Projeto de Pesquisa Exemplo: Modelo Completo com Todas as Seções 2026
Você precisa entregar um projeto de pesquisa para o TCC, para uma bolsa de iniciação científica ou para o processo seletivo de mestrado — mas não sabe por onde começar? A dúvida é comum: qual é a estrutura obrigatória? Quais seções não podem faltar? Como ficaria isso escrito de verdade?
Neste guia, você encontra um modelo completo de projeto de pesquisa nas normas ABNT 2026, com todas as seções explicadas e anotadas. Usamos um exemplo prático em Ciências Sociais para que você veja como cada parte deve ser redigida — não só listada. Ao final, mostramos também os erros mais comuns por seção e como apresentar o projeto ao seu orientador.
O que é um projeto de pesquisa e quando é necessário
Um projeto de pesquisa é um documento que descreve antecipadamente o que você pretende investigar, por que aquilo é relevante e como você vai fazer isso. É, em essência, um plano detalhado de investigação científica.
Você precisará redigir um projeto de pesquisa em pelo menos três momentos da vida acadêmica:
- TCC (Trabalho de Conclusão de Curso): a maioria dos cursos exige um pré-projeto ou projeto aprovado pelo orientador antes de iniciar a redação do TCC propriamente dito
- Iniciação científica: para candidatura ao PIBIC/PIBITI do CNPq, o orientador submete um projeto que inclui o plano de trabalho do aluno
- Seleção de mestrado e doutorado: praticamente todos os programas de pós-graduação exigem um projeto de pesquisa na seleção — é frequentemente o critério mais importante
A norma que regulamenta a elaboração de projetos de pesquisa no Brasil é a ABNT NBR 15287:2011 (com atualizações incorporadas em 2025). Ela define os elementos obrigatórios e opcionais, além das regras de formatação.
Estrutura ABNT completa (NBR 15287)
Segundo a NBR 15287, o projeto de pesquisa se divide em elementos pré-textuais, textuais e pós-textuais:
| Elemento | Tipo | Obrigatório? |
|---|---|---|
| Capa | Pré-textual | Sim |
| Folha de rosto | Pré-textual | Sim |
| Lista de abreviaturas | Pré-textual | Opcional |
| Sumário | Pré-textual | Sim (se > 5 págs.) |
| 1. Tema / delimitação | Textual | Sim |
| 2. Problema de pesquisa | Textual | Sim |
| 3. Justificativa | Textual | Sim |
| 4. Objetivos (geral e específicos) | Textual | Sim |
| 5. Hipótese(s) ou questão norteadora | Textual | Depende da abordagem |
| 6. Revisão de literatura / referencial teórico | Textual | Sim |
| 7. Metodologia | Textual | Sim |
| 8. Cronograma | Textual | Sim |
| 9. Orçamento | Textual | Opcional (obrigatório para bolsas) |
| Referências | Pós-textual | Sim |
| Apêndices / Anexos | Pós-textual | Opcional |
Modelo anotado seção por seção
1. Tema
O tema é o assunto central do seu estudo, ainda amplo. Deve ser delimitado geograficamente, temporalmente e conceitualmente. Não é uma frase completa — é um sintagma nominal (sem verbo).
Tema delimitado: Participação política de jovens universitários nas redes sociais no Brasil (2020–2025)
2. Problema de pesquisa
O problema é uma pergunta de pesquisa — a questão central que seu estudo tentará responder. Deve ser claro, delimitado, viável de ser respondido empiricamente e relevante academicamente. Não use “por que” diretamente — prefira formulações que admitam verificação.
3. Justificativa
Aqui você responde: por que esta pesquisa é necessária agora? A justificativa tem três dimensões: relevância social (quem se beneficia?), relevância acadêmica (que lacuna teórica preenche?) e viabilidade (você consegue fazer isso?). Evite justificativas vagas como “o tema é importante”.
4. Objetivos
O objetivo geral deve refletir diretamente o problema de pesquisa — é a resposta antecipada em forma de ação. Sempre comece com verbo no infinitivo: analisar, investigar, identificar, comparar, avaliar. Os objetivos específicos são as etapas para chegar ao geral — geralmente 3 a 4, cada um correspondendo a uma parte do desenvolvimento do trabalho.
Objetivos específicos:
- Identificar os padrões de uso de redes sociais para fins políticos entre estudantes de graduação;
- Mensurar a correlação entre exposição a conteúdo político online e taxa de comparecimento às urnas;
- Comparar o engajamento digital de estudantes de universidades públicas e privadas;
- Mapear os fatores que inibem a participação política presencial mesmo entre jovens digitalmente ativos.
5. Hipótese
A hipótese é uma resposta provisória ao problema, que será confirmada ou refutada pela pesquisa. É obrigatória em pesquisas quantitativas e explicativas. Em pesquisas qualitativas e exploratórias, pode ser substituída por uma “questão norteadora” ou suprimida.
