TCC de Enfermagem 2026: ABNT + Resoluções COFEN Atualizadas
O TCC de Enfermagem é um dos mais exigentes da área da saúde — e não só pela complexidade dos temas. A combinação de formatação ABNT NBR 14724:2024, normas de citação Vancouver (opcional), Resolução COFEN nº 564/2017, aprovação pelo CEP via Plataforma Brasil e uso de bases de dados específicas como LILACS e BDENF cria uma curva de aprendizado que muitos estudantes subestimam no início do curso.
Este guia reúne tudo que você precisa: a estrutura esperada para o TCC de Enfermagem, as normas COFEN que regem a ética na pesquisa, os temas com maior potencial de orientação em 2026, e um protocolo passo a passo para pesquisa bibliográfica nas principais bases de dados da área.
Estrutura do TCC de Enfermagem
O TCC de Enfermagem segue a estrutura geral da ABNT NBR 14724:2024, mas com elementos e organização específicos da área. Veja o modelo mais adotado pelas IES com curso de Enfermagem:
Pré-textuais
- Capa (obrigatória)
- Folha de rosto (obrigatória, com nota explicativa sobre natureza do trabalho)
- Folha de aprovação (obrigatória)
- Dedicatória (opcional)
- Agradecimentos (opcional — costuma incluir o orientador e a equipe da unidade de saúde)
- Epígrafe (opcional)
- Resumo em português (obrigatório, 150–500 palavras, descritores DeCS)
- Abstract (obrigatório)
- Lista de abreviaturas e siglas (recomendado — Enfermagem tem muitas: UTI, SAMU, PSF, BVS)
- Sumário (obrigatório)
Textuais
1 Introdução → 2 Revisão de Literatura / Referencial Teórico → 3 Metodologia → 4 Resultados → 5 Discussão → 6 Conclusão
1 Introdução → 2 Metodologia (protocolo PRISMA ou PICO) → 3 Resultados (fluxograma de seleção) → 4 Discussão → 5 Conclusão
Introdução
A introdução do TCC de Enfermagem deve contextualizar o problema de saúde estudado com dados epidemiológicos atuais (DATASUS, SVS, OMS), apresentar a relevância clínica e social, definir a questão de pesquisa e os objetivos (geral e específicos), e justificar a metodologia escolhida. Não inclua resultados na introdução.
Revisão de Literatura / Referencial Teórico
Na Enfermagem, a revisão de literatura pode ser narrativa (TCC tradicional) ou estruturada como revisão integrativa (mais valorizada pela banca). A revisão integrativa segue protocolo sistemático com string de busca definida e critérios de inclusão/exclusão. Use os descritores do DeCS (Descritores em Ciências da Saúde) da BVS para padronizar os termos.
Metodologia
A seção de metodologia do TCC de Enfermagem deve conter:
- Tipo de pesquisa (quantitativa, qualitativa, mista, revisão integrativa)
- Delineamento (descritivo, exploratório, experimental, caso-controle, coorte)
- Local e período do estudo
- População e amostra (com critérios de inclusão e exclusão)
- Instrumento de coleta de dados
- Procedimento de coleta
- Análise dos dados
- Aspectos éticos: número do CAAE do CEP (obrigatório para pesquisas com seres humanos)
Resultados, Discussão e Conclusão
Em Enfermagem, resultados e discussão podem ser seções separadas ou combinadas, dependendo da metodologia. A discussão deve relacionar os achados com a literatura existente (por isso a revisão bibliográfica sólida é fundamental). A conclusão responde à questão de pesquisa e aponta implicações para a prática clínica e para a pesquisa futura.
Pós-textuais
- Referências (obrigatórias — ABNT NBR 6023 ou Vancouver, conforme a IES)
- Apêndices: instrumentos de coleta, TCLE (Termo de Consentimento Livre e Esclarecido) elaborado pelo autor
- Anexos: parecer do CEP, documentos institucionais, TCLE já aprovado
Resolução COFEN nº 564/2017 e a ética no TCC
A Resolução COFEN nº 564, de 6 de dezembro de 2017, aprova o novo Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem e revogou a Resolução COFEN nº 311/2007. É o documento normativo central da profissão no Brasil e deve ser referenciado em qualquer TCC que aborde ética profissional, relação enfermeiro-paciente ou limites de atuação.
