Estrutura de uma Tese: Modelo e Exemplos 2026
Conhecer a estrutura de uma tese antes de começar a escrever poupa semanas de trabalho e evita erros de organização que os júris penalizam. Em Portugal, as universidades — UP, ULisboa, UCoimbra, UMinho, Nova SBE — partilham um modelo estrutural comum, com variações por área científica e por regulamento institucional. Este artigo apresenta o modelo completo, com exemplos práticos e recomendações de extensão para cada secção.
Seja em ciências sociais, engenharia, saúde ou gestão, a estrutura da sua dissertação de mestrado segue uma lógica universal: da contextualização do problema, à revisão do conhecimento existente, à metodologia de investigação, aos resultados, à discussão e às conclusões. Perceber a função de cada capítulo é o primeiro passo para o escrever bem.
Páginas Preliminares
As páginas preliminares precedem o corpo da dissertação e fornecem ao leitor as informações essenciais de identificação e navegação. São geralmente numeradas em algarismos romanos (i, ii, iii…) e não contam para o total de páginas do corpo do trabalho.
- Capa: título completo, nome do autor, logótipo da universidade, nome do orientador, curso e ano
- Página de rosto: igual à capa, com adição da declaração de autoria e dos direitos
- Declaração de originalidade: confirmação de que o trabalho é original e não foi submetido noutro contexto
- Resumo (português): máximo 300-500 palavras; apresenta o problema, os métodos, os resultados principais e as conclusões
- Abstract (inglês): tradução do resumo; obrigatório na maioria das universidades
- Palavras-chave: 4-6 termos em português e inglês
- Agradecimentos: opcional, mas recomendado (orientador, financiadores, participantes)
- Índice geral, de figuras, de tabelas, de abreviaturas
Introdução
A introdução é a janela da dissertação — o primeiro contacto do júri com o trabalho. Deve contextualizar o problema, justificar a relevância da investigação e apresentar claramente a pergunta de investigação, os objetivos e a estrutura do documento. Para um guia detalhado sobre como escrever a introdução, veja o nosso artigo sobre introdução de tese.
Extensão típica: 5-15 páginas (1.500-4.000 palavras)
Elementos essenciais:
- Contextualização do tema e justificação da relevância académica e/ou social
- Lacuna na literatura que a investigação visa colmatar
- Pergunta de investigação e objetivos (geral e específicos)
- Breve apresentação da metodologia
- Estrutura e organização do trabalho
Revisão de Literatura
A revisão de literatura (também designada revisão da literatura, estado da arte, enquadramento teórico ou fundamentação teórica) apresenta e critica o conhecimento existente sobre o tema, identificando tendências, debates e lacunas.
Extensão típica: 20-40 páginas (8.000-15.000 palavras)
Princípios de uma boa revisão:
- Organização temática — não por artigo ou por cronologia
- Síntese crítica — compare, contraste e questione as posições dos autores
- Fontes primárias — prefira artigos originais a revisões de terceiros sempre que possível
- Atualidade — inclua fontes dos últimos 5 anos; as fontes fundacionais podem ser mais antigas
- Culmina na identificação da lacuna que justifica a investigação
Metodologia
A metodologia descreve como a investigação foi conduzida — o “como” que permite ao leitor avaliar a credibilidade dos resultados e replicar o estudo. É um dos capítulos mais criticamente avaliados pelo júri.
Extensão típica: 10-20 páginas (3.000-7.000 palavras)
Componentes obrigatórios:
- Paradigma epistemológico e abordagem metodológica
- Design de investigação
- Participantes / população e amostra
- Instrumentos de recolha de dados (com justificação da escolha)
- Procedimentos de recolha e análise
- Estratégias de validade e fiabilidade
- Considerações éticas
Resultados
O capítulo de resultados apresenta os dados obtidos de forma objetiva, sem interpretação. É a resposta empírica à pergunta de investigação. A interpretação é feita no capítulo de discussão.