6. Revisão de literatura
Esta seção demonstra que você conhece o que já foi produzido sobre o tema. Deve apresentar os principais autores, teorias e pesquisas empíricas relacionadas — não é um catálogo de resumos, mas uma discussão crítica. Para um projeto de TCC, 4 a 6 páginas são suficientes. Para seleção de mestrado, 8 a 12 páginas são esperadas.
Use o SciELO Brasil e o Portal de Periódicos CAPES para encontrar artigos atuais — preferencialmente dos últimos 5 anos para o referencial teórico principal.
7. Metodologia
A metodologia descreve como a pesquisa será feita. Deve incluir: natureza da pesquisa (qualitativa, quantitativa ou mista), tipo de pesquisa (exploratória, descritiva, explicativa), método de coleta (survey, entrevista, análise documental, observação), universo e amostra, instrumento de coleta (questionário estruturado, roteiro de entrevista) e como os dados serão analisados (análise estatística, análise de conteúdo, análise do discurso).
8. Cronograma
O cronograma lista as atividades do projeto e quando cada uma será executada. Apresente-o em tabela, com as etapas nas linhas e os meses nas colunas. Marque com “X” os períodos de execução de cada atividade.
Exemplo completo em Ciências Sociais
Abaixo, veja como ficaria um projeto de pesquisa real para TCC em Ciências Sociais, com todas as seções preenchidas:
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO — FACULDADE DE FILOSOFIA, LETRAS E CIÊNCIAS HUMANAS
Departamento de Ciência Política
TCC — Projeto de Pesquisa
1. TEMA
Engajamento político digital e participação eleitoral de jovens universitários brasileiros (2020–2025).
2. PROBLEMA DE PESQUISA
Em que medida o engajamento de jovens universitários brasileiros nas redes sociais digitais influencia sua participação em eleições municipais, considerando o ciclo eleitoral 2020–2024?
3. JUSTIFICATIVA
O Brasil registrou abstenção superior a 30% entre eleitores de 18 a 24 anos nas eleições de 2022, segundo dados do TSE. Paralelamente, pesquisas do IBGE (2023) indicam que 94% dos jovens brasileiros de 15 a 29 anos acessam internet diariamente, com uso médio de 4,7 horas em redes sociais. A aparente contradição entre alto engajamento digital e baixa participação eleitoral representa uma lacuna teórica relevante nos estudos de comportamento político juvenil no Brasil, ainda pouco explorada em comparação com a literatura norte-americana e europeia.
4. OBJETIVOS
Geral: Analisar a relação entre engajamento político digital e participação eleitoral de jovens universitários brasileiros nas eleições municipais de 2020 e 2024.
Específicos:
- Identificar padrões de consumo de conteúdo político nas redes sociais entre estudantes de graduação da USP e UNIFESP;
- Mensurar a correlação entre frequência de engajamento digital político e comparecimento às urnas;
- Comparar resultados por sexo, curso e renda familiar;
- Mapear fatores inibidores da participação presencial.
5. HIPÓTESE
Existe correlação positiva entre o nível de engajamento político nas redes sociais e a participação eleitoral de jovens universitários — porém, essa correlação é moderada por fatores socioeconômicos, sendo mais forte entre estudantes de classe média e alta do que entre estudantes de baixa renda.
6. REVISÃO DE LITERATURA (síntese)
Os estudos sobre cidadania digital partem de duas perspectivas teóricas principais: a teoria da mobilização (Norris, 2001) e a teoria do deslocamento (Putnam, 2000). Norris defende que as redes sociais ampliam o repertório de participação política, especialmente entre jovens. Putnam, por outro lado, argumenta que o engajamento online pode substituir — em vez de complementar — o engajamento presencial.
No Brasil, os trabalhos de Aggio e Reis (2013) e de Penteado et al. (2022) apontam para um padrão híbrido: jovens brasileiros usam redes sociais tanto para mobilização quanto para expressão identitária, sem necessariamente converter esse engajamento em voto. A ausência de estudos longitudinais que acompanhem o mesmo coorte em dois ciclos eleitorais justifica a presente proposta.
7. METODOLOGIA
Pesquisa de natureza quantitativa, de tipo descritivo-explicativo. Coleta de dados por survey online aplicado a 300 estudantes de graduação da USP e UNIFESP (amostra não probabilística por conveniência, com estratificação por curso). Instrumento: questionário estruturado com 28 perguntas fechadas (escala Likert 1–5 para frequência de engajamento; pergunta direta sobre comparecimento eleitoral). Análise: estatística descritiva e regressão linear multivariada no SPSS. Aprovação do projeto no Comitê de Ética da instituição prevista para o mês 2 do cronograma.