Principais determinações do Código de Ética (Resolução 564/2017) relevantes para o TCC
- Artigo sobre pesquisa: o profissional de Enfermagem deve cumprir a legislação vigente para pesquisa envolvendo seres humanos (Resolução CNS 466/2012 e 510/2016) e respeitar os princípios éticos em todas as etapas da investigação
- Confidencialidade: dados de pacientes são protegidos mesmo em contexto de pesquisa acadêmica — anonimização obrigatória
- Consentimento informado: toda pesquisa com pacientes ou profissionais requer TCLE aprovado pelo CEP
- Sigilo profissional: informações obtidas na prática clínica não podem ser usadas para pesquisa sem aprovação ética formal
- Direitos autorais: o código exige respeito aos direitos autorais em todo o processo de pesquisa
Ao referenciar a Resolução COFEN 564/2017 no TCC, use a referência ABNT completa:
CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM. Resolução COFEN nº 564, de 6 de dezembro de 2017. Aprova o novo Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem. Brasília, DF: COFEN, 2017. Disponível em: https://www.cofen.gov.br/resolucao-cofen-no-5642017/. Acesso em: [data].
CEP e Plataforma Brasil: quando é obrigatório
A Resolução CNS nº 466/2012 e a Resolução CNS nº 510/2016 (pesquisas humanas em Ciências Sociais e Humanas) definem quando a aprovação ética é obrigatória. Para TCC de Enfermagem, a regra é:
| Tipo de pesquisa | CEP obrigatório? | Observação |
|---|---|---|
| Pesquisa com pacientes (entrevistas, prontuários, amostras biológicas) | Sim, obrigatório | Submissão via Plataforma Brasil; prazo médio 30–60 dias para aprovação |
| Pesquisa com profissionais de saúde (survey, entrevistas) | Sim, obrigatório | TCLE obrigatório mesmo para questionários anônimos com profissionais |
| Revisão integrativa / sistemática (sem coleta de dados primários) | Geralmente dispensado | Confirme com sua IES — algumas exigem aprovação mesmo para revisões |
| Análise de dados secundários públicos (DATASUS, SIM, SINASC) | Geralmente dispensado | Dados anonimizados publicamente disponíveis dispensam CEP na maioria dos casos |
| Estudo com prontuários identificados (mesmo retrospectivo) | Sim, obrigatório | Pode solicitar “dispensa de TCLE” ao CEP para dados já coletados |
Como submeter no Plataforma Brasil
- Acesse plataformabrasil.saude.gov.br e crie uma conta com CPF
- Crie um novo projeto: “Novo Projeto de Pesquisa”
- Preencha os módulos: dados do projeto, pesquisadores, financiamento, cronograma
- Anexe: projeto completo, TCLE (uma versão por participante), declaração do orientador, folha de rosto assinada pelo coordenador da IES
- Submeta ao CEP da sua IES (ou ao CEP de saúde local se a coleta for em unidade de saúde externa)
- Aguarde o parecer — o sistema notifica por e-mail em 30–90 dias
- Se aprovado: imprima o parecer (PDF) e inclua como Anexo no TCC
- Se houver pendências: responda dentro do prazo indicado no sistema
ABNT vs. Vancouver no TCC de Enfermagem
A maioria das revistas científicas de Enfermagem usa Vancouver (sistema numérico de citação). Muitas IES brasileiras, porém, padronizam o TCC em ABNT NBR 10520 (autor-data). Verifique com seu orientador e o manual de TCC da IES:
| Característica | ABNT NBR 10520 (autor-data) | Vancouver (numérico) |
|---|---|---|
| Citação no texto | (SOBRENOME, ano, p.) — ex: (SILVA, 2024, p. 45) | Número sobrescrito — ex: Silva¹ ou [1] |
| Lista de referências | Alfabética por sobrenome do autor | Numerada por ordem de aparição no texto |
| Nome do autor na referência | Sobrenome em maiúsculas, prenome abreviado | Sobrenome + iniciais (até 6 autores; se mais, “et al.”) |
| Adotado por | Maioria das IES brasileiras para TCC | LILACS, SciELO, maioria das revistas de enfermagem e saúde |
Se sua IES aceita ambos, o ABNT é mais seguro para o TCC — evita inconsistências com referências não periódicas (livros, legislação, documentos COFEN). Vancouver é mais prático se você pretende submeter o TCC à publicação em revistas de saúde.
