Introdução de Tese: Exemplo e Modelo 2026

Introdução de Tese: Exemplo e Modelo 2026

Escrever a introdução de uma tese parece simples — é o primeiro capítulo, certo? Na prática, é frequentemente o mais difícil. A introdução tem de contextualizar o problema, justificar a relevância do estudo, apresentar a pergunta de investigação e delinear a estrutura de toda a dissertação — tudo isso de forma concisa, clara e convincente. E deve ser escrita por último, quando o trabalho já está praticamente completo.

Este guia apresenta os componentes obrigatórios da introdução de uma tese de mestrado em Portugal, com exemplos concretos adaptados a diferentes áreas científicas — ciências sociais, gestão, engenharia, saúde e humanidades — para estudantes das universidades portuguesas em 2026.

5 componentes obrigatórios da introdução de tese: (1) Contextualização do tema, (2) Justificação da relevância, (3) Lacuna na literatura, (4) Pergunta de investigação e objetivos, (5) Estrutura da dissertação. Extensão: 5-15 páginas.

Quando Escrever a Introdução

A introdução deve ser escrita por último — depois de a conclusão estar escrita e o trabalho praticamente completo. Este princípio contraria a intuição (afinal, a introdução vem primeiro no documento) mas é o segredo para uma introdução eficaz.

Porquê? Porque só quando o trabalho está completo é possível:

  • Saber exatamente o que o trabalho contém e o que concluiu
  • Apresentar a pergunta de investigação com a formulação final (que frequentemente muda durante o processo)
  • Descrever com precisão a estrutura do documento
  • Calibrar o nível de contextualização adequado para o leitor

É normal escrever um rascunho da introdução no início — funciona como ponto de partida e âncora. Mas o texto final deve ser escrito depois de terminar a conclusão.

Os 5 Componentes Obrigatórios

A introdução de uma tese de mestrado em Portugal deve incluir cinco elementos fundamentais, geralmente apresentados nesta ordem:

  1. Contextualização do tema — o problema no mundo real e/ou académico
  2. Justificação da relevância — porquê investigar este tema agora?
  3. Lacuna na literatura — o que os estudos anteriores não responderam
  4. Pergunta de investigação e objetivos — o que este estudo vai investigar
  5. Estrutura da dissertação — mapa do documento para o leitor

Alguns regulamentos institucionais exigem elementos adicionais — como uma breve descrição da metodologia ou das principais contribuições esperadas. Consulte sempre o regulamento da sua faculdade.

Componente 1: Contextualização do Tema

A contextualização situa o problema no panorama académico e/ou social mais amplo. O objetivo é mostrar ao leitor que o tema é real e relevante — não uma abstração académica.

Estratégias eficazes para começar:

  • Uma estatística recente e surpreendente que ilustra a dimensão do problema
  • Uma citação de um autor de referência que sintetiza o debate na área
  • Uma situação concreta que exemplifica o problema (caso real, fenómeno observado)
  • Uma afirmação sobre a evolução recente da área que torna a investigação oportuna

Exemplo (saúde pública):

“Em 2024, Portugal registou um dos mais baixos índices de literacia em saúde mental da Europa Ocidental, com 68% dos jovens adultos incapazes de identificar corretamente os sintomas de depressão moderada (Eurobarometer, 2025). Este cenário coloca desafios crescentes aos sistemas de saúde e às políticas de prevenção, tornando urgente a compreensão dos fatores que mediam a procura de ajuda profissional por parte desta população.”

Componente 2: Justificação da Relevância

Depois de contextualizar o problema, justifique explicitamente porque é relevante investigá-lo agora. A relevância pode ser académica (lacuna no conhecimento), social (impacto prático), económica (custo do problema) ou política (agenda de políticas públicas).

Evite justificações genéricas (“Este tema é importante para a sociedade”). Seja específico: que lacuna específica este estudo vai preencher? Para quem é relevante? Com que urgência?

Componente 3: A Lacuna na Literatura

A lacuna é o argumento central que justifica a realização do estudo. Deve ser fundamentada na revisão da literatura — não pode ser afirmada sem evidência. A formulação mais comum é:

“Embora estudos anteriores tenham investigado X, nenhum analisou Y em contexto Z, o que representa uma lacuna significativa na literatura dado que…” ou “A maioria dos estudos sobre X foca-se em [população/contexto/método] excluindo [outro contexto/método], o que limita a generalização dos resultados para…”

Importante: A lacuna deve ser específica e fundamentada. Um júri experiente vai verificar se a lacuna que afirma existe realmente existe — e se o seu estudo a preenche adequadamente.