Extensão típica: 15-25 páginas (5.000-10.000 palavras)
Boas práticas:
- Para dados quantitativos: use tabelas e gráficos com estatísticas descritivas e resultados de testes
- Para dados qualitativos: apresente os temas/categorias com excertos ilustrativos das entrevistas ou documentos
- Organize os resultados pela ordem dos objetivos específicos da investigação
- Toda a figura e tabela deve ter número, título e ser referida no texto
Discussão
A discussão é onde o investigador demonstra a capacidade de pensar criticamente. Interpreta os resultados à luz da literatura, explica as convergências e divergências, e discute as implicações dos achados.
Extensão típica: 10-20 páginas (4.000-8.000 palavras)
Estrutura sugerida:
- Síntese dos principais resultados
- Interpretação à luz da literatura — o que confirma, contradiz ou acrescenta?
- Explicação de resultados inesperados
- Implicações teóricas e práticas
- Limitações do estudo
Conclusão
A conclusão fecha o ciclo da dissertação. Retoma a pergunta de investigação e responde-lhe de forma sintética, com base nos resultados obtidos. Não introduz ideias novas. Para exemplos detalhados, veja o nosso guia sobre conclusão de tese.
Extensão típica: 5-10 páginas (1.500-3.000 palavras)
Elementos obrigatórios:
- Resposta à pergunta de investigação
- Principais contribuições do trabalho
- Limitações da investigação
- Recomendações para investigação futura
- Implicações práticas (quando relevante)
Referências e Apêndices
As referências bibliográficas listam todas as fontes citadas no texto, formatadas nas normas exigidas (APA 7.ª edição é a mais comum em Portugal). Use sempre um gestor de referências — Zotero, Mendeley ou EndNote — para automatizar a formatação e evitar erros. Veja o nosso guia sobre referências bibliográficas para mais detalhes.
Os apêndices contêm materiais produzidos pelo investigador (questionários, guiões de entrevista, tabelas adicionais). Os anexos contêm materiais de terceiros relevantes para o estudo. Ambos são identificados com letras maiúsculas (Apêndice A, Apêndice B…).
Variações por Área Científica
A estrutura apresentada é o modelo padrão em ciências sociais e humanas. Existem variações significativas por área:
| Área | Variações Comuns |
|---|---|
| Ciências da Saúde | Formato IMRAD (Introduction, Methods, Results, Discussion); normas Vancouver para referências |
| Engenharia | Capítulo de “Estado da Arte” em vez de “Revisão de Literatura”; normas IEEE; secção de “Implementação” e “Validação” |
| Direito | Referências de jurisprudência e legislação; metodologia dogmática ou empírica |
| Artes e Humanidades | Estrutura mais flexível; argumentação ensaística; normas Chicago ou MLA para referências |
Perguntas Frequentes
Qual a extensão normal de uma tese de mestrado em Portugal?
Uma tese de mestrado em Portugal tem geralmente entre 80 e 150 páginas de corpo de texto, excluindo referências e apêndices. Em engenharia, as teses tendem a ser mais curtas (60-100 páginas); em ciências sociais e humanidades, podem ultrapassar as 150 páginas. Confirme sempre os limites definidos no regulamento do seu mestrado.
A introdução e a conclusão da tese são escritas em que momento?
A introdução e a conclusão devem ser escritas por último, quando o corpo da dissertação está praticamente completo. Só nessa altura o investigador conhece com precisão o que o trabalho produziu e pode apresentá-lo de forma coerente. Muitos estudantes cometem o erro de escrever a introdução no início e depois têm de a reescrever completamente.
Resultados e discussão podem ser um capítulo único?
Sim, em algumas áreas e instituições é possível fundir os capítulos de resultados e discussão num único capítulo (“Resultados e Discussão”). Esta opção é mais comum em investigação qualitativa, onde a separação entre apresentação e interpretação dos dados é menos rígida. Confirme com o seu orientador se esta opção é aceite no seu contexto.
O que vai nos apêndices da tese?
Os apêndices contêm materiais produzidos pelo próprio investigador que são relevantes mas demasiado extensos para o corpo do texto — questionários, guiões de entrevista, transcrições, tabelas de dados completas, código de programação, resultados de análises complementares. Os anexos, por seu lado, contêm materiais de terceiros citados na dissertação.
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