem (CETAS) — geralmente não exigem licença do IBAMA. Pesquisas que envolvam captura, coleta de amostras em animais silvestres em vida livre ou manejo de espécies nativas protegidas requerem Licença de Uso de Material Biológico (SISBIO/ICMBio), além da aprovação na CEUA. Solicite com antecedência mínima de três meses para não comprometer o cronograma do TCC.
Como encontrar um bom orientador para TCC de Medicina Veterinária?
Pesquise no Currículo Lattes os professores do seu departamento que publicaram artigos na área de interesse nos últimos três anos. Docentes com grupos de pesquisa cadastrados no CNPq e com bolsistas de iniciação científica ativos costumam ter infraestrutura e metodologia mais consolidadas. Aborde o professor com uma proposta preliminar de tema e pergunta de pesquisa — não com uma consulta aberta sobre o que fazer. Essa iniciativa demonstra maturidade e aumenta as chances de aceite.