Componente 4: Pergunta de Investigação e Objetivos

Após apresentar a lacuna, a pergunta de investigação surge naturalmente como a resposta a essa lacuna. Deve ser formulada de forma precisa e num único parágrafo curto.

Exemplo de formulação:

“Esta dissertação tem como objetivo central responder à seguinte pergunta de investigação: Em que medida as práticas de gestão de recursos humanos baseadas na confiança influenciam o compromisso organizacional de trabalhadores remotos em empresas tecnológicas portuguesas? Para responder a esta pergunta, foram definidos os seguintes objetivos específicos: [listar 3-5 objetivos mensuráveis e verificáveis].”

Componente 5: Estrutura da Dissertação

O último elemento da introdução é uma breve descrição da estrutura do documento — um mapa que orienta o leitor. É um parágrafo ou secção curta (10-15 linhas) que descreve o conteúdo de cada capítulo.

Exemplo:

“A dissertação está organizada em seis capítulos. O Capítulo 1, correspondente a esta introdução, apresenta o problema de investigação e os objetivos do estudo. O Capítulo 2 desenvolve o enquadramento teórico, com foco nas teorias do compromisso organizacional e na literatura sobre trabalho remoto. O Capítulo 3 descreve a metodologia adotada. Os Capítulos 4 e 5 apresentam os resultados e a sua discussão, respetivamente. O Capítulo 6 apresenta as conclusões, contribuições, limitações e recomendações para investigação futura.”

Exemplos de Introdução por Área

Engenharia / Informática

As introduções em engenharia tendem a ser mais técnicas e diretas. Começam com o problema tecnológico (e.g., “A crescente complexidade dos sistemas de software distribuído tem levantado desafios de escalabilidade que os algoritmos de consenso existentes não conseguem resolver eficientemente em ambientes heterogéneos…”) e passam rapidamente para a proposta técnica.

Ciências Sociais / Educação

As introduções em ciências sociais contextualizam mais amplamente o fenómeno social em estudo, com maior ênfase em dados estatísticos de contexto e na dimensão política ou social do problema antes de chegar à pergunta de investigação.

Gestão / Economia

As introduções em gestão frequentemente começam com dados sobre o contexto empresarial ou económico, evidenciando o impacto prático do problema antes de identificar a lacuna na literatura académica.

Erros a Evitar

  • Começar com afirmações demasiado genéricas — “Desde os primórdios da humanidade…” — o júri perde o interesse imediatamente
  • Escrever a introdução primeiro — leva a uma introdução desalinhada com o produto final
  • Incluir resultados na introdução — a introdução apresenta o problema e os objetivos, não os achados
  • Omitir a pergunta de investigação — deve ser explícita, não implícita
  • Extensão inadequada — introduções demasiado curtas (1-2 páginas) ou demasiado longas (>20 páginas)
  • Descrição da estrutura demasiado genérica — “O segundo capítulo é a revisão de literatura” — sem descrever o que contém

Para orientação completa sobre todos os capítulos da dissertação, consulte o nosso guia sobre a estrutura de uma tese e o guia sobre tese de mestrado.

Perguntas Frequentes

Quantas páginas deve ter a introdução de uma tese?

A introdução de uma tese de mestrado em Portugal deve ter geralmente entre 5 e 15 páginas (1.500 a 4.000 palavras). Teses mais longas (150+ páginas) podem ter introduções mais extensas; teses mais curtas (80-100 páginas) devem ter introduções mais concisas. O critério não é a extensão em si, mas incluir todos os elementos necessários sem repetição nem digressão.

A introdução deve ter referências bibliográficas?

Sim. A introdução inclui referências, especialmente na contextualização do tema (dados estatísticos, afirmações sobre o estado da arte) e na identificação da lacuna na literatura. No entanto, o número de referências deve ser moderado — a revisão aprofundada da literatura é feita no capítulo seguinte. Tipicamente, a introdução tem 10-25 referências.

Posso escrever a introdução em primeiro lugar?

Pode escrever um rascunho inicial da introdução para ter um ponto de partida — muitos orientadores até pedem isso como parte do projeto de tese. Mas a versão final da introdução deve ser escrita depois de os restantes capítulos estarem praticamente completos. Só então é possível apresentar com precisão a pergunta de investigação na sua formulação final e descrever corretamente o conteúdo de cada capítulo.

Quantos objetivos específicos deve ter a tese?

A maioria das dissertações de mestrado tem entre 3 e 5 objetivos específicos. Cada objetivo deve ser mensurável e verificável — ou seja, no final do trabalho deve ser possível dizer se foi atingido ou não. Evite objetivos demasiado vagos (“compreender melhor o fenómeno”) e prefira formulações precisas (“identificar os fatores que…”, “comparar os níveis de…”, “analisar a relação entre…”).

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