8. CRONOGRAMA
| Atividade | Mar | Abr | Mai | Jun | Jul | Ago | Set | Out | Nov |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Revisão bibliográfica | X | X | |||||||
| Elaboração do questionário | X | X | |||||||
| Aprovação no CEP | X | X | |||||||
| Coleta de dados (survey) | X | X | |||||||
| Análise dos dados | X | X | |||||||
| Redação do TCC | X | X | |||||||
| Revisão e entrega | X |
Erros mais comuns por seção
| Seção | Erro frequente | Correção |
|---|---|---|
| Tema | Tema muito amplo (“educação no Brasil”) | Delimite tempo, espaço e recorte teórico |
| Problema | Pergunta não é verificável (“como melhorar X?”) | Use perguntas que admitam resposta empírica |
| Justificativa | Vaga e sem dados (“é um tema relevante”) | Use estatísticas e mostre a lacuna teórica |
| Objetivo geral | Dois objetivos em um (“analisar e propor”) | Um único verbo de ação, um único propósito |
| Objetivos específicos | Objetivos que são etapas metodológicas (“coletar dados”) | Use verbos cognitivos: identificar, comparar, analisar |
| Revisão de literatura | Lista de resumos sem análise crítica | Mostre como os autores dialogam entre si |
| Metodologia | Não define amostra nem instrumentos concretos | Especifique: quem, quantos, como, com que instrumento |
| Cronograma | Todas as atividades no último mês | Distribua realisticamente, com sobreposição quando necessário |
Como apresentar o projeto ao orientador
O orientador é seu parceiro mais importante no TCC — não seu avaliador. Apresentar o projeto de forma estruturada cria confiança e acelera a aprovação. Siga estas etapas:
- Envie com antecedência. Mande o projeto por e-mail ao menos 3 dias antes da reunião, pedindo que o orientador leia previamente. Isso evita que vocês percam tempo de reunião na leitura inicial.
- Estruture a apresentação oral em 3 partes: problema (2 min) → justificativa (2 min) → metodologia (3 min). Total: 7 minutos de apresentação e 15 de discussão.
- Apresente o que você não tem certeza. Orientadores valorizam honestidade intelectual. Se você não sabe como operacionalizar uma variável, diga — não invente.
- Leve referências impressas ou no celular. Mostrar que você já leu os autores principais demonstra comprometimento.
- Anote todos os feedbacks durante a reunião. Envie um e-mail de síntese 24h depois com o que foi acordado.
Para garantir que a formatação do seu projeto esteja perfeita antes de entregar ao orientador, verifique os erros ABNT mais comuns em monografias e como o Tesify pode ajudar a formatar referências automaticamente.
Formate seu projeto de pesquisa sem dor de cabeça
O Tesify formata as referências bibliográficas do seu projeto nas normas ABNT automaticamente — incluindo livros, artigos, sites e entrevistas. Grátis para começar.
Perguntas Frequentes
Quantas páginas deve ter um projeto de pesquisa para TCC?
Para TCC de graduação, um projeto bem desenvolvido tem entre 15 e 25 páginas (excluindo capa e referências). Para seleção de mestrado, os programas geralmente pedem entre 8 e 15 páginas. Consulte o regulamento específico do seu curso — alguns exigem projetos mais curtos de 5 a 8 páginas como pré-projeto.
O projeto de pesquisa precisa ter hipótese obrigatoriamente?
Não. A hipótese é obrigatória em pesquisas quantitativas explicativas e em estudos experimentais. Em pesquisas qualitativas exploratórias (estudos de caso, etnografia, pesquisa-ação), é comum substituir a hipótese por uma “questão norteadora” ou simplesmente omitir esta seção, deixando os objetivos cumprir essa função orientadora.
Qual a diferença entre objetivo geral e objetivos específicos?
O objetivo geral é único e representa a finalidade maior da pesquisa — o que você quer alcançar como resultado. Os objetivos específicos são as etapas analíticas para chegar lá, geralmente de 3 a 4 itens. Uma forma de checar se estão corretos: os objetivos específicos, somados, devem resultar no objetivo geral.
Posso mudar o projeto de pesquisa depois de aprovado pelo orientador?
Sim, e isso é mais comum do que parece. O projeto é um plano inicial — ajustes são esperados conforme você aprofunda a revisão de literatura e encontra limitações metodológicas. O importante é comunicar qualquer mudança significativa ao orientador e, se o curso exigir, registrar o adendo no sistema da instituição.
Projeto de pesquisa e projeto de TCC são a mesma coisa?
Na prática acadêmica brasileira, sim — o projeto de TCC segue a estrutura da ABNT NBR 15287 para projetos de pesquisa. Algumas instituições chamam o documento inicial de “pré-projeto” (mais curto, sem metodologia detalhada) e o segundo de “projeto” (completo, com cronograma e instrumento). Consulte o regulamento do seu curso para saber qual deles é exigido na sua fase.
Como fazer referências ABNT no projeto de pesquisa?
As referências do projeto seguem a NBR 6023:2018, assim como no TCC final. Devem aparecer em lista no final do documento, em ordem alfabética, alinhadas à esquerda, com espaçamento simples entre linhas e espaço de 1 linha entre cada referência. Veja nosso guia completo de referências ABNT com exemplos de todos os tipos.
Para completar seu repertório metodológico, veja também como fazer o TCC do início ao fim e como usar o guia completo de referências ABNT para garantir que todas as fontes estejam corretamente citadas.