Temas de TCC em Enfermagem para 2026
Os temas com maior potencial de aprovação, orientador disponível e relevância clínica em 2026:
Saúde Mental Pós-COVID
- Impacto da pandemia de COVID-19 na saúde mental dos profissionais de enfermagem: prevalência de burnout e TEPT
- Estratégias de coping em enfermeiros que atuaram em UTI durante a pandemia
- Saúde mental de estudantes de enfermagem: ansiedade e depressão no contexto pós-pandêmico
- Intervenções de enfermagem para promoção da saúde mental em pacientes com long COVID
IA, Tecnologia e Telemedicina na Enfermagem
- Uso de inteligência artificial na triagem de pacientes em pronto-socorro: papel do enfermeiro
- Telemedicina e consulta de enfermagem remota: aceitação pelos usuários do SUS
- Aplicativos móveis para adesão ao tratamento de hipertensão: efetividade nas UBSs
- Sistemas de alerta precoce (Early Warning Score) com IA: impacto na mortalidade hospitalar
- Gestão eletrônica do prontuário e carga de trabalho do enfermeiro: análise em hospital de médio porte
Vacinação e Saúde Pública
- Hesitação vacinal no Brasil pós-pandemia: papel do enfermeiro na comunicação de risco
- Cobertura vacinal em crianças menores de 1 ano e fatores associados ao abandono do esquema
- Estratégias de busca ativa para vacinação de idosos em território rural
Urgência, Emergência e UTI
- Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) em UPA: implementação e desafios
- Erros de medicação em UTI: análise dos fatores contribuintes e protocolos de segurança
- Lesão por pressão em pacientes críticos: efetividade de protocolos preventivos de enfermagem
- Comunicação em situação de parada cardiorrespiratória: treinamento ACLS para equipe de enfermagem
Saúde da Mulher e Materno-Infantil
- Violência obstétrica: percepção das puérperas e papel do enfermeiro obstetra
- Amamentação exclusiva nos primeiros 6 meses: intervenções de enfermagem para adesão
- Câncer de colo do útero: adesão ao exame Papanicolau entre mulheres de 25–64 anos na UBS
- Pré-natal de risco habitual: qualidade da consulta de enfermagem e satisfação das gestantes
Doenças Crônicas e Envelhecimento
- Diabetes mellitus tipo 2: efetividade de intervenções educativas de enfermagem para controle glicêmico
- Hipertensão arterial sistêmica: adesão ao tratamento farmacológico em idosos assistidos pelo NASF
- Cuidado ao idoso com Alzheimer: sobrecarga do cuidador familiar e intervenções de enfermagem
- Síndrome metabólica em trabalhadores de enfermagem: prevalência e fatores associados
Metodologias mais usadas em Enfermagem
Revisão Integrativa da Literatura
É a metodologia mais adotada em TCCs de Enfermagem por dispensar aprovação pelo CEP (quando não há coleta de dados primários). Segue 6 etapas: (1) identificação do tema e questão de pesquisa; (2) estabelecimento de critérios de inclusão/exclusão; (3) definição das informações a extrair; (4) avaliação dos estudos; (5) interpretação dos resultados; (6) apresentação da revisão.
A questão de pesquisa pode ser formulada com o acrônimo PICO (Paciente/Problema, Intervenção, Comparação, Outcome/Desfecho) ou PICOT (acrescenta Tipo de estudo). Exemplo: “Quais intervenções de enfermagem (I) são efetivas na redução da lesão por pressão (O) em adultos hospitalizados em UTI (P), comparadas aos cuidados de rotina (C), em estudos clínicos randomizados (T)?”
Pesquisa Quantitativa
Estudos de prevalência, descritivos e analíticos são comuns. Usam instrumentos validados como escalas (Escala de Braden para úlcera de pressão, Escala de Pittsburgh para qualidade do sono, Maslach Burnout Inventory) e análise estatística em SPSS ou R. Exigem aprovação pelo CEP.
Pesquisa Qualitativa
Fenomenologia, análise de conteúdo (Bardin), teoria fundamentada nos dados (Grounded Theory) e etnografia são as abordagens mais usadas quando o TCC visa compreender experiências subjetivas (ex: percepção da dor, experiência do cuidado, significados da morte). Exige CEP quando envolve participantes humanos.
Bases de dados: LILACS, BDENF, CINAHL e mais
| Base de dados | Conteúdo | Acesso | Ideal para |
|---|---|---|---|
| LILACS | Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde; +900.000 registros | Gratuito via BVS (bvsalud.org) | Artigos nacionais e latinoamericanos; temas com contexto brasileiro |
| BDENF | Base de Dados de Enfermagem; foco específico em enfermagem brasileira | Gratuito via BVS | TCCs com foco na prática de enfermagem no contexto SUS |
| PubMed/MEDLINE | Principal base da área biomédica mundial; 35 milhões de artigos | Gratuito (PubMed.gov); texto completo via CAPES | Revisões sistemáticas; estudos clínicos; temas com literatura internacional |
| CINAHL | Cumulative Index to Nursing and Allied Health Literature; 8 milhões de registros | Via CAPES Periódicos (EBSCO) com acesso institucional | A base mais abrangente especificamente para enfermagem; prática clínica |
| Cochrane Library | Revisões sistemáticas e ensaios clínicos randomizados | Via CAPES Periódicos | Busca de evidências de alto nível para TCCs de revisão sistemática |
| SciELO Brasil | Revistas científicas brasileiras peer-reviewed de acesso aberto | Gratuito (scielo.br) | Artigos da Rev. Latino-Am. Enfermagem, Rev. Bras. Enfermagem, Acta Paulista |
Descritores para busca (DeCS/MeSH)
Use os Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) da BVS (decs.bvsalud.org) para padronizar os termos de busca. Os DeCS são equivalentes aos MeSH (Medical Subject Headings) do PubMed, traduzidos e adaptados para o contexto lusófono. Exemplos:
- “Burnout Profissional” [DeCS] = “Burnout, Professional” [MeSH]
- “Úlcera por Pressão” [DeCS] = “Pressure Ulcer” [MeSH]
- “Segurança do Paciente” [DeCS] = “Patient Safety” [MeSH]
- “Sistematização da Assistência de Enfermagem” [DeCS] — sem equivalente em MeSH
Para acessar o CAPES Periódicos e buscar nessas bases, veja o guia completo sobre como acessar o CAPES Periódicos.
Dicas para impressionar a banca
- Mostre domínio da literatura com revisão atual: inclua artigos dos últimos 5 anos, com pelo menos 30% publicados no último ano. Bancas valorizam pesquisadores que acompanham os avanços da área.
- Use escalas validadas: evite criar instrumentos de coleta “do zero”. Escolha escalas já validadas no Brasil (consulte o repositório de instrumentos da BVS). Isso reduz fragilidades metodológicas apontadas pela banca.
- Inclua DATASUS para contextualizar: dados epidemiológicos do DATASUS ou da SVS/MS dão credibilidade à introdução. Traga números regionais (estaduais) quando possível — é mais impactante para bancas locais.
- Seja claro sobre limitações: a banca pergunta. Antecipe-se: liste as limitações metodológicas (tamanho de amostra, viés de seleção, período de coleta) e as implicações para as conclusões.
- Prepare a defesa: para as 30 perguntas mais frequentes em defesas de TCC, incluindo as específicas de metodologia e resultados, consulte o artigo banca de TCC: 30 perguntas frequentes.
FAQ: dúvidas frequentes sobre o TCC de Enfermagem
Posso fazer um TCC de revisão integrativa sem aprovação do CEP?
Sim, em geral. Revisões integrativas ou sistemáticas que não coletam dados diretamente de seres humanos (trabalham com artigos já publicados) são dispensadas de aprovação pelo CEP segundo a Resolução CNS 510/2016. Porém, algumas IES têm política interna de exigir registro mesmo para revisões — verifique com seu coordenador de TCC antes de começar.
A Resolução COFEN 564/2017 se aplica a alunos de graduação em Enfermagem?
Tecnicamente, o Código de Ética do COFEN se aplica a profissionais inscritos nos COREns (enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem registrados). Estudantes de graduação ainda não são profissionais registrados. Porém, a maioria dos cursos de graduação adota o código como referência ética formativa — e a banca de TCC espera que você cite e demonstre conhecimento do código, especialmente em pesquisas que envolvem pacientes ou serviços de saúde.
Como aplicar a metodologia PICO no meu TCC?
O PICO define a questão de pesquisa em 4 componentes: P (Paciente/Problema), I (Intervenção), C (Comparação — pode ser “sem intervenção” ou “cuidado padrão”), O (Outcome/Desfecho). Exemplo: “Em adultos hospitalizados com diabetes (P), a educação em saúde sobre autocuidado realizada por enfermeiros (I) comparada à orientação médica convencional (C) reduz a taxa de reinternação em 6 meses (O)?” Depois de definir o PICO, use os termos como descritores nas bases de dados.
O BDENF e o LILACS têm artigos completos em PDF?
Ambas as bases oferecem links para texto completo quando disponível em acesso aberto. LILACS e BDENF são bases de indexação — elas guardam os metadados e links; o PDF fica no site do periódico publicador. Para artigos sem acesso aberto, use o acesso via CAPES Periódicos (com login institucional via CAFe) ou solicite ao autor correspondente.
Qual a diferença entre TCLE e TALE no TCC de Enfermagem?
O TCLE (Termo de Consentimento Livre e Esclarecido) é assinado por participantes adultos (≥18 anos) ou pelos responsáveis de participantes adultos incapazes. O TALE (Termo de Assentimento Livre e Esclarecido) é específico para crianças e adolescentes (7–17 anos), que assinam o TALE enquanto o responsável legal assina o TCLE. Em TCCs de Enfermagem pediátrica ou escolar, ambos os documentos são necessários. Os modelos de TCLE e TALE devem ser submetidos e aprovados pelo CEP antes da coleta de dados.
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